Introito
O Governo Federal prepara-se para tacar a mão em mais 3 bilhas do orçamento da pesquisa. A fonte é a Academia Brasileira de Ciências. Um presidente cujo nome do meio não fosse Estúpido desceria a mão na cara do pai dessa ideia cretina. 😔 Não, parece que o pai é ele mesmo... Reformando: um Ministro da economia cujo nome do meio não fosse Idiota desceria a mão na cara do pai de tal ideia imbecil. 😣 Não, parece que nosso Ministro é a mãe da ideia. Nunca desejei que uma criança caísse de cara no chão logo ao nascer. Agora desejo.As novas marvadezas do Renê
As marvadezas do Renê vêm de longe, e sempre crescem. Alguma proposta dele pode até não ter saído como esperado - afinal, a troco de quê arriscamos? - mas seus alertas causam apreensão. Explico: gosto de comprar uma briga; dou uma boiada por qualquer uma (😱) apenas pelo prazer da argumentação. Daí o desafio soou à provocação e desci para a adega onde parei a pensar. Esta, e subi avisar o Ghidelli. Na quarta-feira a reunião aconteceu no Barone. Em 'u' pela esquerda, Ghidelli, Renê, Akira e este Enocato. Tentei aplicar um filtro embelezador em mim mesmo, e além de não produzir efeito algum, deixou-me mais gordo... filtros, nunca mais...
Início descompromissado: prenúncio de um final igualmente descompromissado...
O vinho do Renê estava preparado para serviço às cegas, ainda arrolhado. Não tive o mesmo cuidado com o meu; a ideia era chegar arrepiando 😂. Ninguém reparou nele... 🙄 e sedentos que estávamos, começamos por ele mesmo. O Akira pronunciou-se logo, com as orelhas em riste: - Mesmo aberto agora, tem nariz muito bom. Esse vinho está em seu melhor momento... Eu sabia, pois experimentara dele havia um ano, e estava ótimo. Pela cara do Akira, tive certeza de que enfrentaria tranquilamente o que o Renê jogasse para cima de mim - ele tem queda por Sul-americanos. Em frente, marche! Boa fruta, algo herbáceo, chocolate/fumo - acho que o Akira ainda falou 'violetas' - nunca consegui pegar isso! Boca com boa acidez, taninos bem amaciados, álcool sem aparecer, madeira discreta. Ferraton Crozes-Ermitage Le Grand Courtil 2009 mostrou as armas e ainda brindou-nos com boa persistência e final agradável. Não é longo, mas é marcado. Paguei menos de R$ 300,00 na Enoeventos, mas infelizmente mudou de casa, e seu preço anda um pouco alto. Se lembro-me bem, seria um vinho de USD 50,00 lá fora. Antes do clímax fomos para o branquinho nojento do Ghidelli, então aberto e resfriado: muito cítrico - lichia (disseram, e também não consigo identificar algo assim!), pêssego ou pera, sempre confundo, e limão. Boca muito agradável com mineralidade presente e ótima acidez, além da madeira entrosada ao conjunto da obra. Falcoaria Vinhas Velhas 2016, com seu bom final e persistência, já foi postado aqui diversas vezes e é um bom vinho para amantes desse estilo 'branco amadeirado'. Infelizmente só está disponível no Verdemar de Minas - desde que acabei com os estoques de S. Carlos e de Araraquara. Pelos R$ 99,00 pagos, é um preção.
Então chegou terceiro. Cafunguei. Cafunguei e cafunguei... O buquê pareceu bom, mas não marcante. Senti que talvez ele quisesse sair, mas não saía... baunilha sem duvida, e fruta, para mim algo discreto. O Akira achou baunilha em excesso, muito pronunciada. Pronunciado não é marcante, note bem! Abordagens diferentes da mesma propriedade. Passa longe daquilo que menciono como 'tridimensional'. Boca com um arremedo da elegância dos bons bordaleses e similares (refiro-me aos cortes onde impera a Cabernet Sauvignon). Boca também frutada, com travo doce, taninos muito leves e quase sem acidez. Não deixou saudades nem lembrança no final; passou feito um escorregador pela garganta. Ainda assim, tem a virtude de fugir dos travos dulcíssimos, desbalanceados e enjoativos do que costumamos ver por aí - e que levou-me a parar de comprar vinhos Sul-americanos. Na consideração do Akira - que não bebeu - a receita baunilha, travo doce e baixo tanino/acidez remete ao paladar infantil, fácil de beber e de gostar. O Akira ainda comentou que o buquê podia ser de vinho chipado - não envelhecido em barrica. Os chips, lascas de madeira mergulhadas nos tonéis de inox, conferem leve caráter de madeira ao vinho, e não devemos encarar isso necessariamente como um defeito ou economia! Pode sim ser uma proposta. As cepas - quaisquer umas! - expressam na América do Sul características diferentes daquelas da Europa materna. Novas abordagens devem ser respeitadas. Mas ao fim achei o vinho um pouco decepcionante pela aura - e preço! e notas(!) que ganhou. O Ghidelli acompanhou meu voto (sic! rs!), ponderando que ele ofereceu muito pouco pelo valor. Comentei que não notava a picância da Cabernet Franc como a percebo nos Loire - não conheço bem sua proeminência nos Bordeaux -, e por uma exclusão bem simplista - o máximo que posso propor em uma discussão - optei por Malbec. Claro, era um Cabernet Franc... 🤨 Gran Enemigo Gualtallary 2017 é um single vineyard - feito de um único vinhedo - onde cultiva-se ambas as variedades de seu corte 85% Cabernet Franc e 15% Malbec. Recebeu notas do tipo 98+ em várias safras, com as quais não consigo concordar nem um pouco. Também recebeu boas 'pauladas' (90/91) com as quais tendo a concordar. É um vinho de cerca de R$ 300,00/USD 60,00 na Argentina e USD 90,00 nos EUA (vide abaixo), o que sempre evoca a pergunta, saiu (da Argentina) por quanto?! Aqui custa a bagatela de R$ 800tão, o que também levanta a questão: Mercosul onde? Só se for no meio da taça da mãe de alguém que, lucrando muito, acha graça de tudo. Certo, está por R$ 360,00 em loja concorrente, mas não posso deixar de expressar uma surpresa infinita quando o 'importador oficial' da marca apresenta-nos um produto com tamanha disparidade de preço.
Os pés pelas mãos, Vigil?!
Alexandre Vigil ganhou a alcunha de enfant terrible quando apresentou ao mundo sua linha El Enemigo. Mal tinha 30 anos, e recém passara a comandar a produção dos vinhos topo de linha da Catena Zapata. Dois mestrados nas costas, competente, é inegável que saiba o rumo pretendido para suas crias: Creio que o desafio nas próximas décadas será comunicar como a Malbec (e a Cabernet Franc, claro!) se identifica com cada zona... Estamos falando de um trabalho de muitos nos, mas que deve ser feito. A fonte é a revista diVino, ed. 18, ano 3, julho de 2011. É claro que ele sabe o que está fazendo, e qual a meta pretendida. O problema é o resultado insatisfatório apresentado no momento para tal ambição. E não é o único ponto. Como apontou a confrade Liane certa feita, por que eu é que tenho que pagar desde já para a consolidação desse projeto? Porque USD 60,0 é preço de vinhão, não duvidem! Claro, quem faz o preço (sic) do produto não é o Vigil. Voltando: chegar a 40% de qualquer resultado é estupidamente fácil; chegar a 60% é ridiculamente fácil; chegar a 80% é bastante fácil, e chegar a 90% é apenas fácil... o problema é chegar os 99%, aí vou querer ver se tem macho! (rs!) Talvez nem seja ele quem o faça - como latino-americano que sou, até torço para que sim! - e é inegável que o pontapé pode estar dado. Mas não estas primeiras safras de El Enemigo... E, Vigil, aceitar essa ovação toda tem um toque de quem está deixando-se levar por algo que nada ou pouco tem a ver com mérito. Isso preocupa.






