Friday, January 2, 2026

Paduquices de aniversário e desejos de um feliz ano novo

Introito

Poucas vezes a ignorância é uma dádiva. 
Na maioria delas, é fonte da suprema vergonha.
Oenochato

   Esquerdopatas continuam a ruminar injúrias contra bolsonéscio - houve um breve momento quando pararam a comemorar sua merecida prisão (se legal, trata-se de juízo que não é comigo). Diretopatas queixam-se do STF, das manobras do governo na Câmara e Senado (onde ele não é maioria) e tentam trazer o provo às ruas, com resultados sempre pífios. Menos em seu ideário, funcionando a serviço de devaneios flagrantes: - Apenas mais 72 horas, patriotas! Ao fim e ao cabo são duas turbas ignaras lutando entre si e em um obsceno todos contra todos, onde quem perde são as classes média e abaixo - uns 80% da população. Com seu QI de galinha cada lado limpa-se na sujeira do outro, crendo piamente em memes metodicamente planejados para confundir cada vez mais seus cérebros já injetados por narcose ideológica prolongada e onde o pensamento crítico foi substituído por reflexos pavlovianos de indignação seletiva. Todos têm suas certezas e ninguém se envergonha. Mas deixam passar despercebidos como seus governantes foram os piores da estória desse país.

Outra no aniversário

A Paduca reuniu-se em meu níver enxertada por Don Flavitxo. Para meu desespero só encontrei a garrafa do branco, o Fósil Chardonnay 2017 da Zuccardi, ofertado pelo visitante e servido às cegas. Tive uma clara estranheza ao provar dele: a mineralidade advinda de solos de calcário de San Pablo estava muito óbvia, mas não se encaixava no meu precário rol de brancos conhecidos. Tinha boa acidez e persistência - não lembro-me bem das notas além de algum cítrico óbvio para esse tipo de vinho. Não era aquela mineralidade chablisiesca como dizem alguns, mas era interessante. Aportou boa expressão, enchendo a boca e promovendo experiência singular para a confraria - principalmente para os colegas noviços nessa seara. O problema - como sempre - fica por conta do preço. Tem sítio argentino enfiando (sic) o valor em dóla 😣 - 92,00 - enquanto outros cobram 95.000 Pesos - R$ 560,00. Não procurei com muito afinco - e pouco conheço, também - mas por valor similar (USD 99,00) compra-se um Comtes Lafon Les Duresses da excelente safra de 2020. Um Premier Cru de quem é considerado apenas um dos melhores produtores de brancos do mundo. Provei um Villages dele, que é simples, e achei muito bom. Fósil mal competiria com ele (não no quesito mineralidade, onde ganharia, mas essa é apenas uma das características de um vinho, e ter mais não significa ser melhor), imagine disputar com outro um degrau acima. Certo, a comparação entre um vinho chablisiesco contra um Borgonha da gema (sic) pode parecer desproporcional, mas estamos falando de preço! Porque, preço por preço, por 70 dólas (na média) dá pra pegar um La Chablisienne Grand Cru Les Preuses, e não dá pra Fósil não... Quer dizer (sic): a 90 dólas ele está cercado de um lado por Borgonhas Premier Cru, e por outro de Chablis Grand Cru. Acho ótimo quando tolos preferem o primeiro aos demais; é como bolsonéscios e lulaslelés imersos em sua imbecilidade mais profunda escolhendo tão errado quanto a burrice permite. Vibro, porque sobra um pouco dos últimos para mim... Aqui Fósil está entre milão (sic) e R$ 1.360,00, se não for 'confrade', ou R$ 850,00 e R$ 1.150,00 se for cidadão de primeira categoria, digo, membro de clube (rs). O preço-confrade está próximo a 2x, o que indicaria uma boa compra. Indicaria... se não fosse uma montanha de dinheiro por um vinho que seguramente não se aproxima dos citados.

   Quanto aos tintos, foi tudo planejado. Até o convite a Don Flavitxo foi motivado a uma brincadeira de muito tempo atrás. Vinhos às cegas, paduquentos batendo cabeça, Flavitxo nadando de braçada. Ele identificou bem a procedência (Ribeira del Duero) do Pagos de Capellanes Joven 2019 - já degustado pelos confrades - e vibrou logo ao cafungar a primeira taça do El Nogal 2015: tinha a elegância discreta dos grandes vinhos quando estes não querem ser espalhafatosos. Notem: são ambos vinhos do mesmo produtor. O Joven é o mais simples e El Nogal está na linha ícone, composta, em ordem crescente, pelo próprio, pelo Doroteo e finalmente pelo El Picón. Ambos são Tempranillo, e enquanto o primeiro apresentou-se mais direto na fruta, alegre, boa pegada, acidez bem presente, o segundo expressava notas delicadas em espectro muito mais largo, indo da fruta ao herbáceo, com muitos toques entre um e outro ponto. Tem ótima boca, vibrante, adorável, também com muita fruta, especiaria, chocolate/fumo (qual?) e uma mistura que confundiu a percepção deste enólatra. Ótimo final de boca e persistência, com madeira e álcool integrados à boa acidez, e não precisa de mais (rs). Pagos de Capellanes tem representação repartida entre Grand Cru e Enoeventos. A segunda tem de momento apenas o Joven, de R$ 319,00 por R$ 217,55/R$ 229,00 (Enoclube/Cidadãos de segunda categoria - rs). Na primeira, R$ 280,42/R$ 329,90 (Confrade/Cidadãos de segunda). Encontra-se na Espanha por cerca de 15,00€ (R$ 96,00, sem contar IOF), então está mais de 2x em Enoeventos e 3x em Grand Cru. Quem comprou quando o preço era menor, comprou. Quem não comprou (sugestão), procure outro.

   A última garrafa, também às cegas, causou furor e justificou plenamente meu brinde: Meus caros confrades, conheçam a opulência e regozijem-se com ela! Novamente Flavitxo não teve dificuldade em notar o Riojano, enquanto os Paduquentos perdiam-se em considerações diversas. Já havia provado um Remirez de Ganuza Reserva da excelente safra 1998, e o degustado, da grandiosa safra 2005 também estava rico e em nível superior ao Nogal: avalanche de frutas para atordoar, madeira, pimenta e mais complexidade - fumo, e não só. Demonstra seu comprimento em boca: largo, profundo, aquela persistência que depois de engolir e salivar notamos como ele continua lá. Acidez média a alta, taninos pegados mas já devidamente arredondados, sem saliências: sofisticação aliada à personalidade. Na hora de comentar sobre ele para os confrades Duílio e Paulão, cometi um excesso: classifiquei como um dos 5 melhores da Espanha. Nem conheço tanto os ícones espanhóis para poder sugerir isso, e foi mesmo um ato falho. Remirez de Ganuza pode estar entre os 5% grandes produtores da Espanha, mas colocar seu Reserva entre os 5 vinhos excepcionais da Espanha não é são. De qualquer maneira teve bão, e agradeço aos confrades pela presença.

Passagem de ano

Passei a virada com meu fiel escudeiro, o Lemão. Sempre amedrontado pelos fogos - foram mínimos este ano, graças à chuva - nossos cães sofrem com a atitude pouco inteligente de alguns queimando dinheiro para fazer barulho. Bem... compramos os vinhos que compramos - procedência (sul americanos) e preço -; votamos em quem votamos e seguimos nas redes quem seguimos. Está explicado. E reputo não haver solidão quando se tem um ótimo vinho por parceiro de mesa, pois cada gole preenche o espaço que o momento esvaziou de companhias e conduz o espírito a um diálogo alegre e contemplativo consigo  mesmo. É quando a máxima de o vinho pelo vinho adquire seu significado mais profundo e arrebatador. De qualquer maneira fica meu agradecimento pelos mais de 10 convites para cear, vindos de confrades de todos os cantos da cidade e a Tia Ana chamando-me carinhosamente para sua mesa. Depois de tudo isso só faltava abrir um Concha y Toro Reservado e um espumante nacional para celebrar o momento. Qual! Ferrari Maximum Blanc de Blancs é um espumante italiano da região de Trentino-Alto Adige, produzido com Chardonnay que expressa toques cítricos misturados com frutas brancas e um discreto fermento/pão. O corpo um 'médio+' faz a entrada de boca agradável, enchendo o paladar com bolhas delicadas, discretas, aportando fruta branca e cítrica, boa acidez e final longo. Não sou especialista em espumantes, mas não apostaria um centavo em qualquer exemplar nacional contra ele. O melhor já degustado por mim é o Casa Valduga 130. Se fosse uma disputa de 100 metros rasos, chegaria 130 metros atrás. 

Algumas Malucas apareceram um pouco depois da meia noite, vindas de um jantar - o Mário entre elas. Mas ele e Débora não entraram, apenas a Liu, que flagrou-me na foto ao lado enquanto apreciávamos um  Barolo do Domenico Clerico, o Ciabot Mentin Ginestra 2001. Ginestra é uma  MGA, Menzione Geografica Aggiuntiva, coisa mais ou menos recente no Piemonte - o Consórcio de Barolo classifou 181 áreas como MGA em 2010. E o produtor pertence ao grupo de jovens (nos anos 80) que ficou conhecido como Barolo Boys - veja o filme - modernos produtores que causaram uma reviravolta de costumes na região. A questão é muito polêmica (o filme comenta e explica), e não entrarei nesse mérito. Termino a postagem hoje, dia 2, por falta de internet ontem. Aberto no dia 31, ele continua grandioso, talvez seja seu melhor momento. Esbanja fruta, couro, fumo e um herbáceo agradável. Em boca leva à prisão da alma num daqueles cumes dignos da melhor paisagem de cinema, com taninos já domados, redondos, elegantes... fruta vermelha, sem dúvida, mas talvez não apenas ela; mentol, que me dá a impressão de tridimensionalidade, aquele vinho que enche a boca e dá a sensação de que podemos mastigá-lo; madeira, acidez vibrante, enfim, a estrutura quase perfeita cuja nota 10 não se personifica apenas porque não ouvi música celestial escapando de dentro da taça. Relativamente muito pouco sedimento, uma surpresa para uma garrafa dessa idade. Se meu Natal não foi tão gratificante com o Pavie Decesse, o ano novo extrapolou com Domenico Clerico Ciabot Mentin Ginestra. Por comentário final, é a segunda garrafa degustada. A primeira (não postada) aconteceu quando o blog andava parado, talvez por 2018, algo assim. Mesmo com 17 anos, os taninos estavam verdes, e o conjunto completamente fechado. Barolinhos você talvez possa beber com 10 anos. Já Barolões, abri-los antes de 20 anos é um completo desperdício.

Um feliz 2026 para os leitores que acompanham os altos e baixos do blog, muitos vinhos e muitos momentos feliz! Até a próxima!

Thursday, December 25, 2025

Uma postagem de Natal

Introito

Até a rolha cheira a chocolate...
Oenochato, sobre o Pavie Decesse '09

Papai Noel existe! E tenho a prova: chego na adega e encontro um pacote em cima da mesa:


fiquei imaginando o que seria... um par de havaianas? Não importa! Abrirei no horário apropriado... agora! (sim, começo a postagem às 23:5X). Ara, um vinho... até com identificação do importador no pacote... já não se fazem mais Papais Noéis como antigamente...


...aliás, o assunto vem bem a contento... descobri que esse safado do Noel anda economizando... e bem! Filhodaputinha... encontra ofertas melhor do que eu... não sabia dessas, veja,


   É isso mesmo? Milão por um Pintia, um Tondônia Reserva e uma Xampa? Vejam, um Pintia - só ele! - custa R$ 1.561,94 na Mistral, importadora 'oficial' da marca. Querem eu eu mostre o selo do contrarrótulo ou só a logomarca na caixa está bom? E chamei o Papai Noel de filhadaputinha? Bom, cadê agora os filhadaputões que defendem essas importadoras tentando justificar os preços praticados por elas como 'custo de transporte do vinho para restaurantes associados'(!), dentre outras conversas-moles? Falei 'essas importadoras'? Você acha que é uma atividade solitária? (sic!)



Veja esta, 


Vinha Ardanza Reserva por uns R$ 350,00, acho - não lembro exatamente. Por aí está de R$ 900,00 por R$ 800,00, embora alguns lojistas que se acreditam espertos vendam de R$ 700,00 por R$ 530,00. Mal sabem que a importadora os passa para trás, vendendo na internet a um valor que eles talvez não consigam sequer pagar! (os cerca de R$ 350,00) Leitor, nunca na história deste blog (risos!) eu pedi um like, que nem existe nesta plataforma, mas é imperioso: faça essa informação circular, envie a postagem para quem você conhece e gosta de apreciar um bom vinho. As pessoas precisam ser alertadas desse estupro perpetrado por dinheiristas de araque suportados por vigaristas pseudo-avaliadores que induzem o consumidor a compras de valores superestimados vendendo-se - olhe lá - por umas poucas garrafas de brinde em troco de suas teclas indulgentes, alugadas a preço vil e mais afeitas à conveniência do que à verdade. Veja aqui os preços do Ardanza na praça:



Divaguei... apresento o valor do Pintia no sítio da Mistral:


   Não para por aí. O Tondônia Reserva, só ele, custa na mesma Mistral a bagatela de R$ 850,00. 


   Ambos, conta de padeiro - com o lápis atrás da orelha - somam R$ 2.400,00. Traduzindo: por menos da metade do preço da vitrine ainda leva-se grátis uma Xampa para enfiar no meio da ideia quando nada tiver o que fazer... não é bacana? Não trata-se apenas de um acinte contra o consumidor. O é também contra o lojista: ele seguramente não paga valores tão baixos pelos produtos se pretender tê-los em sua loja! O lojista é constantemente apunhalado pelo importador, quando a relação na verdade deveria ser uma comunhão, uma união de forças para fazer chegar ao consumidor um produto de qualidade a um valor honesto. Como vemos, não é o que acontece. 

   Quanto custa um Ardanza lá fora? Como vemos, na média, uns 40 dólas. Dá uns R$ 240,00.

   É média. Procurando melhor, encontramos por até 32 dólas nos EUA, com transporte transoceânico e o escambau.


   Os 40 dólas, R$ 240,00 lá fora, contra os cerca de 350,00 pagos pelo vinho aqui, são apenas um valor inferior a 2x - o qual concordo em pagar - adequado para uma mercadoria no Brasil tendo em vista a carga tributária. Valores como R$ 900,00 são apenas o 4x da face mais tubaronesca de algumas importadoras, como este espaço constantemente tem apontado. Consumidor, não apoie iniciativas corrosivas de seu próprio bolso. O cidadão não se entrega a tais achaques. Ele procura um preço honesto ou, no limite, escolhe outro produto. Quem sai no prejuízo? O lojista, que muitas vezes entra no negócio de boa fé sem fazer o dever de casa e acaba sendo parça na patifaria, sobrando com o mico nas mãos enquanto os consumidores mais ligados evitarão comprar dele. Não consigo ver um ciclo virtuoso nisso; é um circuito corroído pelo vício e pela insensatez.

   Sobretudo, não se enfie na internet procurando somente por preço. Já observei sites com ofertas maravilhosas mas andam pendurados em denúncias no Reclame Aqui e outros. Cautela! Principalmente - acabei percebendo - esses sites têm todos o mesmo design! Ou seja: é possível que alguma quadrilha esteja montando sites com ótimas 'ofertas' sem a pretensão de entregar a mercadoria de fato. Cuidado, muito cuidado. Espero conseguir fazer uma matéria sobre isso.

   Notícia complementar vem do Jairo, proprietário do ShotCafé: 


   A matéria cita "um cenário macroeconômico pouco convidativo" em 2024 - como se fosse novidade - obrigando a empresa Wine a uma reestruturação. As importadoras desovando vinhos na internet encontraram outra maneira de reestruturar o caixa, nada mais. E se reparar, são vinhos que não entram em promoções tido Black Friday e outras. Quando presto atenção em tais promoções destinadas ao grande público fico com a impressão de - não sempre, mas muitas vezes - tratarem-se de opções já a perigo, no limite da data para consumo. Quem vai domesticar esse mercado predatório não é outro senão o consumidor. Invoco um ditado chinês já citado nestas páginas:
Paciência é sentar-se à beira do rio
e aguardar o corpo do seu inimigo passar boiando.

   Sítios onde o leitor pode procurar no Reclame Aqui e encontrar poucas reclamações sem solução definitiva são Vingardevalise, VinhoBR e Casa da Bebida. Compro deles com alguma  regularidade. Às vezes acontecem atrasos, mas nunca tomei uma tunga. Na Vingarde, certa vez, a título de desculpas por um atraso excessivo, o sr. Bruno até enviou-me um ótimo azeite do Noval - para mim significa o cliente levado a sério. Dica: veja se tem lá o Quinta no Noval Syrah. Compare o preço lá com o de Portugal. Claro, previna-se: consulte as iniciativas de defesa ao consumidor sempre que for comprar em qualquer lugar.

Uma postagem de Natal

Comecei a noite de 24 com um Mâcon Villages 2022 do Drouhin. Vem de bom produtor, prevalecendo notas de frutas cítricas na entrada e outras brancas, como pera, depois. Mesmo no segundo dia, quando finalizo a postagem, tem boa entrada de boca com leve amargor, acidez quase chegando a média - faltou um pouquinho - e o mesmo toque cítrico do nariz. É fácil de beber, direto, equilibrado, com alguma complexidade para agradar melhores provadores. A dureza é seu preço cheio, R$ 375,00, contra USD 20,00 nos EUA. Dá 3x, como sempre... Paguei pouco mais de R$ 200,00, estava no 2x. Não fosse assim, não compraria. Depois veio uma das joias da coroa (rs): um Château Pavie Decesse 2009, safra lendária de Saint-Emilion. Essa região tem seu sistema próprio de classificação - parece que com revisão a cada 10 anos - e segundo o Stephen Brook na edição revisada da Enciclopédia do Vinho do Hugh Johnson, é onde adota-se a concentração do mosto com mais entusiasmo em toda Bordeaux. De fato, comparando com o Château Montrose e o Château Gloria, com boa presença de Cabernet Sauvignon e uma expressão muito discreta dessa cepa, Pavie Decesse tem uma pequena porcentagem de Cabernet Franc que passa por uma CS bem marcada. Refiro-me àquela picância da Cabernet, mais na ponta da língua para a Sauvignon e no meio dela para a Franc. Em Decesse é claramente meio de boca, e é bem presente, sem tanta sutileza como em outros Bordeaux. Depois vem um desfile de sensações, com menos fruta e mais chocolate/café/fumo, toques herbáceos e especiaria. Quando abri, notei como a própria rolha cheirava à chocolate... A fruta aparece mais em boca, onde repetem-se chocolate meio amargo, principalmente, e especiaria. É um vinho pegado, realmente de boa extração, acidez acima da média e boa permanência. Não tem traço de envelhecimento... vai longe... Estava assim ontem, após aerar umas quatro horas e permanece bom no dia seguinte. Tem ótimo conjunto e é um grande vinho, mas pergunto se é tão melhor do que um Remirez de Ganuza Reserva, do qual provei recentemente - não postei ainda. Certo, aquele era da ótima safra de 2005 e estava efetivamente no ápice, mas mesmo nesse safra pode ser encontrado pela metade do valor do Pavie Decesse. Não, eu não compraria outra garrafa desse, mas repetiria um Remirez de Ganuza Reserva - aquela foi minha segunda garrafa, havia provado uma apaixonante 1998 há algum tempo, ganho de presente da Dona Neusa em uma viagem que ela fez aos EUA e ajudei na seleção dos vinhos que ela trouxe. Poderia citar outros vinhos que preferiria, mas talvez caiba uma reflexão: provavelmente falte bebedor - cheirador, na verdade - para desfrutar de um vinho como Pavie Decesse. Quiçá a experiência de desvendar mais notas em um vinho assim sobrepujasse a opulência do Remirez e fizesse pender a balança. Não sei. Este Enochato, com suas deficiências, fica com o espanholeto. Em safra recente ('18), Pavie Decesse está em 'promo', de R$ 3.200,00 por R$ 1.995,00 - olha a crise aí. É um vinho de USD 120,00 lá fora (safra '18) e USD 240,00 na safra '09. Comprei por um tanto menos, mas então era jovem. Sempre vale provar um bom vinho, conhecer sua expressão e ampliar os limites do conhecido. Vamos à próxima garrafa.

O Mâcon Villages,



O Château Pavie Decesse por aqui...

Wednesday, December 24, 2025

Mais 61.

Introito

   Não tenho certeza do motivo, mas talvez essa postagem vá bem ao som do Falcão. Bolsonéscio foi preso, condenado a 27 anos e três meses. Sem comentários desbotados do tipo "É demais; 27 anos e 27 dias bastariam", porque saiu barato. A falta de prisão perpétua na legislação é (mais) uma prova de como nossa constituição precisa ser reformulada. Dizem 'jogada no lixo'; não sei. Mas se o esforço for o mesmo... Sei sim que escrever uma minuta de golpe em três vias justificaria três condenações à perpétua; se tal cumprimento é impossível, fica como agravo à vileza da atitude. E por aqui sequer temos tipificação para parte de seus crimes. Certas coisas deveriam estar escritas na pedra (aquela que funda uma nação), junto de algumas reflexões, como a do Capistrano: "Todo brasileiro é obrigado a ter vergonha na cara. Revogam-se as disposições em contrário". Quem a tem não vota em candidato incompetente. O que dizer de doar-se a ladrão, corrupto condenado ou cujo passado demonstra per se a falta de compromisso para com o país. É clichê, mas vamos lá: a frase centenária nunca esteve tão atual. Para piorar tudo, o recente PL da Dosimetria decreta (se entendi bem): 1. golpe de Estado e 2. abolição violenta do Estado democrático de Direito são crimes cujas penas não devem mais ser somadas. Para mim são questões bem distintas: a patuleia do 8 de janeiro definitivamente não estava lá para abolição violenta. Já escrevi aqui: não portavam armas nem se embarricaram para oferecer resistência; saíram como cordeirinhos - embora acreditando que seu apenas desejado golpe de Estado estivesse dado. Já Bolsonéscio tinha um plano de matar figuras da República - por mais execráveis - e tomar o poder. Não fosse isso (sic), poderia ser condenado penas por golpe de estado. Vê-se sem dificuldade que os atos são muito diferentes e independentes; portando não há motivo para não somar as penas. Em qualquer lugar decente elas seriam multiplicadas, e seria pouco! De onde tiramos a certeza de mais pizza no prato de cada brasileiro de bem. Estou farto dela, no cardápio político, há 30 anos. Precisamos mudar. Pescoço, só na ponta da corda - é o 'castigo' para traição - porque picanha, nenhuma também... então não deixemos o tranqueira desacompanhado...

Outras reuniões


Teve uma onde reuni a confraria #émuitovinho, e programei uma inesperada. Poucas vezes presenciei - além de outro, promovido por mim mesmo - um confronto com tais atores, até óbvios, como proposta de comparação. Nem foto sobrou, o que dizer da lembrança exata de tantas notas, sobrepujadas com força e intensidade pela presença de pessoas tão queridas e luminosas para mim... Mas vá lá (rs), teve lá uma xampa da Veuve Clicquot Brut, com o que se espera de uma xampa: equilíbrio, notas sempre bem-vindas de fermento, pão e cítricas; boca com fruta bem viva, ótima acidez, bolhinhas generosas e delicadas, não aquelas coisas grosseiras que fazem as bochechas se expandirem involuntariamente em um gole descuidado, como acontece com os segundos melhores espumantes do mundo, produzidos por aqui. Ninguém acertou um Brunello di Montalcino 2015 da Donatella Cinelli, que aos 10 anos está pronto para ser degustado. Verdade seja dita, a cereja tão típica não marcava o buquê, mas tinha fruta vermelha abundante e estava aveludado na boca. Lembro da acidez não ter marcado tanto - esperava mais - e os taninos estavam maduros, com corpo médio e permanência não tão longa. Sinceramente, me pergunto se ele vai longe, e acho que não. Alguns anos, sim, sem dúvida, mas não guarde além disso. Ainda, um Rivetto Barolo Serralunga 2011 que causou furor nas taças, principalmente pelo nariz rico - tabaco, couro, frutas maduras - e com boca mais refinada do que o Brunello: acidez mais presente, taninos mais pegados, boa permanência, final mais longo e melhor equilíbrio no geral, apontando para uma longevidade bem maior desse exemplar. As safras '15 na Toscana e '11 no Piemonte foram boas, com alguma vantagem para a primeira; o fato das garrafas degustas evidenciarem a prevalência da segunda deve ser creditado, acredito, um pouco à melhor qualidade do produtor, e em parte do fato de o exemplar proceder de um dos melhores vinhedos de Barolo, Serralunga D'Alba. Quem bebeu, gostou... 😄

   O Brunello está disponível na Enoeventos, em safra 2019, a R$ 899,00. Para os enoamigos (sic), R$ 764,15. Nunca fui muito da política de tratar cidadãos em categorias, tipo primeira e segunda, porque um é amigo do Rei e outro não. Um lojista minimamente inteligente trata melhor - no sentido de oferecer melhores descontos - seus melhores clientes. O que ele deveria preferir, alguém que compra, digamos, R$ 12.000,00 por ano em três ou quatro compras, ou seu fiel aliado do enoclubinho gastando tipo R$ 120,00 por mês? Ora, o lojista realmente inteligente prefere os dois!, e agrada tanto um quanto outro. Deixar de vender uma caixa de vinhos a preço de enoclube para um não-enocluber (sic) é uma tática desastrada compartilhada por diversas importadoras - e deixei de comprar em todas elas. Outra mancada da Enoeventos foi aderir à tubaronice: enquanto o Brunello da Donatella é vendido aqui ao equivalente a 160 dólas, nos EUA chega a custar um terço, sinal evidente de prática predatória. Já o Barolo tem preço variando bastante, por aqui: encontrei entre quase R$ 789,00, na safra '17 (mesmo valor do Barollo, portanto) e até por R$ 549,00 na safra '19 (bem melhor, dizem). Seu valor lá fora começa nos 40,00 dólas, ou algo como R$ 240,00, grosso modo. Seu melhor preço aqui dá um pouco mais de 2x; um pouco mais (de 2x) já não me serve, pois 2x é o máximo que pago por um vinho, mas indica uma margem pelo menos mais humana (sic) para um vinho que, no embate direto, mostrou-se melhor. Em tempos de seres humanos votando em Ali Lulá e Bolsonéscio, isso pode não significar muita coisa para a grande maioria das pessoas. Mas este blog está a serviço dos outros 30% dos seres pensantes, e não tem nenhum compromisso com erro, com a ignorância ou com a dissonância cognitiva.

   Esta postagem foi tocada a boas doses do branquinho nojento do Drouhin Mâcon Villages e tecos de um Pavie Decesse 2009, que vai entrar no gelo enquanto preparo um bifim. Quem estiver ligado e quiser passar para uma taça mais tarde, será bem vindo. Oh... enquanto publico esta postagem e chego ao pé da escada da adega, a campainha toca... tem leitor prá lá de atento ao blog já chegou para uma tacinha!

Feliz Natal!
Oeno





Ah, claro...
Os valores do Brunello




e do Barolo





Finalmente, seu preço lá


Friday, November 28, 2025

'61 é agora

Introito: é fogo!

Para aumentar a desgraça que nos rodeia, atormenta e grassa, para esvaziar nossa esperança (e nossa taça), desocupando o coreto e a praça, a COP virou fogo, fuligem e fumaça. Poucos dias antes o chanceler alemão Friedrich Merz comentou sobre sua comitiva: Todos ficamos contentes por regressar à Alemanha, sobretudo daquele local onde estávamos, na noite de sexta-feira. Não se dignou a pronunciar o nome do lugar, e fez bem: lembranças ruins, melhor esquecer. Anunciada antecipadamente como fracasso dada a absoluta falta de estrutura, o evento em Belém naufragou na tentativa de alçar a combalida imagem do país a um degrau mínimo de respeitabilidade. O governo federal naufragou junto, claro. Mas não escapa ileso o governo estadual e, por tabela, a população que o elegeu. Bando de idiotas com título de eleitor e QI de ostra, à semelhança de gaúchos, paulistas e cariocas dentre os demais sufragistas. Bem, no contexto citado esses últimos são um pleonasmo... Ainda tivemos outros desvios, por assim dizer: Ali Lulá defendendo os traficantes de drogas como vítimas dos usuários(!), além de confundir urubu com meu louro, Jesus com Genésio, o Pará com o Amazonas e tendo de aturar uma recepção às autoridades estrangeiras, promovido pela primeira drama (sic), onde o comparecimento foi absolutamente zero. Um zero tão profundo e silencioso que lembrou o próprio zero absoluto, aquele onde até as partículas, resignadas, frustradas, desarticuladas, desistem de dançar e se recolhem goradas, como os convidados que jamais vieram. O crédito da foto é este, e apresenta-nos pessoas sem qualquer equipamento de segurança tentando conter as chamas de um incêndio inesperado em seu voluntarismo estoico e com bravura quase incômoda. Se a COP apresentou algo de bom, ficou registrado nesse gesto de heroísmo. Alguém ficou sabendo o nome deles? O presidente foi cumprimentá-los? A primeira drama deu-lhes algum destaque como deu a Caramelo? Assim passou-se a trigésima reunião da COP, sem qualquer acordo efetivo e sem deixar saudades. Alguém minimamente inteligente e dotado da máxima mansidão teria acabado com ela na décima edição. Perdurar até hoje é mais um registro da nossa imbecilidade.

Postagens mais que atrasadas para eventos bem comemorados

Não gosto de Carnaval, mas adoro quatro dias de festas... 31 de outubro passado caiu numa sexta-feira, e, além do Dia de Todos os Santos, comemoramos em 4 de novembro o dia de São Carlos Borromeu, padroeiro municipal, daí que na terça-feira tivemos outro feriado, com direito ao Dia do Funcionário Público na segunda-feira... Então, entre sábado e terça, permiti-me um retiro espiritual dedicado ao deus pagão de minha predileção - desnecessário perguntar qual, certo? Ah, Caravaggio... vale a pena conferir o verbete, principalmente a parte da interpretação; agradáveis surpresas e inesperadas revelações aguardam o curioso leitor. De algum tempo para cá imagens de obras de arte em altíssima resolução estão aparecendo principalmente na Wiki; sempre vale a pena usar a ampliação e gastar um tempo analisando obras clássicas ao som de boa música e acompanhado por um vinho inspirador; leitura prévia de um dicionário de símbolos ajuda, e o comentário de estudiosos torna a experiência ainda mais gratificante. Experimente, e depois me diga...

Depois da reforma na adega - não ousei pintar as paredes mais antigas por medo de respingar tinta nas prateleiras e, pior, em seu conteúdo - as confrarias estavam ansiosas pela inauguração. Os detratores continuam chamando-a de caverna. Respondo, dando o troco: Adorável caverna, é isso? Alguns ainda olham para as garrafas Matusalém em primeiro plano e provocam: Ainda é uma caverna. Bem... é uma caverna de onde tirei uma Philipponnat das mais rebas, a Royale Brut Reserve. Corriqueiramente muito fresca, elegante, nariz com toques cítricos ricos seguidos de fermento e mais ou fundo florais. Demorei para pegar tudo isso, mas depois fica mais fácil identificar. Se tiver oportunidade preste atenção, pois está tudo lá. A boca tem ótimas mineralidade e acidez, e com cinco anos desde a degola está pronta, equilibrada. Não tenho experiência para dizer quanto tempo mais pode durar nessa condição. Seguramente vários anos, mas não é novidade para Xampas de qualidade. Faz tempo desde a última 'pomo', mas estou de olho: foi minha última, e não seria desagradável provar dela mais uma ou outra vez.



Depois tentei - juro que tentei - fazer boa figura. Mas falhei miseravelmente 😥... Servi o Grand Cru Classé Domaine de Chevalier Blanc 2009, tido como um dos grandes ícones de Pessac-Léognan. Essa é  uma das poucas sub-regiões de Bordeaux com brancos renomados a ponto de ultrapassarem em qualidade seus equivalentes tintos. Essa garrafa oxidou um pouco antes, do tempo, e não estava como esperado. Não estragou, não passou, apenas parecer ter miado... sem saber exatamente o que era - servi às cegas - os confrades gostaram. Mas, pensando comigo, tendo a lembrança de um Pape Clement apreciado há alguns anos e comparando o quanto Chevalier branco estava distante dele, eu curtia solitário minha decepção. Não registrei muito as notas, passou. O serviço da versão tinta foi perfeito, e a turma se agitou junto de suas taças. Ainda um degrau abaixo do citado Pape Clement, com 24 horas de aeração estava vibrante, rico, elegantemente encorpado. Não guardei as notas, mas é daqueles vinhos onde sugestões de frutas diversas misturaram-se às de chocolate/café/couro (quais, exatamente?), com taninos já maduros, madeira presente mas bem harmonizada e boa acidez. É daqueles vinhos que, conversando, sentimos como ele permanece em boca. Potente, equilibrado e gracioso. Todos dizem que Chevalier branco supera o tinto. Se estivesse igual, teria sido espetacular. Para acompanhá-lo, a Liu preparou - não sei como - um bifim numa crosta de sal cuja receita deve ter sido tirada de algum manual de bruxaria. Estava ótimo!


   Por sobremesa tivemos um Ice Wine de Cabernet Franc com um cheesecake de frutas vermelhas. Ninguém lembrou-se de fotografar - e servi a conta-gotas, como costumo fazer com esses vinhos canadenses. Justifica-se: são difíceis de encontrar, e sempre tento fazer uma garrafa (500 mL) ser repartida entre 15 a 20 confrades nos diversos encontros. E olha que uma turma teve de contentar-se com apenas com o Doisy-Védrines... Para um primeiro dia, há quase um mês, só não esteve melhor pelo defeito do branco. Aliás, ele chegou à adega bem depois do irmão tinto, evidenciando não ter sido problema de armazenamento. Baco escreve certo por linhas tortas; da próxima vez que tiver oportunidade, farei uma compra carcada (sic) em brancos. Com uma nova garrafa de Chevalier...

Friday, October 31, 2025

Um duelo desigual


Ao som de Vivaldi

Outra beberagem ficou por conta de um bifim preparado pelo Nagib ao som de As Quatro Estações, e com a presença do Lema. Ao lado, e para evitar confusão entre leitores acompanhados de generosas taças de vinho, explico: somente o bifim; Lema na  foto mais abaixo. Lancei mão das compras de algum tempo que repousavam na adega do anfitrião, e abri um Barbaresco do Prunotto na safra 2020, mesmo imaginando poder estar novo. Claro, tomei a providência de descorchá-lo logo de manhã, deixando-o em garrafa após retirar um dedinho. Esse selo pertence à família Antinori. De um lado, gigantesco e tradicional produtor da Toscana - embora Barbaresco fique no Piemonte. De outro, afiado no marketing e nos preços, consegue cobrar bem por seus vinhos, a nível mundial. Pode-se falar mal dele por vários motivos, menos que seus vinhos sejam ruins ou desbalanceados. E aerá-lo com antecedência mostrou-se acertado. Para opor-lhe resistência escolhi o Cabo de Hornos 2021. Foi um dos meus vinhos referidos durante minha fase chilena, junto do Don Maximinano de Errázuriz Founder's Reserve, do Undurraga Founder's Collection e o Tarapacá Millenium; infelizmente a maior parte deles ficou muito cara com o impulsionamento promovido pelo Parker ali por 2008. Cabo foi aerado por três horas em decantador e posteriormente resfriado em um balde na própria vidraria. A diferença de cor entre ele e o italiano chocou os bebedores...


   A primeira graça foi vê-los supondo o embate entre um peso-pesado e um suco de uvas diluído... então puseram-no no nariz. Não anotei essas notas exatamente; a fruta era muito presente acompanhada de madeira - afinal, é um vinho muito novo - e não notei outros toques. Acredito que possam apresentar-se mais evidentes com a idade, tendendo à aparição de algo do popular trio café-chocolate-fumo, mas estava jovem para isso. A profundidade da fruta mostrou-se marcante, e foi divertido notar Nagib e Lema olharem-se deslumbrados. Magide chegou, recebeu uma taça, cafungou e disse por enquanto, basta indo aconchegar-se em um sofá, com os olhos distantes. Parecia maravilhada, olhando para alguma obra-prima de Da Vinci ao som de Mozart. Para meu padrão - e isso é importante salientar - corpo e acidez medianos com taninos ainda novos, um tanto duros, mas não tão pegados. Com ótima permanência e final, como se espera de um bom italiano. Já Cabo de Hornos também tinha muita fruta com madeira e mais toques, estava sim mais rico em nariz e mais pronto para degustar. Seu grande problema era - adivinhe - a boca. Acidez até boa, para um chileno, mas para mim passando quase liso pelo final da boca e garganta, rápido e rasteiro. Então tivemos um contendor com bom nariz (Cabo) e outro com boa boca (Prunotto). O problema foi bebedores poucos preparados para o estilo de boca do Barbaresco - não a Magide, pareceu-me...

   Um parênteses: esses detalhes podem fazer a diferença para este Enochato de plantão, mas de forma alguma são importantes para o encontro em si. Nesses momentos valem a camaradagem autêntica, a amizade sincera, o respeito recíproco e o afeto genuíno entre pessoas cuja companhia cultivo por mais de vinte anos. A foto abaixo, se não traduz tudo isso, dá uma vaga ideia. Da esquerda, Nabigin, Lema, Magide e este Enochato.


   O mais engraçado ficou para o final - e perdi o tempo de uma picardia estupenda! Magide já se recolhera, e perguntei aos confrades sobre os vinhos. Eles baixaram os olhares, como temerosos de me ofender com suas opiniões - jamais! Disseram, Lema primeiro, que o italiano era bom, mas a preferência dele recaia para o chileno. Nagibim confirmou, cheio de caras e bocas. Apenas ri. Olhei satisfeito para o decantador onde permanecia Cabo de Hornos, e guardei meu melhor sorriso. Foi quando a oportunidade escorregou por entre meus dedos! Alguém desviou o assunto, e, prestando atenção, deixei passar. Só quando o Lema foi embora, conversando com o Nagib, lembrei-me de procurar um funil. Fiz questão de deitar mais um bocadinho de Cabo de Hornos em minha taça e aticei o Nagib a prestar atenção. Então verti o chileno cuidadosamente de volta para a garrafa e apontei a comparação entre elas. Envergonhado, Nagib fotografou.

E vou recordar: ainda retirei um teco de Cabo (à esquerda) antes de voltá-lo para sua garrafa. Leitor, veja por si! Como é, mesmo? Preciso recobrar uma máxima deste blog, já citada em diversas outras vezes e cuja versão pode variar um pouco ao ser adaptada para o contexto:

Deixadas soltas, as melhores garrafas sempre encontram as taças primeiro!

   Como é que os confrades gostaram mais de Cabo se eles secaram o Barbaresco?! Tenho certeza do seguinte: Cada um tinha duas taças. Nagib estava na churrasqueira, e inicialmente servi-lhe um tanto de cada vinho. À medida em que ele bebia de uma taça e de outra, eu apenas repunha o seu consumo, segundo seus pedidos. A garrafa do Barbaresco e de Cabo estavam ao lado do Lema, e ele servia-se de cada uma delas conforme o nível de suas taças desciam. Como diabos o Barbaresco praticamente secou enquanto Cabo ficou pela metade?! 😁 Ara, ara, senhores! Nem perceberam como o italiano os seduziu, cativou, enfeitiçou, desarmou convenceu e os envolveu! Os fatos estão aí, divirtam-se, riam, saboreiem, usufruam e se convençam de como nossos sentidos podem nos enganar às vezes, quando bocas e narizes parecem até tornar-se independentes de nossos cérebros! Não há muito mais o que dizer; os fatos falam por si!

Ainda teve (sic) uma visita ao Lema. O anfitrião concedeu-me a primazia de escolher dentre seus ótimos exemplares argentinos aquele que me agradasse. Tinha lá (sic! rs!) um novo Gran Enemigo - pedi-lhe a reserva para outra oportunidade - e optei por um produtor - Rutini - muito do meu agrado. Era um corte Cabernet-Syrah na safra 2020, pronto para ser degustado e, aberto ali, no primeiro momento, só evoluiu (bem!) na extremamente prazerosa hora seguinte desfrutada entre piadas, causos e muita prosa. Rutini é um grande produtor argentino; seus vinhos são honestos, equilibrados e vibrantes - para o padrão sul-americano. Já disse e repito: estão abaixo do nível europeu para a faixa de preço, e isso é um problema. Mas ali eu apenas provava do vinho. Não recordo das notas exatas - tomei nota e não encontrei depois! - mas tinha complexidade além da fruta, com mais notas. Pronto para beber, deixa a desejar - somente para quem sabe o que é - pela acidez. Aí o terreno afunda, e quando sabemos comparar, notamos que falta 'boca', como faltou ao Cabo e faltaria a praticamente qualquer produto similar do lado de baixo do Equador. O valor mais comum dele aqui no Brasil é R$ 220,00, enquanto custa R$ 56,00 na Argentina. Pow, dá quase 4x! Cadê os acordos do Mercosul?! Ah, claro, está nas mãos de uma conhecida importadora tubarona... Vocês não vão me cobrar a comprovação, vão?! OK, está abaixo. Chupem! E nem procurei direito! Estes registros fecham a semana mais feliz que vivi ultimamente. Não significa não ter vivido outros dias felizes na companhia de pessoas queridas, mas com tanta duração, de fato, fazia tempo. Nem é mais o ponto de falar de preços dos vinhos aqui, no Chile ou 'lá', onde quer que seja. Mesmo pagando um pouco mais caro pelo Barbaresco - o preço lá é similar ao do Brasil - valeu pela comparação, envolvendo a companhia e o momento de descontração. A mesma experiência aqui talvez não tivesse a mesma satisfação!

Tá, como se precisasse:

Rutini 'lá': 14 mil pesos, ou R$ 56,00.



Rutini 'cá'. Precisa dizer mais? OK, existem ofertas melhores, a 3x. Mas voltando sempre à questão: não é Mercosul? Na Europa esse 3x já poderia ser considerado um estelionato...


Tuesday, October 28, 2025

O caminho dos perfumes

Saudades de companhias e vinhos


Esta ainda é sobre os agradáveis momentos no Chile, quando deixei a vida me levar acompanhando os ensinamentos de Baco, celebrando a harmonia e a reciprocidade, abraçando o bem-viver em seu estado mais puro e desfrutando da hospitalidade de pessoas tão caras e cuja amizade preenche-me há décadas. Nagibin recuperava-se de tratamento, e a recomendação médica para aquela semana era resguardo. Juntos da Magide limitamo-nos a um único encontro mui petit comitezinho, e o restante do tempo dividimos entre provar alguns bons vinhos - outros nem tanto... - e conversas que deixariam o restante dos mortais caindo de sono pelas beiradas. Acompanhados de uma boa peça de Jamón Serrano, dentre diversas quitutes, escoltando garrafas de cantos significativos do Velho Mundo intercaladas por exemplares chilenos. E para quem duvida de quão efetivas foram as fruições, aí está o Nagibin, tão perdido que não sabia exatamente qual taça segurar para o brinde. Foi perdoável pelo volume degustado àquela hora...

Não recordo-me da ordem das garrafas, ou mesmo de muitas notas exatas. E importa? Sei que a dada altura minha taça recebia doses generosas de um Savigny-les-Beaune do Domaine Pierre Guillemot, provenientes do vinhedo Premier Cru "Aux Gravains", da recente safra 2020. Aerou por três horas - esse anotei - e chegou rico, vibrante, com muita fruta e mais toques - especiaria e algo do trio chocolate/café/fumo. Qual? O Mateus, filho do Nabig, foi agraciado com uma taça - não bebe, mas gostou de cafungá-la. Parece o caminho dos perfumes... estão todos aqui... disse num sorriso incontido. Se até para um noviço a impressão foi essa, imagine, leitor, para um provador mais experiente. A boca acompanhava o buquê na fruta bem aparente, um toque herbáceo e outros detalhes. Faltou um pouco de acidez, e estava reticente... precisaria de mais um tempo em garrafa para desabrochar de vez... mas vá sabendo, eu queria mesmo era provar um borgoinha com o anfitrião, e Guillemot mostrou-se à altura. Taninos ainda um pouco pegados mas mostrando convergência, álcool integrado, seria bastante bom para o preço (cerca de USD 55,00 no Chile) se aportasse a tão desejada acidez característica dessa expressão da Pinot. Para um Premier Cru o preço parece não discrepar tanto, mas o conjunto acidez e corpo médios com final algo curto para um Borgonha deixaram um pouco a desejar. Fazendo jus a ele: na falta de melhores opções, e nesse preço, beberia novamente com muita satisfação. Tanto que por R$ 350,00 trouxe mais duas na mala...

Para quem notou da foto do Nagib, ao lado dele estava um Châteauneuf du Pape Vieilles Vignes St Patrice 2016. Esse fora aberto no dia anterior, sob minha suposição de estar pronto. Nem por isso deixei de aerar várias horas em garrafa antes de servir, e a primeira degustação aconteceu naquele mesmo dia. No segundo estava tão bom quanto no primeiro, rico, condimentado, melhor acidez do que Guillemot, como taninos já arredondados, ótimos, falsamente gouleyant, porque, embora fácil de beber, mostrou bastante complexidade. O corte declarado pelo produtor diz simplesmente Grenache, Mourvèdre e Syrah, a típica composição GSM do Rhône. As duas primeiras cepas são clássicas em Xatenêfis, e em St Patrice cumprem seu papel de apresentar um vinho quente, de ótimo corpo sem deixar de perder a ternura (risos!), elegante e de boa persistência. Não anotei maiores detalhes desse, mas a riqueza em frutas e toques de madeira e outras tantas evidenciavam um belíssimo vinho. O valor no Chile é compatível com o do hemisfério Norte, 85,00 dólas. Por aqui está na casa de R$ 1.000,00. Convenhamos, até próximo ao patamar de 2x, mas é uma montanha de dinheiro. Se puder, prove. 

Mencionei alguma prova não tão boa? Ah, chegamos a uma delas. Vicus Orbis Private Cellar 2021, proveniente de Sagrada Familia, em Curicó, um corte Petit Verdot, Cabernet Franc, Syrah e Carmènere, não negou a procedência pela carga de pimenta à molho de Tabasco. Vem em garrafa avantajada para valorizar o produto, tarefa algo inglória para sua qualidade. Buquê frutado mas sem afastar a impressão de algo artificial, boca com baixa acidez, rápida, ligeira. Nagib comprou direto do produtor a 10,00 dólas - e valor de mercado é de uns 18,00, se lembro-me corretamente. Por 10,00, para citar alguns, compramos em Portugal o Quinta de Chocapalha ou o Cedro do Noval, e esse é o preço de mercado deles. Por quase 20,00, vai um Noval Shiraz ou um Meandro do Vale Meão, quando a competição fica verdadeiramente desproporcional em favor dos europeus. Mais uma vez - pela centésima (milésima - risos!) - comprovamos como os vinhos chilenos estão caros. É até curioso encontrarmos aqui, às vezes, Don Melchor por R$ 800,00, enquanto lá no Chile facilmente atinge USD 150,00. E os (pelo menos) 60% de impostos pagos aqui pelo produto importado? A quanto ele está saindo da origem para chegar aqui por esse valor? Novamente: não compro vinho chilenos, embora não me furte a bebê-los. Quando menos, para 'comprovar' como estão fora de propósito. Tem seus fãs - que ótimo: se tais bebedores olhassem para Aux Gravains ou St Patrice, este Enochato não encontraria com o que divertir-se...

   Mencionei saudades na introdução ao texto? Sim, saudades dos amigos do Chile, brasileiros e gusanos (risos!) que desta vez não pude encontrar. Haverão outras oportunidades. E já já tem mais postagem sobre minha breve estadia por lá.

Esta postagem foi tocada por um Cenerentola 2016, produzido pela Donatella Cinelli. Proveniente da DOC de Orcia, Toscana, corte Sangiovese e Foglia Tonda(!?), tem a clara expressão da cereja e café (chocolate?), com mais notas para divertir melhores narizes; madeira um ponto acima, destacada mas sem atropelar. De cor mais escura do que muito Châteauneuf, a boca surpreende pela acidez muito presente, equilibrada, recheada de frutas na frente e fundo especiado, com dulçor balanceado, longe de enjoar. Bom corpo, boa persistência, mesmo no segundo dia mantinha-se inteiro. Acompanhou bem uns bifinhos ao molho de gorgonzola. Foi comprado há bastante tempo na Enoeventos, onde está esgotado. Da mesma produtora encontra-se na importadora o Brunello di Montalcino 2019, a R$ 900,00 (preço cheio), que não é difícil de achar a USD 70,00 lá fora. Portanto está discrepando bem, como tem acontecido com a casa, infelizmente. Encontrei a nota de 2020, quando comprei a safra '15, creio, a R$ 360,00. O dóla naquela época estava a valor similar ao de hoje... bem, aparecem outras ofertas por aí, basta prestar atenção.

Sunday, October 19, 2025

Uma postagem apressada

Introito

   Uma viagem ao Chile obriga-me a mudar o assunto das postagens e até deixar de lado, momentaneamente, a abordagem das questões políticas sempre presentes no Introito. Repito: o grau de idiotia e apatia de parte da população não permite ao verdadeiro cidadão (sic), digo, aquele comprometido com um mínimo de lei e ordem, permanecer silente face aos desmandos da última meia década, para dizer o mínimo. É inacreditável como existam tantos bolsonéscios e PTlhos fazendo vista grossa para as atrocidades de seus... comandantes... Ainda não descemos à barbárie - como o Khmer Vermelho, o Boko Haram, o ISIS e grupelhos assemelhados -, mas tirando isso a minha percepção da falta de liberdade pela qual passamos supera em muito a da Espanha de Franco e a de Portugal de Salazar, quase igualando-se à do romeno Ceausescu e somente um pouco abaixo da de Maduro. Ou o leitor discorda muito da minha percepção, e então alguém está profundamente errado, ou ele não discrepa excessivamente. E, não divergindo substancialmente, torna-se claro o quanto estamos enterrados na lama. Não há contradição a serviço de outra possível interpretação; poucas vezes a realidade foi-me tão clara. Um longo e árduo caminho até '26.

Uma semaninha no Chile

Pois é, estive lá entre 25 de setembro e 3 de outubro, mais ou menos. Vítima da Covid, já não lembro-me de tantas coisas... 😣. Portando preparem-se para doses cavalares de mentiras grotescas respingadas com algumas pitadas de pura e singela verdade; o que puder, comprovo; desconfiem de todo o resto. O Nagib está bem - e fiquei feliz ao encontrá-lo saltitante e rebolando como uma vestal segurando a garrafa de Châteauneuf-du-Pape que eu havia comprado antes de viajar e requisitado a entrega na humilde choupana de sua família. Yes, agora temos vinhos europeus no Chile: a Lex Dix Vins é uma pequena mas dinâmica importadora de vinhos franceses - principalmente -, europeus de maneira geral e de outras partes do mundo também. O senhor Guillaume é o simpático proprietário, francês da gema (sic!) que por algum motivo perdeu-se nas Américas e abriu sua lojinha (rs) no centro de Santiago enquanto não acha o caminho de volta - espero que demore! Claro, o Châteauneuf não estava sozinho e diversas garrafas da seleção de Guillaume rechearam tanto meus poucos dias por lá como minha mala na volta. A ver...

Visitei a loja física da Les Dix Vins tão logo pude, à procura de algo mais emergencial e disposto a provar vinhos diferentes. Antes de viajar havia confabulado com Don Flavitxo. Ele acompanha muitas novidades que deixo passar, e segue de perto o estado da arte na produção em diversos países. Cochichou-me, quase entredentes, cuidando para não morder a língua, três candidatos a bons brancos. O Aristos Duquesa D'A é uma parceria entre o enólogo chileno François Massoc e dois produtores top da Borgonha: Louis-Michel Liger-Belair e Pascal Marchand. Até encontrei n'alguma loja a 90 dólas; resolvi não apostar. Mais modesto, e disponível na Les Dix, fiquei com o RETA Chardonnay Quebrada Seca 2022; foi o primeiro vinho degustado em terras chilenas. Meu paladar está (mal)acostumado a Chablis de alguma qualidade e outros Borgoinhas rebas de produtores top como os do Drouhin e os do Comte Lafon, para citar alguns, então não será qualquer blefe chegando e pedindo passagem que vai me impressionar, lamento. Reta (isso eu me lembro!) tinha mineralidade - baixa - e toques cítricos à limão bem presentes; em boca, uma vaga lembrança da manteiga como a de Borgonhas menos complexos como um Saint-Véran (aqui); acidez baixa, mesmo para um branco sul-americano, muito rápido na garganta, passando sem deixar marca nem lembrança... Ligeirinho poderia ser seu nome do meio, tudo isso embalado ao preço de USD 40,00. No... no se puede... (sic! rs!). Compra-se um Les Heritiers du Comte Lafon por USD 20,00 lá fora (mas encontramos a R$ 500,00 na Grã-Tubarona Mistral), e um Saint-Véran Deux Roches Tradition por menos; por ele paguei R$ 140,00, ótima compra.  Então Reta confirma, mais uma vez, com louvor e gabo distintos e salientes, como andam caros os vinhos chilenos - uma constatação já antiga deste blog. Poderia custar USD 10,00. O excesso na diferença justifica-se pela falta de comparação dos bebedores. Experiência recente mostra como estamos defasados, tanto política quanto enofilicamente (sic). Por aqui Reta custa uma mordida de Dragão de Komodo direto no fígado: entre R$ 566,00 e R$ 688,00. O mais curioso foi como Don Flavitxo falou bem dele: boa acidez e corpo, vívido. Não foi como se apresentou, nem para mim, nem para Nagib. Magide degustou um gole e pediu licença para lavar roupas, deixando a taça esquentando pelo restante da noite. Nossa garrafa estaria miada? Flavitxo tem gabarito, não daria uma rata desse tamanho. Talvez tire a teima, n'alguma outra oportunidade.

Uma experiência diferente

Na compra realizada na Les Dix, o sr. Guillaume ofereceu-me a título de desconto a escolha entre um vinho novo, não lembro-me qual, e um exemplar de lote limitado que ele conseguira: um Tarapaca Gran Reserva 1983! Comentou sobre a prova de algumas garrafas por clientes, e elas não apresentaram-se arruinadas. É claro que eu não deixaria de topar uma bola dividida dessas, ainda mais depois de uma breve olhada na cor do vinho. Já apreciei diversas garrafas de portugueses oxidados beirando os 50 anos, e um deles, com apenas 40, exibia fruta(!). Seguramente não esperaria o mesmo desempenho de um vinho chileno principalmente por questões climáticas (latitude é apenas uma delas), mas a curiosidade espetou-me o espírito como a lança de Odin: ela nunca erra seu alvo. A graduação alcoólica - apenas 12% - testemunhava de maneira inequívoca como as mudanças nos últimos 30 anos fizeram-se sentir no amadurecimento das uvas: hoje ele chega a 14%. Retirada a cápsula, mais uma surpresa: a rolha - de boa qualidade - não estava infiltrada. Pensei comigo: seria uma pena se estivesse avinagrado... merecia (sic) algo ter sobrevivido... Com um saca-rolhas de garfo, ela saiu sem esfarelar, inteira.

  

   Não vinha avinagrado. Toque herbáceo bem ralo, não consegui detectar outras notas. A boca seguiu o nariz: pouco a apresentar, e faltou-me capacidade para distinguir alguma outra característica senão aquela sensação de terra húmida; fora isso, insosso. Os detratores dirão: estava morto, apenas não sabia e não tinha caído!  A surpresa continuou no dia seguinte: mantendo a mesma percepção de insipidez, não desceu a algo intragável, como já tive oportunidade de provar em outros exemplares. Acompanhar per se a evolução de um vinho é, sempre, mais interessante do que ler qualquer narrativa. O coração do provador bate mais forte e a expectativa é sempre mais intensa. Valeu.


Como se fosse necessário...


O valor de Reta no Brasil





E no Chile... pelo câmbio atual, 34.000 Pesos valem praticamente 34 dólas.