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Sunday, October 13, 2024

Um vinho revolucionário?

Introito

A revolução de 32 é (ou deveria ser)
motivo de orgulho para os paulistas.
E quem desfaz dela é um canalha
sem pai nem mãe.
Oenochato


   Pessoas de bem não sisquecem das cortesias que recebem. E as de caráter igualmente não sisquecem de sem-vergonhices perpetradas por patifes, principalmente os que saíram condenados dos corredores da justiça. Nas eleições de há pouco presenciamos uma massa enorme de picaretas sendo descartadas nas câmaras municipais e prefeituras, infelizmente em diversos momentos a favor de iguais calhordas ou incompetentes dos quais não podemos apontar um ganho em eficiência ou qualidade de gestão. A esquerda que tanto prezo saiu-se mal no pleito. Não é para menos, nem injusto: suas principais pautas foram abandonadas há décadas(!) e os mandatários no comando não se esforçaram para manter um mínimo de fidelidade para acom o povo que os elegeu. Esse ente, o povo, continua em grande parte uma massa de otários - com título de doutor, honorário ou não, com PhD na Sorbonne ou com estudo nas Faculdades Santa Piriquitinha da Serra. Nossos intelectuais não mudaram a cara da nação, e aí talvez resida o maior fracasso deste país. Voltando á derrota das esquerdas: dispondo da máquina federal para liberar recursos e da figura do presidente para alavancar apoios, os PTelhos ganharam 66 novas  prefeituras com relação a 2020 (fonte aqui) - deveria ter encolhido, isso sim - enquanto candidatos da direita reacionária amealharam praticamente 600 novas prefeituras. É resultado natural de quando biltres vendem a alma e o voto pro diabo - sejam eles políticos ou eleitores. Pedro Bó, acusado por Paulo Boçal de cheirador de açúcar, admite colocar em seu plano de governo propostas do próprio detrator - as quais, não estranhamente, foram copiadas de terceiros. Demonstra a índole de ambos. Ainda há sujeira a ser varrida para baixo do tapete da história, e tanto o candidato quanto o vencido são exemplos contundentes.

Um vinho revolucionário?

Fazer vinho é um negócio relativamente simples. 
Difíceis são só os primeiros 200 anos.
Baronesa Philippine Rothschild

   A frase acima, atribuída à Baronesa Rothschild, também é citada como sendo da enóloga francesa Anne-Claude Leflaive. Ela é co-gerente do Domaine Leflaive, cuja importância na Borgonha dispensa maiores comentários. Mas ambas não contavam com a inventiva canarinha.

A vinícola Três Batalhas, estabelecida em Águas da Prata, no sopé da Serra da Mantiqueira, traz em seu nome a referência aos confrontos acontecidos na região durante a Revolução de 1932. Tem dois vinhos homônimos, um tinto (Syrah) e um branco (Sauvignon Blanc), ambos de 2023. Provamos do branco, e tinha buquê pronunciado à maracujá e boca com certa mineralidade, um salgadinho (rs) advindo do solo vulcânico da região, e alguma acidez. Mas seu final mostrou-se rápido e rasteiro, a despeito das notas oficiais dizerem excelente acidez, notas herbáceas, refrescante, retrogosto prolongado. Notas herbáceas pode ser verdade, e refrescante, se servir bem gelada, até água o é. O resto, mentira. Com um pingo de  licença poética, para bebedores de vinho suave de supermercados, a acidez talvez mostre-se excelente, e o retrogosto, prolongado. Mas duvido que harmonize com comida, pela serelepicidade (sic, rs!) em boca. Sobrou um tanto, e surpreendentemente  manteve-se algo atraente no terceiro dia, contrariando o ditado segundo o qual quem pouco tem a oferecer na abertura, menos terá depois. O buquê (cítrico, e mais o quê, rosas?) continuava lá, para completo espanto e invocando a sugestão de como fragrâncias artificiais podem estar atingindo o estado da arte em termos de estabilidade. Convenhamos: não é possível um vinho manter tanto buquê por um período onde grandes franceses teriam declinado. Invocando o conhecimento de pessoas do meio, respeitadíssimas, como a Baronesa Philippine Rothschild e Anne-Claude Leflaive, segundo quem a produção de vinhos é um aprendizado longo, assombra além da credibilidade uma vinícola aparecer com um produto assim na primeira vindima de Três Batalhas - sim, possuem experiência anterior segundo a página eletrônica, mas nada sugere ser próximo a 200 anos... Alguns dos meus leitores possuem espectrofotômetros em seus laboratórios... topariam uma análise desse vinho? O único problema é reunir coragem para desembolsar outros R$ 250,00 na aquisição de uma garrafa - seriam duas, na verdade, uma deixada para controle. Mas por R$ 180,00 tenho comprado exemplares de Chablis francamente melhores... Bem, como mostra a foto também teve meu cachorrinho, o Lemão, e um Juan Gil Etiqueta Plata 2018 em última aparição. Explico: foi minha derradeira garrafa. Está pronto para ser degustado, alegre, frutado, taninos amaciados, madeira discreta, acidez presente, bom conjunto. Aparece por menos de 10 dólas lá fora, embora seu preço mais comum na Espanha seja 13 dólas. Mas isso dá R$ 73,00, e seu valor atual, sem 'promo', a R$ 210,00, mostra a importadora flertando com a tubaronice. 

Passadouro, by Quinta do Noval

Escrevo parte da postagem embalado no segundo dia de um Passadouro Touriga Franca 2018, produzido pela Quinta do Noval. Peguei uma bela 'promo' desse e do Touriga Nacional do mesmo ano, degustado recentemente. Enquanto o TN estava mais pronto, este abriu fechado (sic! rs!) e continua fechadão até agora. Apareceu fruta vermelha que despontava singelamente ontem, e pouco mais; a boca continua densa, taninos pegados, acidez, mas não mostra outras notas. D. Flavitxo comentou serem longevos quando recomendou-me a compra tempos atrás, mas imaginava que seis anos, para vinhos simples, seriam suficientes. Necas... Encontra-se por aí a uns R$ 150,00, pouco mais, e para um vinho de 20 dólas em Portugal está cá um preção. Encontra-se o reserva em custo-benefício até melhor mas deve-se ter maior paciência com este; experimentei há algum tempo e estava bem fechado - conferindo agora, noto que não postei... E deve-se sempre ter cuidado, pois - nenhuma novidade - o mercado está repleto de pegadinhas. Por exemplo, há não muito tempo recebi a oferta do Bodegas Ponce PF (Pie Franco) de R$ 276,00 por R$ 193,00. Encontra-se por até 15 dólas (R$ 85,00), o que dá mais de 2x na 'promo'. Se comparar com a diferença no caso dos Passadouro, vemos uma franca vantagem para o honorável consumidor. Não é propaganda, é comparação. O consumidor consciente deve sempre usar o Wine Searcher e comparar o valor do vinho lá fora e aqui. Nossa realidade atual, de vendas baixas, tem domesticado a ânsia furiosa das importadoras tubaronas mas muitas delas continuam com margens altas à guisa de 'promos'. E para não falar apenas de Noval, o Quinta de Chocapalha, bastante comentado neste espaço, de uns 10 dólas lá fora, está por R$ 96,00 na Casa da Bebida.

Juan Gil






Ponce PF


Tuesday, December 21, 2021

Espanholetos à vista e o fio desencapado

Introito

Período complicado, cidadanísticamente (sic!) falando. bolsonésio bate recorde no número de delegados do Prato Feito (PF; achou que invoquei o quê?) substituídos por investigações indesejadas contra pessoas próximas a si. Esse pessoal (PF) não está sabendo cozinhar o galo conforme manda o figurino... e ninguém dá um pio para apoiá-los?! Pouco mudou, na verdade: ser tolo, corrupto e processado pela justiça em todas as instâncias possíveis e existentes, e solto por mero e completo casuísmo, há vinte anos, algo assim, cancelava o visto de um jornalista estrangeiro que por aqui trabalhava. Regredimos, porque naquele momento pelo menos houve uma grita geral da imprensa, corporativa que é. Disse uma vez, o pior e o melhor da humanidade, porque é preciso muito cuidado com essa gente (jornalistas), à mesma proporção em que são necessários. Por isso não coloquei o pior em primeiro a troco de nada, que aqui no blog não tem ponta solta nem fio desencapado. Aliás, fio desencapado tem. Às vezes enfio nos fundilhos de alguém, achando-me proctologista de mão-cheia... 😣. Tolos, apresentem-se em fila indiana; não poupo energúmeno! Falemos de vinho.

Jumilla

   Comentei sobre Jumilla há priscas eras (2012), e só voltei a comprar algo da região muito recentemente. Havia experimentado um vinho de importadora que passei a frequentar pouco e sem seguida nada porque a experiência com as 6 garrafas do mesmo produto não foi tão animadora. Perdi alguma 'promo' melhor? Certamente. Mas canalizei meus suados cruzeiros para importadoras honradas que fazem meu dinheiro valer a pena e não que oferecem promos quando o vinho está no bico de corvo, além de nos proporcionarem boas ofertas de verdade. Onde está meu fio desencapado, mesmo?!

Juan Gil

   A despeito de Jumilla não ser um grande polo produtor de vinhos - o leitor sabe indicar algum excelente vinho espanhol da região? Sabe indicar algum grande produtor dentro da elite (10+, 20+), pertencente a essa procedência? - ela oferece-nos boas opções para comermos (bebermos?!) pela beirada. Ah, tem o El Nido, antes que algum safado venha falar nele. Voltemos ao ponto: o leitor anda abonado a ponto de poder comprar Vega Sicília? Ou Aalto PS? Ou Pingus? Bem, o Vega eu experimentei, é um ótimo vinho, mas não para sua faixa de preço (USD 300,00+). O Aalto também, mas comprei em uma época em que custava USD 60,00... está USD 100,00+, atualmente (safras recentes). Pingus, nem se fala. Mas as Bodegas Juan Gil oferece-nos boas opções abaixo de € 30,00 (menos o El Nido, claro...). Ele não é o único bom produtor da região, conforme vemos na imprensa internacional e sítios de avaliações coletivas, por mais que não goste do Vivino, e aqui. Experimentei há algum tempo duas garrafas de seu Etiqueta Plata, aqui e aqui.

Juan Gil Etiquetas Plata e Azul

Acompanhados principalmente de alguns queijos e salames, provamos o Etiqueta Plata com aeração mínima - uns 15 minutos. Tem aromas agradáveis de frutas (vermelhas?) e madeira, com alguma especiaria. Boca com corpo médio suportada por taninos e acidez adequados, álcool pegando um pouco (15%). É um 100% Monastrell (ou Mourvèdre), uva típica da região, e que não desaponta. Já o Etiqueta Azul, que aerou enquanto degustávamos o Etiqueta Plata, é um corte de Monastrell, Cabernet Sauvignon e Syrah (não especifica as proporções), e mostrou-se em patamar superior: tem nariz mais profundo e complexo, com muita fruta, chocolate/café (qual? 🙄; sempre fico em dúvida), especiaria e mais, mas não consegui distinguir bem. Madeira bem mais presente, mas não em excesso; tem de fato uma ótima complexidade no nariz. Os confrades se olharam surpresos. Seus 15,5% de álcool estão melhor integrados; boca muito viva, fruta, algum dulçor que é mais característica do que defeito, boa acidez, conjunto mais encorpado do que o anterior, final mais longo. É claramente melhor mesmo. Bem, lá fora custa o dobro, e a qualidade justifica o investimento. Para minha completa surpresa, com queijo que cabra a boca expressou alguma baunilha! Não percebi se estava presente antes - e acho que não estava! - e essa harmonização pegou muito bem. Dona Neusa comentou gostar muito de harmonizar esse tipo de queijo com espanhóis. Bela dica...
   Ao fim e ao cabo, ambos apresentam bons preços quando comparados a seu custo internacional. Como mencionado anteriormente, fiquei triste ao pagar algo como R$ 120,00 e notar que foi reposto a R$ 199,00. Claro, antes era uma 'promo' (acho que valia R$ 150,00), e a reposição deu-se com um dóla explodido. Mas faça assim: em vez de comprar direto da internet, ligue e pechinche; você se arrisca a ganhar um desconto (10%) comprando uma caixa, que pode ser mista (qualquer vinho, nem precisa ser do mesmo produtor), o que é uma bela vantagem. O Etiqueta Azul tem uma relação custo benefício até melhor, embora custe mais caro. Proporcionalmente, deveria custar R$ 400,00, mas estava R$ 330,00. Na confraria, compramos uma caixa (sortida) e saiu por R$ 300,00. Um preção. Infelizmente esgotou no importador, mas o senhor Oscar disse-me que está brigando por uma reposição a preço competitivo a despeito da desvalorização da nossa moeda. Eu acho que sim, temos que chamar o produtor à conversa e mostrar a situação do país. Afinal, qual é a dos gringos? Querem parceria somente nos momentos de bonança? Onde está meu fio desencapado?!

Sunday, July 18, 2021

Noivas de Baco em movimento

Introito: uma sociedade tentando voltar ao normal

- Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda,
como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição
humana.
Machado de Assis
A Igreja do Diabo

   Mais de um ano isolados - não em confinamento absoluto, porque, como relata Machado em A Igreja de Diabo, sempre tendemos a algum deslize não importa qual seja nossa crença. Aos poucos vamos emergindo do solo como marmotas acordando de um inverno mais longo do que o usual. Mãos espalmadas esfregando os olhos, começamos a nos (re)acostumar à luz do sol (às antigas e novas amizades) e seguimos (re)desfrutando velhos hábitos. O leitor desavisado não tome nossa atitude como desobediência à prática do distanciamento social ou como incentivo à aglomeração. Promovemos um encontro em ambiente quase completamente aberto (não foi em uma sala fechada), com distanciamento (na maior parte do tempo) e os devidos cuidados nos cumprimentos e aproximação pessoal. Todo mundo prendeu a respiração pelos três minutos em que ficamos mais próximos para um congraçamento e pose para fotos. Os presentes atestam essa verdade. Ah, como se fosse necessário! Ora, este Enochato sempre provou, comprovou e re-provou (sic! rs!) todas as suas afirmações no blog; portanto tem moral absoluta - absolutíssima! - para assegurar a veracidade completa de seu relato sem o devido registro fotográfico ou fílmico. Essa tem sido uma máxima bolonésia de uns tempos para cá, 'provar' algo. O pior é que estão surgindo gravações aqui e ali, provando justamente o que se tenta esconder, e essa turma tem ficado cada vez mais acuada... 😓. Falemos de vinho...

Degustação de burgue (sic! rs!)

Tinha ficado para trás a proposta de uma harmonização de burgue (sic) e vinho, e resolvemos retomá-la. A ideia partira do Gustavo, chef do Bistrô Graxaim, em algum momento do ano passado. Com o recrudescimento da pandemia ela adormeceu, para ganhar asas na semana passada. Fiquei entusiasmado - como tenho relatado - com a proposta de harmonização. Algumas das quais participei, promovidas por Enoeventos, mostraram como belas combinações podem ser realizadas com vinhos de preços relativamente acessíveis (cerca de R$ 100,00), com pratos relativamente sofisticados (camarão) e alcançar resultados tão surpreendentes quanto sofisticados. Claro que uma degustação não tem o mesmo propósito de uma orgia baconiana como aquelas que promovemos em nossos encontros... daí que sugeri - ideia prontamente aceita pelo Gustavo - que ele conclamasse os devotos a comparecerem com outras garrafas na mão, para o segundo tempo. Ideia imediatamente aceita por todos, desnecessário dizer...

O evento

Terno, sapatos pretos, gravata (eu), ou fraques e cartolas para os homens, e longos, plumas e paetês para as madames, lá fomos em trajes de gala para o evento (agora tenho provas! Vejam a foto ao lado! Em sentido horário, começando pela esquerda, Renata - de aniversariante -, Dayane, Rita, Luciana, Eduardo, Enochato, Dirlene e Isabela). Brindamos o reencontro com um espumante Blanc de Blancs Bacio Della Luna 2019, já comentado aqui, e portanto pouparei o leitor de mais lenga-lenga. Enquanto colocávamos a conversa em dia, resolvemos abrir nossos vinhos e deixamos o Gustavo aguardando a ordem de hamburgar (sic) todo mundo. Talvez tenha sido um grande equívoco... 

Vinhos 'auxiliares'

Havia bebido um exemplar dele na semana anterior... Do qual gostei, apontados e respeitados os defeitos. Achei que outras pessoas também curtiriam conhecê-lo, e eis que a oportunidade apareceu em seguida: o burgue! Harmonização ainda é um mistério para mim. De um lado, temos tanino, acidez, álcool e açúcar (espinha dorsal do vinho) combatendo contra (ou a favor...) gordura, sal, acidez e açúcar (ei, eles aí de novo!) pelo lado da comida. Tecnicamente não sei quais outras características básicas a comida pode ter, que (sic) não sou cozinheiro, mas quatro a quatro parece bom. Bem, burgue não tem fama de ser uma carne com muita gordura (como uma picanha... tá, tem burgue de picanha, mas o Gustavo adiantara que o blend exclusivo dele não segue por aí); é uma carne de gordura média. Então levei um vinho de copo e acidez médias, o já comentado Juan Gil Etiqueta Plata 2018. 

A Dirlene levou um Primitivo de Manduria '1932' (ou algo assim - rs!), da cooperativa Produttori di Manduria. É uma turma que parece ter começa nessa data, veja melhor o sítio deles, vinho que recebeu minha imediata torcida de nariz e reprimenda enfática, em tom professoral (🧐). Não gosto(ava) de Primitivos. São vinhos doces (meio secos, na verdade) demais para meu gosto. Endosso a renormalização feita por alguém sobre o nome de outro produtor da região para Luccaralho Primitivo di Manduria, porque esse é enjoativo de fato. Bem, já ouvira dizer sobre a existência de Primitivos secos. Tanto quanto ouvi as estórias do ET de Varginha, do Saci-Pererê, da Mula Sem Cabeça e outras; uma lenda a mais não me ocuparia espaço por entre os neurônios - não é fato importante o suficiente para estar neles, fica entre mesmo. Mas eis que... encontro um Primitivo seco! Ora, foi experimentar e voltar-me para a Dirlene, que ainda compadecia-se de minhas críticas, refazendo minha posição. Não tenho problema em assumir meus erros e reduzir meus preconceitos a pós-conceitos. Um Primitivo seco, de corpo médio, boa fruta, acidez média, algo ligeiro no final mas ainda assim certa elegância. PENITENZIAGITE! Esta é e sempre será a posição do blog, sem medo de reconhecer os erros nem relutância em refazer posições. Tenha-se o registro. E aprendendo sempre. Não estou lembrado (🥴) de haver outro vinho na estória. Se houve, por favor, corrijam-me. O Eduardo ficou nas fotos, mas engoliu (rs! sic!) pelo menos uma delas, pois recebi apenas uma dentre os vinhos da degustação e não estou lembrado se mais alguém levou vinho. Quer dizer, quase certo de que a Isabela levou... mas não lembro-me qual...
 (batendo palmas): - Alô alô, Edu, tem que beber menos! 😂🤣

Vinhos principais

Que realizar a força que tem uma paixão
Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade pra dizer mais sim que não
Lulu Santos

Os vinhos principais foram fornecidos pela Vinho & Ponto de São Carlos. Foram (supostamente) sugeridos como harmonização para os burgue (sic) idealizados pelo chef Gustavo. A proposta foi divulgada com antecedência. Primeiro burguer: Blend exclusivo Graxaim, no pão de brioche, com maçãs caramelizadas, bacon e creme de queijo brie. Guarnição: onion rings (cebolas empanadas) Vinho para harmonizar: Korta Selección Especial Grosse Mérille 2019. Segundo burguer: Blend exclusivo Graxaim, no pão de brioche, queijo reino, bacon artesanal feito na casa, cebola caramelizada, alface e tomate. Guarnição: batatas rústicas artesanais Vinho para harmonizar: Irurtia Tannat Reserva 2015. Bem, pretendia fazer uma postagem baseada na média entre as opiniões dos presentes. Mas considerei que este espaço sempre teve personalidade e senso crítico mais do que suficientes para prescindir disso. Não é que evitarei comentar as manifestações de outros. É que não hesitarei um instante em exercer o senso crítico deixando de lado a menor possibilidade de dizerem que escondi-me na opinião dos outros. Então é assim: Vinho & Ponto entrou em uma parceria de degustação e não enviou um representante ao evento. Uma falha (falha, para deixar barato). Sobre Korta Selección Especial Grosse Mérille 2019, vejamos o que diz o sítio da V&P: Em boca é leve, delicado e seus taninos são muito suave (sic!) no paladar, tem excelente acidez e doçura equilibrada, seu final de boca é ligeiro e fresco. fantástico vinho para o verão, e servir a uma temperatura mais baixa (mais um sic pelo conjunto do parágrafo). Tá. 'excelente acidez' com 'final de boca ligeiro'. É uma contradição. A boa acidez é quem garante quase que sozinha um bom final. Portanto apenas uma das declarações é verdadeira. E olha não é aquela sobre a acidez... é excessivamente ligeiro, desbalanceado no açúcar e a declaração mais verdadeira (sobre a acidez) está bem errada! Na verdade não apresenta acidez digna do nome,  e bota ligeiro para falar do final.
 (batendo palmas): - Alô alô, V&P (franquia 'central'), tem sommelier por aí? Sommerdiers (sic) tem um monte no mercado! Estão aceitando currículo? Um pelo outro, posso mandar o meu! Para trabalhar 20 minutos por dia. Nessa média ainda sou melhor do que o que vocês têm ai (se é que têm)! E olha que nem sou lá grande coisa...
   Ainda segundo o sítio do importador, a harmonização se faz com "Massas, Carne de Porco e Queijos". Não parece indicado para carne bovina mais magra, embora não consiga traçar uma correlação entre 'carne bovina mais magra' (do burgue) e 'carne de porco'. O fato é que não casou. E não é que passou perto; sequer tirou fina.
   O Irurtia Tannat Reserva 2015 não está mais disponível no sítio do importador, então não peguei suas notas de degustação. Gostaria de vê-las... seria outra piada engarrafa? (sic) Também não casou com o burgue. De forma alguma é um vinho ruim (o Korta é!) - para o padrão sul-americano. Mas a tal da acidez também é baixa, principalmente após já termos provado dos europeus. 
   Dando o braço a torcer: a degustação de vinhos auxiliares com acidez mais presente (embora apenas 'média') poderia comprometer os vinhos principais? Talvez. Mas o que classifico de acidez média (europeus) bate de frente com a declaração do sítio do importador, excelente acidez(!) para um dos vinhos principais (o Korta). Algo está evidentemente muito errado. E parece que não é a opinião deste Enochato! Se o sítio do importador estivesse correto (e vinho fosse aquilo mesmo que se descreve), algo de 'excelente acidez' deveria bater o que eu sabia (no caso do meu Juan Gil) ser de média acidez.

Conclusão

   Harmonização não é um assunto fácil. É fascinante, mas exige atenção e seriedade. Pode não dar muito certo, o que é um risco inerente às possíveis interpretações do prato e do vinho. Mas é uma mácula quando dá tão errado. A crítica não fica apenas à V&P São Carlos. O chef Gustavo deveria ter maior... maior... maior feeling. E, tendo-o, deveria rechaçar a(s) indicação(ções) oferecidas. Não o fazendo, entra na fogueira também. Onde está o fósforo? A gasolina, eu já trouxe. 😈
   Melhor sorte a todos da próxima vez.

Sunday, July 4, 2021

Jumilla... again de novo (sic)

Introito

   Bebi um Jumilla há bom tempo. Na verdade foram vários, mas apenas um acabou postado. Foi em um contexto de compra de safra mais antiga em queima, onde algumas garrafas estavam boas, e outras não. Não é que ficou alguma mágoa (rs); de repente faltaram outras oportunidades, ou até bebi e não percebi. Vai saber. Mas no vínculo acima tem um breve comentário sobre essa região localizada no sudeste espanhol, na DO de Múrcia. Não conhece? Nem eu... 😔 Então, se leu a postagem indicada, considere que sempre vale a pena conhecer ou revisitar. Só não caia na queima de safra antiga daquele vinho simples que a importadora tubarona trouxe, não conseguiu vender e de repente - não mais que de repente - aparece em 'promo' de 50%. É difícil uma região europeia que não produza vinhos com alguma qualidade. Alguma, pelo menos. E é apenas difícil, mas não impossível 😂. Curiosidade e cautela, andem juntas!

Juan Gil

   Juan Gil Giménez começou a produzir vinhos no começo dos anos 1900 na própria região de Jumilla, uma Denominación de Origen Protegida, e atualmente cultiva vinhas em diversas outras regiões como Montsant, Rueda, Castilla y León, Rioja, Priorat e outras mais. Seus vinhos volta e meia figuram em listas dos 100+ de avaliadores. Por mais que tais listas possam ser contestadas - e devemos sim recebê-las com algum senso crítico - diga-me aí: você já bebeu algum vinho ruim oriundo de alguma dessas listas? Qualquer que seja, mesmo do famigerado James Sucks... (rs!). Lembremos ainda que falamos de 'vinho ruim', e não de vinho que o ilustre leitor 'não gostou'. São coisas diferentes.

Juan Gil Etiqueta Plata 2018

Juan Gil Etiqueta Plata 2018 é um vinho 100% Monastrell, também conhecida como Mataro na própria Espanha, na Califórnia e na Austrália, e ainda como... Mourvèdre(!) na França. É uma cepa conhecida por produzir vinhos de bom corpo e altos níveis de álcool. Passadas duas horas desde a abertura, mostra aroma frutado com fundo adocicado e algum álcool sobrando - o vinho na taça está a uma temperatura um pouco mais alta, e com o frio que anda fazendo não é ruim, apenas pode encobrir um pouco outras características. O doce continua na boca, mas não é enjoativo. Nem é como o doce do travo português, tem sua característica própria. Toque terroso, corpo médio, alguma acidez - o álcool (15%!) sobrando um pouco atrapalha na apreciação - e é um tanto ligeiro no final, sem muita permanência. Tem seus defeitos? Tem. Mas vejamos: é uma boa opção na faixa de preço, vendido no sítio do produtor a 12 Euros, algo como 15 Dóla. A um dóla de R$ 6,00, dá 90tinha. Recalculando a R$ 5,00, dá 75quinho. Paguei R$ 117,00 - comprando uma boa quantidade de vinhos, negociei um pequeno desconto - o que deixa o produto como uma pechincha. Para meu desgosto, esgotou no sítio do importador, a Enoeventos... mas... a R$ 199,00 (😞). 
   (batendo palmas): - Alô alô, Oscar, o preço anda escapando! 
   Certo, com o dóla a R$ 6,00 ainda dá 2x, mas comprei aos R$ 117,00 em janeiro/21, o dóla de R$ 6,00 já tinha passado. Mantenho Enoeventos como uma das importadoras que mais respeita o consumidor. Mas, como sempre comentado no blog, não dê mole. Compare. Lembre-se: volta e meia vemos notícias onde os articulistas noticiam - escandalizados! - o preço dos produtores da Apple no Brasil, comparando-os com os preços no resto do mundo. E mal dá 100% de diferença! Veja aqui, e aqui. Esses matutos deviam escrever um pouco sobre vinho! Ou, de outra maneira, os energúmenos que tentam justificar margens de 3.5x,4x, 5x, deveriam olhar um pouco mais para o resto do mundo. Tolos! Queimem no inferno! 😅