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Saturday, April 1, 2023

Última postagem do bog

Introito

Regozigem-se detratores, alegrem-se picaretas, comprazam-se importadoras tubaronas; entregarei os pontos com esta postagem. Mas não sem antes disparar a última saraivada de flechas, o último tiro e promover a derradeira comparação de má prática em nosso mercado.

Na postagem passada comentei a sanha dos compradores por descontos de 40%, 50%, ilustrando como um preço devidamente alto pode passar por um desconto de 50% e ainda propiciar um ganho de 3x para o importador. Aqui vão exemplos de descontos de até 40%, trazendo o custo para a razoável média de duas vezes o valor do produto lá fora. A Chez France, importadora da qual já falei muito bem em diversas oportunidades tem trilhado esse caminho: aumenta o preço dos vinhos para então oferecer descontos de até 50%, e fazendo a devida comparação com o Wine Searcher descobrimos ser um ajuste para margens anteriormente praticadas por ela própria. O hábito de descontos quase semanais da importadora vicia o comércio, prejudica o comprador de boa fé mais desatento e afasta o lojista experiente de representar seus produtos: como um empresário pode comprar um estoque e de repente encontrar um desconto desse tamanho na própria importadora? O problema não acaba aí...


De repente a Chez tem seu Clube do Vinho. Supõe-se o membro fiel receber regalias outras além do consumidor comum, não é mesmo? Veja a roubada: ao participar do plano elegante desembolsamos 400tão por duas garrafas, o que dá 200tão, porcada (sic! rs!). Aí vem a promo acima, e o comprador eventual paga R$ 188,30 pelo Château du Retout Haut Médoc 2018. Tá, se comprar meia dúzia. Faço assim: junto mais dois, ficamos com duas garrafas cada por um valor menor ao cobrado do fiel participante do Clube. Belo negócio, para o clubista, heim? E sim, esse vinho entrou na entrega do plano mais caro da Chez France, conforme atesta a confrade Luciana. Ela até deixou sua garrafa em minha adega n'algum encontro daqueles onde o Ghidelli bradava É muito vinho! 🤣


Nada é tão ruim a ponto de não poder piorar... nesta semana aparentemente o Château du Retout está em 'promo' com 30% de desconto, a R$ 188,30 a unidade, independente da caixa anteriormente ofertada. Quer dizer, o pessoal da importadora se perde tanto na pilantragem a ponto de criar incongruências sem conta: a opção mais dispendiosa do Clube do Vinho tem seu produto vendido posteriormente a valor inferior para o público em geral! Se parassem de forçar a barra nessas promoções sem muito sentido e se concentrassem em vender a bons preços - como faziam antes! - não passariam por esse carão. Luciana, já alertei: ser membro do Clube da Chez deixou de fazer sentido! 

Se o vinho é bom? Se vale quanto pesa? Ainda não bebi. Mas é um Cru Bourgeois, indicativo de qualidade superior aos Bordeaux comuns. Seu preço nos EUA - embora em apenas uma cadeia, não encontrei em mais lojas - é USD 20,00. Ora, grosso modo, USD 20 x R$ 5,00 = R$ R$ 100,00 x 2 = R$ 200,00. O custo tanto em Chez France quanto em Enoeventos, abaixo de 2x, indica boa compra. Certo, certo, Enoeventos vende a R$ 190,00 no Enoclube deles. Compre uma caixa sortida e negocie. Se o Oscar não te vender, compre lá na Chez. Ou adquira outro vinho bem comprado em outro lugar, que o mar não está para peixe. Conforme já comentei, o membro do Clube da Enoeventos tem a vantagem de pagar o valor de membro comprando uma única garrafa, e pode parcelar. Se o importador não vê como bom negócio conceder o mesmo desconto para a compra de uma caixa, à vista, garanto para você: tem oferta sobrando por aí.


Reunião com as Moiras

As Moiras Renata, Dayane e Luciana e Nix, este a vos escrever, encontramo-nos há algum tempo. Apresentei três garrafas às cegas, para protesto das meninas em não poderem colaborar senão bebendo, e felizmente a reunião esteve tão animada a ponto de ninguém ter fotografado nós mesmos ou as garrafas... Foram servidos, por ordem, o Bota Velha Vinhas Antigas 2018, do Douro, R$ 102,00; o Cinco Forais Reserva 2017, do Alentejo, R$ 77,11, ambos comprados junto à Chez France em 'promo' de 50%, e o Vinha da Defesa 2018, do Alentejo, R$ 60,00, comprado também em 'promo', sem a qual o preço chega a R$ 96,00. Vinhos alegres, fruta presente, o Bota Velha manifestou-se com mais álcool, taninos mais adstringentes e um dulçor maior, na opinião geral. Estava mais desequilibrado. O Cinco Forais denotou melhor equilibrado, acidez um pouco mais presente, final mais atraente, e o Defesa não estava ruim, apenas evidenciou-se com menor qualidade dentre os três. A partir de algum momento os vinhos foram mostrados e o resultado esperado por este Enochato - deixados livres e às cegas os melhores vinhos sempre encontram as boas taças primeiro - fez-se valer: Cinco Forais foi bem consumido, Bota Vela sobrou um tanto e Defesa estava acima de meia garrafa. Até achei ter pago R$ 60,00 no Bota Velha, e conferindo a nota para a postagem veio a surpresa, de R$ 102,00. O Cinco Forais acertei melhor, disse estar na faixa de R$ 75,00, e valeu a pena. O Defesa, já meu conhecido de muito tempo, é aquilo mesmo: importado por tubarona no mercado, é um vinho de 50tinha. Por 60tão, é o limite da compra. Seria legal compará-lo com sul-americanos de 60tão, qualquer hora... Como dica, creio ser o Defesa branco bem melhor. Apresentei-o a outra confraria - As Meninas - e elas amaram. Fui 'obrigado' por elas a capinar o Defesa branco em 'promo', e tive ajuda da Moira Renata. As Meninas agradecem...




   Bem, chego ao final da postagem. Nos últimos tempos participei de diversos outros encontros, não postados. Até teve vinho interessante, mas como lamentei na postagem anterior o ímpeto de escrever foi-me sugado pelos passamentos de pessoas próximas e queridas. Preciso passar a régua nisso tudo, e seguir em frente. Digo, preciso passar a régua nos vinhos degustados e desistir de correr atrás para postá-los; será muito esforço. A detratoria pensou ser esta a última postagem geral do blog? Sabi di nada, inocenti! Foi a última postagem atrasada de vinhos, somente. Até porque, leitor, hoje é primeiro de abril, e não resisti a uma brincadeira assim pelo menos uma vez ao longo dos mais de 10 anos escrevendo neste. Até a próxima!

Friday, June 11, 2021

Por que devemos doar comida aos necessitados, durante a pandemia?

Introito

   Repito, com muita tranquilidade, o título desta postagem: por que devemos doar comida aos necessitados, durante a pandemia? Ora, é dever do Estado promover o bem-estar social. Para que pagamos impostos em níveis comparáveis aos do norte da Europa, onde serviços como educação e saúde são commodities disponíveis para todos? Essa promoção de bem estar deveria estar na veia de nossos governantes, principalmente sendo eles de esquerda. Não duvide, eram. Nosso Guia quem disse! Somos egressos de 22 anos de governos de esquerda - votei em alguns deles. Resultado: 8 anos de um idiota, 8 anos de um ladrão e 6 anos de uma retardada, esta alijada do poder pelo bem da nação mas não por causa disso pelo congresso que a mandou pastar. Novamente: por que devemos doar comida aos necessitados, durante a pandemia? 

Quem se lembra dos 'cinco dedos' do idiota mor? Educação, segurança, agricultura, saúde e empregos... Entregou (muito mal) os dois primeiros. Sem empregos - principalmente - tudo o mais ruiu. O ladro mor recebeu um país algo ajeitado - obrigação, não mérito! - do anterior. Tanto que nada mudou na política econômica que continuou chamando de herança maldita. Surfou ótima onda. Poderia ser o maior herói da nação desde Caxias, mas escolheu irmanar-se com Judas; vendeu o voto e alma pro diabo, aliás negociou com o próprio para enfiar-nos goela abaixo - e aceitamos! - um poste, um 'zé', um zero à esquerda, um paspalho que, em eleição presidencial recente aceitou usar a máscara de seu mentor em vez de mostrar a própria face ao eleitorado que disputava! É eleitor dele e não se lembra? Então é idiota também. Ou, se puder, prove que não... porque eu provo que sim...

Depois, uma retardada que sonhava em estocar vento, impedida de continuar a governar para o bem e felicidade geral da nação, sequer conseguiu elejer-se senadora disputando uma de duas vagas para o posto, onde ficou em quarto lugar tendo toda a impresa colocá-la em primeiro durante praticamente todo o tempo. Imprensa e importadores energúmenos... tudo a ver! Canalhas, todos eles. Canalhas! Já dizia Falcão, a cara de um é o cu do outro! Todos esses tiveram 22 anos para suprir o país com boa educação, condições de emprego e saúde. Nada. Retrocedemos. E quando achávamos que nada poderia piorar, retrocedemos ao Zero, ao Vácuo, ao obscurantismo absoluto, às trevas completas. Estaríamos melhor na Idade Média: as trevas eram pesadas, mas não completas. Resumo a ópera assim: já não aceito ser governado por um idiota. O que dizer de um ladrão?! E o que dizer de uma retardada, que, segundo apontam investigações preliminares, é também uma ladra?
   Voltando ao tema: por que devemos doar comida aos necessitados, durante a pandemia? Por motivos muito, muito simples: 1) Somos melhores do que essa caterva ignara que vem nos governando desde há muito. 2) Acreditamos no que é bom e honesto (só precisamos não nos deixar levar por mentiras óbvias e engodos descarados). 3) A parte esclarecida - e também a mais humilde! - da nação é composta por gente de boa índole e boa fé. O problema parece-me estar no miolo. Por falta de educação - e tudo o que isso acarreta: falta de moral, falta de senso cívico, falta de honestidade - estamos uma nação de Gersons onde é mister levarmos vantagem em tudo. Cuidado. Isso poderá levar-nos ao fundo do poço sem fundo (sic!). Portanto está respondido porque devemos doar  comida aos necessitados, durante a pandemia. Doe. Eu doei ontem. Alguns supermercados 'organizam' uma caixa onde você deposita sua doação. O seu organiza? Se não organiza, mude! Mude como eu mudei de importadores há muito, muito tempo. E fechando: se não aceito ser governado por idiotas, nem por ladrões, o que dizer sobre ser governado por um ladrão idiota?!

   O leitor (espero) seja generoso e indulgente se grande parte do espaço não trata de vinho. Já escrevi tempos atrás: falamos apenas de vinho - ou de literatura, ou de cinema, ou de teatro, ou de... o possa nos interessar! - quanto e somente quando a sensação de bem estar está em patamar mínimo que permite-nos suspender a realidade e atentarmo-nos apenas ao que é de deleite. Não tem sido o caso, e desde antes da pandemia. Infelizmente. Repasse essa ideia. Não a postagem, que nem é boa. Mas a ideia de doar, essa é boa. Vai com fé.

Voltando às origens

   A minha passagem para os vinhos europeus começou de várias formas, e uma delas foi em conversas com o Homero, da Adega Paratodos, lá em Botucatu. Naquela época os vinhos chilenos ainda eram baratos, mas ele já avisava: - Se escolher vinhos um pouco mais caros, verá que os europeus são muito superiores aos sul-americanos. Dentre seus vinhos levei o Flor de Crasto, que gostei. Depois, quando apresentei o Homero ao Idinir, da Mercearia 3M aqui em S. Carlos, o primeiro fez a conexão do segundo com a Qualimpor, e fomos então abençoados com os produtos de Crasto e Esporão aqui no centro do estado. Um pouquinho depois apareceu o Vinha da Defesa. Em algum momento, lembro-me de ter comentado aqui que os vinhos da Qualimpor estavam ficando caros... Enoeventos comprovou isso, em suas diversas "Comparação das Importadoras" - dê uma googada nisso (sic!) e acompanhe os resultados; verá a margem do importador subindo periodicamente em dóla (sic). Parei de comprar, por muitos anos. Década. Acostumei a ver seu preço nas alturas, atualmente R$ 100,00+, e tinha opções melhores por aí. A Qualimpor - de propriedade do mesmo dono das vinícolas Crasto/Esporão, um banqueiro português (vitivinicultura é o menor dos negócios da família, portanto...) - trazia os vinhos com exclusividade - claro... claro? - Não! Às vezes vendia um container para algum supermercado aqui e ali, à socapa, dando um pinote na própria importadora que mantinha no Brasil. Vai saber; lógica portuguesa. Foi assim que comprei diversas garrafas no Carrefour, no início da década de '10 a valor bem menor do que os praticados pela importadora 'oficial'. Tipo... paguei R$ 24,00 quando o preço 'oficial' era R$ 42,00. Outros tempos. Outros dóla (sic).  Mas era um vinho do qual gostava... 

Já faz um tempo, a rede supermercadista Savegnago começou a comprar vinhos do grupo Verdemar - citei isso aqui! E eis que, diretamente do Soneto da Separação, de repente, não mais que de repente, aparece o Vinha da Defesa no rol de produtos. A um preço algo convidativo. Mas já experimentara dele; o Falcoaria estava ao lado, e eu não conhecia (R$ 99,00)... Dá-lhe, Falcoaria! Então Defesa entrou em 'promo', algo como R$ 60,00. Dá-lhe, Defesa! 😂 Ah, agora Falcoaria também está em 'promo'. Mas hoje foi dia de Vinha da Defesa 2018. Corte Touriga Nacional e Syrah, sem passagem por madeira, reavivou a memória dos velhos tempos. Ficou um pouco mais simples - mudei eu ou mudou o vinho? 🙄🤣😂 - mas a fruta está lá, bem divertida, bem vermelha, com mais algum toque que escapa à interpretação mais precisa. Boca com o travo doce dos portugueses, acidez presente, boa permanência, uma lembrança de chocolate ao leite. O final é um tanto curto, o que, pelo preço, justifica-se. Se o leitor está acostumado a sul-americanos do mesmo preço, então o final pode ser especialmente marcado e longo. Novamente: mudei eu ou mudou o vinho? Se encontrar Vinha da Defesa por R$ 70,00, saiba que nesse preço é um vinho que sobra. O álcool está bem contido, a acidez segura a persistência que pode surpreender. Esteja atento a esse detalhe. Não tem o impacto de uma Cabernet Sauvignon, mas tem a elegância do travo de quem sabe fazer vinho. 

Vinha da Defesa 'por aí'

Em Portugal, entre USD 6,00 e 9,00:

   Por aqui, a até R$ 133,90...

   O consumidor precisa estar atento. E não apenas na hora de comprar vinho...