Introito
Don Flavitxo estava navegando na Internet e chegou no Vivino. Quase a exemplo de Júlio César, viu, riu e compartilhou. Olha o comentário do(a?) avaliador(a): "Excelente!... acidez quase zero". Vivino é assim: a pessoa pode ser honesta, sob todos os aspectos. Não sabe, não sabe que não sabe (sic), e acha-se no direito de opinar. Gostamos de confundir as coisas. Porque vivemos um uma democracia, achamos que podemos opinar sobre tudo. Na verdade, podemos sim!, mas não podemos nos esquecer - e aí o chão afunda - que, ao opinar sobre tudo corremos o risco de ser re-classificados como 'energúmenos' - ou coisa pior. Ora, são direitos e deveres. Se é seu direito opinar, também é seu dever escutar a opinião contrária. É um dos pressupostos mais básicos da democracia. Claro, a opinião contrária deve ser abalizada, e ainda assim há o direito da recíproca. É a situação onde - aprendi na escola primária, e era escola estadual - todos crescem em espiral, dialogando e colocando nosso órgão mais precioso - o cérebro - a funcionar para o 'bem'. Não é o que acontece, infelizmente. O leitor atento já notou alguns idiotas que não conseguem dar um único argumento ou contra-argumentar minhas ripostagens (sic! rs!), limitando-se a repetir mantras já desmantelados como se estes fossem argumentos. O Dia do Juízo há de chegar, e esses irão para o Céu. Sim, isso mesmo. O céu é para imbecis. Mas como estamos na Terra, aqui travarei o bom combate até o último dos meus dias. E chupem! 😂
Ainda preciso falar de 'avaliadores'. Qualquer hora...
Brancos
Existem brancos e brancos. Assim como tintos e tintos, e antes disso tudo, vinhos e vinhos. Quero dizer, existe 'vinho' e garrafas com 'vinho' escrito no rótulo. Quem não sabe diferenciar, compra qualquer um. O problema é quem não sabe diferenciar e ainda assim fica comprando vinho de verdade! Acontece nas melhores sociedades, nas melhores famílias, nos melhores restaurantes. Parece que só 'jornalista' não sabe disso. É, aquele cara que se acha Jornalista, mas não é e não sabe que não é, mas achando-se um, acaba por dever de profissão opinando sobre tudo. Voltando... mesmo falando de 'vinho', há os que costumo chamar de branquinho nojento, para desespero de Don Flavitxo. Desespero porque é como acabo classificando a maior parte de seus brancos. Quem sabe apreciar vinho e já teve oportunidade de provar, por exemplo, um Montrachet de qualidade, sabe do que falo. Não apenas Montrachet, claro, que há muitos outros brancos de qualidade (da Califórnia, de Boudeaux, do Rhône, do Mosel, etc., para falar em regiões, e Lopes de Heredia, Gravner e Dönnhoff, para citar apenas alguns produtores). O que vem depois - e nem por isso deixa de ser bom vinho - costumo chamar de branquinho nojento. O branquinho nojento parece bom-bril, pois tem 1001 utilidades: bebemos no almoço do dia-a-dia (ou no do final de semana, para quem bebe pouco como eu), na degustação descompromissada com a caterva, colocamos como boi de piranha quando as pessoas em volta não conhecem muito de vinho (o que não é pecado, é apenas uma circunstância!), ou até mesmo servimos para os amigos quando pensamos que eles nada conhecem de brancos(!). Enfim, o limite parece ser nossa própria criatividade...
Um Sauvignon Blanc honesto
Peguei Terra Occitana Sauvignon (Blanc) 2016 na promoção da Vinho e Ponto. Já falei um pouco do Jacques Charlet, produtor-négociant espalhado por várias regiões da França. Este exemplar vem de Pays d'Oc, IGP de Languedoc-Roussillon. O Languedoc, para quem não sabe, é a casa de Vin de Merde (risos!), desabafo de um bom produtor local que, cansado da má fama da região no cenário francês nos anos 1980, lançou o Vinho de Merda. O desabafo revelou-se uma boa jogada de marketing. Por outros motivos, a região deu a volta por cima e hoje produz 'vinho'. De volta a Terra Occitana, tem nariz a limão (lima?), será que damasco?, e boca com boa acidez. Ainda mantém um frescor, mas é bom não abusar na guarda. Tem alguma persistência, mas é o de se esperar para um branco com acidez (a acidez está mais presente até brancos sul-americanos, melhor do que a tintos, o que dizer de um branquinho nojento europeu?). Não encontrei seu preço 'lá' para poder avaliar melhor. Aqui, está de R$ 123,00 por R$ 61,50. Ficou subitamente bom. A preço cheio, não registe à comparação com outras opções - dá para comprar o bom Terres Secrèts, que é um Borgonha, por esse preço... Mas por R$ 61,50, apresenta-se como uma ótima oferta. Para um branquinho nojento que você pode comprar algumas garrafas e beber ao longo deste 2021, e que acompanha bem uma xarxixa (sic) de vitela ou um cheddar, taí uma boa escolha. Não perca a promo. Senão depois fica perguntando de onde é que eu arrumo boas opções para certas faixas de preço...
Post scriptum
Em sua mal-fadada tentativa de detração 😂, Don Flavitxo me abriga a uma re-edição da postagem. Tenta me espicaçar acerca de meus conhecimentos de Montrachet. Bebi um, devidamente postado, https://oenochato.blogspot.com/search/label/Domaine%20Bernard%20Moreau%20%26%20Fils%20Chassagne-Montrachet%202007, e outros dois. Não posto tudo o que bebo, mais por falta de tempo do que de vontade... Claro, tirando um período em que o blog andou em baixa e estava desanimado em postar - mas não em beber! Fui procurar as fotos, só achei o de uma ocasião, ao lado, que partilhei um 'Montra' com a Sra. N, a Dona Neusa, o Wilson e o Akira. É até um bom produtor, mas não me lembrava mais do nome, Chateau de la Maltroye... Ah, sim: esse é um raro Montrachet tinto, não branco. O que não encontrei a foto era branco...


