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Saturday, April 10, 2021

Château L'Etoile de Clotte 2011 e a 'cidadania forçada'

Introito

   Supermercados são empresas acostumadas a trabalhar com margens baixas. Seus principais produtos são muito básicos e a concorrência é grande. Arroz, feijão, sal, açúcar, óleo (não azeite...), etc., são produtos facilmente encontráveis em qualquer vendinha de bairro e muitas vezes a vizinhança, precisando de uns poucos itens para o almoço de final de semana, não pega o carro para ir à loja de grande rede onde eles supostamente sejam mais baratos. Acontece que desde algum tempo (mais de década, se pensarmos em alguns atores de 'grandes centros', São Paulo, Rio de Janeiro), supermercados estão importando seus próprios vinhos. Antes nicho específico, a mania espalhou-se para grupos de outros estados, como a Cia Beal de Alimentos (Curitiba) e o grupo Verdemar (Minas, acho que BH). O primeiro lançou o sítio de compras Empório Festval (sic) que foi seguido pelo duvidoso (no nome) Lovino. L'ovino? Coisa frutinha... 🙄 O segundo permanece com suas operações centradas em sua própria rede, sem envolver-se com venda online. Talvez seja uma política temporária, mas tem feito bons 'convênios' com outras redes. Por exemplo, com a rede Savegnago, que tem lojas aqui em S. Carlos. Comprei, dentre muitos outros, um Il Falcone, do Rivera, por uns R$ 130,00. É um vinho de USD 20tão lá fora, e apontado pela literatura como um dos melhores vinhos de Puglia. E olha que o Dóla já tinha subido 40% naquele momento. Um parêntese: é isso aí, cara! Um dos melhores vinhos de Puglia custa, 'lá', 20 moedas. Tá, Puglia pode ficar muito atrás das regiões mais tradicionais, mas boto fé (sic) que é muito, mas muito, mas muito muito (sic!) melhor do que exemplares brasileiros de 140 moedas. Preço que não difícil de encontrar nos vinhos nacionais, aliás. Conheço muito pouco dos vinhos de Puglia. Mas aposto. Não vou publicar o que aposto. Falo no reservado.😄 Só não vou pagar 140 moedas por um vinho nacional. Sei que é jogar dinheiro fora. Mas se você foi tonto e já jogou, eu aceito entrar com um Il Falcone, e assim tiramos a teima. Só não reclame se, após o primeiro gole, eu começar a chamá-lo de tonto e a chamaria se estender pelo resto da noite. É o preço para que eu entre com Il Falcone. E tá bom, se for pior você pode me chamar de tonto. Ouvirei resignadamente.
   Vinhos, na margem modesta praticada pelas melhores importadoras do mercado (parêntese longo: entenda bem as 'mais honestas'. 'Honestidade' - abarcando conceitos de ética, boas práticas, 'exploração do mercado', e não do consumidor, não deveria ser um ponto precípuo em qualquer atividade humana. Bem, no ramo de importação de vinho no brazio NÃO É! Você acha que chamo importador de energúmeno assim, por nada? Fecha parêntese!) apresentam margem de 70%-100%. É muito, mas muito mais do que a margem apertada dos produtos corriqueiros já mencionados nos supermercados. Sinto que é uma cidadania forçada fazermos esse pensamento chegar aos supermercadistas. Tais grupos ainda não acordaram para esse fato, mas quando acordarem as importadoras tubaronas (sic) do mercado vão sentir... Neguinho vai falir. Eu acho a falência algo muito triste. Mas em alguns casos vou sim dar muita risada e erguer uma taça em brinde. Porque não costumo sentir pena de canalhas. 

Château L'Etoile de Clotte 2011

   Château L'Etoile de Clotte 2011 é um Gran Cru de Saint-Emilion. Como adverte Don Flavitxo desde o tempo que usava fraldas, Tem um monte de Grand Cru de Saint-Emilion meia boca. Verdade, grande verdade. Mas nosso mercado anda tão distorcido, mas tão distorcido, que qualquer chileno pé-de-chileno (sic) é vendido por preço superior a diversos Saint-Emilion meia boca a preço decente! Preciso ainda comentar que o mercado ficou mais louco com a alta do dóla de 40%. Depois dou exemplos. A safra '11 em Bordeaux não foi 'grandes coisas' - dizem os detratores que foi até 'grandes merdas'. Mas, pelo que andei experimentando, foi melhor que as sul-americanas 'desde sempre'. Fácil: pegue qualquer faixa de preço e compare. Sei que a afirmação pode causar polêmica. Deixemos para os comentários.
 
Château L'Etoile de Clotte 2011 abriu com uma fruta vermelha algo 'estranha'. Confesso que curioso procurei pela ficha técnica e comentários na internet, que apontaram para 'compota'. Don Flavtxo volta e meia aponta em alguns vinhos. Ainda não consegui fixar. Depois de duas horas, exibia algo como fumo, ou chocolate. Não parece ser um grande nariz, de qualquer maneira. Mas a boca... taninos presentes e bem marcados, ótima acidez, madeira integrada, cujo leve excesso precisa ter atenção para pegar e álcool (14%) entre discreto e a pegar um tantinho, compõem um conjunto que pode desafinar um pouco para o bebedor mais atento, mas está notas acima de concorrentes sul-americanos na mesma faixa de preço. E olha que - repito! - a safra '11 foi considera 'reba' pelo mundo afora. É um corte 70% Merlot e 30% Cabernet Franc muito macio e redondo, e paguei uns R$ 130,00 no Savegnago há algum tempo (2018?). Está pronto para beber. Pode durar um pouco mais, mas o momento é esse. Se encontrar por R$ 200,00 e tiver noção do que bebe, é felicidade engarrafada. Duvida que tem (por 200tão)? 

Pois é.. pena que não entregam... mas taí outra rede absolutamente desconhecida para mim que, a qualquer hora, pode tornar-se um player do mercado.

Paciência é sentar-se à beira do rio e esperar o corpo de seu inimigo passar boiando.

   Novamente, e em prol do bom costume: acho a falência algo muito triste. Mas alguns estão fazendo por merecer.