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Introito
Como é que os melancólicos amigos portugueses costumam dizer sobre seu próprio futebol, mesmo? Jogamos como nunca... perdemos como sempre... 🤣.Mas no mundo do vinho, a conversa é bem outra. Com respeito e devoção merecidos pelo saudoso Pérola Negra, em vinhos Portugal está além do nível desse craque. Certo, ele era moçambicano, nas jogou pela seleção Portuguesa, naturalizado. Já a França... bem, 'futebolisticamente' falando, a França é a França...
Assim, em oportunidade de mais uma pulada
Quando os vinhos são vinhos
Apesar de difícil realizar boas compras de vinhos no Brasil, elas sempre estão por aí; basta prestar atenção. Tenha seu fiel perdigueiro à mão e compare. Faço isso sempre. Se a oferta está acima do limite que considero razoável, deixo na prateleira. Não foi o caso desses dois exemplares: os preços eram honestos e convidativos.Quinta da Costa das Aguaneiras 2011
Produtor representado pela Enoeventos, até há algum tempo o sr. Oscar tinha algumas garrafas dessa maravilhosa safra 2011 a preço excelente. Paguei algo como R$ 170,00 pelas últimas garrafas. É produzido pela Lavradores da Feitoria, simpático nome adotado por 15 lavradores proprietários de 18 quintas espalhadas pelo Douro. Plantam de tudo (rs!): Tinta Roriz, Tourigas (Franca, Nacional e Francesa), Tintas(o) (Amarela e Barroca, e Cão) e outras brancas. Produzem o que parece ser uma rica gama de produtos, dos quais, infelizmente, o sr. Oscar teve punch de trazer apenas alguns poucos representantes. Esperemos que brinde-nos com outros, quando a crise passar. Talvez demore... 😔 mas que venham!Dentre os produtos, temos disponíveis por aqui o Lavradores de Feitoria Cheda Tinto e sua versão Reserva. Além do Cheda branco. O Quinta da Acosta, como disse, acabou. Mas foi uma alegria provar de (mais) uma garrafa. Em sua faixa de preço, um vinhão. Muito boa fruta, acidez bem presente, bom equilíbrio. Mais um exemplo de felicidade engarrafada. Tomo consciência de que tenho repetido bastante por aqui, essa tal de felicidade engarrafada... mas horas bolas, economizei minha adega durante anos justamente para chegar a um momento em que pudesse beber bons vinhos com mais frequência, e agora colho os frutos. Este Quina das Acostas é uma combinação de Touriga Nacional, Tinta Roriz... 'e outras', conforme fui verificar na ficha do produtor. Foi bom parceiro para um salame, e não fez feio com uma pizza de carne. Talvez a pizza é que o tenha prejudicado (rs!). Merecia um bifão... Quer um vislumbre de Acosta? Experimente o Cheda Reserva. Qualquer hora faço uma comparação com chilenos do dobro do preço, ou algo por aí. E sim, deixarei (como sempre!) de lado a má vontade. Ela não tem vez, à bem da verdade. Não tenho vinho preferido. Tem o vinho que avalio valer mais a pena, e vinho que vale menos a pena. E somente isso.
Montagne Chateau Teyssier 2015
Este chateau é parte dos negócios de Jonathan Maltus, proprietário de vinhedos em Bordeaux e no Napa Valley. Em Bordaux, sua produção está baseada em Saint-Émilion, onde é ranqueado como Grand Cru. Sua máxima éA bottle of wine should be judged by the taste of its contents over the ‘big name’ label slapped on the front.Bonito. Mas seria muito mais legal se em seu sítio de internet fosse mais fácil encontrar os produtos do que as notas recentemente obtidas pelos seus vinhos. O sítio é bonito, mas as informações são pobres. Até perdi a vontade de procurar mais... ponto a menos para o produtor.
De qualquer maneira, fui alertado pelo Don Flavitxo que é um vinho básico do produtor. A versão que "não é Montagne" de Chateau Teyssier é um degrau melhor, segundo ele.
Largando de lado a má vontade (rs), é corte de uma região onde as uvas típicas são Merlot e Cabernet Franc, principalmente. Imagino que possa ser a composição desse vinho. Proporção? Talvez uns 80%-20%, como parece ser típico de lá, mas não encontrei a ficha.
Gostei. Novamente, boa fruta, chocolate (café?), acidez bem presente. Madeira marcada, mas com bom equilíbrio. Um problema: um tanto novo, parece. O que eu esperava seria o bom combate acabou prejudicado pelo ótimo momento de Aguaneiras contra um Teyssier um pouco fechado. Aerar poderia fazer diferença? Não sei. Trocaria por mais uns 3 anos de guarda. É diferente: aerar não é envelhecer o vinho à base da oxidação. Ele precisa do seu tempo para 'chegar lá'. Aguaneiras chegou, Montagne pede um pouco de calma. Mas foi o que podemos chamar de bom combate, para as circunstâncias, experimentar duas boas compras na mesma faixa de preço. Montagne não é felicidade engarrafada. Hoje. Mas será, amanhã. Notou a vírgula? Pois é, uma religião nova apareceu por causa desse ', amanhã'... Montagne é comercializado pela Cellar, a bom preço. Gastei muito com vinho, ultimamente. Mas compraria algumas garrafas e guardaria para os próximos anos. Se o 'ameace' de crise financeira que se avizinha estiver correto, a preço de hoje Montagne é uma excelente compra, principalmente para o consumidor um pouco mais paciente. Seu preço por aqui está em R$ 150,00. Oscila entre 20 e 30 dóla lá fora Ou seja... corra!