Introito - algumas reflexões soltas, parte 2
À mulher de César não basta ser honesta,
ela deve parecer honesta.
Júlio Cesar
Tenho uma percepção que não é exatamente um sentimento nem uma sensação, mas que também não é propriamente uma ideia: percebo-a, embora seja difícil traduzi-la em palavras. Em meu idioleto, chamo-a universo moral. O universo moral de uma pessoa seria o conjunto de valores, princípios, intuições e critérios pelos quais ela distingue o que considera certo e errado, justo e injusto, aceitável e inaceitável, digno e indigno.
A construção do universo moral acontece ao longo de nossas vidas conforme incorporamos valores e princípios, alguns dos quais se tornam inegociáveis e terminarão por constituir nosso caráter. Infelizmente em nosso país quase tudo vem sendo relativizado desde há muito tempo - similar ao homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda - e é difícil depois de certa idade criarmos um escudo contra tentações e deslizes. Se atingimos essa meta em relação àquilo que efetivamente reconhecemos como inegociável, tornamo-nos inflexíveis, intransigentes até, e é essa qualidade que nossos adversários usarão para nos (des)qualificar. Felizmente, pois não poderão nos tratar por corrupto, quadrilheiro, cínico, quadrilheiro (palavra da moda) e ladrão, por exemplo.
O indivíduo pode declarar seu universo moral, mas na verdade são suas ações que o demarcam. Vejamos: o caboclo se diz contra a corrupção. Mas seu candidato é um corrupto, ele apenas nega todas as evidências. O que aconteceu? Seu universo moral foi colonizado pelo grupo ao qual o sujeito pertence. A pessoa passa a julgar o mesmo ato de maneiras diferentes conforme quem o pratica, porque sua lealdade ao grupo precede o próprio juízo moral. Então seu universo moral não é o sustentado por ela mesma! Esse universo moral é menor, mais estreito do que se proclama possuir - e a pessoa, um idiota; suas ideias erradas e inconsistentes precisam ser repudiadas pelas pessoas de bem por serem falsas. Afirmo não votar em corrupto. Vem alguém sustentando ser contra a corrupção mas cujo candidato é corrupto e me chamar de... isentão(!). É um exemplo acabado de estupidez. Recobro a epígrafe, invocada neste espaço não pela primeira vez e afirmo: não negocio meu voto - muito menos com candidato desse tipo.
O que acontece quando os fatos são incompatíveis com o universo moral que uma pessoa construiu? A resposta pode nos levar à dissonância cognitiva e à estupidez de Bonhoeffer. A dissonância cognitiva é - aproximadamente - o estado de tensão mental em que crenças, atitudes ou comportamentos entram em conflito. Para preservar determinadas convicções, a pessoa pode então rejeitar ou relativizar fatos que as contrariam. A teoria foi proposta por Leon Festinger. Ele foi citado em um vídeo sugerido em outra postagem, esta, do humorista Leo Lins - não é uma postagem humorística, mas é impossível não rir... O texto é de 8 de setembro de 2023... dei voltas, refleti e caí praticamente no mesmo lugar. Ou estou louco, ou estou muito certo. Estúpidos, enfileirem-se!
Sabendo que o produtor é também o proprietário da importadora que traz o vinho para cá, reflito se o preço aqui poderia ser mais atraente para o consumidor. Acaba vendendo porque um bando de idiotas - capturados pela mais profunda dissonância cognitiva - aceitam pagar seu preço cheio de praticamente 3x. Idiotas do mundo, uni-vos! E paguem... Marx e Engels nunca estiveram mais atuais...
A construção do universo moral acontece ao longo de nossas vidas conforme incorporamos valores e princípios, alguns dos quais se tornam inegociáveis e terminarão por constituir nosso caráter. Infelizmente em nosso país quase tudo vem sendo relativizado desde há muito tempo - similar ao homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda - e é difícil depois de certa idade criarmos um escudo contra tentações e deslizes. Se atingimos essa meta em relação àquilo que efetivamente reconhecemos como inegociável, tornamo-nos inflexíveis, intransigentes até, e é essa qualidade que nossos adversários usarão para nos (des)qualificar. Felizmente, pois não poderão nos tratar por corrupto, quadrilheiro, cínico, quadrilheiro (palavra da moda) e ladrão, por exemplo.
O indivíduo pode declarar seu universo moral, mas na verdade são suas ações que o demarcam. Vejamos: o caboclo se diz contra a corrupção. Mas seu candidato é um corrupto, ele apenas nega todas as evidências. O que aconteceu? Seu universo moral foi colonizado pelo grupo ao qual o sujeito pertence. A pessoa passa a julgar o mesmo ato de maneiras diferentes conforme quem o pratica, porque sua lealdade ao grupo precede o próprio juízo moral. Então seu universo moral não é o sustentado por ela mesma! Esse universo moral é menor, mais estreito do que se proclama possuir - e a pessoa, um idiota; suas ideias erradas e inconsistentes precisam ser repudiadas pelas pessoas de bem por serem falsas. Afirmo não votar em corrupto. Vem alguém sustentando ser contra a corrupção mas cujo candidato é corrupto e me chamar de... isentão(!). É um exemplo acabado de estupidez. Recobro a epígrafe, invocada neste espaço não pela primeira vez e afirmo: não negocio meu voto - muito menos com candidato desse tipo.
O que acontece quando os fatos são incompatíveis com o universo moral que uma pessoa construiu? A resposta pode nos levar à dissonância cognitiva e à estupidez de Bonhoeffer. A dissonância cognitiva é - aproximadamente - o estado de tensão mental em que crenças, atitudes ou comportamentos entram em conflito. Para preservar determinadas convicções, a pessoa pode então rejeitar ou relativizar fatos que as contrariam. A teoria foi proposta por Leon Festinger. Ele foi citado em um vídeo sugerido em outra postagem, esta, do humorista Leo Lins - não é uma postagem humorística, mas é impossível não rir... O texto é de 8 de setembro de 2023... dei voltas, refleti e caí praticamente no mesmo lugar. Ou estou louco, ou estou muito certo. Estúpidos, enfileirem-se!
Itália 3, Portugal 1
Placares, assim como vinhos, nos enganam, às vezes. Olhando para a garrafa o leitor erguerá uma sobrancelha e se perguntará: quem trucidou um Crasto Reserva Vinhas Velhas 2021 dessa maneira? Devagar com o andor, e não que o santo seja de barro; começarei por onde normalmente termino, o preço: a confra recebeu uma oferta de caixa a pouco mais de R$ 300,00. Seu preço por aí facilmente atinge R$ 600,00, então os olhos da turma brilharam. E resolvemos comprar uma garrafa, porcada (rs), e uma para degustar e avaliar seu estado. Vários degustadores, inclusive a Jancis Robinson apontam-no com data de beberagem (sic! rs!) 2025-2035. Um avaliador nacional, segundo Wine Searcher, declarou "Tem final sedutor, suculento e persistente, com toques de cassis, de amoras, de violetas, de grafite e de alcaçuz, que pedem mais um gole". Bom, opinião unânime: mesmo passando por 8 horas de aeração, Crasto Reserva Vinhas Velhas mostrou fruta contida rodeada por taninos ainda pegados, novos demais embora não verdes. Tem boa estrutura, acidez presente, mas tudo meio desencontrado: um anão de cujas costas sai um adolescente por sua vez originando no mesmo lugar um adulto; quimera onde todas as pernas alcançam o chão e cada pé aponta para uma direção. A boca indica para um grande vinho, num futuro algo distante - quatro ou cinco anos - quando o buquê encontrará o paladar, os taninos, o álcool, a acidez, o açúcar e Baco, o fauno, ambos dançando e rindo ao som da Pã, em meio à vinha e ao sol. Guarde seu exemplar.
Alguém notará: é a segunda postagem seguida envolvendo o Argiolas Iselis Monica di Sardegna Superiore 2019. De saída vou explicando: embora as postagens estejam próximas, os eventos situaram-se distantes no tempo - seguramente mais de um mês. E já comentei sobre a estratégia para montar sua adega: comprar uma caixa de um bom vinho, deixá-lo envelhecer e no momento correto provar uma garrafa a cada dois ou três meses. Quando o bebedor tiver estocadas seis, oito caixas, ou mais, e o amadurecimento delas chegar, ele poderá intercalá-las - quanto mais caixas tiver, maior o espaço entre as repetições. E o felizardo estará sempre bebendo um vinho bom. No presente caso, aconteceu de ter algumas garrafas e também aproveitar a "promo" da Enoeventos que ainda está valendo. E mais: gosto de mostrar vinhos bons para os confrades, além de compartilhar com eles as oportunidades. Esse exemplar, com meras duas horas de aeração, estava como os demais já descritos: balanceado e pronto para beber. Nariz e boca completos, finalizados, no ponto. Com aeração, o álcool em excesso vai-se embora e apresenta-se integrado ao conjunto da obra, que tem boa permanência e final. De resto, tudo lá: fruta, chocolate (café? - risos!), uma delícia. Compre e beba. Não poderia deixar de fazer menção: D. Neusa serviu um espumante nacional que ela não se recorda de onde, nem como, sobrou em suas mãos. Apenas estava lá, e ela sabe como eu aprecio provar espumantes nacionais - embora não os compre pelo mesmo motivo que me leva a não votar em corruptos: é simplesmente desnecessário. Fausto Brut Rosé, da Pizzato, tem buquê até gracioso, mas com baixa acidez e boca discreta, mais rápida que o Pepeu Gomes no Brasileirinho... e basta de comentários. Custa aqui R$ 80,00. Por 7 moedas lá fora compramos espumantes muito melhores.
Como se precisasse comprovar alguma coisa - como é mesmo a estória do universo moral? - seguem os preços do Crasto cá e lá.
Cá...
Sabendo que o produtor é também o proprietário da importadora que traz o vinho para cá, reflito se o preço aqui poderia ser mais atraente para o consumidor. Acaba vendendo porque um bando de idiotas - capturados pela mais profunda dissonância cognitiva - aceitam pagar seu preço cheio de praticamente 3x. Idiotas do mundo, uni-vos! E paguem... Marx e Engels nunca estiveram mais atuais...