Introito
Está aberta a temporada de caça ao eleitor. Idiotas de plantão colocam suas cabeças fora da toca. Alguns esperam a melhor paga, enquanto outros dão a cabeça à doutrinação alegremente, por conta de uma suposta convicção. Com o El Niño acercando-se e a temperatura subindo, as cidades começam a se infestar de ratos. Faz sentido: em tempo de sufrágio, os ratos naturalmente saem de seus covis procurandoUma pequena decepção, e um grande reencontro
Já faz algum tempo, então talvez quem participou vai notar quando eu rolar a picareta. Já bebi do Château Magence tinto duas vezes, e gostei. Andava curioso pelo branco. Combinei com a Liu e a Lu delas comprarem as safras disponíveis de ambos, para uma brincadeira. Por um erro no despacho da De la Croix acabamos com somente com o branco, em primeiro momento. Château Magence blanc 2019 é um corte 85% Sauvignon Blanc, 15% Semillon tinha toques cítricos óbvios com mais detalhes; só não fui suficiente perspicaz para entendê-los. O problema é que eu esperava algo a mais em boca, e isso não veio. Ele parece-me não fazer juz ao tinto do mesmo produtor. Tem sim alguma acidez (tende a ser "média"), alguma permanência, mas não... convence... falta melhor explicação, eu sei. Nessa faixa prefiro Chablis bem comprados (mesma faixa de preço, já com algum aumento recente, inexplicável pela queda do dóla). Claro, pode haver falta de bebedor para entender melhor a proposta - se alguém tiver alguma opinião, por favor apresente-se. O Dulcamara 2013, da I Giusti & Zanza, foi aerado por várias horas (umas oito?) antes de entrar no balde. As meninas puseram-no no nariz e riram ao mesmo tempo, contentes, alegres... satisfação por antecipação, só no buquê. Majoritariamente Cabernet Sauvignon com pequena parte de Merlot e toques de Petit Verdot, tocou o terror (sic! r!) a 14,5° de árco e mais um tanto de frexa (risos!), com aroma ainda rico e evidente em frutas - pode andar mais - especiaria e couro (café? chocolate? não me lembro nem creio em bruxas, mas que tinha, tinha!). Os taninos estão redondos, a acidez está bem presente, o conjunto é elegante, com uma ótima persistência em boca. Foi minha última garrafa, e foi bem compartilhada, com pessoas que adoram o vinho pelo vinho, sem se preocupar com sua procedência, atentas somente à qualidade e à satisfação proporcionada pela bebida. Não poderia ter sido melhor. Dando-lhe tempo para evoluir, Dulcamara é um grande vinho, em sua faixa de preço (uma safra nova, 2022, sai por uns USD 33.00 dólas na Itália, via WineSearcher). Bebi uma garrafa nova, certa vez, com uma patota até grande, e não convenceu. #Ficadica: não se apresse! Mudou de importadora, e atualmente está custando - não valendo... - cerca de R$ 650,00 - tu-ba-ro-nís-si-mo! Preço fora da realidade? Vamos para a próxima!
A próxima...
A próxima - não necessariamente a degustação, mas a parte da postagem - aconteceu com Don Flavitxo e este escravo de Baco na casa da Márcia. O Ghidelli estava presente sob a discreta benevolência dela, que demonstrou muita indulgência para com o grupo registrando o momento. Nota-se cada canalha com seu vinho devidamente embrulhado, os confrades mais enrolados do que cascavel na hora do bote pretendendo oferecer um bom serviço de seu vinho para não passar vergonha frente aos demais. Foi um ótimo pega-pá-capá (rs), acompanhado pelo sempre excelente cardápio promovido pelo casal.
Sem prometer nem fazer sensação (rs), o branco do anfitrião causou furor pela mineralidade. Francamente, não lembro-me de ênfase nos tons cítricos - óbvios de uma cepa branca mais ou menos tradicional (Macabeo, ou Viura) -, mas o frescor e os toques minerais foram seu ponto alto. O Finca Allende Mártires 2022, de Rioja Alta, é um vinho que mereceria mais envelhecimento, mesmo já mostrando bom ataque e persistência. Não me lembro de outros detalhes; sei que gostei. Não é vendido no Brasil. Don Flavitxo chegou com cara de desavisado e verve de safado enquanto servia de sua garrafa. Apesar do esforço, não conseguiu enganar ninguém. Aliás, alguém enganou ele... Todos foram diretos: Toscana. A Márcia até disse Brunello. Não quis polemizar - estava psicologicamente fraco - mas era um toscano muito redondo para os traços, se posso dizer assim. Sem saber se as regras da DOC mudaram, permaneci calado a despeito da veia pulsando. Apenas fiquei na certeza de que era um corte. E ainda digo: mesmo com o contra-rótulo dizendo 100% Sangiovese, bem, o Brunellogate já mostrou que os italianos não se preocupam sem sacrificar certas leis locais em favor dos resultado$. O Brunello di Montalcino Cordella 2016 mostrou-se por demais redondo, acho que o Brunello mais redondo que alguma vez bebi - embora um Casanova di Neri Brunello Tenuta Nuova (não postado) degustado com a D. Neusa e o saudoso Wilson também estivesse espetacularmente sedoso e tenha deixado saudades duplas. A Casanova di Neri figurou entre os investigados do escândalo citado, sendo inocentada. Pode ter sido impressão, mas sempre mantenho um pé atrás quando encontro vinhos tão acertados quanto Cordella. Será que a safra '16 (espetacular) ajudou? Não sei por qual coincidência Don Flavitxo acabou detentor desse exemplar, entretanto ele estava realmente bom: nariz, boca, persistência, tudo devidamente ajeitado, redondo e pimpão. Se não anotei as notas, um ponto é certo: sua cereja estava lá, característica da Toscana. Agora, que um vinho de tão grandiosa safa e difícil cepa tenha amadurecido com tamanha complexidade em apenas 10 anos é algo além da minha compreensão. Sabendo ser Don Flavitxo um artimanhoso (sic) de primeira, fui preparado. E mais, caprichei no serviço: 12 horas de areação (em garrafa) no Quinta do Noval Reserva 2018. E ele chegou a galope! Nariz rico em frutas e mais notas. Apesar de novo, em bom momento para beber: é cedo para as sugestões de chocolate, cacau, café e similares aparecerem, embora o bebedor com melhor olfato encontrará muita diversão nele além da fruta. Equilibrado, boa acidez, taninos já aveludados e com o toque clássico do Douro, este corte Touriga Nacional (60%), Touriga Franca (25%) e outras cepas mostrou ótimo frescor e presença, com um final de boca realmente longo. Como lembro-me em detalhes desse vinho? Ele andou em 'promo' por aí e cheguei a pagar R$ 200,00 algumas garrafas. Sobram-me algo como meia dúzia, e enquanto degustava ia maravilhando-me ao lembrar de cada uma delas em minha prateleira. O futuro será... glorioso! 😂 Mais cinco anos ele estará um mel na chupeta; com segurança chega a 2036. Para um vinho que beira os USD 50,00, comprar a R$ 200,00 durante o ano passado foi uma pechincha. Como parte da sobremesa, sobrou o Ice Wine de Cabernet Franc da Magnotta Limited Edition em sua safra 2018. Já escrevi sobre ele em sua safra 2016, e esteva maravilhoso como sempre. O leitor usuário de celular pode procurar no menu da lateral direita pelo vinho, escolhendo 'Versão Web' ao final da primeira página do navegador.
😋
Teve mais do que bão...