Monday, September 7, 2026

Vinho de primeira, taças grandes!

Introito

   Houve quem não entendesse a menção ao musaranho na postagem passada - passou algum tempo agora, e talvez todos saibam. Esse é o grupo de Uátizáppi usado por alguns bacanas 1, 2 para tratar de negócios pouco republicanos, como já virou clichê. Reportagens levadas a cabo por Veja e o Estadão estão debulhando a estória apesar do sigilo imposto. O filhote de NAP (Nosso Amado Presidente) foi pego com a boca naquilo e aquilo na boca, digo, trocando mensagens constrangedoras com uma conhecida lobista de Brasília. O assunto está bem explicado pelo jornalista Felipe Moura Brasil, aqui (matéria de 24 min). A imagem abaixo resume investigações onde a influenciadora teria recebido quantidade significativa de dinheiro e pago despesas do filhote, que teria atuado, supostamente, em alguns negócios de interesse da intermediadora.


   São mensagens de Lulinha: 
   - A gente tá se arriscando... é só esperar uns poucos meses e poderemos fazer isso sem medo de nada...
   - Eu não tenho nem dim dim nem origem para isso... Não dá preu (sic) gastar tanto agora... Qualquer merda não tem explicação nenhuma.
   - A gente tem grana pra bancar essas coisas? Vc q cuida das minhas finanças.

   Percebe o receio imediato? - bastaria esperar um pouco e fazer sem medo - e uma confissão. Continua: não tenho nem dim dim nem origem para isso. É-me difícil conceber aquele senhor dizer não ter dim dim e - pior - não conseguir justificar algum gasto pela falta de origem. É intrigante como ao Ronaldinho dos negócios não tenha sobrado sequer uma atividade pela qual pudesse, ao menos, ter emitido uma nota fiscal de qualquer serviço de assessoria. E notem: nada há de ilegal se o filho de um presidente, após a administração de Papi, aproveita-se do networking angariado e constrói, até com relativa facilidade, múltiplos negócios bem estruturados. Mas nada restou, e isso simplesmente contraria a proposta da comparação feita por NAP.
Ele próprio, aliás, furtou-se a responder perguntas sobre o filhote. Assim a alma mais honesta deste país põe em descrédito o ditado quem não deve não teme... ou estou enganado? Um passado já comprometedor e um presente ainda pior floreiam o caminho de NAP, em cuja administração se acumulam os maiores déficits da história deste país, descontando a pandemia. É preciso um atestado de idiota para pensar em votar nesse candidato. Sendo de esquerda, envergonha-me apresentar tal constatação. Um momento! Posso ser de esquerda, mas não sou intelectualmente desonesto. Muito menos apoio incompetentes. O que dizer dos recentes suspeitos de corrupção. Nas palavras do próprio NAP, a intermediadora a esse tempo passou a pilantra, e ele nega tê-la conhecido. Apenas um lapso, sabemos todos... Depois seus seguidores não gostam de ser chamados de idiotas, posam de ofendidinhos... um novo estado de espírito inaugurado por tempos de internet para pessoas com profunda dissonância cognitiva.

Amantes de Baco

   A confra Amantes de Baco promoveu outro encontro, já há um bom par de meses. Foram-se as últimas garrafas compradas em grupo e a partir de agora ou a turma se anima a outra compra ou entramos na fase do cada um por si. Se desejasse dar um troco no governo poderia especular alguma compra em modo Jack Sparrow - tenho visto muita oferta desse tipo por aí - mas isso me igualaria àqueles que critico. E nem os confrades aceitariam, conheço-os todos e dou fé. Dar o troco seria uma bela justificativa para que eu mesmo entrasse em dissonância cognitiva; além da questão moral, mantenho-me atendo para não cair nela. Vamos aos embates.

Maquis Gran Reserva Rosé 2023 chegou com um buquê delicado, diferente do cítrico que aprecio mais nos brancos - 😒 afinal, era um rosé... - mais floral. Ainda fresco mas ligeiro, acidez presente sem muita festa nem alarde, agrada quem mantém-se fiel aos vinhos sul-americanos; não tem muita presença em boca e não deixa rastro nem lembrança. Particularmente nunca fui fã de rosés mesmo tendo provado alguns europeus, mas se tivesse que promover uma lambança arriscaria um veredito como falta-lhes. O Akira refletia sobre bons vinhos brancos serem de produção mais complexa se comparados a tintos equivalentes. Fico pensando se produzir bons rosés não esteja um patamar acima. Não conheço, essa reflexão é um long shot. O Barrica 143 2023, alentejano produzido pela Ravasqueira em corte de cepas locais com um Syrah intrometido (rs) apenas não me marcou. Não tenho recordação de suas características e não desgostei para um momento de confraternização e convivência bacântica 😂. O produtor não é ruim - este aparenta ser um exemplar mais básico de sua gama -, e de algum tempo para cá tenho desfrutando - por obra da temperança e sugestão de Baco (mete o saca-rolha!) - de algumas garrafas guardadas por muitos anos ou compradas mais recentemente em ótimas 'promos'. Chegou a hora deles, e o padrão está aumentando. Claro, não recuso vinhos mais simples - apenas não os compro - e assim acompanho opções de mercado que de outra maneira me escapariam. Curiosamente não encontrei esse vinho em Portugal para comparar seu preço. Indicativo de ser um produto destinado especificamente ao público brasileiro? Não procurei muito. O Lopez de Heredia Viña Bosconia 2014, aerado por umas 6 horas, apresentou-se bem melhor do que a garrafa anterior, degustada com a mesma turma - compramos em duplicata. Encheu narizes, mentes e almas com fruta vermelha abundante em primeiro momento e ricas sugestões em segundo plano: especiaria, couro/tabaco (qual? ambos?), e mais. Boca equilibrada, sedosa, fruta repetindo-se, um pouco terroso com taninos vivos e ótima acidez. Permanência longa - querem invocar essa qualidade para cada vinhozinho chinfrim... Seu valor de venda é tubaronesco, embora tenha aparecido em promos aleatórias, com rótulo da importadora e tudo, conforme comentado e comprovado recentemente. Já o Brunello di Montalcino Castello Banfi 2020 levou uma saca-rolhada (sic) logo nas primeiras horas da manhã. Safra nova, precisaria de um serviço longo, com apreensão desde Enochato. Evoluiu bem e mostrou-se bom para ser degustado, embora não escondesse a juventude. A cerejona estava lá, firme, na frente de tudo. Tinha frutas nervosas e toques ricos; os taninos, se não estavam verdes, eram inquietos, apesar de não estressados (risos!). Boa acidez, bom conjunto em boca. Vai melhorar muito e apostaria em 2030 como um início de janela de beberagem para sua versão mais complexa - 10 anos é o piso para bons Brunellos, e esse, para quem não sabe, é o reba dos três produzido pelo Castello. Se você tem, guarde. De um lado vem a reflexão do mete o saca-rolhas, mas por outro recobro a reflexão da postagem passada: Este não é um momento para covardes. Apenas abra outros vinhos igualmente bons.

Vinho de primeira, taças grandes!

Essas moças estão viajadoras demais... Sobramos Liu e eu, e um para o outro nos agradamos, em alguma sexta-feira há algum tempo. Vai tempo de quando citei trecho de um diálogo impagável onde Peter Ustinov, como Batiatus, aborda o vinho. Vou expandi-lo. Batiatus, o proprietário de uma escola de gladiadores, recebe a notícia da visita surpresa de romanos notórios - ninguém menos do que o general Marcus Crassus. Para recepcioná-los, ele recomenda a seus escravos para servirem vinho de segunda, taças grandes... não, não... vinho de primeira... taças pequenas... Mas em uma reunião a dois o dito foi invertido, e ficamos com vinho de primeira, taças grandes! 😂 Quinta da Gaivosa (2015) não me é desconhecido; havia apreciado a safra 2011, em 2021. Já mencionei um bebedor estar se desfazendo de sua adega - felizmente apenas por questões amorosas, a esposa ou as garrafas, quando, até sob auspícios de Baco, ele tomou a decisão correta - e esse exemplar veio no meio de várias arrebatadas a bom preço. Quinta da Gaivosa é um ótimo vinho; nariz com fruta claramente vermelha e toques de chocolate (café?), especiaria e mais complexidade. Entrada em boca mostrando taninos pegados agora arredondados, algo a mentol, deixando aquele aspecto tridimensional de encher a boca, um doce discreto à chocolate, acidez marcante e ótimo final, com persistência longa. Um grande Douro em seu ápice e ainda escalando. Ótimo para beber, excelente para os próximos 5 anos, quiçá mais. Esse sim, se você tem junto do Banfi 2020, não pense duas vezes: mete o saca-rolha! É um vinho de USD 50,00 algumas vezes vendido a R$ 800,00-R$ 900,00, mas aparece em 'promos' por R$ 500,00 ou até menos. Por R$ 500,00, está no limite de 2x.

Uma loja de internet

Havia visitado o Empório Caçador de Vinhos, mas nunca tinha comprado deles. É preciso cuidado, a rede está repleta de golpes. No caso escolhi uma abordagem... agressiva (risos!): contatei o Whats deles e pedi uma ligação de vídeo, explicando ser um comprador que não conhecia a loja física e deseja vê-la. Fui prontamente atendido e a funcionária muito gentil fez um tour, mostrando-me inclusive a garrafa de meu interesse. A motivação aconteceu porque fora-se há pouco meu último Dulcamara, e sabia existir no Caçador, a R$ 199,00, o  Perbruno, do qual degustei duas garrafas. A linha toda era trazida pela Cantu, que nunca primou pelo serviço de seus produtos em degustações - e torna certos vinhos decepcionantes. Talvez por isso os vinhos da I Giusti & Zanza nunca tenham decolado por aqui: eles precisam de areação... mesmo o simples Nemorino, veja no comentário da postagem. Perbruno é vendido diretamente do sítio do produtor a €22,50 (R$ 134,00). O produtor dá um bom desconto ao atacadista, de modo que este não sofra concorrência na venda. Quando o vinho é exportado, ele provavelmente está livre de impostos locais - um governo precisa ser muito idiota para exportar impostos e tornar seus produtos menos competitivos no mercado mundial. De qualquer maneira seu valor estava abaixo de 2x, que é o limite onde este Enochato ativa seu modo comprador. Pesquisei outras opções, várias dentro dessa faixa e outras tantas fora dela - é preciso cuidado! Selecionei o que o leitor vê acima. A entrega foi rápida - menos de uma semana e as garrafas vieram bem embaladas. Empório Caçador de Vinhos é uma loja multimarcas: vende de diversos importadores, a preços algo espremidos. Por exemplo, o Viña Ardanza Reserva da tubaroníssma Zahil está lá a R$ 599,90, o que não deixa de ser atraente para o valor médio dele por aqui - é fácil encontrá-lo entre R$ 700,00 e R$ 900,00. Mas não adianta muito: ele custa 30,00 dólares lá fora (menos de R$ 200,00), e isso dá 3x para o valor do vinho lá fora. Acho que o lojista precisa fazer o dever de casa e recusar vinhos com tamanha variação em desvantagem para o consumidor. Principalmente quando ele aparentemente já está sacrificando parte de sua margem. O risco natural é sofrer encalhe. O consumidor inteligente deixa o produto na prateleira até que a inflação o corroa - ou até um trouxa passar e levá-lo por um valor intermediário, mas ainda assim corrosivo para seu bolso. O mercado está aí. Previna-se.

Ah, claro: como se este articulista ainda precisasse comprovar suas informações como fidedignas:



Saturday, August 22, 2026

Temporada de ratos!

Introito

Está aberta a temporada de caça ao eleitor. Idiotas de plantão colocam suas cabeças fora da toca. Alguns esperam a melhor paga, enquanto outros dão a cabeça à doutrinação alegremente, por conta de uma suposta convicção. Com o El Niño acercando-se e a temperatura subindo, as cidades começam a se infestar de ratos. Faz sentido: em tempo de sufrágio, os ratos naturalmente saem de seus covis procurando votos comida. Ratazanas principalmente, mas musaranhos também. E não se deixe enganar pelo tamanho: são os mais perigosos... Na competição de quem é mais fraco e quem abocanha mais trouxas para suas fileiras, Bolsonéscios e PTlhos são o verso e o reverso da moeda da estupidez, alimentada pela percepção empobrecida por anos e anos de profunda falta de senso crítico, com os cérebros dos eleitores mergulhados na mais completa dissonância cognitiva. Não! A dissonância surge quando a pessoa se depara com cognições contraditórias ao mesmo tempo. É então que o autoengano entra em ação e leva a pessoa a escolher o que lhe agrada em vez do que é lógico ou razoável. Pouco disso importa para PTlhos e Bolsonéscios: irmanados na ignorância, cada um tenta lavar-se nas travessuras do outro como se o erro deste desculpasse os deslizes daquele. Mas isso deveria importar para todos os votantes, porque o segundo turno com gente desse naipe significa dois lados polarizados, munidos de facas, num encontro fatal que condenará a Nação à desgraça nos próximos anos, qual Etéocles e Polinices na tragédia grega. Este não é um momento para covardes, nem para derrotistas ou coniventes - o gado em geral. Essa é a nossa hora de virar a maré, enquanto nação. Às portas da revolução da inteligência artificial, adiar qualquer decisão para 2030 equivale a nos condenar até o final dos tempos. Por alguém com um projeto de país, ou é melhor mudar para Cuba. Meu voto está declarado, e será em Renan Santos.

Uma pequena decepção, e um grande reencontro

Já faz algum tempo, então talvez quem participou vai notar quando eu rolar a picareta. Já bebi do Château Magence tinto duas vezes, e gostei. Andava curioso pelo branco. Combinei com a Liu e a Lu delas comprarem as safras disponíveis de ambos, para uma brincadeira. Por um erro no despacho da De la Croix acabamos com somente com o branco, em primeiro momento. Château Magence blanc 2019 é um corte 85% Sauvignon Blanc, 15% Semillon tinha toques cítricos óbvios com mais detalhes; só não fui suficiente perspicaz para entendê-los. O problema é que eu esperava algo a mais em boca, e isso não veio. Ele parece-me não fazer juz ao tinto do mesmo produtor. Tem sim alguma acidez (tende a ser "média"), alguma permanência, mas não... convence... falta melhor explicação, eu sei. Nessa faixa prefiro Chablis bem comprados (mesma faixa de preço, já com algum aumento recente, inexplicável pela queda do dóla). Claro, pode haver falta de bebedor para entender melhor a proposta - se alguém tiver alguma opinião, por favor apresente-se. O Dulcamara 2013, da I Giusti & Zanza, foi aerado por várias horas (umas oito?) antes de entrar no balde. As meninas puseram-no no nariz e riram ao mesmo tempo, contentes, alegres... satisfação por antecipação, só no buquê. Majoritariamente Cabernet Sauvignon com pequena parte de Merlot e toques de Petit Verdot, tocou o terror (sic! r!) a 14,5° de árco e mais um tanto de frexa (risos!), com aroma ainda rico e evidente em frutas - pode andar mais - especiaria e couro (café? chocolate? não me lembro nem creio em bruxas, mas que tinha, tinha!). Os taninos estão redondos, a acidez está bem presente, o conjunto é elegante, com uma ótima persistência em boca. Foi minha última garrafa, e foi bem compartilhada, com pessoas que adoram o vinho pelo vinho, sem se preocupar com sua procedência, atentas somente à qualidade e à satisfação proporcionada pela bebida. Não poderia ter sido melhor. Dando-lhe tempo para evoluir, Dulcamara é um grande vinho, em sua faixa de preço (uma safra nova, 2022, sai por uns USD 33.00 dólas na Itália, via WineSearcher). Bebi uma garrafa nova, certa vez, com uma patota até grande, e não convenceu. #Ficadica: não se apresse! Mudou de importadora, e atualmente está custando - não valendo... - cerca de R$ 650,00 - tu-ba-ro-nís-si-mo! Preço fora da realidade? Vamos para a próxima!

A próxima...

A próxima - não necessariamente a degustação, mas a parte da postagem - aconteceu com Don Flavitxo e este escravo de Baco na casa da Márcia. O Ghidelli estava presente sob a discreta benevolência dela, que demonstrou muita indulgência para com o grupo registrando o momento. Nota-se cada canalha com seu vinho devidamente embrulhado, os confrades mais enrolados do que cascavel na hora do bote pretendendo oferecer um bom serviço de seu vinho para não passar vergonha frente aos demais. Foi um ótimo pega-pá-capá (rs), acompanhado pelo sempre excelente cardápio promovido pelo casal. 

Sem prometer nem fazer sensação (rs), o branco do anfitrião causou furor pela mineralidade. Francamente, não lembro-me de ênfase nos tons cítricos - óbvios de uma cepa branca mais ou menos tradicional (Macabeo, ou Viura) -, mas o frescor e os toques minerais foram seu ponto alto. O Finca Allende Mártires 2022, de Rioja Alta, é um vinho que mereceria mais envelhecimento, mesmo já mostrando bom ataque e persistência. Não me lembro de outros detalhes; sei que gostei. Não é vendido no Brasil. Don Flavitxo chegou com cara de desavisado e verve de safado enquanto servia de sua garrafa. Apesar do esforço, não conseguiu enganar ninguém. Aliás, alguém enganou ele... Todos foram diretos: Toscana. A Márcia até disse Brunello. Não quis polemizar - estava psicologicamente fraco - mas era um toscano muito redondo para os traços, se posso dizer assim. Sem saber se as regras da DOC mudaram, permaneci calado a despeito da veia pulsando. Apenas fiquei na certeza de que era um corte. E ainda digo: mesmo com o contra-rótulo dizendo 100% Sangiovese, bem, o Brunellogate já mostrou que os italianos não se preocupam sem sacrificar certas leis locais em favor dos resultado$. O Brunello di Montalcino Cordella 2016 mostrou-se por demais redondo, acho que o Brunello mais redondo que alguma vez bebi - embora um Casanova di Neri Brunello Tenuta Nuova (não postado) degustado com a D. Neusa e o saudoso Wilson também estivesse espetacularmente sedoso e tenha deixado saudades duplas. A Casanova di Neri figurou entre os investigados do escândalo citado, sendo inocentada. Pode ter sido impressão, mas sempre mantenho um pé atrás quando encontro vinhos tão acertados quanto Cordella. Será que a safra '16 (espetacular) ajudou? Não sei por qual coincidência Don Flavitxo acabou detentor desse exemplar, entretanto ele estava realmente bom: nariz, boca, persistência, tudo devidamente ajeitado, redondo e pimpão. Se não anotei as notas, um ponto é certo: sua cereja estava lá, característica da Toscana. Agora, que um vinho de tão grandiosa safa e difícil cepa tenha amadurecido com tamanha complexidade em apenas 10 anos é algo além da minha compreensão. Sabendo ser Don Flavitxo um artimanhoso (sic) de primeira, fui preparado. E mais, caprichei no serviço: 12 horas de areação (em garrafa) no Quinta do Noval Reserva 2018. E ele chegou a galope! Nariz rico em frutas e mais notas. Apesar de novo, em bom momento para beber: é cedo para as sugestões de chocolate, cacau, café e similares aparecerem, embora o bebedor com melhor olfato encontrará muita diversão nele além da fruta. Equilibrado, boa acidez, taninos já aveludados e com o toque clássico do Douro, este corte Touriga Nacional (60%), Touriga Franca (25%) e outras cepas mostrou ótimo frescor e presença, com um final de boca realmente longo. Como lembro-me em detalhes desse vinho? Ele andou em 'promo' por aí e cheguei a pagar R$ 200,00 algumas garrafas. Sobram-me algo como meia dúzia, e enquanto degustava ia maravilhando-me ao lembrar de cada uma delas em minha prateleira. O futuro será... glorioso! 😂 Mais cinco anos ele estará um mel na chupeta; com segurança chega a 2036. Para um vinho que beira os USD 50,00, comprar a R$ 200,00 durante o ano passado foi uma pechincha. Como parte da sobremesa, sobrou o Ice Wine de Cabernet Franc da Magnotta Limited Edition em sua safra 2018. Já escrevi sobre ele em sua safra 2016, e esteva maravilhoso como sempre. O leitor usuário de celular pode procurar no menu da lateral direita pelo vinho, escolhendo 'Versão Web' ao final da primeira página do navegador.
😋
Teve mais do que bão...

Sunday, August 9, 2026

Desandado

Intróito: QI 83? Está errado!

   Escrevi em algum lugar sobre o QI dos nossos irmãos brasileiros ser de 83,38. Comentei ser uma estimativa superestimada, e teve até quem me tentou dar um breque: devagar com o andor. Aqui está a confirmação...


   O vídeo tem 3 minutos, sugiro ouvi-lo na íntegra. Os bolsonéscios são compreensivelmente estúpidos por serem idiotas há menos tempo. PTlhos, já o são há 22 anos (primeiro escândalo, Waldomiro Diniz - quem lembra dele? -, fevereiro de 2004). Ao ponto: se as formas de protesto são as apresentadas acima, o que dá pra pensar dessa turma? Você, leitor, aposta em QI menor ou junta-se àqueles cautelosos no andor? Escrevo isso porque um utente comentou, entre sorrisos, o quanto fui cínico na crítica a Renan Santos, na postagem passada. Tenho discutido com bolsonéscios, principalmente, e ouço deles a acusação de considerar Renan/Missão/MBL (confundem tudo) exemplar, sem defeitos. Com intenção puramente educacional, fiz a crítica anterior (chamando-o de coxinha) para mostrar didaticamente como se observa um erro no discurso da pessoa e a desmascara. A partir do exemplo é possível procurar declarações contundentes e pinçar erros mais graves - se existirem -, desconstruindo-se assim as ideias do adversário. No vídeo acima acontece o mesmo, pois no minuto 2:25 Renan comete erro similar, dizendo: "Isso tem nome, amigos, é abuso intelectual de idosos. Isso não é legal, isso é feio, é sujo...". Ele errou redondamente na avaliação. O problema não é o idoso em si. Um idoso culto não cai nessas histórias! Um idoso meramente esperto também não! Caem nessas histórias pessoas inocentes de qualquer idade! Alguém por aí já viu idoso bebendo detergente?! A idade traz alguma sabedoria (ainda que mínima). É o pessoal mais novo - inocentes - e toda essa gente de baixo QI (alguns idosos inclusive!), que se reúne num mar de mediocridade e desinformação comumente chamado de Bolsonarismo. A mais recente veio exclusivamente de bolsonéscios (eles parecem querer monopolizar a idiotia em sua forma mais acabada): pediam o currículo do Renan. A "imprensa" (marrom) - já disse, cuidado com eles! - soltou um pum, digo, os currículos dos principais candidatos à presidência, apontando Renan como letrado a nível de "Ensino Médio". É o cúmulo da desfaçatez, pois apresentou a ficha acadêmica integral de todos os demais, negando-lhe a citação de "Ensino superior incompleto". E não é um ensino superior qualquer. Pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - que Renan abandonou no segundo ano para trabalharpassaram exatos 13 ex-presidentes. Será o décimo quarto um membro do partido de número 14? 😎 Sabe o que isso significa, não é mesmo?

😂😁😅

   Não para por aí: são egressos desses mesmos bancos pelo menos 30 membros (ou ex-membros) da Academia Brasileira de Letras, além dos maiores nomes da ciência jurídica e da história do Direito no país: Rui Barbosa (esse caboclo parece pertencer a qualquer lista dos 10+ que tentamos estabelecer acerca das mentes mais consolidadas da República), Miguel Reale - cujo rebento, também competente, "construiu" o desemprego da Dilma - Ives Granda Martins, Celso Lafer, Dalmo de Abreu Dallari, Fábio Konder Comparato, Damásio de Jesus (famoso pelo curso preparatório 'do Damásio', em São Paulo) e uma infinidade de outros. Notou que tem gente de todo o espectro político?

   Mas ele não concluiu o curso! esbravejarão as antas. Bill Gates e Mark Zuckerberg frequentaram Harvard; Sam Altman (Open AI) e Evan Spiegel (Snapchat) vieram de Stanford, e nenhum deles concluiu a graduação. Não pretendo comparar Renan a eles; o rapaz almeja apenas ser presidente do seu país. Mas retornamos ao ponto: ele não é egresso de nenhuma universidade de beira de estrada, muito menos de um antro de engenharia de m3rd@ ou grupelho de físicos, químicos e matemáticos cuja contribuição à ciência brasileira é aderente à nulidade - e resguardamos alguma exceção que confirma a regra. Ele entrou na faculdade mais importante desde país, desde sempre! Não se surpreenda quando ele diz aspirar ser para nós o que foi Mustafa Kemal Atatürk para a Turquia. Ali Lulá teve essa oportunidade - votei nele pensando nisso -, mas o NAP preferiu aliar-se aos 40 ministérios (sic) e percorrer os corredores da Justiça contra sua vontade em vez de ocupar esse posto. Perdeu, mané! Aceitando antecipadamente algum obscurantismo de Bolsonéscio (orações no Gabinete Presidencial, por exemplo), ajudei a impedir o 'Andrada' de ter quatro anos de vida mansa, e também fui traído - a vingança teve volta! Idiotas e inocentes são enganados continuamente - Uma mentira repetida 1000 vezes torna-se verdade - e viva Goebbels!, por mostrar-nos essa amarga verdade (para minha sorte, boa parte das pessoas desconhece o rapá). É preciso estar alerta sempre, e a sentença agora é clara: sem mais votos para essa turma. Programa de governo fica para outra hora.

Blog desandado ...

   Gasta-se tanto tempo desarmando lorotas que o essencial acaba relegado às beiradas. O blog - seu articulista, na verdade - passa por períodos de baixa inspiração. Até vinho tem faltado. Digo, faltam momentos adequados para escrever ao sabor de uma boa taça, mesmo tendo 400 garrafas à disposição, sejam borgoinhas 2005 e 2009, Baroli e Brunelli 2004, 2006, Rhône 2007, Médoc 2010, Douro 2011, Rioja 2005... essas tralhas... Às experiências entre amigos, confrades e confrarias diferentes - diverso do momento introspectivo de manejar a pena - tem faltado o ímpeto à escrita. Segue-se que percepções exatas ficaram perdidas como... como... como... lágrimas na chuva(!), 
e tentarei passar ao leitor mais uma análise de qualidade, longevidade e aspectos da compra antes de notas e análises mais precisas. Para piorar, algumas fotos parecem ter sumido do meu Euphone, e se cheguei a encontrar algumas no EuCloud, parecem ser em menor número do que o esperado - juro ter registrado mais imagens e eventos. Steve Jobs, que cursou uma faculdadezinha de quinta (sem concluí-la!), está queimando onde merece...

Teve uma brincadeira muito interessante com a patota do #émuitovinho. O Chablis do Domaine de la Motte 2022 apareceu novamente em nossas taças. Já foi bastante comentado, e pode ser acompanhado na etiqueta de marcação na navegação (versão web) que fica à direita do navegador. O dóla baixou, mas seu preço subiu (agora a R$ 270,00 em 'promo' contra uns R$ 200,00 antes), e está saindo do radar. Quem comprou, aproveitou. O Tondônia 2011 andou flertando a R$ 500,00- (note o menos!); por USD 50,00, é o limite da compra. Os vinhos do produtor são sempre bons, mas aqui estão sob as barbatanas de uma das tubaronas do mercado. Aparece em Instagrans diversos - cuidado! Muitos golpes nessa rede (e em outras também!) -, creio que uma tentativa da importadora em fazer capital de giro nestes tempos difíceis, sem picanha na mesa do trabalhador. Tá duvidando que minhas garrafas são 'oficiais', né?

taí na foto, e mais de uma safra sendo descartada sem a menor solenidade. O Bridão colheita tardia 2016 foi uma grata surpresa. Produzida pela Adega Cooperativa do Cartaxo na região do Tejo, é um corte de Fernão Pires e Arinto cujo equilíbrio entre dulçor e acidez foi notado sem esforço pelos confrades. Creio ter sido trazido pela Elvira - ela é fã de vinhos de sobremesa. Vi por aqui em 'promo' (50%) no Empório Itiê, a R$ 82,00 - custa R$ 61,00 no sítio português Garrafeira Nacional. Nesse valor não compensaria ter posto na mala, mas não havia como saber da oferta... Encontrei ser importado pela Imperial, mas não pesquisei a fundo seus demais produtos. Talvez valha a pena ficar de olho. 

   O ponto alto foi - para completa imodéstia desde escriba - seu representante, o Domaine Baud Savagnin 2018. Para quem notou no rótulo o "Génération 9", vai um alerta: o produtor tem tradição familiar datada de 1742(!), um legado histórico absolutamente invejável. A Savagnin é tida como uma cepa "difícil", com seus amantes e detestantes (sic! rs!), estes aparentemente em número muito maior do que os daqueles. Seu estilo oxidativo é incomum e não passa despercebido, daí sua legião de detratores contra um número reduzido de simpatizantes. Destaca-se pela acidez marcante com toque muito seco em boca. Ótima persistência, quase pegajoso nas papilas, e o Ghidelli definiu, com uma única palavra e de maneira absoluta, seu ataque - a impressão que a bebida causa na boca logo após o primeiro gole. Não comentarei agora pelo motivo prosaico de algumas confrarias terem-se oferecido para rachar algumas garrafas de minha mala, e gostaria de apresentar o vinho a elas antes explicitar a percepção Ghidelliana. 

   Vários vinhos do Domaine Baud são trazidos pela Élevage. Embora não tenham um exemplar comum da Savagnin, possuem em catálogo o Château Chalon - denominação onde se produz o Vin Jaune, a expressão máxima dessa cepa no Jura. Infelizmente a quase 3x.


   Outro assunto:

   A última viagem ao Chile rendeu. Não estão incluídas na foto duas garrafas do Alión compradas a módicos R$ 520,00, contra os mórbidos R$ 1.999,97, preço cá. Assim você, brasileiro idiota, crente de estar sendo beneficiado momentaneamente pela ausência de tarifação das 'blusinhas' - que voltará em setembro! - segue sendo taxado em 50% até na compra de suas cuecas, respiros e flatos, enquanto quem pode viajar para o exterior traz produtos por 1/4 do preço e impostos a 14%, no máximo (tem o exorbitante lucro brasil embutido aí, mas é outra história). É isso, faça o "ele" e creia-se feliz, quando não passa de um otário de pai, mãe, avós, bisavós e demais ancestrais até a linhagem do Australopithecus.

   Fica a promessa de uma postagem em breve, sem a introdução política - por mais sensível que seja nossa situação, quase às portas do próximo pleito, a título de atualização das atividades. 

Como se precisasse comprovar...



   Para finalizar,



   A Enoeventos - uma das novas tubaronas do cenário nacional - está com algumas 'promos', e uma delas indico e recomendo. Não sei até quando vai, mas a oferta do Argiolas Iselis Monica di Sardegna Superiore 2019, de R$ 280,00 por R$ 230,00 ficou subitamente atraente. Em safras recentes, é encontrado a 16.00€ (R$ 94,00), mas esta 2019 está pronta para ser bebida, ótima, espetacular. Seu produtor (Argiolas), além de ser um das mais prestigiosos da Sardenha, ocupa lugar de destaque na elite vitivinícola italiana - seus vinhos frequentemente recebem alguma Bicchieri no Guia Gambero Rosso. Você pode desconfiar de guias e avaliadores - eu também! - mas me aponte um vinho ruim da Argiolas! Meus comentários sobre o Korem fazem alguns colegas que não o experimentaram morderem seus bigodes - e estão certos por invejar quem já o degustou. O Turriga também é grandioso - acho que não justifica seu preço, mas é outra conversa. Na outra ponta, com bom custo-benefício, prove de Iselis Monica di Sardegna. É feito com uvas autóctones, outro mérito do produtor ao lutar pela divulgação de seu tesouro local. Mas volte ao começo: 16,00€ = R$ 94,00. O valor sem 'promo' está a R$ 280,00? 3x... tubaronice pura. Até eu peguei umas garrafinhas a mais nessa 'promo'. Não perca tempo.

Thursday, May 7, 2026

As outras estórias

Introito - Renan, um coxinha

   Bolsonéscios e PTlhos voltaram suas metralhadoras de massinha para o pré-candidato Renan Santos. Ouço críticas - bisonhas - de ambos os lados; como sempre, as da esquerda cobrem-me de vergonha. Toca levantar a pena para ensinar essa turma a fazer a boa crítica, atacando a ideia sem arremeter contra a pessoa. O vídeo abaixo tem dois minutos e meio. Mostra como o sr. Renan Santos é um ótimo candidato a coxinha. O termo é usado maciçamente em São Paulo, significando uma pessoa conservadora e inocente que segue padrões típicos das burguesas classes média e alta; um mauricinho por assim dizer. Assista, e comentarei abaixo.


   Está claro, a partir de 38 segundos: "Veja, quando você é traído uma vez, a gente (sic) aceita. Pô, fui traído uma vez... acontece. Todo mundo tá sujeito a isso. Agora algo muito diferente é você permanecer sendo traído e aceitar...". Como é que é?! Sim, "todo mundo tá sujeito a isso", é uma grande verdade! Mas supor o cidadão sento enganado ininterruptamente por Flávio Bolsonéscio e aceitar esse cenário? Aí não! Que conjectura cretina! Não poderia sê-la mais, aliás! Onde já se viu, imaginar o cidadão de bem sendo embromado continuamente por seu líder e persistir impassível como gado no pasto. É preciso ser muito, mas muito, mas muito otário elevado ao quadrado para continuar nessa posição sem rebelar-se contra um eventual mentiroso contumaz cuja missão na Terra não parece ir além de atazanar nossos ânimos. Está bem, ambos os lados possuem QI inferior ao de uma Glyptemys insculpta, a popular Tartaruga-de-Madeira, que em testes de aprendizagem em labirinto em "T" precisou de apenas quatro tentativas para encontrar seu alimento. Humanos, presos em labirintos mentais, perduram cativos por anos, até décadas, e tanto não percebem quanto não fazem esforços para escapar dessa situação, mesmo se alertados! A tartaruga está melhor de inteligência (sic) do que muito título de eleitor preso em ambulante desavisado espalhados pelo país. Voltando, afinal a crítica tem Renan como destinatário. É isso: pego em um momento de improvisação, ele atenuou a análise sobre a postura de quem se deixa enganar sequencialmente e, ao fazê-lo, ficou parecendo um coxinha - posto assim, e apresentando o argumento para bolsonéscios e PTlhos, estes certamente o elegerão como tal, sem sombra de dúvida. É o mais longe que podem almejar atingir, pobres gados. Puxando o tema desta postagem, outras estórias, quer um projeto de país? Procura uma equipe jovem e com disposição de tocar avante uma transformação de verdade no Brasil? Escute esse senhor e seu time. Alguns improvisos podem soar coxinha (sic), mas ele é de longe a melhor opção para uma nação tão combalida como a nossa. Ah, tem mais: de quebra, ouve-se no final do vídeo uma reflexão oportuna por parte do coxinha. Bolsonéscio de bem (sic), apresente um plano de governo por parte de seu... líder... se consegue chamar assim quem o engana tão deslavadamente. PTlho, vou deixá-lo de fora nessa, por óbvio: NAP não tem qualquer proposta, está claro depois de três mandatos - fora os Anos Dilma. Ah, questiona a proeza da tartaruga? Leia aqui.

Outras estórias...

Os Paduquentos continuam sua jornada pelos brancos. Depois de um Saint Véran, foi a vez do Chablis, produzido pelo Vincent Wengier em 2023 (a safra está no contrarrótulo). O buquê cítrico de entrada foi facilmente reconhecido e agradou. Não estou certo se o Paulão disse Pera, mas tinha algo mais amarguinho. Limão? O Duílio destacou o impacto em boca, sem saber se expressar. Mineral, sugeri. Isso! Era a palavra que eu procurava!, ele se entusiasmou, de verdade. Um toque levemente salgado, não? - continuei, para a completa concordância do confrade. Sim, a mineralidade se destaca bem, como esperado em um Chablis. O mesmo cítrico repetia-se no paladar, com acidez média, talvez média-mais, álcool a 13%, o salgadinho já mencionado, com permanência e final não acompanhando a apresentação em boca, mas bem definidos. Pelo que pagamos (R$ 170,00), surpreendeu positivamente. CellarTracker e Vivino falam em USD 25,00-USD 30,00; no sítio do produtor custa € 21,00. Razoável. Esgotou (não sei quando, é uma dessas páginas que o Google encontra) em uma importadora a R$ 265,00, um pouco além de 2x. Mas a compra foi ótima. Está no ponto de beber, de agora até o próximo ano. 

   Há algum tempo abri um Noval, o Touriga Nacional 2017, se não me engano - não fotografei. O exemplar não evoluiu bem em garrafa, e mesmo com aeração não decolou. Os confrades não aprovaram com razão; embora mostrasse notas bem discretas de fruta e alguma acidez, estava no limite do bebível. Haviam provado de outros Novais, sabiam da qualidade, e aquele ficou um um sabor de ter faltado. Passou algum tempo e este Enochato sacou mais uma garrafa para espantar a frustração dos amigos, desta vez na safra 2020. Aerou por umas três horas e foi servido às cegas depois do Chablis: chegou com força, tocando o terror pra cima de mentes a almas, memórias e nervos, narizes e bocas, impondo-se, como adoram os Paduquentos. Muita fruta na frente, seguida de especiaria e algo herbáceo para fechar. Tem mais complexidade ali, café, ou chocolate, para ser desvendado. Gigante... Boca com taninos firmes encontrando a maciez em estágio inicial - vai longe... tem fruta, o chocolate (café?) volta a aparecer, tem uma pontinha do dulçor característico dos Durienses e ótima acidez. A madeira comedida deixa sua marca, os 15% de álcool estão equilibrados e a permanência é longa - longa de verdade, não àquela vergonha atribuída a sul-americanos de R$ 120,00. Chega a 30 dólas lá fora, e em algum momento comprei a R$ 199,00, ou até menos - estavam sendo desovados ali por '23 ou '24. A Vingardevalise ainda tem o Syrah 2018 por esse preço, e vale a pena. Está pronto para beber; se cabe no seu bolso, não perca. 

Mais estórias...

Havia combinado de jantar com a Liu - ela insistiu em levar o vinho. E às vezes dá tudo errado... 😨 Bem, não tudo, nem errado, para falar a verdade, e como veremos mais adiante. Ela estava abrindo uma garrafa quando a rolha deu uma esfarelada. Sem um saca-rolhas de pinça à mão, resolveu pegar outro exemplar para poder aerá-lo pelo menos uma hora. Felizmente a rolha do segundo colaborou... 😄 O vinho em questão era um dos meu preferidos, e eu a havia presenteado com ele! Ah, não é que deixou de sê-lo, eu apenas não consigo mais comprá-lo ao valor pago durante a pandemia (R$ 265,00 a R$ 290,00), quando devo ter comprado, durante aquele ano, um total de 12 garrafas. Mostrei pra muita gente. Bebi algumas garrafas sozinho - que felicidade! Dei pelo menos duas de presente. Então, num gesto muito carinhoso e desprendido, um precioso frasco voltou para mim...

Korem é o nome da fera! Produto da Argiolas, é um dos grandes representantes da Sardenha, em seu corte não linear (rs!) de Bovale, Carignano e Cannonau. Quão bela é a criação do Senhor - 😒 quando ela dá certo, claro! E Korem é sempre uma aposta certeira: buquê carregado como ficam nossas árvores frutíferas no verão do Sudeste, imerso em frutas maduras, e ainda sobra espaço para um desfile de sensações; nem precisa ter muito nariz para perceber, tem de tudo! Café, chocolate, fumo? Estavam lá, pelo menos dois deles e para melhores narizes classificarem. Algo de especiaria, couro, herbáceo. Essa talvez tenha sido a melhor garrafa que provei dele: a acidez está maravilhosa, a madeira dá o toque e os demais atores (álcool, dulçor) estão maravilhosamente equilibrados. Korem 2015 é o vinho em seu esplendor; ótimo momento para se degustado, com mais alguns anos pela frente. Não sei como ele poderia melhorar mais, a tendência é manter-se assim por algum tempo e depois começar a declinar. Ao final, uma certeza: ótimo agora. Sobre preço/valor, as postagem passadas já fecharam a questão.

Uma estória (quase) triste

Aqui recupero a estória da Liu e sua malfadada rolha. Ela estava abrindo nada menos do que um Quinta do Vallado Field Blend da histórica safra de 2011. Quando soube o que era, comentei que sim, o vinho sobreviveria na geladeira, mas precisaria ser consumido no dia seguinte... como ela tinha uma sequência encadeada de aniversário, casamento, crisma e batizado pelos próximos dias (risos!), não poderia bebê-lo. Pois eis que a Paduca veio salvá-la, ao melhor estilo de João de Santo Cristo quando aceitou a passagem do boiadeiro com destino a Brasília. Ela deixou a garrafa em casa e os Paduquentos, devidamente alertados, apresentaram-se para os trabalhos em uma incerta de surpresa mas muito bem vinda. A vinificação desse vinho está sob os cuidados de Francisco Olazabal, um ícone da viticultura portuguesa e cujo foco é a ênfase na melhor expressão do terroir lusitano. Já bebi dele algumas vezes e adianto: é grande; posto lado a lado, ele daria uma lapada em Korem. Lembre-se: ele repousou 24 horas em geladeira. A temperatura pode ter desacelerado a velocidade de oxidação, mas ela aconteceu. A fruta vermelha mostrou-se exuberante, intensa... alguém falou framboesa e/ou cereja, e concordamos com essas sugestões. Um toque de carvalho pegado convidava a prestarmos mais atenção, e por trás dele vinham mais notas. Chocolate/cafe? Tabaco? O destaque fica por conta da intensidade, mesmo face a Korem: mais... penetrante, profunda... seguramente mais complexas também. Em boca, taninos vivos mas macios e sem arestas misturavam-se a uma acidez delicada e enganadoramente discreta - parece baixa, mas o que explicaria a persistência? Frutas e chocolate (novamente), álcool bem integrado, um conjunto muito acertado aos 14 anos e ótimo momento para ser degustado. A permanência é outro ponto alto: após um gole o bebedor saliva, engole e ele continua lá. Outro indicador de acidez... Vallado ainda vai longe - cinco anos tranquilamente mantendo esse aspecto, e depois algumas notas poderão cair para outras se reforçarem: característica de um ótimo vinho ainda em evolução. Beba ou guarde. Um Vallado nem tão bom - safra regular - estraçalhou um ícone Uruguaio, está aqui. E custa USD 35,00 em safras recentes (tá, a 2011 está avaliada em uns USD 90,00). Mas qualquer ícone sul-americano custa USD 100,00+... Repito: estão caros. Bem, se idiotas pensam em votar em Bolsonéscio Filho ou NAP tudo é possível, inclusive pagarem tanto por vinhos de terceira quando poderiam comprar um de Quinta (rs! sic!). 

Sunday, April 26, 2026

Os 60 anos do Paulão e outras estórias

Introito: as faces da mesma moeda

Pior que se deixar enganar alegremente é, mesmo alertado, 
sucumbir à mentira, à desonra e à perfídia, por singela ignorância.
Oenochato

   Estava em um café com amigas, todos devotos de São Drogo, quando um PTlho, advindo de algures mas algo íntimo dos fiéis, senta-se e comenta uma piada acerca de crença dos bolsonéscios em alguma idiotice. Ri largo, aberto, companheiro (literalmente) e confiado de todos partilharem sua convicção. Pelo menos eles têm uma desculpa razoável, provoquei, e continuei após a resposta esperada (Qual?): Eles são idiotas há menos tempo. O caboclo calou-se, e é fácil saber do que se trata...


   Em uma sociedade polarizada idiotizada como a nossa, argumento contrário congela indivíduo com um mínimo de honestidade intelectual pego na infâmia; por outro lado, apetece o ânimo do idiota útil acorrentado à própria fé, e ele adentra a arena para enfrentar Golias sem ao menos portar uma funda, confiando na força exclusiva das mãos. Ora pois (rs!), na semana seguinte ouvi comentário equivalente, uma piada exatamente igual com sinal invertido, na boca de um bolsonéscio e retruquei da mesma maneira: A única diferença entre vocês é que os PTlhos são idiotas há mais tempo, vocês não perceberam que acreditam na mesma conversa mole pela boca de outro... e foi a deixa para o confrade sacar a espada e vir para o combate com a certeza dos ímpios quando defendem Satã acreditando pelejar pela mais sagrada ortodoxia. Essa é a percepção da população que se considera informada hoje: cada uma professa um mantra igual mas com sentido contrário ao de seus oponentes intelectuais (sic), vendo-se portadores da Palavra, senhores da boa-fé, arautos do bom, do sincero e do honesto. Assumem-se como o exército da verdade, não passam de uma turba de obtusos. Bolsonéscios e PTlhos são assim: as faces da mesma moeda, tostões de R$ 3,00; e não podendo ser mais falsos, acedem com estardalhaço sem vender uma única e singela ideia decente, digna ou honrada. A pergunta é se essa caterva deixa-se enganar alegremente ou submete-se pela ignorância.

O níver do Paulão

Numa extraordinária de quinta-feira o Paulão chegou aos 60 anos. Pensei em abrir um vinho de 1966, mas só tenho um de '67; apenas um ano, mas não vale... Procurei algo com "60" no rótulo: 60 medalhas, por exemplo, mas o exemplar disponível tinha apenas três... Considerei comprar um vinho de 60 cruzeiros, mas ponderei ser demasiada desfaçatez. Fui aos múltiplos: 15 é quociente de 60, e um vinho nessa idade viria a calhar. Pronto! Nem precisei procurar muito, 2010 foi uma ótima safra em praticamente toda a Europa, e por mera coincidência tenho alguns exemplares desse ano. Para acertar as contas, a colheita europeia acontece no segundo semestre, portanto um vinho de 2010 está chegando agora no meio dos 15 anos. Do começo... o recente interesse dos Paduquentos por brancos fez-me correr atrás de algumas ofertas, e escolhi algumas opções mais simples para introduzi-los a esse hábito. Enquanto servia a primeira taça, comentei sobre Saint Verán: uma região mais modesta da Borgonha dentro de Mâconnais, sem vinhedos Premier ou Grand Cru, com vinhos frescos para consumo jovem, embora - dizem - alguns sirvam para guarda. Alegremente frutado - o Paulão foi direto no abacaxi - e depois de deixar os confrades analisarem, emiti uma sugestão de lima em boca. O rosto do Duílio, que havia sugerido limão sem muita certeza, iluminou-se, e ele concordou. Seu buquê não resume-se a a abacaxi nem a boca a lima; tem mais complexidade a ser desvendada por narizes melhores. Château des Correaux Saint Veran 2023 mostra boca com o frescor esperado, acidez presente, um salgadinho da mineralidade e um conjunto ao agrado de todos. Wine Searcher aponta para 20 dólas, embora tenha encontrado a 14 Euros por fora. Pagamos R$ 190,00, uma boa compra pelo WS mas não tão boa em termos gerais. Não se pode ganhar todas... Com um lombo saindo do forno, servi o tinto às cegas. Paulão levou ao nariz e foi rápido: Já bebi algo parecido com isso... De fato, não foi postado mas havíamos provado um Nebbiolo da Fontanafredda há não muito tempo, uma ou duas reuniões antes. Daí ele deu mais uma cafungada na taça, aproveitou do buquê e disparou: Italiano... O Duílio não comprou a proposta e preferiu mais um de seus engraçadíssimos vacilos, além de suas opiniões políticas. O Barolo Broglio Serralunga 2010, da Azienda Agricola Schiavenza, aerado por 24 horas, chegou arrombando os narizes com notas pegadas de frutas vermelhas, couro/fumo (qual? ambos?) e um toquinho herbáceo. Boca gorda, taninos pegados, acidez média-mais, madeira discreta, integrada, álcool  adequado, comportado, e um ligeiro dulçor: uma ótima combinação para grudar nas bochechas e não soltar até o próximo gole! Para mim, vem-se tornando quase uma prática usual: ótimos vinhos, mesmo envelhecidos, abra um dia antes. 🤨 não arriscaria com Don Mechor e similares sul-americanos, o leitor prossiga nessa seara por sua conta e com discrição... (sic! rs!). É um vinho vigoroso, potente, ao estilo que gosto! Serralunga é uma comuna muito prestigiada em Barolo, e Broglio é um de seus vinhedos mais notáveis; vinhos novos do produtor (2021) podem ser encontrados por 30 Euros, e então a paciência fica por conta do comprador. Safras notáveis - como a 2010 - e devidamente envelhecidas alcançam USD 90,00, segundo o WS. Comprei há muito tempo, por algo como 3XX,00 cruzeiros (sic) na Casa do Vinho Famiglia Martini. Eles tinham ótimos preços à época, bem como uma boa variedade de opções. Atualmente parecem estar um pouco derrubados - não é de estranhar, com a crise não comentada em que vivemos - mas ainda assim encontram-se ótimos Brunellos das excelentes safras de 2006 e 2010 a preços razoáveis. Até há pouco tempo tinha alguns de 2001, algum sabichão passou por lá - não, não fui eu. E nunca é demais recomendar: confira os preços pelos do Wine Searcher. Por exemplo, o Langoa Barton 2005, ótima safra, está a quase R$ 1.700,00, o que dá 3x... não vale a pena.

   Encerro por aqui. A quem ficou esperando por outras estórias, conforme o título, lembro a postagem dos quatro vinhos onde entraram cinco: assim como aos Três Mosqueteiros juntou-se D'Artagnan, a este escriba acabou o fôlego nesta noite de domingo. Para quem chegou até aqui, meu muito obrigado! 😆

Tuesday, April 21, 2026

Espanholeto da gema

Introito: a filial do inferno

   Recomendo ao leitor uma olhada no vídeo abaixo para ele conhecer um pouco mais do Brasil, e aviso desde já: versa sobre uma tragédia ambiental, e cenas assim sempre soam desagradáveis.


   A peça mostra onde estamos. Quanto tempo demoraria um cachorro para se decompor ao relento? Imaginemos que ninguém o guardou em casa um tempo, morto, para depois desová-lo na sua. Nem o desenterrou uma vez sepultado para promover poluição tão gratuita. A IA do Google responde: de algumas semanas a vários meses. Algumas semanas: esse é o tempo mínimo para o aparecimento da ossada. Está aí a humilhação à qual os brasileiros mais pobres estão submetidos. Após quase quatro mandatos cuidando de gente, Ali Lulá ainda nos lega essa ideia de nação. Foi nesse projeto de país (sic) em que você votou? É na continuação dele que votará?

   Para aumentar a sensação de escárnio acabado e completo das autoridades constituídas para com todos os cidadãos brasileiros, informo: no dia seguinte à publicação do vídeo, lá estava o poder público tomando providências (lembre-se: foram semanas de uma carcaça em decomposição). A tragédia para a esquerda não termina assim; deputado estadual do PSB no Maranhão faz uma crítica tão sem sentido à ação do Missioneiro (sic) que ao final só colabora para aumentar a credibilidade do denunciante. Não à toa, já havia tirado o pé da esquerda em geral e dos PTlhos em particular há muito, e tornei isso cristalino em 2022 (não votava em eleições majoritárias praticamente desde 2002). Foi divertido ver meu voto de protesto para Márcio França ao governo estadual (junto com outras centenas de milhares, creio), fazê-lo pensar ser um foguete no pleito seguinte, quando concorreu ao senado. Às vezes é assim: podemos não eleger quem gostaríamos, mas um apoio bem colocado na cabeça de um energúmeno estimula sua autoconfiança, infla-lhe o ego, agiganta-lhe a soberba e seu destino acaba sendo o desejado: a lata de lixo da História. É a sina que espero para toda a atual geração da esquerda que está por aí. Só não sei onde iremos buscar novos e melhores quadros, dados os mais novos serem de longe mais incompetentes, ignorantes e idiotas quando comparadas as seus predecessores. Mas essa é outra conversa.

Um espanholeto da gema

 López de Heredia é um produtor de primeira linha em Rioja, fundada em 1877 - olhaí seu sesquicentenário chegando... Cubillo é, em seus tintos, o vinho de entrada. Corte variável de Tempranillo, Garnacha, Mazuelo e Graciano - o mais típico corte riojano, a justificá-lo 'da gema' - segue a filosofia do produtor de envelhecer seus vinhos antes da distribuição. Wine Searcher indica como 2019 a safra mais recente... ele vem pronto para beber, mas normalmente com bom potencial de guarda - a sugestão do próprio sítio é 2036... Seu preço lá fora está na casa dos 20 dólas, patamar típico de vinhos de boa qualidade. Esse exemplar aerou por uma hora e meia antes de entrar na geladeira. Mostrou fruta abundante, direta, com algum toque na linha fumo/couro, e divertiu o casal Christiane e Mauro, os anfitriões. Não conheciam-no, e gostaram muito; não lembro se a Chris mencionou um toque de chocolate. Boca agradável, equilibrada, acidez presente e madeira discreta, mas achei os taninos 'médios um pouco abaixo', esperando mais corpo. Há não muito tempo provei da safra 2016, e lembrava como aportou mais de potência, justificativa para pareá-lo com a pizza de provolone; não foi assim: o queijo passou por cima dele. Verdade, ele tem um travo pegado, intenso, e justamente a Tempranillo (junto da Merlot) é a opção indicada. Só agora, lendo no Wine Searcher para esta postagem, noto a classificação das safras: 2017: boa. 2016: excelente(!). Boas safras normalmente produzem vinhos mais longevos - de carona, eles demoram mais para amadurecer. Não saberia avaliar até onde produzem, efetivamente, vinhos melhores, no sentido de mais encorpados e complexos. Explico: produtores responsáveis, ciosos de seus nomes, não poupam esforços na manutenção da qualidade de suas criações. Se a safra não é tão boa - e '17 foi! - eles descartam uma porcentagem maior de uvas, ou pode haver mudança na escolha da levedura, por exemplo. Não sei exatamente onde mais uma safra melhor afetar a qualidade final de um vinho, mas nesse caso subestimei o embate. Fique claro, a falta de harmonização não tirou a qualidade do vinho, apenas impediu sua melhor apreciação. Ainda assim, teve bão. Obrigado à Chris e ao Mauro, e a ausência da Renata foi sentida. Teremos outras...

Filial do inferno, 2

O leitor frequente já se cansou das minhas reclamações, insistindo como os vinhos sul-americanos estão caros. A rapaziada anda se sentindo a rainha da cocada preta, carcando a bota nos preços. E não é de hoje. Também não de hoje faço comparações entre vinhos de 'cá' e de 'lá' (Europa, principalmente), desmascarando sem esforço algum o embuste da pretensa qualidade embasada em altos preços. Veja aqui, aqui e aqui sobre o tão falado Gran Enemigo. O último vínculo, inclusive, traz um embate de 'segunda linha', entre vinhos de menor preço da França e da Argentina, além de uma observação completamente às cegas pela Elvira, confrade cuja competência - por mais amadora - na avalição de vinhos ninguém põe em cheque. O presente caso - não provei, nem pretendo... - é a 'oferta' de um produto da conhecida Bodega Noemia: de mórbidos R$ 2.200,00 por meros R$ 800,00. Espera um pouco... vinho agora é como carro zero na virada de modelo? Mas os descontos não ultrapassam 15%, 20% no máximo. Será modelo de Iphone obsoleto de dois anos? Gemini nos revela ter sido de 30%, mas hoje, com cenário mais agressivo, fica entre 40% e 55%. 


   Mas ora!, bons os vinhos que conheço aumentam de preço com o passar dos anos, pois vão ficando mais prontos para o consumo. Aqui temos uma oferta onde o valor a ser pago é praticamente 1/3 do preço cheio. Na Argentina ela vale (pedem por ele...) entre 258.000 e 391.000 Pesos, mas com outros preços de 269.000 e 271.500 Pesos. Convertendo essa sequência para Reais, dá R$ 928,00, R$ 1.406,00, R$ 968,00 e R$ 977,00. Portanto um preço próximo de R$ 1.000,00 (lá!). E aqui? Encontrei entre R$ 1.000,00 e R$ 1.250,00, embora também tenha aparecido a quase R$ 2.900,00 (ta, R$ 2.600,00 no Pix - risos!). Antes importado pela Mistral, o rótulo está atualmente na Vinci - mesmo grupo. Não sei como anda eventual contrato de exclusividade, mas olhando os valores mais em conta, vemos uma paridade de preços entre Argentina e Brasil. Aqui temos uma carga tributária próxima a 60%. Novamente, fica a pergunta: por quanto saiu? (da Argentina, e para chegar aqui pela mesma quantia). Mais uma: estamos falando em cerca de 200 dólas. Alguém me explica como ele chega nos EUA e Alemanha a apenas 150 dólas? Só reforça a pergunta: saiu por quanto? (da Argentina).


Achou que terminaria por aqui? Sabe de nada, inocente! A mais nova oferta da praça é o Viña Bujanda Crianza 2021, a 700tão na caixa com seis. Dá R$ 117,00, porcada! Não sei por qual cazzo de coincidência a mesmíssima safra dele está a R$ 212,65 na Mistral (se disser que falou com o Enochato, sai por R$ 212,00). Quase fechei cinco caixas, sem pensar, mas... aí, pensei... Wine Searcher nos mostra a €6.95 na rede espanhola Decantalo, ou entre USD 12,00 e USD 13,00 nos EUA. Ainda assim dá menos de R$ 70,00. Bem, 7 Euros dá R$ 41,00, fazendo da oferta de R$ 117,00 quase 3x, e do preço regular, 5.2x(!). Certos pulhas defendem margens das importadoras de 3x. Onde estão eles agora?! Percebemos facilmente: como na política, é fácil ser enganado por trambiqueiros. E a pergunta lá vale aqui: honorável consumidor, você aceitará essa trapaça quieto? É esse o país que você sonha em viver? Não compro uma única garrafa sem antes comparar seu preço aqui com o praticado lá fora. E digo: 2x é um limite mais do que razoável para pagar. Mesmo com o mega-vilão Taxad espreitando-o no quarteirão mais próximo a você.

Como se o blog não tivesse credibilidade...

Valores de Noemia na Argentina






Valores de Noemia no Brasil




   A 'oferta' de Noemia


Valores de Bujanda Crianza fora



Valor de Bujanda Crianza, preço cheio


Bujanda Crianza na 'promo'