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Wednesday, December 24, 2025

Mais 61.

Introito

   Não tenho certeza do motivo, mas talvez essa postagem vá bem ao som do Falcão. Bolsonéscio foi preso, condenado a 27 anos e três meses. Sem comentários desbotados do tipo "É demais; 27 anos e 27 dias bastariam", porque saiu barato. A falta de prisão perpétua na legislação é (mais) uma prova de como nossa constituição precisa ser reformulada. Dizem 'jogada no lixo'; não sei. Mas se o esforço for o mesmo... Sei sim que escrever uma minuta de golpe em três vias justificaria três condenações à perpétua; se tal cumprimento é impossível, fica como agravo à vileza da atitude. E por aqui sequer temos tipificação para parte de seus crimes. Certas coisas deveriam estar escritas na pedra (aquela que funda uma nação), junto de algumas reflexões, como a do Capistrano: "Todo brasileiro é obrigado a ter vergonha na cara. Revogam-se as disposições em contrário". Quem a tem não vota em candidato incompetente. O que dizer de doar-se a ladrão, corrupto condenado ou cujo passado demonstra per se a falta de compromisso para com o país. É clichê, mas vamos lá: a frase centenária nunca esteve tão atual. Para piorar tudo, o recente PL da Dosimetria decreta (se entendi bem): 1. golpe de Estado e 2. abolição violenta do Estado democrático de Direito são crimes cujas penas não devem mais ser somadas. Para mim são questões bem distintas: a patuleia do 8 de janeiro definitivamente não estava lá para abolição violenta. Já escrevi aqui: não portavam armas nem se embarricaram para oferecer resistência; saíram como cordeirinhos - embora acreditando que seu apenas desejado golpe de Estado estivesse dado. Já Bolsonéscio tinha um plano de matar figuras da República - por mais execráveis - e tomar o poder. Não fosse isso (sic), poderia ser condenado penas por golpe de estado. Vê-se sem dificuldade que os atos são muito diferentes e independentes; portando não há motivo para não somar as penas. Em qualquer lugar decente elas seriam multiplicadas, e seria pouco! De onde tiramos a certeza de mais pizza no prato de cada brasileiro de bem. Estou farto dela, no cardápio político, há 30 anos. Precisamos mudar. Pescoço, só na ponta da corda - é o 'castigo' para traição - porque picanha, nenhuma também... então não deixemos o tranqueira desacompanhado...

Outras reuniões


Teve uma onde reuni a confraria #émuitovinho, e programei uma inesperada. Poucas vezes presenciei - além de outro, promovido por mim mesmo - um confronto com tais atores, até óbvios, como proposta de comparação. Nem foto sobrou, o que dizer da lembrança exata de tantas notas, sobrepujadas com força e intensidade pela presença de pessoas tão queridas e luminosas para mim... Mas vá lá (rs), teve lá uma xampa da Veuve Clicquot Brut, com o que se espera de uma xampa: equilíbrio, notas sempre bem-vindas de fermento, pão e cítricas; boca com fruta bem viva, ótima acidez, bolhinhas generosas e delicadas, não aquelas coisas grosseiras que fazem as bochechas se expandirem involuntariamente em um gole descuidado, como acontece com os segundos melhores espumantes do mundo, produzidos por aqui. Ninguém acertou um Brunello di Montalcino 2015 da Donatella Cinelli, que aos 10 anos está pronto para ser degustado. Verdade seja dita, a cereja tão típica não marcava o buquê, mas tinha fruta vermelha abundante e estava aveludado na boca. Lembro da acidez não ter marcado tanto - esperava mais - e os taninos estavam maduros, com corpo médio e permanência não tão longa. Sinceramente, me pergunto se ele vai longe, e acho que não. Alguns anos, sim, sem dúvida, mas não guarde além disso. Ainda, um Rivetto Barolo Serralunga 2011 que causou furor nas taças, principalmente pelo nariz rico - tabaco, couro, frutas maduras - e com boca mais refinada do que o Brunello: acidez mais presente, taninos mais pegados, boa permanência, final mais longo e melhor equilíbrio no geral, apontando para uma longevidade bem maior desse exemplar. As safras '15 na Toscana e '11 no Piemonte foram boas, com alguma vantagem para a primeira; o fato das garrafas degustas evidenciarem a prevalência da segunda deve ser creditado, acredito, um pouco à melhor qualidade do produtor, e em parte do fato de o exemplar proceder de um dos melhores vinhedos de Barolo, Serralunga D'Alba. Quem bebeu, gostou... 😄

   O Brunello está disponível na Enoeventos, em safra 2019, a R$ 899,00. Para os enoamigos (sic), R$ 764,15. Nunca fui muito da política de tratar cidadãos em categorias, tipo primeira e segunda, porque um é amigo do Rei e outro não. Um lojista minimamente inteligente trata melhor - no sentido de oferecer melhores descontos - seus melhores clientes. O que ele deveria preferir, alguém que compra, digamos, R$ 12.000,00 por ano em três ou quatro compras, ou seu fiel aliado do enoclubinho gastando tipo R$ 120,00 por mês? Ora, o lojista realmente inteligente prefere os dois!, e agrada tanto um quanto outro. Deixar de vender uma caixa de vinhos a preço de enoclube para um não-enocluber (sic) é uma tática desastrada compartilhada por diversas importadoras - e deixei de comprar em todas elas. Outra mancada da Enoeventos foi aderir à tubaronice: enquanto o Brunello da Donatella é vendido aqui ao equivalente a 160 dólas, nos EUA chega a custar um terço, sinal evidente de prática predatória. Já o Barolo tem preço variando bastante, por aqui: encontrei entre quase R$ 789,00, na safra '17 (mesmo valor do Barollo, portanto) e até por R$ 549,00 na safra '19 (bem melhor, dizem). Seu valor lá fora começa nos 40,00 dólas, ou algo como R$ 240,00, grosso modo. Seu melhor preço aqui dá um pouco mais de 2x; um pouco mais (de 2x) já não me serve, pois 2x é o máximo que pago por um vinho, mas indica uma margem pelo menos mais humana (sic) para um vinho que, no embate direto, mostrou-se melhor. Em tempos de seres humanos votando em Ali Lulá e Bolsonéscio, isso pode não significar muita coisa para a grande maioria das pessoas. Mas este blog está a serviço dos outros 30% dos seres pensantes, e não tem nenhum compromisso com erro, com a ignorância ou com a dissonância cognitiva.

   Esta postagem foi tocada a boas doses do branquinho nojento do Drouhin Mâcon Villages e tecos de um Pavie Decesse 2009, que vai entrar no gelo enquanto preparo um bifim. Quem estiver ligado e quiser passar para uma taça mais tarde, será bem vindo. Oh... enquanto publico esta postagem e chego ao pé da escada da adega, a campainha toca... tem leitor prá lá de atento ao blog já chegou para uma tacinha!

Feliz Natal!
Oeno





Ah, claro...
Os valores do Brunello




e do Barolo





Finalmente, seu preço lá


Friday, December 27, 2024

Atenção, Brunello pronto para beber!

Introito: recuperando um passado sisquecido

   Corriam os silenciosos anos de '69. Depois de muito marcar passo - a esquerda nunca deixou passar um dia a mais -, e coincidentemente ou não no mês do cachorro louco, o governo Costa e Silva implementa a lei 5.692/71 instituindo no segundo grau a disciplina Organização Social e Política Brasileira - a famigerada OSPB. Na sequência veio a Educação Moral e Cívica, fechando o ciclo iniciado com a implantação dos Estudos de Problemas Brasileiros (EPB) no ciclo universitário um ano antes. Todas elas focavam no patriotismo, no respeito à autoridade, na disciplina e na obediência às normas sociais, tendo um claro viés de doutrinação da juventude a favor da administração de plantão. Esse período foi um dos mais negros e vergonhosos de nossa história, e não se sustenta nomeá-la ditabranda porque em comparação com os regimes da Argentina e Chile o número de desaparecidos foi muitíssimo menor. A execução ou tortura de um único cidadão sem o devido processo já é suficiente para dizer sanguinário a qualquer regime autoritário. Infelizmente mistura-se o termo autoritário com significado absolutista, despótico, discricionário, mas um Estado tem todo o direito de ser autoritário quando faz-se necessário manter a ordem pública. Usar a autoridade da força em prol da democracia é legal e tem amparo jurídico; não pode haver dúvida. Progredindo com o argumento inicial, os milicos apenas sisqueceram, ao implantar a EPB, que a universidade pública estava na barricada da resistência! 😂 Os professores universitários, especialmente na área de humanas, representavam a fina flor do pensamento de esquerda nacional - ao contrário de barbudos sindicalistas carreiristas e informantes do DOPS - e alí seu domínio era completo. O problema maior reside no fato desses mesmos humanistas falharem miseravelmente em formar uma geração talhada na firmeza de caráter e intransigente para com a corrupção e o desmando. O resultado é visto hoje em um país polarizado onde ambos os lados apoiam corruptos com tendências autoritárias e procuram, no fundo de suas crenças, motivos para continuar a suportar tais crápulas como se líderes! A sensação de ser o seu bandido preferido menos danoso do que o opositor basta para confortar espiritualmente o eleitor de cada tendência. Nossos cidadãos não aprenderam o óbvio: é desnecessário defender até o final do mandato o safado que o enganou com seu discurso cheio de contos de fadas. Nem é preciso ficar envergonhado do voto errado e se fazer de desentendido. Vergonha é persistir em um engano tão bisonho! Se o mesmo erro de interpretação acontece em outros países, pouco me importa e eles que se danem; devemos copiar os acertos dos outros, e rejeitar seus equívocos. Mas aqui acontece exatamente o contrário: copiamos os vícios e desprezamos as principais virtudes, como o tão em falta senso crítico.

Um encontro da confra #émuitovinho

Aconteceu em outubro, ainda, e ficou sem postagem. É claro, as notas ficaram para trás, mas alguns comentários podem ser úteis para o bebedor-leitor. Meu aniversário transcorreu com tantas reuniões, tanta animação e momentos agradáveis que o registro mais preciso perdeu importância. Sinto mesmo não ter-me encontrado com diversas pessoas cuja ausência não passou desapercebida; em alguns momentos provava de uma taça de lembrava-me de alguém cuja presença esteve em falta naqueles dias. Espero revê-las em breve, e algumas festas de final de ano suprirão isso.

A entrada ficou por conta de uma xampa Taittinger - quase certeza de ser essa, rs. A turma aprovou, e valeu. O primeiro tinto foi o Quinta do Vallado Touriga Nacional 2008, nariz ainda com muita, muita fruta, couro e aquele toque que costumo dizer tridimensional. Os taninos estavam bem redondos, boa acidez, corpo médio, tudo bem integrado: álcool e madeira como deveriam, sem arestas. No seu auge, está ótimo para ser degustado. A Grand Cru vem importando o Vallado desde algum tempo - estava na Cantu, se não me engano, e seus preços então eram razoáveis, pois comprei essa garrafa e algumas do Field Blend, e não costumava gastar tanto em vinhos no Brasil lá por 2010, 2011... Hoje está custando R$ 460,00 (R$ 390,00 para 'sócios'), o que é muito para um vinho com valor médio de USD 33,00 segundo o Wine Searcher. Lembremos: considero esse dóla a R$ 6,00 um soluço; ele recuará, em breve ou na próxima gestão do Senhor, tanto faz: eu vou esperar. Para acompanhar um bifim, veio o Brunello di Montalcino 2015 da Donatella Cinelli, à venda nessa mesma safra pela Enoeventos. Lembro de aerá-lo por algumas horas - até ser servido talvez umas quatro - e ter-me surpreendido um pouco pela cor, algo derrubada: está atijolando, embora continue bom; a cereja típica estava lá, conforme conversamos entre os confrades, e tinha mais frutas. A boca mostrou-se equilibrada, taninos e acidez médios chamaram atenção e não impactaram tanto quanto em degustação relativamente recente, de '22. Será que a garrafa estava um tanto miada? Comento no sentido dela ter envelhecido um pouco mais rapidamente, pois o contraste foi claro para quem havia bebido dele na esperança de avaliar suas garrafas em estoque. Enfatizo: o conjunto estava harmonioso e agradável; sua cor é que deixou um tantinho a desejar. Quem comprou mais de uma garrafa poderia fazer um tira-teima; farei isso proximamente. Comprei em '20 a R$ 411,00 com algum desconto - provavelmente a preço de Enoclube por fechar uma caixa - então ficou um pouco abaixo de R$ 400,00. Atualmente está R$ 549,00 com R$ 466,00 (normal/Enoclube), que na média não é ruim para um vinho de USD 60,00 nessa safra. Mas para quem pagou R$ 400,00... Definitivamente é necessário conferir outra garrafa. Qual estava fora do padrão? Aquela degustada em '22 ou esta provada agora? Aquela tinha bastante mais potencial, e esta mostrou-se inferior; como provei não é um Brunello de USD 60,00 lá fora - note, o preço 'lá' é que não está condizente pelo vinho; seu preço aqui, pelo preço lá, até está. Prova à vista, procurando pelo mordomo. Alguém será vítima ou felizardo acompanhando a degustação?

Adendo

O confrade Ghidelli 'liga' logo pela manhã reclamando seus méritos de ter matado a procedência e o ano do Brunello - ambos foram servidos às cegas. Grande verdade, e misqueci de registrar isso! Ele inclusive esteve comigo na degustação acontecida no evento I Love Italian Wine, vide vínculo acima, quando provamos dele pela primeira vez. Comprova como o toscano mantinha suas características claramente reconhecíveis. A questão agora é por quanto mais tempo ele se manterá assim.

As Malucas

O fechamento do ano com as Malucas - MaLuCaDeLiu é o nome correto, e escrito aqui pela última vez 😂 - aconteceu no Nanmi. A entrada foi a Xampa Taittinger. Garimpei uma oferta dela há algum tempo, e espalhei garrafas entre as confrarias e os membros também adquiriram para consumo particular. Como foi a principal Xampa servida no meu níver, preciso dizer-me devidamente catequizado com seus toques. Não conheço muito de Xampas, mas pagar abaixo de R$ 400,00 foi uma boa compra. É equilibrada, elegante, bem superior às cavas mais comuns degustadas por aqui, principalmente o Cordon Negro. Fazendo contas, esse exemplar da Freixenet custa lá fora uns 10 dólas, contra uns 40 dólas da Xampa. Aqui fica por uns R$ 80,00 x R$ 400,000- (400 menos), e a proporção mais ou menos se mantém, com algum favor para a Cava. Se você pode, para um níver ou final de ano, deleite-se. Se não pode, bem, volte no introito e escolha seu culpado em vez de perder tempo defendendo bandidos; é indecente um trabalhador labutar durante um doze meses e não poder, ao final do ano, experimentar uma garrafa, pelo menos uma vez na vida, de uma Xampa que nem precisa ser boa, bastaria ser razoável. Algo vai muito mal e errado com uma sociedade dessas. 

A turma não perdoou meu duramente garimpado 😓 Chablis Premier Cru 2022 do Domaine de la Motte. Além do cítrico evidente, tipo limão, não lembro exatamente das notas. Claro, as Malucas divertiram-se desvendando-o - acho que a sugestão de limão veio mesmo de alguém. O nariz estava rico, tinha ótima acidez e boa persistência, e encheu a boca. Por R$ 200,00- (pouco menos de R$ 200,00), é ótima compra. Por aí é encontrado a R$ 380,00+, e mostra o quão boa foi a aquisição... A Grand Cru fez uma oferta há tempos, com algumas armadilhas e boas opções. As Maluquetes recorreram aos préstimos deste Enochato e evitaram as primeiras. Entre as boas escolhas estava o Mazzei Tenuta Belguardo 2016, incursão do conhecido produtor de Chianti Classico em Maremma, próxima ao litoral da Toscana. É um corte Cabernet Sauvignon levemente temperado com Cabernet Franc, e a picância das Cabernet não pareceu evidente para mim - só procurei a composição depois. Poderia tê-la notado se soubesse da composição de antemão? Talvez, mas àquela hora o motivo da confraternização particularmente afastou-me de prestar tanta atenção ao vinho. Foi fácil perceber que estava ótimo, fácil de beber, equilibrado: nariz frutado e mais toques - era chocolate? - boca redonda, com taninos quase domados - pegavam um pouco - boa acidez e corpo médio+. Um bom vinho, que agora, fora da 'promo' (R$ 850,00/R$ 720,00 cliente comum/assinante), e custando lá fora uns USD 40,00, fica inviável. Pelos R$ 420,00 pagos, estava no limite dos 2x, boa compra. Foi um bom fechamento de ano, por mais que eu tenha tentado avinagrar (risos!) não os vinhos, mas o próprio encontro, procurando desovar nas Malucas algumas garrafas de minha adega. Se não quiseram, azar delas... 😅. Má foi bom mesmo assim. A companhia como sempre estava muito agradável, destarte minhas impertinências de sempre. Ótimo prenúncio de um bom Natal.

Como se precisasse... o Chablis onde paguei R$ 199,00 e a tubaronice correndo solta por aí.




Monday, June 6, 2022

I Love Italian Wines 2022

Introito

Convoco os homens para o apostolado da impiedade
É urgente o aprisionamento dos bichos.

Pergunto-me se os brasileiros já se tocaram: a Copa será depois da eleição. Como sabemos, a segunda historicamente começa depois da primeira. Para o bem ou para o mal, desta vez o tradicional ópio do povo não estará presente para desviar a atenção do eleitor neste importante momento do país. As conversas e delírios vão a toda: Cirão, o mentecapto pilantrão, troca uatizápis com Simone Palíndromo, a inocente, que pensa ser uma jogada de gênio conversar com os PSDBelhos; apenas perde tempo precioso e confirma a candura ao não perceber a obviedade da desimportância tucana. lulalelé, - outro desordenado - acredita em derrotar Jair, o quadrilheiro, no segundo turno - quiçá no primeiro. Antecipa tudo sem combinar com nós, votantes, e sem abrir mão do modelito que a ninguém engana - ato falho e (conectivo de adição!) completo mal gosto; deveria continuar preso só por isso. A cobertura de cabeça preferida do brasileiro, estimulada por Sena, esse sim um verdadeiro herói da nação, é o boné, e não o chapéu. Se o pelego acha-se acima dos mortais pelo uso do chapéu - deve ser o limite de sua visão -, isso apenas nos diz mais um pouco sobre a soberba que o embala. Ah, sim: correndo por fora, um viadinho (leia aqui para entender o contexto!) acredita que basta espernear para ter seus desejos atendidos. Tolo acabado; esperneia-se para outra coisa... tipo... criança esperneiam para ganhar doces. Entre adultos a conversa é mais... dura...

I Love Italian Wines

Aconteceu em S. Paulo, no último 31, o I Love Italian Wines, evento realizado pela Italia Trade Agency em colaboração com as feiras Vinitaly e Wine South America, e que contou com a participação de muitas importadoras nacionais. Convidado pela Enoeventos - cada empresa participante tinha direito a apenas 10 convites -, este envaidecido Enochato rumou todo feliz para Sampa. Como escudeiro, o confrade Ghidelli foi comentando durante todo o caminho - senti-me o Shrek acompanhado pelo burro - sua máxima de sempre: é muito vinho; vamos com cuidado. Eu retrucava: Que cuidado que nada... cuidado e pouco vinho é (sic) para os fracos... 
Havia muito tempo não participava de eventos maiores - menos pela pandemia, mais por um afastamento por descrer do mercado em geral -, e não sabia bem o que esperar de um festival como esse. Vinho novo, infanticídios, blefes completos? Sim. Serviço ruim? Menas (sic). Afinal, tratava-se de uma feira para profissionais - ei, o que eu estava fazendo lá, então? Tá bom... à luta...

O que particularmente me entusiasmou para aquele momento foi a oportunidade de conhecer pessoalmente o sr. Oscar Daudt, proprietário da Enoeventos e quem ofertou-me o convite para participar do encontro. Já conversara com ele por chat do sítio da importadora, e-mail e uatizápi. Também acompanhara diversas lives transmitidas ao longo da pandemia, mas faltava um encontro ao vivo e a cores. Aconteceu de entrarmos pela porta diagonalmente oposta ao stand da Enoeventos. Como sempre - haja ansiedade - eu precisava de algo na minha taça. De cara estava a Domno Wines, braço importador da Família Valduga. Vamos lá, sem preconceitos, pensei comigo mesmo. E sem preconceitos, fui direto para um meio seco, o Amaranta Montepulciano D'abruzzo 2018, 14%(!) de álcool. Surpreendeu pela fruta elegante e pelo bom volume em boca, mesmo para um meio seco. Esse estilo é diferente na Europa quando comparado com o do Brasil ou mesmo entre os sul-americanos - mas conheço pouco. Estava interessante - tentei lembrar-me de alguma harmonização com um meio seco que o Gustavo promoveu - mas quando percebi o Ghidelli estava confraternizando demais com o inimigo representante. Inimigo? Bem... conforme verifiquei depois, Amarante é um vinho de R$ 329,00 'cá' e USD 15,00(!) 'lá'. Vejamos, USD 15 x R$ 6,00 = R$ 90,00. O dóla não está R$ 6,00 (mas estava!, tomemos como baliza), e a conta dá quase 4x. Neeeext!

   Fui - literalmente - para a próxima mas dei não tanta sorte. Logo o Ghidelli voltava ao meu lado, procurando algo para forrar o estômago... era apenas sua segunda taça 🙄. Acho que você deve comer daquilo... - apontei, e quando ele voltou-se, se voltou-se, eu ia longe 😂. Circulei um pouco e dei de cara com o Oscar! Apresentei-me e seguimos para o stand da Enoeventos, onde conheci o Thiago, apresentador das lives da importadora. É claro, fui direto no Brunello 2015 da Donatella Cinelli. Tinha a desculpa perfeita para pular todos os outros: sou o feliz proprietário de umas 5 garrafas desse vinho. Até pensava em sacrificar uma delas quando veio o convite do Oscar... arrá, apostei - e acertei - que ele levaria o Brunello dela a um importante evento de vinhos italianos. Donatella tem ganho atenção da mídia internacional ultimamente, e seu Brunello 2015, de safra excepcional, está (muito bem) cotado a USD 65,00 'lá'.  Sei que é algo mais barato na Itália, mas o reconhecimento internacional de Donatella alçou o valor do Brunello a um patamar um pouco mais alto. A questão é: a USD 50,00 na Itália, pelo preço cá (como veremos) não vale a pena botar na mala e trazer para cá. Expressou fruta contida mas bem marcada; algo herbáceo e um pouco de especiaria, mas nenhum sinal da cereja típica de Sangiovese. Pode ter faltado aeração? Sim. Boca um pouco presa, taninos verdes mas com acidez já bem marcada e com boa persistência. Abri-lo foi um verdadeiro infanticídio, mas cometido pelo importador antes do que por mim... 🤣. Seu preço 'cá' é R$ 550,00, o que dá (USD 65,00 x R$ 5,00 = R$ 325,00 - notou que agora o dóla é R$ 5,00?) menos de 2x. Mas como nessa terra até viadinho esperneia, então o consumidor deve espernear também... 

Faça como já comentei: ligue lá (sic), diga que vai comprar uma caixa e peça preço de Enoclube. Se perguntarem como fica a vantagem do assinante - ou qualquer conversa mole -, não vacile: a vantagem do assinante é que ele pode no mês comprar uma única garrafa e ter o mesmo desconto que você vai levar comprando uma caixa. Se isso não é vantagem, explica para mim o que é. Você está pechinchando (e a pechincha é universal, faz parte de todas as culturas!); não deixe por menos. Ligue nas tubaronas e pechinche seu desconto para uma caixa, quero ver se não ganha! Ora! Então é isso: não sendo assinante do Enoclube, use a posição de consumidor-cidadão e negocie o desconto pela quantidade sem a menor vergonha. Eu negocio sempre. Se tornar-se o feliz proprietário de um Brunello da Donatella, não confie em avaliações de que ele está pronto para beber. Não está! Guarde-os por mais 4 ou 5 anos. De repente chegou o Ghidelli todo alegre e literalmente entortou tudo... veja a foto, diga que não (rs!). Continua...

Amaranta Montepulciano D'abruzzo 2018, cá e lá.





Donatella Cinelli Colombini Brunello di Montalcino 2015, lá e cá