Showing posts with label Saronsberg Seismic 2015. Show all posts
Showing posts with label Saronsberg Seismic 2015. Show all posts

Sunday, May 23, 2021

Rescaldos de uma degustação bem fadada

Introito

A degustação da Enoeventos que acompanhei no Bistrô Graxaim continua rendendo assunto. Lembram quando disse que tinha levado um vinho de minha adega? Pensei (tudo errado 😖) em um tinto mais simples para começar os trabalhos. Sisqueci (sic) que a entrada seria com branco... um tinto de entrada atravessaria a batucada. Claro que abri e deixei em espera. Vinho que sobra nunca é demais. Você só nota algo estranho quando ele falta... quando sobra, o máximo que pode acontecer é os bebuns saírem chorando, enquanto o anfitrião vibra porque no dia seguinte poderá degustar dos exemplares mais oxidados e acompanhar sua evolução. Um must, como diria alguém... simplesmente um luxo, como diria outro...

O chef Gustavo também se tocou lendo a última postagem e enviou duas fotos de seus preparos. Aí gostei... O Ghidelli deu uma sugestão que faz todo sentido: para não correr o risco de que o grão de bico não ficasse um pouco duro - na opinião dele estava - uma alternativa seria servi-lo em forma de purê. Se estava mesmo, não sei; estou pouco acostumado a essa iguaria e meus dentes ainda estão bem presos no céu da boca (no céu... porque no chão (sic), um deles balançou, uns poucos anos atrás. E foi embora. Era um dente de leite...), de maneira que estou sob suspeição. Mas voltando, se o grão de bico estava um pouco duro, não posso dizer. Mas se estamos conversando sobre isso, quando a assunto principal é vinho, então o assunto despertou interesse dos degustadores. O próprio Ghidelli disse que era um detalhe, e que a comida estava muito boa. Sempre acho que críticas (procedentes) ajudam mais do que elogios. Se ele não comentar com o Gustavo, fica o registro. 

MOB Lote 3 2017

 O vinho que tinha levado para a degustação foi o MOB Lote 3. O nome deriva da associação de três grandes produtores portugueses que juntaram em um projeto comum: (Jorge) Moreira, (Francisco) Olazabal e (Jorge Serôdio) Borges. O primeiro já produzia o Quinta da Poeira; o segundo, nada menos que os Meão, e o último - mas não menos importante! - é responsável pelo Pintas. O projeto conjunto focou em parreirais na sub região Serra da Estrela, localizada no Dão. MOB estava muito fechado, na quinta-feira. Expressou pouca fruta; a boca também estava fechada, mas notava-se taninos pegados, acidez presente. Na sexta-feira também não abriu - eu que abri outro vinho - e hoje, sábado, continua irredutível. O vinho não está estragado ou comprometido. Se estivesse, acho que teria decaído bastante nesse tempo. Não foi o caso. Vinhos do Dão sempre apresentam alguma aresta, talvez característica do solo vulcânico da região. Ora, nesse contexto não podemos considerar 'aresta' como 'defeito'; é algo que pode sobrar, mas no caso dá justamente a nota do terroir da região. Claro, tudo o que você leu aqui pode estar errado. Li isso em algum lugar, não lembro onde... Acho que Richard Bach. Para quem sabe, a referência basta. Não é um vinho complexo (no preço): cerca de USD 11,00. Seu corte é composto por Touriga Nacional, Jaen e Alfrocheiro, com modestos 13% de álcool. Não consigo dizer se o futuro dele será glorioso, se minha garrafa simplesmente 'miou' ou se o vinho é um ledo engano. Na verdade, pela trajetória dos produtores, é impossível que seja ruim; descartaria a terceira opção. Sei que está à venda na Adega+ por R$ 119,00. Custando 'lá' USD 11,00 (R$ 60,00), é um preço bem convidativo. Comprei três garrafas, e acho que é o caso de guardar mais tempo. Três anos? Quatro? Talvez compre outra garrafa com o tempo, e se o preço continuar assim; arriscaria guardar as três por um tempo. Ah, em outros lugares o vinho está... R$ 199,00... próximo dos pornográficos 3x, o que já é um acinte. 

Seismic 2015

Na sexta-feira, enquanto escrevia sobre o evento da quinta, estava acompanhado por um vinho da Saronsberg, que é um produtor da região de Tulbagh, na África do Sul. Seismic é um corte 42% Cabernet Sauvignon, 16% Petit Verdot, 27% Merlot, 10% Cabernet Franc e 5% Malbec. Escrevo no segundo dia. Mantém nariz com boa fruta, a madeira permanece evidente (mas contida; nem sombra do que eram os chilenos da primeira década, madeira que espetava), algum outro toque cuja conexão insiste em fugir e não consigo interpretar. Boca com leve picância da Cabernet, bons taninos, acidez média, embora um tanto ligeiro no final, mas deixa uma boa marca na boca. É um vinho de 150 Rands Sul-Africanos, o que dá uns R$ 62,00, ou próximo a USD 11,00. Aqui começa a bateria de testes - nesse caro, necessária. Seu preço no Savegnago S. Carlos é R$ 146,00. Dá 2x mais um tanto. Está no limite de ser uma boa compra. É importado pelo grupo Verdemar, a quem já cedi loas, inclusive em postagens recentes. Fui conferir o preço por lá, e está... R$ 192,00! Aí não! Voltamos aos pornográficos 3x. (batendo palmas): E aí, Verdemar, o que aconteceu?! Vendeu o voto e alma pro diabo?! Onde vos conduz essa indolência? Olhei o sítio deles estes dias, para ser surpreendido com diversos vinhos reajustados a preços acima da variação do 'dóla' entre 2020 e 2021 - os tais 40%. Repetindo, diversos vinhos, nem todos. De qualquer maneira, uma margem próxima a 3x, para um grupo supermercadista, é indesculpável e inaceitável. Como sempre, vale a sugestão que não me canso de registrar no espaço: ao pensar em realizar sua compra, principalmente para um vinho de maior valor, consulte o wine-searcher e verifique as margens. Para a do Savgnago, como disse, está no limite de valer a pena. Embora os Falcoaria pareçam-me compra mais vantajosa, por R$ 99,00. Pela acidez ainda é um vinho que bate os sul-americanos na faixa de preço do Savgnado. Para chegar a R$ 200,00, já há compras de franceses, e aí o chão afunda.