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Friday, October 23, 2026

História de um sobrevivente

Introito

O cidadão de bem torna-se bandido quando associa-se a bandidos.
Máxima d'Oenochato, publicada ad nauseam.

Soa desalentador como bolsonéscios empenham-se em defender seus políticos de estimação.  Primeiro Bolsonéscio, agora bolsonéscio... Falemos do filhote. É impressionante como ele sempre é o único inocente em todas as falcatruas que puLulam à sua volta. A ligação dele com o ex-banqueiro Vorcaro é o exemplo típico do desrespeito com o qual ele trata os apoiadores: dezenas de vezes negou conhecê-lo para de repente passar a declarar tratar-se tudo de negociação privada, entre particulares, sem envolver dinheiro público. Sendo tudo tão simples, honesto e verdadeiro, por que negar? Sua proximidade com milicianos cariocas também é preocupante: começou com Adriano da Nóbrega em 2003, quando o então deputado concedeu-lhe uma moção de louvor. A mãe de Adriano e a ex-esposa do policial trabalharam no gabinete de Flávio na Alerj até novembro de 2018. Ambas foram implicadas no escândalo das "rachadinhas". Veja aqui. Os estúpidos de seus defensores, para a surpresa de zero pessoas, fazem cara de paisagem. Esse sujeito pede seu voto contra NAP. Que desfaçatez!

NAP alardeava, no início de 2025, que aquele seria "o ano da colheita". Chegou às vésperas do primeiro turno declarando que "se não tem carne, come ovo, se não tem ovo, come salada". Quem prometeu ao povo a volta da picanha não conseguiu entregar um acém ou um músculo no prato do trabalhador, reconhecendo tacitamente a falta de uma carne básica no cardápio do brasileiro. Ele triplicou a verba da educação - e a fonte é 'oficial', o próprio PT - entre seu primeiro mandato e o primeiro de Dilma, mas os resultados do país no PISA naquele período foram tão vexatórios quanto os de agora. E estúpidos reputam Andrada como o maior sinistro da educação do país, quando foi apenas o mais longevo - clara comprovação da falta de senso crítico. Esse sujeito pede seu voto contra bolsonéscio. Que desfaçatez!

   Um debate fraco de argumentos por ambos os lados na noite de hoje parece ter condenado bolsonéscio pela falta de inteligência e capacidade argumentativa que lhe são peculiares. Não é uma torcida, é uma avaliação: NAP pode ganhar por um koka, como se dizia no judô. Pouco importa; para ele não há mérito em sair-se melhor na contenda intelectual contra um batráquio. Conclamo meus leitores a dar o troco em tanta mentira, enganação e traição à pátria. O cidadão de bem tem por dever negar seu voto a esses pulhas, por mais que sua simpatia tenda para um ou para outro. Nossa única oportunidade de vingança é esta; não a desperdice! Vote com raiva! Vote nulo!

Um sobrevivente

O Puligny-Montrachet Vieilles Vignes 2014 do Vincent Girardin repousou na geladeira por praticamente dois anos depois de aberto. Oxidou, é claro, e mostrou notas claras de frutas secas, nozes a mais evidente. Sem avinagrar, perdeu um pouco da acidez mas continuou muito palatável. Não decaiu para o acetaldeído, embora tenha ficado mais ligeiro. Esse sobrevivente surpreendeu pela condição. Inexplicável. O Chocapalha Vinha Mãe 2016 foi desarrolhado por volta das 17:00, e começou a ser degustado próximo da 20:30. Escrevendo às 22:20. Muita fruta na frente, seguida de chocolate amargo e... café? Boca com um ligeiro amargor, madeira discreta, taninos arredondados, frutado e herbáceo. Corpo médio a mais pegado e boa acidez, proporcionando bom final, daqueles que salivamos, engolimos e notamos sua permanência ainda em boca. Está em bom momento para ser degustado, no ápice, diria. Tem estrutura para seguir mais tempo, mas seu consumo agora agradará o bebedor. Não o guardaria mais; contudo, se você tem outras garrafas na frente, bebe-lo até '28 ou '29 também vai agradá-lo bastante.

Tuesday, February 20, 2024

Dois eventos em uma postagem

Introito

No princípio Deus criou o céu e a Terra.
Gênesis, 1: 1

No princípio Deus criou o céu e a Terra, e o Chocapalha Reserva (tinto) já estava lá. Depois a Terra continuou, mas o Chocapalha Reserva (tinto) sumiu... Existe uma versão Reserva em branco (os vinhos produzidos pela Quinta estão aqui), e já faz um tempo temos o Vinha Mãe; o que se passou entre um sumir e o outro desabrochar, desconheço. Bebi do Reserva (tinto) certa vez, com Don Flavitxo; está aqui - ótimo vinho. E como o leitor atento sabe, provei algumas garrafas do Quinta de Chocapalha, um tintinho valente de USD 10,00 a USD 12,00, eventualmente comprado aqui por R$ 100- (observe o sinal de menos!). Não é o preço desejado pela importadora tubarona que representa a marca, mas parece ser uma exigência de mercado, atualmente. Na última reunião da Paduca lançamos mão de um Vinha Mãe, na safra 2016. Corte 65% Touriga Nacional e 35 % Tinta Roriz, aerei por umas boas três ou quatro horas na garrafa, e o buquê chegou rico em frutas - vermelhas e escuras? - e mais toques, algum couro ou chocolate. Boca pegada, taninos firmes, também algo à chocolate, mas acidez um pouco abaixo do esperado para quem conhece o Quinta de Chocapalha e, pelo preço, antevê um degrau acima para Vinha Mãe. Tem álcool (14%) contido, madeira presente mas discreta, bom final, persistência adequada para o conjunto da obra como se apresenta, e satisfaz. O problema foi termos recente na memória um Quinta do Noval Syrah 2016, que os Paduquentos, puxando pela memória, disseram ter gostado mais. Vinha Mãe beira dos 30 dólas em Portugal; seu preço aqui ultrapassava os R$ 300,00, mas atualmente pode ser encontrado a até R$ 199,00 - uma ótima compra. Ainda assim, os Quinta do Noval possuem preço similar lá e estão aqui na faixa de R$ 170,00; o pessoal insistiu preferir o Noval sem saber desse detalhe. Não sei se a garrafa poderia estar um tanto miada (rs) a ponto de não desenvolver seu potencial, e da minha parte concordei com eles. Tenho mais duas ou três garrafas, de diferentes safras, para tirar a teima. Tivemos concomitantemente um Argiano Non Confunditur 2020, supertoscano corte Cabernet Sauvignon, Merlot e Sangiovese, 14,5% de álcool um pouquinho saliente, aportando boa fruta no nariz mas boca mais simples pela acidez esforçando-se para alcançar Vinha Mãe - sem conseguir. Taninos ligeiros, final um pouco curto, madeira discreta tudo convergindo com alguma qualidade mas tendendo a mais simples - especialmente ao lado do português. Surpreendeu-me negativamente, quando tento puxar pela memória minhas impressões do I Love Italian Wines, de 2022. Certo, aquela safra era a 2019, mas a diferença pareceu-me grande. Não sei o quanto o Vinha Mãe pode tê-lo eclipsado, mas no evento eu também estava bebendo outros (bons) vinhos... Seu preço está na faixa de USD 15,00 'lá', e pode ser encontrado por R$ 115,00 aqui - outra boa compra, se alguém se dispuser a correr o risco. Seria ele páreo para um Quinta de Chocapalha? 🙄 quem entra com a garrafa no NC?

Encontro com a Ariane e turma

Há algum tempo a Ariane foi para a Argentina e trouxe algumas garrafinhas. Guardou uma delas por uns bons anos, jurando estar destinada a ser aberta junto deste Enochato - agradeço tanta atenção! Reunimo-nos no Barone com sua prima Simone e seu namorado, o Cláudio. Ela levou um Premier Rendez-Vous Cinsault Rosé 2021 para abertura dos trabalhos. É um languedoquês (rs) simples, 12% de álcool, frutado, refrescante, com baixa acidez, leve e bastante ligeiro, para ser bebido sem compromisso. Já disse, rosés não figuram entre meus preferidos muito mais pela dificuldade em entendê-los e menos por qualquer má vontade. Experimento, e pronto. A estória ficou mais séria quando fomos para o Quimera 2012, da Achaval Ferrer. Ela é uma das melhores vinícolas da Argentina - não conheço tanto, embora já tenha degustado de alguns bons produtores platinos, como diversos Cobos, Dona Paulas, Pulentas, Zuccardis, Trapiches e Colomés. Estava bastante bom para seus 12 anos: boa fruta vermelha, algo como couro e madeira; boca sem aquele doce que levou-me a desgostar dos argentinos mais simples - e mesmo alguns mais complexos de outros produtores - acidez tendendo a média, taninos redondos, álcool sem se notar, apesar dos 14,5%, boa permanência. É um vinho relativamente caro na Argentina - 24.000 Pesos, R$ 142,00, USD 29,00 no mercado local, embora a própria bodega venda a 35.000 Pesos, R$ 208,00, USD 42,00, protegendo demais os lojistas e distribuindo ótimas margens para todos. Curiosamente, nos EUA custa os mesmos 29,00 dólas, e fica a pergunta inescapável: saiu (da Argentina) por quanto?! Aqui anda na casa dos R$ 330,00, em 'promo', mas gostariam de vendê-lo para você a R$ 400,00. Sabe aquela cena dos desenhos animados, do sujeito que pega a vítima e a vira com as pernas para cima, chacoalhando até caírem-lhe os últimos centavos? Mesma coisa... Não bastasse, só reforça minha ladainha (risos) acerca do vinho sul-americano estar demasiadamente caro. Em minha defesa (risos) levei o Titular Edição Sem Nome 2015, do Dão; ele repetiu a ótima fruta, bons taninos, mas na primeira rodada não estava tão resfriado e valeu uma impressão inicial mais favorável para o Achaval. Foi realmente necessário deixá-lo na água com gelo para ele encontrar meu melhor momento, com acidez mais evidente e bom conjunto, como já descrito aqui. Achei que Titular esteve melhor, embora a Ariane talvez não. Já escrevi isso: ao final, cada um levantou sua taça acima da cabeça e bradou: 
   - O meu vinho foi o melhor! 
   Ganhamos todos...

Preço do Quimera na própria bodega e no mercado local: disparidade...



Quimera no Brasil

Quimera nos EUA