Introito
Conheci a Angelina por questões profissionais: ela encontrou-me em uma lista de prestadores de serviços e entrou em contato. Apenas não sabia - ainda - que precisa tanto de mim. Mas isso é trabalho, e este espaço é dedicado ao hedonismo - quando possível - e à Pátria sempre que necessário. Acontece que às vezes o multiverso colapsa em um ponto; provo comentando que a filha da Angelina mora em S. Carlos, e, ainda, é quase vizinha. Podemos nos ver pela janela, acreditem. Vai que, em alguns momentos, visitando a filha, ela escolheu realizar algumas reuniões presenciais durante o ano que passou, quando acertamos detalhes monótonos demais para comunicar por e-mail. Sempre reguei as reuniões com um queijo e vinho ou quetais. Ao final de ano, por simpática e doce retribuição, convidou-me para um prato especial em Campinas, onde reside atualmente. Prometeu uma experiência inesquecível avisando que seria comida de restaurante - eu traria o vinho. Falou o nome, fui procurar e assustei com a responsabilidade. Nããããããooo... Sabe de nada, inocente! Pra que existe o Google? 😂Vinho e massa
A iguaria proposta é especialidade da Cantina Fellini, o Gnocchi a Carolina: molho napolitano, branco e ao sugo, manjericão, calabresa, Catupiry, muçarela e gratinado com parmesão. Tenho quase certeza de que fui a esse restaurante há tempos, sob recomendação e imposição (😆) do Jacimon, tão entusiasmado que estava por mostrar-nos sua descoberta. Bebemos um portuga '65 lá, dentre outros (não postei). Foi bão... mas voltando, para harmonizar um vinho com massa, devemos olhar para os acompanhamentos, uma vez que a massa em si é neutra. No caso o item mais marcado seria a calabresa, e ela pode muito bem ser acompanhada por um Chianti. Tinha um especial... infelizmente, conversando, beliscando entradas e bebericando desde antes de partirmos para o principal, não terei a foto com prato montado, mas remexido... 😖 Conto com a indulgência do querido leitor. A Angelina ficou afirmando - com toda razão - que a culpa seria só minha...
Capraia Chianti Classico Gran Selecione Effe 55 2013 é produzido em Gaiole, um das três cidades que inicialmente deram origem à denominação. É um Sangiovese 100% envelhecido por 18 meses em barricas de 3.200 litros e outros 12 meses em garrafa. Respirou por cerca de uma hora e meia antes iniciarmos o almoço. A cereja, típica da Sangiovese, estava lá. Ligeiramente herbáceo, algo na direção de couro ou chocolate. Boca equilibrada, taninos mordendo um pouco atestavam que poderia envelhecer mais. Ou deveria respirar um tanto a mais, quem sabe... Ah, quem sabe é a Angelina, porque o vinho ficou com ela! Depois vou perguntar! Ainda com fruta e especiaria, ótima acidez e final longo. Boa permanência. A safra 2013 foi muito boa em Chianti, e vinhos bem feitos dessa região possuem bom potencial de envelhecimento, veja o Berardenga 1999 que bebi em janeiro de 2021. Mas quis o destino que a jornada desse Capraia fose abreviada, talvez pela metade. Não ouvi soluços ou reclamações...
Por sobremesa, tivemos uma adaptação da torta Banoffee, sobremesa inglesa de banana e toffee, que fotografei mas inadvertidamente acabei apagando sem perceber... não conhecia, e convenhamos que a culinária inglesa não é exatamente famosa... mas essa torta é espetacular. Quem puder, prove...
Esta postagem foi tocada com a metade que sobrou de ontem do Xisto Cru 204, um Douro já degustado aqui. Por descuido, no dia 30 fui ao centro da cidade e tomei alguma chuva. O banho quente ao voltar para casa não impediu um mal estar com febre e dor no corpo. Medicado, na noite do dia 31 não tinha mais nenhum sintoma, mas desconfiei que nariz e boca estariam afetados. Escolhi um vinho mais simples para a virada de ano, e não deu outra: ele estava diferente mesmo. Insosso, 'pouco de tudo'. Hoje - comigo bem melhor - já demonstrou mais fruta vermelha e boca com especiaria. O travo doce português está lá, também. Boa permanência e final, mas claramente ainda não estou recuperado dos efeitos secundários do mal estar. Uma pena não poder falar mais desse vinho, que é muito bom e merece atenção por parte do leitor. Preferencialmente comprado em 'promo', porque seu preço cheio é salgado.
Esta postagem foi tocada com a metade que sobrou de ontem do Xisto Cru 204, um Douro já degustado aqui. Por descuido, no dia 30 fui ao centro da cidade e tomei alguma chuva. O banho quente ao voltar para casa não impediu um mal estar com febre e dor no corpo. Medicado, na noite do dia 31 não tinha mais nenhum sintoma, mas desconfiei que nariz e boca estariam afetados. Escolhi um vinho mais simples para a virada de ano, e não deu outra: ele estava diferente mesmo. Insosso, 'pouco de tudo'. Hoje - comigo bem melhor - já demonstrou mais fruta vermelha e boca com especiaria. O travo doce português está lá, também. Boa permanência e final, mas claramente ainda não estou recuperado dos efeitos secundários do mal estar. Uma pena não poder falar mais desse vinho, que é muito bom e merece atenção por parte do leitor. Preferencialmente comprado em 'promo', porque seu preço cheio é salgado.