Monday, August 30, 2021

Cozinheiro de dois pratos só

Introito

   Para espanto de quase ninguém e delírio de menos pessoas ainda, este Enochato deixou de ser cozinheiro de apenas um prato, e passou a dominar o preparo de dois. Lombo com (poucas) ervas é o novo prato sob domínio deste cheff que desponta nas lides da cozinha. Contando com o prato (filé ao molho gorgo) aprendido no ano passado, e fazendo uma previsão algo otimista para os anos vindouros, imagino que até 2098 dominarei uma gama razoavelmente apresentável de alternativas. Gastón Acurio que se cuide... Depois disso passarei à harmonização. Mas, claro, será outra etapa. Um problema de cada vez, diria o gerente cansado. Temos tradição nisso; começou com Fernando Idiota Cardoso (que uns queriam fuzilado), quando presidiu o brasio. Em vez de fazer seu sucessor, entregou o governo para... you know who... 💀

Porco e vinho branco

   Fui conferir uma harmonização com lombo. Wine searcher listou diversas possibilidades, mas Chardonnay e Pinot já bebera recentemente. Procurando um pouco mais, além da Pinot Gris da Alsácia, apareceu Riesling da mesma região. Aqui vai uma dica: se você nada conhece, como eu, perceba que harmonização pode ser uma via de mão dupla na hora da pesquisa. Quem fala da comida sugerindo o vinho, sugere-o de maneira genérica, pensando em algo de seu conhecimento prévio. Não significa que todos os vinhos desse tipo casarão com a comida. Então você confere se o vinho casa mesmo com o prato recomendado... eu não fiz isso... 😦

Zind-Humbrecht Riesling Turckheim 2018

 
Escolhi um Zind-Humbrecht Riesling Turckheim 2018, já degustado em janeiro deste ano. Aquela estória, um vinho legal a cada seis meses; com um estoque de vários vinhos legais todo mês você bebe pelo menos um bom, sem ficar repetindo. Continua muito bom: notas cítricas - maçã verde? - no nariz, boca com muito frescor, limão(?), mineralidade presente e uma pontinha doce que não notei na primeira prova. Aquele buquê a óleo Singer se expressa a temperatura um pouco mais alta; bem frio (não gelado!), essa assinatura fica escondida. Pois é, Wine Searcher sugere para esse vinho peixes mais oleosos, como salmão. O lombo pode não ter harmonizado, lembrando que esse conceito prediz um todo maior que a soma das partes. Não, não aconteceu assim. Mas não comprometeu, o que já é grande coisa para este Enochato que no mais das vezes costuma meter os pés pelas mãos, quando não estraga tudo de uma vez (😰). Talvez possa mudar um pouco o preparo do lombo da próxima vez. Fico me perguntando o que o pessoal da Casa de Carnes Qualidade daqui de S. Carlos pode propor como alternativa. Na sugestão de cozimento eles acertaram em cheio: uma hora por quilo de peça, e mais um pouco fora do papel alumínio para dourar. Eu chego lá...

Sunday, August 29, 2021

Les Héritiers du Comte Lafon 2011... again...

Introito

   A minha máxima de ter algumas garrafas repetidas de um bom vinho, em versão revisitada. O Domaine des Comtes Lafon é considerado por muitos como o maior produtor (em qualidade!) de brancos da Borgonha. Pensando em termos de brasio, onde as importadoras tubaronas de sempre dominam o mercado, não é de espantar que esse produtor esteja na carteira de alguma delas. Então a estória se repete: compram um tanto, pedem preços absurdos, vendem alguma coisa e, ao final da vida útil do vinho, colocam-no em 'promo'. O preço 'promo', claro, está exatamente na margem das importadoras que praticam margens mais honestas cobram em seus preços regulares. E ainda tem energúmeno que defende as tubaronas! bolsonésios e PTlhos pelo menos estão se vendendo por um ideal de país, ainda que cretinamente distorcido; estes estão aí somente pelo vil metal mesmo. Voltando: sempre será um momento de alegria e reflexão de como a vida é bela levarmos à boca a taça de um Comtes Lafon, por mais simples. Quem conhece, sabe. Comprei três garrafas deste Les Héritiers 2011, há pouco tempo (dois anos?), e esta é a segunda que provo. A primeira foi em maio de ano passado, e está aqui, junto de um breve comentário sobre a classificação dos vinhos da Borgonha. Meu sentimento, atualmente, é se compraria um vinho simples, já envelhecido, a preço de vinho 'novo' no mercado, de um produtor sob domínio de importadora tubarona. A conclusão, mais uma vez, é que não. Melhor trazer um Premier Cru de fora em alguma viagem, ou explorando alguma amizade, e contentar-se com um exemplar de vinho bom do que milhagar (sic) seus vinhos mais simples um tanto envelhecidos. Agora... se você pegar um vinho de boa importadora em boa safra, vá fundo: compre uma caixa (ainda que de meia dúzia), e vá bebendo uma garrafa por ano, ou a cada seis meses. Quando fechar o circuito, tendo várias caixas de vários produtores legais - ainda que de importadoras diferentes, qual o problema? - aí você beberá bons vinhos frequentemente sem ser esfolado vivo. 

Les Héritiers du Comte Lafon 2011

É necessário comentar que nossa percepção de um vinho muda quando o degustamos sozinhos e escrevemos à medida que o provamos, de quando o fazemos acompanhados e depois tentamos recuperar a memória de como ele estava na noite anterior, ou há mais tempo. Anotação mental (risos!): as pessoas acham fora de órbita quem saca a caneta e o caderninho e começa a escrever ensimesmado em um barzinho, restaurante, convescote ou reunião. Não faça isso, sob pena de parecer diferente. Nossa sociedade não suporta pessoas diferentes; a mediocridade não suporta concorrência e os medíocres-mores querem todos enquadrados em sua faixa de estupidez. Se eu fosse você ficava na média, mas... é com você. Inclua-me fora dessa (sic! rs!). O fato é que Les Héritiers du Comte Lafon 2011 apresenta nariz bem cítrico e outros toques indistinguíveis para mim (😕). Em boca (Gostou? Aproveite, não costumo gastar tanto a língua),  parece maçã verde (principalmente), e limão. Combinou razoavelmente bem com salmão. Tem um final amanteigado, com boa persistência, aquela que faz jus a um grande produtor: ele sabe tirar leite de pedra, já que este é um vinho relativamente simples em sua lavra. O problema é que, na mesma época, poderia ter comprado (na verdade, comprei!) em 'promo' exemplares Premier Cru de Chablis feitos por produtor muito bom, e estou convencido de que a compra foi melhor. Então é assim: promo por promo, um grande produtor da Borgonha contra um ótimo produtor de Chablis (que é Borgonha, mas não é lá do 'miolo'... o leitor entendeu...), então um Villages contra um Premier Cru, lamento, mas não dá pro Villages - e olha que é do Comte Lafon! O que dizer se for de produtor menor! Leitor, caia fora. Já escrevi uma vez aqui no blog:

Paciência é sentar-se à beira do rio e esperar o corpo de seu inimigo passar boiando!

   Ele passará. Ou antes disso, tomará jeito. Isso significa, por exemplo, cortar amostras grátis para um monte de passapanistas que ficam elogiando as tubaronas em troca de uma garrafa aqui e ali. Canalhas, queimem no inferno! Eu espero mesmo que as tubaronas tomem jeito. Isso depende principalmente de nós, consumidores. Basta exercer a tão cara cidadania.

Friday, August 27, 2021

Ripostando as vestais

Introito

As vestais do templo Noivas de Baco, Dayane e Renata, fizeram uma provocação geral ao postarem no grupo de uatizápi (sic!) o comentário sobre a harmonização de comida japonesa e o português Pé Branco da Herdade do Esporão, um Semillon cuja harmonização de fato é indicada para cozinha oriental (dentre outras). Disseram que funcionou muito bem. Morri de inveja! Principalmente porque é um vinho de 50tinha. Esse tipo de harmonização é muito difícil - dizem. Consegui - para meu gosto - boa harmonização entre culinária japonesa e brancos doces do Loire, notadamente o Clos Naudin, Vouvray de um dos melhores produtores da região. Outros grandes Vouvays são feitos pelo Domaine Huet. Infelizmente seus preços (Naudin e Huet) andam proibitivos nos brasio (R$ 600,00+). Comprei algumas garrafas do Clos Naudin há muito tempo, em 'promo', pagando cerca de R$ 170,00. Mas note: há muito tempo... e em 'promo'! (😱) Gostaria de mencionar ainda que Gaston Huet foi proprietário do Clos Naudin durante a Segunda Guerra e citei um trecho sobre ele quando prisioneiro em um campo de concentração nazista. Numa 'festa' promovida no campo, ele reflete sobre um vinho que estava experimentando em um copinho de mostarda(!), e reconheceu como sendo de sua terra natal. O trecho está aqui; considero uma das passagens dos mais poéticas que já li em toda minha vida - vinhonísticamente (sic!!!) falando, claro. 
   Para quem duvida, 
ahh... nada como manter documentação. Depois colocamos os detratores para chupar (😝) e eles dizem que somos vis... Ah, detratores idiotas... como é fácil trucidá-los...

Falcoaria Vinhas Velhas 2016

Experimentei uma garrafa Falcoaria VV '16 há coisa (sic) de quatro meses. Lembra aquela estória, se conseguir comprar um tanto de vinho bom, pode repetir de vez em quando, tipo... uma ou duas garrafas por ano? E quando tiver várias garrafas de vários vinhos bons, poder beber uma ou duas garrafas por mês salpicando aqui e ali, durante o ano todo? Pois é...
Luiz Ghidelli falô, Luiz Ghidelli avisô (enquanto os Paralamas devem estar arrependidos até o fundo da alma), o branco é bem melhor que o tinto, e não tinha me atentado. Não me lembro como aconteceu, mas... de repente descubro 4 garrafas de Falcoaria VV na minha adega! Bem, três agora... Na primeira vez, tentei harmonizar Falcoaria VV com xarxixa (sic) e queijo brie. Não deu certo, Falcoaria levou ambos no peito. Desta vez, tentei com um salmão na manteiga. Necas de pitibiriba; novamente Falcoaria matou no peito e desceu a bola no gramado. Infelizmente esgotado no Savegnago, esse vinho é do meu gosto: tem potência. Tá, foram apenas quatro meses, nem dá para para falar em envelhecer para um vinho dessa categoria, mas a acidez está lá, vivona. Num descuido, quando a temperatura da taça subiu um pouco, apareceu buquê a mel.  Mesmo nessa temperatura um pouco alta, a persistência é muito boa, e o final é longo e agradável, redondo. De resto, as notas cítricas e tudo mais, está lá, como destacado na postagem passada. Em sua faixa de preço (R$ 115,00 no Verdemar, atualmente), é uma excelente compra. Uma pena que não entreguem no Sudeste. Se tiverem um pouco mais de iniciativa, comeriam o mercado pela borda.

Monday, August 23, 2021

Um vinhozinho com as vestais

Introito

   O último Pinot que levei para acompanhar o coelho causou forte comoção algures. Seguramente mais pela combinação do que pela prosa morrinha aqui no blog. Mas quando disse que a garrafa de outro dos vinhos que comprei estava na mesa para quem desejasse degustar, houve um alvoroço maior ainda. Mais porque algumas pessoas não teriam janela para este final de semana do que pelo vinho em si (e oportunidade de se beber algo em confraria não se perde) do que pela possível qualidade da garrafa ofertada. Ao fim e ao cabo, somente três Vestais apresentaram-se para a difícil missão: Dayane, Renata e Luciana. O Prelado não reclamou... 🤭. Dayane e Renata apareceram com uma pizza e um pão chique da Ma Petite Boulangerie, e alguns frios. Luciana veio armada com outra garrafa. Simplesmente um luxo...

Os vinhos

Conforme prometido, apresentei o Coquelicot Pinot Noir 2019, do produtor languedoquês (sic! rs!) Bruno Andreu. O nome Coquelicot vem da planta que desabrocha na primavera em terras da vinícola. Monet pintou seu Les Coquelicots em 1873. Sem passagem em madeira, 100% Pinot Noir, mostrou boa fruta (vermelha?) no nariz. Boca leve, corpo médio, acidez baixa a média, taninos bem macios. Final e permanência discretos, não impressionam. Como veremos mais para frente, estatística de um dado só não é estatística, mas prefiro um La Clape (só bebi um até hoje), por exibirem mais potência, com tanino e acidez mais pronunciados. Veja aqui. É um vinho legal para acompanhar pratos leves, de maneira que, sem harmonizar tanto com a pizza, até fez algum acompanhamento. Tem apenas 12,5% de álcool. A Luciana chegou com um Château Lamothe 2019, da região Côtes de Bourg. Sem muita certeza, achei que fosse um Bordeaux - e estava correto. Ela deve ter comprado na Deliza. Voilà: é importado pela Lovino, de quem a loja de S. Carlos representa vários produtos. É um corte 60% Merlot, 30% Cabernet-Sauvignon e 10% Malbec, também com boa fruta no nariz mas álcool escapando um pouco na boca - dá uma ligeira queimada mesmo. Parece que seus 14% de álcool afetam o equilíbrio com o restante a ponto de comprometer a apresentação geral. A acidez vai de baixa a média - mais para média, mas não impressiona - os taninos pegam um pouco e o final e permanência são mais destacados do que Coquelicot, mas ainda sem impressionar. 

Os preços

   Coquelicot é um vinho de 14 dóla 'lá', mas encontrei em apenas uma loja. Pode estar um tanto caro. Como disse, não podemos tomar apenas uma loja e asseverar que seu custo seja um preço médio. Sendo o que temos,  USD 14,00 * R$ 5,50 = R$ 77,00. Dá um 'preço cá' de 2x sem promo, e a R$ 79,00 na 'promo' vira uma pechincha. Aí gostei... Se tivesse pago o preço cheio, acho que teria ficado um tanto triste. Talvez porque Villa Blanche, ao casar muito bem com o fettuccine, tenha causado melhor impressão... nesse ponto acho que as coisas se confundem um pouco. Mas ainda me pergunto o seguinte: se você está pagando R$ 150,00 por um Languedoc, será que não compensa colocar mais R$ 50,00 e avançar em borgonhas brancos, mesmo que um tanto simples (para a Borgonha, claro), mas com frescor muito mais presente e conjunto mais elegante? Bem, R$ 50tão representam 33%... há gosto para tudo. Mas o meu fica no borgoinha.




Sunday, August 22, 2021

O coelho do Gustavo

Introito

Onde  sobra ignorância falta medo.
O Enochato sem Galochas

O medo é, em alguma instância, nossa auto-proteção. Temos medo de chegar muito próximos á borda de um precipício. De um animal desconhecido. Até mesmo de nos acercarmos de outro ser humano em condições pouco adequadas - na saída de um restaurante ou bar à noite. Reporta-nos o jornal O Tempo sobre uma partida de futebol onde o público aglomerou-se sem qualquer preocupação ou observância das medidas sanitárias. Por que nós, animais tão medrosos por natureza - somos de longe o mais fraco de todos na natureza, comparando-nos com outros de similar tamanho e/ou massa - ignoramos os riscos de um contágio que pode ser mortífero e nos arriscamos de maneira tão gratuita? Para mim, apenas a ignorância pode subverter essa regra tão óbvia, tão instintiva. A racionalização trouxe-nos uma faca de dois gumes, onde a reflexão sem o devido conhecimento pode levar-nos ao esquecimento ou desprezo dos cuidados mais simples. Alguns fazem roleta-russa com armas automáticas...

A ignorância é um mal que precisa ser extirpado, muito mais do que o demônio - literal ou figurado. A ciência tem que deixar de ser uma vela no escuro, por mais que a perspectiva de ao menos alguma iluminação nas trevas seja reconfortante. Um 'pastor' (sic) vende, a R$ 1.000,00, certo feijão que cura a Covid, mostra-nos o portal G1. Entregamo-nos a uma falsa compaixão quando pensamos nos ignorantes que caem nessa estória. 
   
Existe vagando pelo mundo um número incomensurável de pessoas com boa formação entregues à completa falta de senso crítico. Autênticos zumbis intelectuais, caminham vacilantes para uma escuridão que se avizinha como ovelhas ao abatedouro. Vimos isso no início deste ano, em um lugar onde 65% da população tem diploma universitário. No brasio e média é de uns 23%. Boa parte destes não percebem que bolsonésio e lulalelé são as duas faces da mesma moeda; a moeda amaldiçoada que deveríamos ter atirado ao longe há muito tempo, mas que por um tipo de mágica parece ter colado em nossa mão onde continua a produzir chagas pelo mero contato. Mas o grande embuste é que ela esteja mesmo aderida a nós, quando na verdade não está! Nós é quem pensamos assim quando dizemos que entre lulalelé e bolsonésio votamos neste ou naquele. Adiantamos um segundo turno que não acontecerá, para, de maneira canhestra em nossa estupidez, irmos desde já justificando o voto em nosso político idiota de estimação. Várias pessoas que você conhece estão assim, de um lado ou de outro? Certo. O que você fará sobre isso? Deixará passar em brancas nuvens, no momento em que a pátria mais precisa de você? Lembre-se destas palavras sábias, em apenas uma lição...

   O leitor pode querer lembrar-me que este é um blog sobre vinhos. Novamente: estamos em um momento histórico e social onde deixar de discutir nossos problemas, que são imensos, será visto pela posteridade como o mais autêntico escapismo ou, pior, como absoluta irresponsabilidade de uma classe que se pretende intelectualmente de elite mas não vai além de inconsequente. Incluam-me fora dessa (sic) por favor. 

Vinho e Turismo

Com alguma abertura para encontros, o grupo Vinho e Turismo (V&T) promovido pela Vinho e Ponto e pela empresa Caminhos do Turismo voltou a reunir-se. Em número reduzido e com espaçamento entre os participantes, o encontro versou sobre vinhos do sul da França. Os vinhos provados já foram comentados e um está aqui. Depois do evento fomos Riana e eu ao Bistrô Graxaim onde o Gustavo havia preparado um fettucine com ragu de coelho. Ricardo, Noiva de Baco de primeira hora, impedido de beber, não participou do primeiro encontro mas apresentou-se lépido e faceiro para a ceia. 
A Riana levou o La Vaca Piloto Garnacha 2019, um espanhol da DOP Cariñena, localizada na região de Aragão, fronteiriça com a França. No sítio do importador (Wine), vemos que é produzido pela Cia Vitivinícola Covinca, em cujo sítio curiosamente não encontramos menção a esse vinho. Uma explicação para isso é que o importador pode ter pedido a criação de um rótulo exclusivo. Nessa hipótese, é muito trabalho para pouco vinho. Não é ruim; para um encontro descompromissado cai muito bem: tem fruta imediata - Riana e e concordamos que framboesa -, corpo médio sem madeira, acidez de baixa a média, um travinho doce não enjoativo com permanência e final algo rápidos. A acidez deu-lhe uma boa pegada com o fettuccine, e embalou a conversa entre os bebuns. Como o vinho está esgotado na importadora e não encontrei referências a ele lá fora, fica impossível falar de preço. A Wine não está entre as importadoras mais careiras, mas também não figura entre as de melhor custo-benefício. Apreciei feliz a oportunidade, mas não compraria. O inexistente leitor pode dar-se ao luxo da experiência se encontrá-lo. Experimentar é necessário, viver é que não é preciso (risos!).

Este Enochato compareceu com um vinho de importador que há muito namorava sem ter comprado algo, a Chez France. Aconteceu que recebi uma 'promo' com 50% de desconto sobre vinhos que normalmente já possuem ótima relação custo benefício, e desta vez mandei ver sem pensar ou mesmo consultar os preços lá fora. Até porque estavam numa faixa bem razoável para vinhos franceses. Villa Blanche Pinot Noir 2019, produzido pela Calmel & Joseph do Languedoc-Roussillon - justamente tema da viagem da V&T da noite! - e traz na mala a promessa de harmonizar com carnes brancas. Nariz com ótima fruta, algo terroso, mostrou boca com bom equilíbrio, acidez média, álcool contido, final e permanência um pouco ligeiros. Na 'promo' saiu por R$ 69,00, o que tornou-o imbatível na noite. Casou muito bem com o coelho que não tive trabalho em caçar no meio do fettuccine, e harmonizou também com o prato como um todo, massa e carne, misturados ao vinho na boca. Para algo descompromissado, os vinhos e a comida foram realmente uma ótima experiência.

Sunday, August 15, 2021

Quinta da Archeira: um vinho meio seco

Introito

Vossa excelência desperta em mim os instintos mais primitivos.
bob jeff para zé dirceu 

   Venho comentando aqui, para incômodo do leitor regular, que vivemos tempos difíceis. Quem se expressa em qualquer campo do conhecimento não pode - não tem o direito! - deixar de se manifestar sobre os problemas que nos assolam, sob pena de passar por energúmeno. Já bastam os importadores e a detratoria (sic!). Parece que foi há tempo tempo... mas passaram-se apenas dois meses quando discursei causticamente sobre as tralhas que nos governaram nos últimos 20 anos. O Japão foi completamente destruído em 1945. Em 1964 organizava uma Olimpíada! Aqui, os que pretendiam governar para os pobres assumiram seus mandatos e entregaram-nos com um número escandalosamente alto de brasileiros passando fome. Qualquer explicação já seria motivo mais do que suficiente para chamar à nossa presença a mãe de cada um desses calhordas. O que dizer, depois de mais de um ano de pandemia, economia parada, todos os meios de comunicação falando sobre as dificuldades dos brasileiros, e nem uma palavra pelos desfavorecidos por parte dessa súcia?! Você pensa em votar em algum deles? Então você é mais um estúpido dentre os muitos que andam por aí! 
   bob jeff, preso, saiu com um discurso ameaçador: A vida vai nos colocar frente a frente para que pessoalmente nós possamos resolver esse problema. Eu espero que sim, que se vejam frente a frente. No tribunal que o condenará ao limbo da história.

Quinta da Archeira tinto 2018

Outro dia experimentei uma harmonização com tinto meio seco. Conforme confessado então, fiquei surpreso com o bom resultado da prova. Vai que - a arrogância é uma m... 😮 uma... uma... uma meleca! - resolvi tentar por conta própria. Com minha nova especialidade: burgue. Considerei que a mostarda poderia competir de maneira indesejada com o doce do vinho, então tentei um burgue com apenas maionese e outro com requeijão no lugar da maio. Antes da harmonização, Quinta da Archeira mostrou fruta vermelha e mais tarde apareceu café (chocolate?). O doce não aparece na tanto boca, além daquele travo adocicado típico. Abro parênteses: sigo não tão de perto as normas de produção de tintos (mais) e brancos (menos) nos diferentes países. A de meio secos, definitivamente não. Pondero que as leis europeias para esse tipo de vinho (que seguramente definem os limites de açúcar) devam ser mais rígidas do que as brasileiras. Será? 😂 Ademais, muitas vezes o vinho suave por aqui é fruto de chaptalização (adição manual de açúcar, dado que as uvas não atingem boa maturação), enquanto muitos vinhos europeus nesse estilo são produzidos a partir de uvas mais maduras. Quinta da Archeira tem 13,5% de álcool... Não deu a menor dor de cabeça durante seu consumo, e olha que estiquei até quase 1 da manhã. Fecha parênteses. Sua acidez média parece que ajuda na camuflagem, uma surpresa. Até tem razoável permanência, com final ligeiro. Fico me perguntando se o nosso vinho suave é apenas tão mais ruim que o seco, que já é uma m... m... meleca!, e nos passa a sensação de que todo vinho suave tem a obrigação (rs) de ser muito além de ruim... Detalhe curioso: não encontrei o vinho nem no sítio do produtor! 😲 O Wine-Searcher também nada mostrou, e as referências a ele são escassas. Bem, a harmonização não se mostrou muito acertada. Ficou bem melhor com o burgue acompanhado de requeijão, mas passou algo longe de outros experimentos verdadeiramente harmonizados como os proporcionados por Enoeventos. O vinho está à venda na rede Savegnago por R$ 79,00. Não foi uma brincadeira ruim, mas dou por encerrados meus testes com ele. E não repetirei. Não há motivo. Além disso, os supermercados estão recheados de tintinhos nojentos entre R$ 70,00 e R$ 120,00 que me despertam mais a curiosidade.

Monday, August 9, 2021

Reunião da Noivas de Baco

Introito

   Com o relaxamento das regras sanitárias para encontros, a confraria Noivas de Baco começa a se reunir um pouco mais. Semana passada aconteceu, com a perspectiva de degustações a cada quinze dias, alternando a quinzena com os eventos Vinho e Turismo, que também são mensais. Desta vez tivemos seis comparecimentos: duas noivas, três vestais e este prelado que vos narra. O pessoal veio animado. O encontro foi divertido, como veremos.

Vinhos

A recepção correu por conta do já famoso (rs) Bacio Della Luna 2019, espumante italiano que o pessoal tem apreciado. Esgotado na Enoeventos, onde encontram-se outras opções mais sofisticadas (Proseccos), é um espumante básico que funciona; no vínculo acima o leitor vai encontrar sua descrição. Tímido, escolheu não sair na foto... o Gustavo - lembro bem - compareceu com o Beauty in Chaos 2017, comprado junto à Grand Cru de S. Carlos. É um corte Cabernet Sauvignon-Merlot de Washington, região que produz vinhos de muita elegância. Este é um pouco mais comum, pega na baunilha com força, mas também tem boa fruta. Boca com certo dulçor - ambos, dulçor e baunilha baixaram bem quando voltamos a ele, na segunda rodada. Acidez média, taninos um pouco pronunciados mas conjunto bom. Tem uma relação de preço cá/lá de USD 26/12, o que dá pouco mais de 2x. Com esse dóla alto, quem não reajustou muito os vinhos está apresentando preços melhores. Não fosse a desvalorização de 40% de nossa moeda, daria uns 3.5x... é só fazer as contas... 

Acho que foi a Riana quem apareceu com um Faustino Crianza 2017, de Rioja. Já bebi várias garrafas do Faustino I Gran Reserva, que é muito bom. Postei umas poucas. O Crianza, não conhecia. Não lembro-me muito bem dos detalhes, mas recordo-me de que estava redondo, bem harmonizado. Acidez e corpo médios, creio que agradou a todos. A Luciana trouxe o Rioja Bordón 2008, das Bodegas Franco-Espanholas. Estava um pouco oxidado, mas para mim, ótimo. Perdeu um pouco da fruta e os taninos estavam bem suaves, e a acidez era boa. Na boca ainda ficou algo terroso, o que chamou atenção. O final estava discreto. Pelas características, não é um vinho 'fácil', mas a experiência foi atraente. O Gustavo também gostou. A Dirlene chegou com o IGT Primitivo Primo Puglia 2019, da Torrevento. Embalado pelas conversas, não prestei tanta atenção. Lembro que estava com fruta bem evidente, mas um pouco fechado e algo doce. Não tanto quanto outros vários Primitivos, mas o doce estava presente. Finalmente, e com o burgue (sic) divinamente preparado pelo Gustavo, apresentei outra garrafa do Cedro do Noval 2015. Havia bebido um bem recentemente, e achei que seria legal apresentá-lo para a turma. Eles pareceram ter gostado, e na minha opinião casou muito bem com o hambúrguer - há experimentara anteriormente, que não sou bobo nem nada. Este repetiu a garrafa anterior. Leia a postagem sobre ele; acho que valerá a pena. Com o preço atual de R$ 120,00, é uma boa compra. A foto foi tirada pela Riana. Divertidos com os vinhos, ninguém lembrou-se de registrar o encontro. O representante do Ricardo ficou na geladeira, assim como o Jerez da Luciana; os demais secaram. Sinal evidente de que tudo esteve muito bom... 😋