Sunday, October 25, 2026

Copos, como taças...

Introito

Chupa, bolsonéscio! Seu passado o condena, e sua árvore genealógica não ameniza a rejeição enojada do eleitor contra sua candidatura. Era o único candidato sabidamente conhecido, desde o começo do ano, seguramente batível por NAP. Apesar da ótima estratégia de seu time de campanha, que conseguiu secar as demais candidaturas, o resultado final registrou em um déficit de 4,5 milhões de votos em desfavor do derrotado. Infelizmente só posso escarnecer o perdedor. Ninguém suspeita do quanto rezei, durante o dia de hoje, para um meteoro suficientemente grande caísse no meio do país. Meu nariz ficou até vermelho de tanto fervor, mas não fui atendido. O cenário agora está claro: impixe de NAP, com o improvável Alquimista assumindo o almejado comando da nação. Para quem dizia em 2017 que O ladrão quer voltar à cena do crime, o subserviente político pode agora realizar seu sonho. Dentre meus contatos próximos, houve quem comentou a última postagem defendendo o voto em bolsonéscio, enquanto alguém defendeu a escolha de NAP. Votos nulos convictos foram declarados há mais tempo. Respeito cada escolha, embora não deixe de lamentar algumas.

Copos, como taças...

Copos, como taças, fazem diferença gritante ao provar uma bebida. Tinha uns copos de uísque padrão, redondos (sic! rs!), os quais sempre achei errados; eles deveriam ser quadrados. Os cantos podem ser arredondados, não há problema, mas o formato principal nunca poderia ser redonda... copos circulares tendem a fugir da mão do bebedor após o enésimo gole, enquanto os outros no máximo dão um quarto de volta 🤣. E assim provamos a tese. Comprei dois copos como o da foto, sem indicação de fabricante e com formato projetado para concentrar os aromas; o resultado surpreendeu. O caramelo ficou muito mais evidente no nariz, e houve espaço para mais notas, além, claro, da madeira sempre presente. Em boca o álcool segue um tantinho pronunciado - quer maciez de verdade? Tente um Macallan. - mas aparece um toque de especiaria e um travo doce, tudo bem mais evidente. Já estou pensando em procurar um par de copos de melhor qualidade, e sugiro ao leitor-bebedor a troca assim que possível. Volto a falar disso assim que possível, e veremos a diferença para taças melhores se faz notar.

Friday, October 23, 2026

História de um sobrevivente

Introito

O cidadão de bem torna-se bandido quando associa-se a bandidos.
Máxima d'Oenochato, publicada ad nauseam.

Soa desalentador como bolsonéscios empenham-se em defender seus políticos de estimação.  Primeiro Bolsonéscio, agora bolsonéscio... Falemos do filhote. É impressionante como ele sempre é o único inocente em todas as falcatruas que puLulam à sua volta. A ligação dele com o ex-banqueiro Vorcaro é o exemplo típico do desrespeito com o qual ele trata os apoiadores: dezenas de vezes negou conhecê-lo para de repente passar a declarar tratar-se tudo de negociação privada, entre particulares, sem envolver dinheiro público. Sendo tudo tão simples, honesto e verdadeiro, por que negar? Sua proximidade com milicianos cariocas também é preocupante: começou com Adriano da Nóbrega em 2003, quando o então deputado concedeu-lhe uma moção de louvor. A mãe de Adriano e a ex-esposa do policial trabalharam no gabinete de Flávio na Alerj até novembro de 2018. Ambas foram implicadas no escândalo das "rachadinhas". Veja aqui. Os estúpidos de seus defensores, para a surpresa de zero pessoas, fazem cara de paisagem. Esse sujeito pede seu voto contra NAP. Que desfaçatez!

NAP alardeava, no início de 2025, que aquele seria "o ano da colheita". Chegou às vésperas do primeiro turno declarando que "se não tem carne, come ovo, se não tem ovo, come salada". Quem prometeu ao povo a volta da picanha não conseguiu entregar um acém ou um músculo no prato do trabalhador, reconhecendo tacitamente a falta de uma carne básica no cardápio do brasileiro. Ele triplicou a verba da educação - e a fonte é 'oficial', o próprio PT - entre seu primeiro mandato e o primeiro de Dilma, mas os resultados do país no PISA naquele período foram tão vexatórios quanto os de agora. E estúpidos reputam Andrada como o maior sinistro da educação do país, quando foi apenas o mais longevo - clara comprovação da falta de senso crítico. Esse sujeito pede seu voto contra bolsonéscio. Que desfaçatez!

   Um debate fraco de argumentos por ambos os lados na noite de hoje parece ter condenado bolsonéscio pela falta de inteligência e capacidade argumentativa que lhe são peculiares. Não é uma torcida, é uma avaliação: NAP pode ganhar por um koka, como se dizia no judô. Pouco importa; para ele não há mérito em sair-se melhor na contenda intelectual contra um batráquio. Conclamo meus leitores a dar o troco em tanta mentira, enganação e traição à pátria. O cidadão de bem tem por dever negar seu voto a esses pulhas, por mais que sua simpatia tenda para um ou para outro. Nossa única oportunidade de vingança é esta; não a desperdice! Vote com raiva! Vote nulo!

Um sobrevivente

O Puligny-Montrachet Vieilles Vignes 2014 do Vincent Girardin repousou na geladeira por praticamente dois anos depois de aberto. Oxidou, é claro, e mostrou notas claras de frutas secas, nozes a mais evidente. Sem avinagrar, perdeu um pouco da acidez mas continuou muito palatável. Não decaiu para o acetaldeído, embora tenha ficado mais ligeiro. Esse sobrevivente surpreendeu pela condição. Inexplicável. O Chocapalha Vinha Mãe 2016 foi desarrolhado por volta das 17:00, e começou a ser degustado próximo da 20:30. Escrevendo às 22:20. Muita fruta na frente, seguida de chocolate amargo e... café? Boca com um ligeiro amargor, madeira discreta, taninos arredondados, frutado e herbáceo. Corpo médio a mais pegado e boa acidez, proporcionando bom final, daqueles que salivamos, engolimos e notamos sua permanência ainda em boca. Está em bom momento para ser degustado, no ápice, diria. Tem estrutura para seguir mais tempo, mas seu consumo agora agradará o bebedor. Não o guardaria mais; contudo, se você tem outras garrafas na frente, bebe-lo até '28 ou '29 também vai agradá-lo bastante.

Thursday, October 22, 2026

Paduquices pré eleitorais

Introito: a divisão do trabalho das tarefas

Parodio Smith ao mencionar como não tenho problema em dividir tarefas, e os comentários políticos de hoje em parte vêm com meu completo endosso à matéria de Felipe Moura Brasil. Recomendo acompanharem-no; PTlhos e bolsonéscios estão dispensados, pela absoluta idiotia que lhes é peculiar. O vídeo distribui vergonha para ambos os lados, com precisão cirúrgica e fontes verificadas, suficientes para os gados precisarem aprofundar-se ainda mais em suas dissonâncias cognitivas, sendo-lhes algo inato há muito e sem surpresas. Escrevo estas linhas para colegas e amigos em boa parte ex-votantes de NAP ou eleitores nem de um, nem de outro, mas curiosos a ponto de conhecer um Livro Amarelo daqui, um posicionamento de Renan Santos dali, sem o menor compromisso de apoiar meus eventuais indicados - como deve ser! Nestes tempos perigosos, quando ratos saem de seus covis à caça de votos, nenhum lugar está a salvo. Nem o blog... gente sem caráter, escondida no anonimato e crente de incomodar-me, deixa uma sequência de recadinhos na esperança de perturbar-me a paciência. Divertem-me! Soa engraçado um cidadão enviar texto que ele sabe não será publicado. A insistência em gastar tempo entrando em postagens e deixando mensagens de conteúdo vazio de ideias vai ao encontro da concepção acabada de estupidez, no sentido de o caboclo fazer sempre a mesma coisa esperando resultados diferentes. Entre uma tarefa profissional e outra, confiro e-mails, vejo as notas, sorrio, paro para um café e volto a trabalhar com disposição renovada. O humor é parte importante do dia-a-dia; rir é viver, e viva o hedonismo epicurista! Houve uma intervenção da época da eleição passada e devidamente publicada aqui. Foi uma nota minimamente inteligente, onde o missivista ardilosamente perguntava qual tipo de vinho eu gostava. Ele sugeria poder ser aquele vinho estrelado, com 13 graus... considerei um desafio elegante, pois falava de vinho. Não precisei gastar muito tutano para retrucar sobre minha preferência: Amarones com 22 graus de potência e finesse. O próprio cidadão reconheceu a verve da resposta. Àquela altura já estava claro que eu não votaria em NAP nem em um candidato incompetente - muito menos em um com viés obscurantista, pouco afeito às regras democráticas e amigo da desinformação, sem contar todo o resto Mas como criticava NAP - e cada gado parece registrar somente as desaprovações a seus amos - o cidadão provavelmente considerara meu voto como bolsonéscio. Foi nulo. Portanto renovo minha opinião para quem, como eu, nascido no plantão de Minerva, precisa de pouco para perceber as coisas. Voto nulo! Não há quem mereça a confiança do cidadão de bem. Discípulos de Coalemos (obrigado, IA!), recuem! 


Na Paduca

Gerindo a adega dessa confra, peguei um Chianti já conhecido e acrescentei um branquinho nojento de entrada. O Deux Roches Saint-Véran 2023 chegou fresco, elegante, com o Paulão citando abacaxi logo de cara. Depois citou-se alguma outra fruta branca... seria pêssego? A acidez estava um pouco mais presente nessa garrafa, foi bem recebida pelos confrades. A certa altura o Duílio mencionou manteiga discreta: manteiga pura, não aquela que pomos no chão e ele na chapa... Sim, manteiga é uma das expressões da Chardonnay, e foi divertido notar a concentração do Paulão procurando-a. É mesmo um vinho simples mas bastante agradável, principalmente para quem começa a trilhar o caminho dos brancos. Alguém acertou a procedência... quem teria sido? 🙄Parece, infelizmente, ter-se esgotado no importador. O Tenuta Casuccio Tarletti Chianti Classico 2022, servido às cegas, quase fedia à cereja (risos!), mas ela passou despercebida pelos confrades. Apontaram algo como café/chocolate - tinha mesmo - terra (herbáceo), mas não cafungaram fruta. Gostaram da acidez, os taninos estavam redondos, o final não é tão longo, mas, para vinhos desse padrão, está na média. Se comprado a R$ 115,00, vale o preço. Por aí encontrei a R$ 180,00, tubaroníssimos 3x... refute. Também às cegas servi-lhes um final de LAN. Surpreendentemente sobreviveu bem em geladeira, ainda mantinha parte do buquê, e seu conjunto agradou, embora sem nenhum destaque em particular. Foi divertido, e o encontro serviu também para... adivinhe... claro!, programar a próxima reunião, uma extraordinária, na semana que vem. Quem vier, beberá...

Sunday, October 18, 2026

Bodegas LAN Crianza

Introito: um debate ingraçadíssimo

Habemus debatum! Os candidatos à presidência protagonizaram mais um grotesco episódio destas eleições, conforme observamos no evento promovido pela rede Bandeirantes. A parte engraçada dos diálogos ficou por conta da pergunta de bolsonéscio (filhote) a Nosso Amado Presidente (NAP) sobre este ter sido o mais votado dentro dos presídios, ouvindo como réplica que, se assim fosse, o próprio Bolsonéscio (pai), seria um dos detentos a votar em NAP contra o filho. Em outro momento, NAP defendeu o sujeito que se comportou bem podendo usufruir da saidinha do presídio no final do ano. Ora, por qual motivo o criminoso não se comportou bem a vida toda, em vez de cometer os crimes pelos quais foi condenado? Depois quer o benefício da saidinha? Bolsonéscio pretendeu ser bonzinho, escutando a população para votar a favor do final da escala 6x1, mesmo contra a avaliação de boa parte dos economistas de seu próprio campo ideológico, que advertem sobre o fracasso da medida. Desconsiderar estudiosos costuma dar ruim. A ver... No mais, promessas claramente eleitoreiras (sic) e desconectadas de quaisquer dados sólidos nos quais o eleitor possa efetivamente abalizar sua decisão. NAP disse que o dinheiro precisa circular, nas mãos dos pequenos e dos médios, mas o manda para os grandes (pagaremos algo como R$ 1,2 trilhão em juros da dívida, este ano!). bolsonéscio disse que sua campanha está propositiva. Nós vimos todas as propostas nos debates dos quais participou (sic) antes do primeiro turno, e em seu plano de governo, não é mesmo? Resumindo: um espetáculo repleto de desvairos, delírios e desatinos, com candidatos atacando-se e tripudiando, no discurso direto e nas entrelinhas, de todo o povo brasileiro. Qualquer um dos lados cantar vitória sobre o adversário significará o triunfo da mediocridade sobre a excelência, da insensatez sobre a lucidez, e do fanatismo sobre a razão. Minha opinião não mudou um milímetro: voto nulo no segundo turno. Nenhum deles merece nossa consideração.

Bodegas LAN

As Bodegas LAN parecem ser um conglomerado dentro de outro conglomerado (sic): parte da portuguesa Sogrape, na Espanha controla vinhedos em Rioja, Ribera del Duero, Rueda e Rías Baixas, produzindo algo como 4 milhões de garrafas por ano (dados da IA do Google). Em Rioja, produz uma linha ascendente de Crianza, Reserva e Gran Reserva com alguns produtos mais simples e outros em linha superior, terminando a escalada com o Culmen. Havia visto no Wine Searcher nos EUA o preço do LAN Crianza partindo de 13 dólas (R$ 66,00), e em uma loja de S. Carlos estava a R$ 170,00; dá 2,6x... Como não comprava lá há algum tempo, resolvi arriscar. Trata-se de um corte 94% Tempranillo, 6% Mazuelo. Abri-o devidamente resfriado um pouco antes do início do debate (20:00), que assisti enquanto jantava um bifim com batatas e o vinho. Escrevendo a partir das 23:00, aeração com pouco mais de 3 horas, portanto. Aroma discreto composto mais por frutas vermelhas, e algo mais, talvez um floral - raramente percebo -, a ser desvendado por narizes melhores. Boca com taninos médios, redondos, um pouco de madeira bem sutil, álcool pegando de leve e acidez indo a média, proporcionando bom frescor. O final é ligeiro e decididamente não figura entre suas qualidades; acaba rapidinho... Achei estranho seu preço, e fui conferir melhor. Outros sítios reportam seu preço a €7,00 (US$ 7,85). Para um vinho de US$ 8,00 está bom, mas para US$ 13,00 está mesmo fora - note que 13 para 8 dá mais de 50%... Por exemplo, o Cedro do Noval me agradaria mais. E por US$ 8,00 seu valor aqui fica verdadeiramente tubaronesco, R$ 40,00+, o que projeta 4x 😕. É por isso que às vezes colocamos um monte de dinheiro e o vinho de certa maneira não agrada... Não sei bem o que prever para os demais vinhos da família, mas no valor de R$ 220,00+... às vezes aparece Marquês de Riscal Reserva por R$ 180,00, e aí não tenho dúvida de que ele leva o Crianza de Lan... quiçá seu Reserva também, mas aí fico com medo de comprar... coisas do vinho...

Thursday, October 15, 2026

Um italiano diferente e um francês comum

Introito

O cidadão de bem torna-se bandido quando associa-se a bandidos.
Máxima d'Oenochato, publicada ad nauseam.

   Recebi uma mensagem algo efusiva do Plínio. Ele talvez não seja adorador de Baco, pois nunca antes assinara uma missiva e o conteúdo da nota era puramente político, um gentil reconhecimento e concordância com as ideias da última postagem. Este espaço, como já dito, não publica comentários sobre tal assunto, mesmo quando me sejam francamente favoráveis. Comecei a abordar o tema cansado tanto da posição bovina quanto da dissonância cognitiva - talvez então ainda não conhecesse o termo - que assolava muitas pessoas próximas a mim, levando-as, sem perceber, a assumir posições absolutamente estúpidas.  O blog continua, portanto, fiel às suas propostas, ainda que as premissas iniciais tenham mudado um pouco com o tempo. Todos evoluímos, não é mesmo? Bem, nem todos...

   Está muito masoquistamente divertido acompanhar PTlhos e bolsonéscios debaterem-se nesta reta final do pleito. Fúlvio bolsonéscio - ou o que seja, o nome é tão importante quanto o do Rodolfo - está à cata do seu voto para tornar-se o passarinho mandão da vez - e viva Cortázar! Estava sendo acusado de rachadinhas em algum episódio nebuloso quando parte dos elementos que embasavam a denúncia foram considerados ilegais pelos Supremos Sinistros (SS) da segunda turma do STF. A fonte é oficial. Como ignaro nessas lides, não consigo desperguntar-me (sic): mesmo ilegais, provas de um ilícito continuam sendo provas, certo? A ilegalidade despermite (sic) o andamento de um processo, mas não revoga fatos pretéritos. Assim parece-me... Depois, segundo agências de respeitada responsabilidade, Fúlvio bolsonéscio contou ao menos 43 mentiras para se afastar do caso Banco Master. Parece que o presidiário Vorcaro deu de patrocinar uma nova versão de Pinóquio. 🙋‍♂️ Tenho uma sugestão para o ator principal! Assim como NAP, Fúlvio promete até cansar. A si e a nós. Teve o episódio - abandonado - dos 70 milhões de celulares. Pensei até em pedir para a Manu algum vestido emprestado para me candidatar a receber um, pois o meu está velho e não consigo trocar. Mas sim, colaboraria para com esse projeto, se ainda estivesse em voga, afinal pago impostos, e de onde o leitor imagina que sairia a verba para tal? Sim, do seu bolso, estúpido. Esse sujeito fugiu de Renan Santos como o diabo da cruz, o vampiro da luz e o hipócrita de Jesus, quando chamado a discutir propostas. Sua fuga foi óbvia; não tinha qualquer propositura séria para contrapor às quase 500 páginas de um tal Livro Amarelo, que em sua versão resumida, apresentada ao STE, continha apenas 51. E nem entrei nos pontos mais polêmicos da extensa capivara do candidato. Estúpidos ainda pensam em votar nele? A esta altura, só posso dizer: vá em frente. Só não me chame para participar disso. Votar nulo não é estar isento. É estar contra Fúlvio e contra NAP.

Reuniãozinha light

A Luciana encontrou uma curiosidade, o Il Poggiarello Gutturnio Frizzante 2023, um espumante italiano tinto(!), produzido na região de Emilia-Romagna, em Gutturnio DOC. É um corte de Barbera com Croatina (nestas bandas, principalmente na Argentina, conhecida como Bonarda) à base de 60%/40%, dizem. Buquê com fruta discreta, até atraente e um pouco mais, mas não consegui identificar. A surpresa ficou no paladar: a Lu achou muito metálico, em excesso. Achei também, embora não tão agressivo. A Liu não viu isso. De qualquer maneira tinha sim algo de amargo, mas não a ponto de incomodar. Um traço do terroir? Três bocas e três vereditos tão distintos? Fiquei intrigado. Verdade seja dita, diminuiu quando a temperatura caiu mais um pouco, mas não explica as diferentes percepções iniciais. É um frisante de corpo leve indo a médio, suportado pela boa acidez, fresco... mas um tanto ligeiro, apesar de tudo. É um produto de 9 Euros lá fora (R$ 52,00), vendido a R$ 297,00 - dá incríveis 5,7x! 😖 Luciana, faça-me o favor! Sim, ela disse: olhou e ficou com vontade de experimentar. Isso não tem preço. Não padeço desse tipo de curiosidade. Vi o engraçadíssimo rótulo do The Old Bastard certa vez, e comprei... depois de procurar e ler sobre ele. Mas aqui trata-se de um enochato, não de uma mocinha curiosa disposta a encarar desafios. A Liu compareceu com o Château des Espoureys 2020, um Bordeaux Supérieur. Tenho comigo que o termo Superior advém de um vinho ordinário da região com meio grau de álcool a mais, e isso dá uma mãozinha na estrutura. Uma uva melhor - para atingir esse nível alcoólico - também tende a produzir um vinho um pouco mais estruturado. Não lembro-me se alguém conferiu, mas esses vinhos normalmente são um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. Tinha suas frutinhas e um toque delicado de especiaria - comentei sobre a diferença de uma CS por aqui (Chile) e em Bordeaux, onde a chamada Rainha das Uvas atinge sua expressão máxima. Tento recordar-me se a Liu sugeriu compota... será? Boca com alguma estrutura: taninos presentes e arredondados, acidez indo a média, álcool integrado e final de pouca persistência... é um exemplar razoável, conquanto similar a diversos outros da mesma região, tornando-se então um vinho comum. Não encontrei seu preço por aqui, foi comprado há muitos anos. A Domazzi, importadora de Florianópolis, costuma praticar margens razoáveis e normalmente seu representante em S. Carlos é a Casa Deliza, que não usa exacerbar no preço. Para um dia de experimentações, teve bão. Obrigado, meninas!

++++++++++++++++
🐭 Rata?
Agradeço ao comentário de Don Flavitz, que o leitor atento poderá acompanhar no pé da postagem.

Ah, sim (😣):




Monday, October 12, 2026

O Iselis Monica di Sardegna na Amantes de Baco

Introito

O cidadão de bem torna-se bandido quando associa-se a bandidos.
Máxima d'Oenochato, publicada ad nauseam.

Vários comentários (não publicados) assolaram o blog recentemente. PTlhos sugerindo apoio de Renan, bolsonéscios classificando o candidato derrotado como esquerdista. Não respondo pelo Missão, mas a posição deles é sobejamente conhecida até por jumentos. Kim Kataguiri explica tudo aqui. Os PTlhos que me são próximos estão encolhidos; os bolsonéscios, exultantes. Prensada entre um e outro, 30% dos eleitores absteve-se ou procurou uma alternativa - por mais calamitosa. PTlhos são capazes de tudo, até invocar uma única frase - por mais poética - para acomodar suas convicções mais estúpidas. Parênteses: para quem não se lembra, veja aqui: confundindo e misturando extrema-direita, Centrão e direita, temerosos (sem motivo) da volta da ditadura, perpetram: Não cante vitória muito cedo, não, não leve flores para a cova do inimigo. As lágrimas do jovem são fortes como um segredo, podem fazer renascer um mal  antigo... mas na hora do aperto apresentam-se econômicos: Amar e mudar as coisas me interessa mais, desconsiderando que uma sentença solta pode caber em qualquer contexto. Fecho parênteses. O cidadão da foto, por mais detestável, poderia dizer que amou e mudou as coisas. Tente me contrariar... NAP agora tenta tirar votos de poços secos. As tais pautas identitárias - que as enfie no meio de suas ideias - apresentarão a conta. O descaso com a educação também cobrará seu preço - PTlhos de plantão defendem  que o país melhorou no último teste do PISA; veremos depois. E na economia - é a economia, estúpido! - entre voltar a comer picanha (25/08/2022) e Se não tem dinheiro pra comprar carne, a gente come ovo. Se não tem dinheiro pra ovo, come salada (2/10/2026) - o eleitor exigirá a prestação de contas de quem começou com carne de primeira e precisa se contentar com salada. Não estamos falando de um acém; sequer há músculo! E algum estúpido pretende argumentar que esse governo não é uma tragédia econômica em sua forma mais completa e acabada? É isso mesmo? Precisamos de um termo para a dissonância cognitiva elevada à sexta potência. Para fechar: Renan não declarou apoio a nenhum dos lados, mas eu declaro minha posição: Vote nulo! Apoio-me na máxima da epígrafe, que é antiga, reforçada pelos últimos parágrafos, para descredibilizar qualquer sugestão de voto em NAP. Sobre bolsonéscio, falo depois.

Amantes de Baco


Teve uma (sic! rs!) com a Amantes de Baco. Foi quando apareceu um Villa Antinori branco 2024, mistura pouco convencional - para mim - de Trebbiano, Malvasia, Pinot Bianco, Pinot Grigio e Riesling. A família Antinori tem tradição na Itália; está no mercado desde antes de 1400... originária da Toscana (Florença, em estreita ligação com os famosos Médici, mecenas de Da Vinci), expandiu-se para as principais regiões da bota (Úmbria, Piemonte, Púglia e Lombardia), além de fincar os pés nos Estados Unidos, Romênia, Hungria e Chile, onde adquiriu a Viña Haras de Pirque, conforme nos reportou a Ariane recém-retornada de lá, após uma rápida passagem pela bodega do produtor. Seus detratores reclamam de sua propaganda agressiva para suportar preços elevados. Não discordo. Mas o leitor jamais beberá um Antinori ruim. Se sofisticado, é outra conversa... Esse tinha buquê alegre, cítrico como convém as brancos em geral: abacaxi, e creio ter ouvido limão; boca com frescor advindo de acidez, embora nada de excepcional nela, relativamente baixa. Por isso mesmo ele passa rapidamente pela boca, deixando pouco rastro. Não é um grande pecado, afinal trata-se de um vinho simples, fácil de beber e agrada uma trupe na qual o companheirismo vale mais do que vinho. 🤨 E, se alguém perguntar quando o vinho é mais importante, a resposta será imediata: quase sempre! 🤣😂 É o motivo pelo qual todo mundo suporta este Enochato! Aliás, um desavisado veio perguntar sobre Moscatel... beba este Malvasia. Pelo menos o número de sílabas é o mesmo. Seguiu-se um Château de La Bouyère 2020, bordozinho também básico na clássica combinação CS/CF/Merlot. Bastante fruta e mais toques, com acidez um tanto melhor, taninos redondos mas sem tanta explosão e pouco volume em boca, com final também ligeiro. Para terminar, apresentei aos confrades o Argiolas Iselis Monica di Sardegna Superiore 2019, bastante citado aqui ultimamente. A coisa mudou de figura, como era de esperar - até porque o preço médio dele é o dobro dos anteriores, lá fora. Iselis esbanjou fruta e outras notas, que se alternaram conforme os confrades se arriscavam, de chocolate a couro e café. Claro, a acidez é melhor, os taninos estão redondos e mais firmes, perfazendo um conjunto completo e harmonioso. Ele também custa mais que o dobro do Bouyère, então convenhamos: tem a obrigação de ser bem melhor. E nisso cumpre o dever. Não fui atrás de conferir os preços do Antinori e do Bouyère lá fora, mas, pela qualidade, não devem ultrapassar 8 dólas. Para um dóla a R$ 6,00 (com IOF, etc.), se pagar até R$ 100,00, não desagrada. O problema é que a régua deste escrivinhador acomodou-se em uma altura um tanto maior; então, a boa opção para vários bebedores pode não me satisfazer. Assim como as minhas opções desagradam bebedores melhore$. É o vinho...

Wednesday, October 7, 2026

Um espanhol que NÃO fraquejou!

Introito

Ninguém jamais perdeu dinheiro por subestimar 
a inteligência do público americano
 H.L. Mencken (1926), apud 
Sagan, Broca's Brain (1979)

   Segundo dizem, a porcentagem de norte-americanos com diploma superior - contando a formação técnica pós-secundária - está próxima de 50%. Para o Brasil, o número mais confiável que encontrei é de 21,4% (dado de 2026), e na mesma página há um vínculo para o levantamento completo. Esse povo elegeu o Trampi. Bem, antes, o Baiden. Por aqui preferimos - 92% dos votantes... - Ali Lulá dos 40 ministérios e Bolsonéscio. A votação final foi muito estranha: Zema amealhou 0,27% (pouco mais de 300 mil) dos votos. Um ex-governador, vindo do segundo maior colégio eleitoral do país, eleito com mais de seis milhões de votos em seu estado e avaliado como ótimo ou bom por algo como 60% do eleitorado recebe, na eleição seguinte, meros cinco por cento de apoio em seu próprio estado, desconsiderando os votos país afora? Está claro o quanto a propaganda bolsonéscia mostrou-se eficaz em sua proposta de encerrar a fatura no primeiro turno, favorecendo a migração de votos de toda a direita para o primeiro colocado. Outro fator foi importante, embora eu não saiba explicar direito: por capricho do TSE, as páginas de todos os candidatos foram desarticuladas, tendo seu alcance a novos leitores severamente limitado ou mesmo extinto. Para uma campanha dotada de quase 900 milhões (PL), fica fácil se recompor usando influenciadores pagos para veicular sugestões de votos. Se é que foi mesmo isso que aconteceu, recomendo uma pesquisa pelo leitor. Parece claro que o Missão - partido no qual votei - foi soterrado pela falta de estrutura e aporte financeiro para conduzir sua campanha. Nem tudo foram lágrimas, e algumas verdades inconvenientes vieram à tona: Andrada foi derrotado na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, com um detalhe quase lascivo para este analista: enquanto NAP ganhou de bolsonéscio na capital, seu pupilo perdeu; justamente onde anteriormente ele próprio fora prefeito. Uma bela comprovação de suas habilidades gerenciais, não é mesmo? Também foi satisfatório acompanhar outros cidadãos sendo desempregados pelo eleitor, como, por exemplo, o amapaense Rodolfo, um deslumbrado por NAP. Tivemos muitos outros, mas esses bastam.

Um espanhol com karma, mas sem chacra

Sob o pretexto de acompanhar a apuração da eleição a #emuitovinho se reuniu na noite de domingo. Eu havia chamado as meninas para uma pizza, e para minha surpresa Dona Neusa chegou com um vinho a mais, e ele entrou no balde tão logo foi aberto, onde permaneceu enquanto apreciávamos um Cordon Negro, da Freixenet. Não é preciso falar muito mais sobre ele: bate similares nacionais de valores próximos, e isso é apenas mais um indicativo de como nosso vinho exorbita nossos bolsos. Compre vinhos caros, eles valem a pena... mas não pague caro por vinho, é estupidez em sua forma mais acabada. Pensando na Introdução, talvez não... continuemos.  Chacra Treinta y Dos 2016 Pinot Noir apresentou um buquê muito agradável, complexo, repleto de frutas vermelhas, especiarias e madeira - que mal percebi e fui  confirmar na ficha técnica - muito discreta. A boca passou longe do nariz, com um pouco de fruta, taninos leves, acidez indo a média - mas não chegando lá - tímidos 12% de álcool e final ligeiro, típico da maioria dos sul-americanos. Não deu sinal de estar comprometido, pois não apresentava defeitos óbvios. Procurando sobre ele e seu valor no mercado, notei como fala-se de sua acidez viva, mas não vi isso em nosso exemplar. A uma safra com 10 anos - nem tão antiga - parece claro faltar estrutura ao vinho para que ele mantenha a acidez mesmo por um tempo relativamente curto. Essa garrafa veio diretamente da bodega e manteve-se refrigerada até o consumo, então não levantemos problema de armazenamento. Acontece que ele é o melhor do produtor, com a safra 2016 celebrada pelos críticos, com James Sucks atribuindo-lhe 98 pontos, contra 96 do Parque. Comenta-se por aí esse vinho ter um estilo borgonhês. No... no se puede... (risos!). Vamos por partes. Partindo do suposto acima, a falta de estrutura comprometendo a acidez, e ele recebe 96 e 98 pontos de avaliadores enquanto Borgonhas como o Domaine de la Vougeraie Clos de Vougeot Grand Cru na ótima safra de 2009 não vai além de 95, e um Cros Parantoux do Meo-Camuzet (mesmo ano) mal chega a 93 (Wine Spectator) soa como uma piada dos Trapalhões para uma plateia com QI superior a 70: risos amarelos. Orra meu (risos!), um Borgonha dura, tá sabendo? Chacra pode competir muito bem com os melhores chilenos e argentinos, mas pelo que apresentou ao final de dez anos não bate um Borgonha Village de bom produtor. Por exemplo - reclamo muito da margem praticada pela Mistral, mas não questiono a qualidade da curadoria - tomemos um vinho simples do Domaine Jean-Marc Millot, o Gevrey-Chambertin 2021, um Village. Duvido que Chacra chegue perto. Não, não bebi do JM Millot, mas recentemente provei o Dugat-Py Cuvee Coeur de Roy Tres Vieilles Vignes 2009  dessa mesma região, e não é difícil afirmar - se tivesse três neurônios, ainda sustentaria - que a diferença entre eles não é grande, é abissal. E a melhor nota dele é 18,5 no Gault & Millau... Está na hora do pessoal começar a ficar sério, a quantidade de patetices está sobrepujando a fruta (dos próprios vinhos - risos!). Se ele é melhor do que isso, então sua janela de beberagem é muito estreita. Next! 

   Com um perfil bem diferente, Juan Gil Etiqueta Azul 2018, um corte Monastrell (a Mourvèdre francesa, célebre no Rhône), Cabernet Sauvignon e Syrah, 15,5% de álcool, aerou duas horas antes de ir para o balde, e chegou explosivo, intenso: rico em frutas e mais notas de chocolate, couro e especiarias; Dona Neusa apontou mentol, sorrindo de satisfação. Não lembro a opinião da Elvira, mas creio que ela separou algumas frutas - algo muito difícil para mim. Sua potência está amparada por taninos muito marcados mas agora bem redondos, acidez média + e madeira bem integrada, perfazendo um conjunto rico e complexo. Tem ótima permanência com final um tantinho amargo, e isso é uma característica, não um defeito. Jumilla é uma DO de Múrcia, uma pequena região na costa mediterrânea do sudeste da Espanha; Juan Gil é reconhecido por ter colocado Jumilla no mapa internacional do vinho e compete com os melhores produtores da região. No segundo dia - enquanto escrevo esta parte da postagem - apresenta-se pegado, firme, e ao mesmo tempo elegante... acompanhou muito bem um hambúrguer com toucinho e batata frita, trazendo à lembrança o fauno de algumas postagens. Chacra também não desceu de um dia para o outro, mas Juan Gil estava mais ao meu agrado: melhor estrutura, encorpado e pronto para ser degustado, com vida longa pela frente. Este, beba ou guarde. Ademais, esse vinho de bom karma custa uma fração de Chacra; para mim, este é mais um vinho superestimado.

Sobre preços

   Juan Gil custa algo como 27 dólas lá fora (x5, R$ 135,00), e por aqui é encontrado a R$ 430,00. Isso dá quase 3.2x, tubaronice. Seguramente paguei menos nos tempos de Enoeventos com boas ofertas. A importadora tem algumas outras opções do produtor, e são bem razoáveis no quesito qualidade. Só precisa conferir se no preço também continuam interessantes.





   Chacra é um vinho caro na Argentina, R$ 667,80. Se disser no sítio que a indicação é deste Enochato, sai por R$ 667,00. Isso dá USD 120,00, mais ou menos. Chega nos EUA, dependendo da safra, entre USD 90,00 e USD 135,00 (mais taxas!). A pergunta de sempre: por quanto saiu da Argentina? Ainda assim, seu preço "lá", pelo que apresentou, é assustadoramente alto. Espero que venda bem; de repente alguém viaja para lá e me traz um Xatenêfi que esteja sobrando pelos mesmos USD 130,00. Nesse valor dá pra pegar um Beaucastel 2007... com qual você ficaria?