Sunday, April 26, 2026

Os 60 anos do Paulão e outras estórias

Introito: as faces da mesma moeda

Pior que se deixar enganar alegremente é, mesmo alertado, 
sucumbir à mentira, à desonra e à perfídia, por singela ignorância.
Oenochato

   Estava em um café com amigas, todos devotos de São Drogo, quando um PTlho, advindo de algures mas algo íntimo dos fiéis, senta-se e comenta uma piada acerca de crença dos bolsonéscios em alguma idiotice. Ri largo, aberto, companheiro (literalmente) e confiado de todos partilharem sua convicção. Pelo menos eles têm uma desculpa razoável, provoquei, e continuei após a resposta esperada (Qual?): Eles são idiotas há menos tempo. O caboclo calou-se, e é fácil saber do que se trata...


   Em uma sociedade polarizada idiotizada como a nossa, argumento contrário congela indivíduo com um mínimo de honestidade intelectual pego na infâmia; por outro lado, apetece o ânimo do idiota útil acorrentado à própria fé, e ele adentra a arena para enfrentar Golias sem ao menos portar uma funda, confiando na força exclusiva das mãos. Ora pois (rs!), na semana seguinte ouvi comentário equivalente, uma piada exatamente igual com sinal invertido, na boca de um bolsonéscio e retruquei da mesma maneira: A única diferença entre vocês é que os PTlhos são idiotas há mais tempo, vocês não perceberam que acreditam na mesma conversa mole pela boca de outro... e foi a deixa para o confrade sacar a espada e vir para o combate com a certeza dos ímpios quando defendem Satã acreditando pelejar pela mais sagrada ortodoxia. Essa é a percepção da população que se considera informada hoje: cada uma professa um mantra igual mas com sentido contrário ao de seus oponentes intelectuais (sic), vendo-se portadores da Palavra, senhores da boa-fé, arautos do bom, do sincero e do honesto. Assumem-se como o exército da verdade, não passam de uma turba de obtusos. Bolsonéscios e PTlhos são assim: as faces da mesma moeda, tostões de R$ 3,00; e não podendo ser mais falsos, acedem com estardalhaço sem vender uma única e singela ideia decente, digna ou honrada. A pergunta é se essa caterva deixa-se enganar alegremente ou submete-se pela ignorância.

O níver do Paulão

Numa extraordinária de quinta-feira o Paulão chegou aos 60 anos. Pensei em abrir um vinho de 1966, mas só tenho um de '67; apenas um ano, mas não vale... Procurei algo com "60" no rótulo: 60 medalhas, por exemplo, mas o exemplar disponível tinha apenas três... Considerei comprar um vinho de 60 cruzeiros, mas ponderei ser demasiada desfaçatez. Fui aos múltiplos: 15 é quociente de 60, e um vinho nessa idade viria a calhar. Pronto! Nem precisei procurar muito, 2010 foi uma ótima safra em praticamente toda a Europa, e por mera coincidência tenho alguns exemplares desse ano. Para acertar as contas, a colheita europeia acontece no segundo semestre, portanto um vinho de 2010 está chegando agora no meio dos 15 anos. Do começo... o recente interesse dos Paduquentos por brancos fez-me correr atrás de algumas ofertas, e escolhi algumas opções mais simples para introduzi-los a esse hábito. Enquanto servia a primeira taça, comentei sobre Saint Verán: uma região mais modesta da Borgonha dentro de Mâconnais, sem vinhedos Premier ou Grand Cru, com vinhos frescos para consumo jovem, embora - dizem - alguns sirvam para guarda. Alegremente frutado - o Paulão foi direto no abacaxi - e depois de deixar os confrades analisarem, emiti uma sugestão de lima em boca. O rosto do Duílio, que havia sugerido limão sem muita certeza, iluminou-se, e ele concordou. Seu buquê não resume-se a a abacaxi nem a boca a lima; tem mais complexidade a ser desvendada por narizes melhores. Château des Correaux Saint Veran 2023 mostra boca com o frescor esperado, acidez presente, um salgadinho da mineralidade e um conjunto ao agrado de todos. Wine Searcher aponta para 20 dólas, embora tenha encontrado a 14 Euros por fora. Pagamos R$ 190,00, uma boa compra pelo WS mas não tão boa em termos gerais. Não se pode ganhar todas... Com um lombo saindo do forno, servi o tinto às cegas. Paulão levou ao nariz e foi rápido: Já bebi algo parecido com isso... De fato, não foi postado mas havíamos provado um Nebbiolo da Fontanafredda há não muito tempo, uma ou duas reuniões antes. Daí ele deu mais uma cafungada na taça, aproveitou do buquê e disparou: Italiano... O Duílio não comprou a proposta e preferiu mais um de seus engraçadíssimos vacilos, além de suas opiniões políticas. O Barolo Broglio Serralunga 2010, da Azienda Agricola Schiavenza, aerado por 24 horas, chegou arrombando os narizes com notas pegadas de frutas vermelhas, couro/fumo (qual? ambos?) e um toquinho herbáceo. Boca gorda, taninos pegados, acidez média-mais, madeira discreta, integrada, álcool  adequado, comportado, e um ligeiro dulçor: uma ótima combinação para grudar nas bochechas e não soltar até o próximo gole! Para mim, vem-se tornando quase uma prática usual: ótimos vinhos, mesmo envelhecidos, abra um dia antes. 🤨 não arriscaria com Don Mechor e similares sul-americanos, o leitor prossiga nessa seara por sua conta e com discrição... (sic! rs!). É um vinho vigoroso, potente, ao estilo que gosto! Serralunga é uma comuna muito prestigiada em Barolo, e Broglio é um de seus vinhedos mais notáveis; vinhos novos do produtor (2021) podem ser encontrados por 30 Euros, e então a paciência fica por conta do comprador. Safras notáveis - como a 2010 - e devidamente envelhecidas alcançam USD 90,00, segundo o WS. Comprei há muito tempo, por algo como 3XX,00 cruzeiros (sic) na Casa do Vinho Famiglia Martini. Eles tinham ótimos preços à época, bem como uma boa variedade de opções. Atualmente parecem estar um pouco derrubados - não é de estranhar, com a crise não comentada em que vivemos - mas ainda assim encontram-se ótimos Brunellos das excelentes safras de 2006 e 2010 a preços razoáveis. Até há pouco tempo tinha alguns de 2001, algum sabichão passou por lá - não, não fui eu. E nunca é demais recomendar: confira os preços pelos do Wine Searcher. Por exemplo, o Langoa Barton 2005, ótima safra, está a quase R$ 1.700,00, o que dá 3x... não vale a pena.

   Encerro por aqui. A quem ficou esperando por outras estórias, conforme o título, lembro a postagem dos quatro vinhos onde entraram cinco: assim como aos Três Mosqueteiros juntou-se D'Artagnan, a este escriba acabou o fôlego nesta noite de domingo. Para quem chegou até aqui, meu muito obrigado! 😆

Tuesday, April 21, 2026

Espanholeto da gema

Introito: a filial do inferno

   Recomendo ao leitor uma olhada no vídeo abaixo para ele conhecer um pouco mais do Brasil, e aviso desde já: versa sobre uma tragédia ambiental, e cenas assim sempre soam desagradáveis.


   A peça mostra onde estamos. Quanto tempo demoraria um cachorro para se decompor ao relento? Imaginemos que ninguém o guardou em casa um tempo, morto, para depois desová-lo na sua. Nem o desenterrou uma vez sepultado para promover poluição tão gratuita. A IA do Google responde: de algumas semanas a vários meses. Algumas semanas: esse é o tempo mínimo para o aparecimento da ossada. Está aí a humilhação à qual os brasileiros mais pobres estão submetidos. Após quase quatro mandatos cuidando de gente, Ali Lulá ainda nos lega essa ideia de nação. Foi nesse projeto de país (sic) em que você votou? É na continuação dele que votará?

   Para aumentar a sensação de escárnio acabado e completo das autoridades constituídas para com todos os cidadãos brasileiros, informo: no dia seguinte à publicação do vídeo, lá estava o poder público tomando providências (lembre-se: foram semanas de uma carcaça em decomposição). A tragédia para a esquerda não termina assim; deputado estadual do PSB no Maranhão faz uma crítica tão sem sentido à ação do Missioneiro (sic) que ao final só colabora para aumentar a credibilidade do denunciante. Não à toa, já havia tirado o pé da esquerda em geral e dos PTlhos em particular há muito, e tornei isso cristalino em 2022 (não votava em eleições majoritárias praticamente desde 2002). Foi divertido ver meu voto de protesto para Márcio França ao governo estadual (junto com outras centenas de milhares, creio), fazê-lo pensar ser um foguete no pleito seguinte, quando concorreu ao senado. Às vezes é assim: podemos não eleger quem gostaríamos, mas um apoio bem colocado na cabeça de um energúmeno estimula sua autoconfiança, infla-lhe o ego, agiganta-lhe a soberba e seu destino acaba sendo o desejado: a lata de lixo da História. É a sina que espero para toda a atual geração da esquerda que está por aí. Só não sei onde iremos buscar novos e melhores quadros, dados os mais novos serem de longe mais incompetentes, ignorantes e idiotas quando comparadas as seus predecessores. Mas essa é outra conversa.

Um espanholeto da gema

 López de Heredia é um produtor de primeira linha em Rioja, fundada em 1877 - olhaí seu sesquicentenário chegando... Cubillo é, em seus tintos, o vinho de entrada. Corte variável de Tempranillo, Garnacha, Mazuelo e Graciano - o mais típico corte riojano, a justificá-lo 'da gema' - segue a filosofia do produtor de envelhecer seus vinhos antes da distribuição. Wine Searcher indica como 2019 a safra mais recente... ele vem pronto para beber, mas normalmente com bom potencial de guarda - a sugestão do próprio sítio é 2036... Seu preço lá fora está na casa dos 20 dólas, patamar típico de vinhos de boa qualidade. Esse exemplar aerou por uma hora e meia antes de entrar na geladeira. Mostrou fruta abundante, direta, com algum toque na linha fumo/couro, e divertiu o casal Christiane e Mauro, os anfitriões. Não conheciam-no, e gostaram muito; não lembro se a Chris mencionou um toque de chocolate. Boca agradável, equilibrada, acidez presente e madeira discreta, mas achei os taninos 'médios um pouco abaixo', esperando mais corpo. Há não muito tempo provei da safra 2016, e lembrava como aportou mais de potência, justificativa para pareá-lo com a pizza de provolone; não foi assim: o queijo passou por cima dele. Verdade, ele tem um travo pegado, intenso, e justamente a Tempranillo (junto da Merlot) é a opção indicada. Só agora, lendo no Wine Searcher para esta postagem, noto a classificação das safras: 2017: boa. 2016: excelente(!). Boas safras normalmente produzem vinhos mais longevos - de carona, eles demoram mais para amadurecer. Não saberia avaliar até onde produzem, efetivamente, vinhos melhores, no sentido de mais encorpados e complexos. Explico: produtores responsáveis, ciosos de seus nomes, não poupam esforços na manutenção da qualidade de suas criações. Se a safra não é tão boa - e '17 foi! - eles descartam uma porcentagem maior de uvas, ou pode haver mudança na escolha da levedura, por exemplo. Não sei exatamente onde mais uma safra melhor afetar a qualidade final de um vinho, mas nesse caso subestimei o embate. Fique claro, a falta de harmonização não tirou a qualidade do vinho, apenas impediu sua melhor apreciação. Ainda assim, teve bão. Obrigado à Chris e ao Mauro, e a ausência da Renata foi sentida. Teremos outras...

Filial do inferno, 2

O leitor frequente já se cansou das minhas reclamações, insistindo como os vinhos sul-americanos estão caros. A rapaziada anda se sentindo a rainha da cocada preta, carcando a bota nos preços. E não é de hoje. Também não de hoje faço comparações entre vinhos de 'cá' e de 'lá' (Europa, principalmente), desmascarando sem esforço algum o embuste da pretensa qualidade embasada em altos preços. Veja aqui, aqui e aqui sobre o tão falado Gran Enemigo. O último vínculo, inclusive, traz um embate de 'segunda linha', entre vinhos de menor preço da França e da Argentina, além de uma observação completamente às cegas pela Elvira, confrade cuja competência - por mais amadora - na avalição de vinhos ninguém põe em cheque. O presente caso - não provei, nem pretendo... - é a 'oferta' de um produto da conhecida Bodega Noemia: de mórbidos R$ 2.200,00 por meros R$ 800,00. Espera um pouco... vinho agora é como carro zero na virada de modelo? Mas os descontos não ultrapassam 15%, 20% no máximo. Será modelo de Iphone obsoleto de dois anos? Gemini nos revela ter sido de 30%, mas hoje, com cenário mais agressivo, fica entre 40% e 55%. 


   Mas ora!, bons os vinhos que conheço aumentam de preço com o passar dos anos, pois vão ficando mais prontos para o consumo. Aqui temos uma oferta onde o valor a ser pago é praticamente 1/3 do preço cheio. Na Argentina ela vale (pedem por ele...) entre 258.000 e 391.000 Pesos, mas com outros preços de 269.000 e 271.500 Pesos. Convertendo essa sequência para Reais, dá R$ 928,00, R$ 1.406,00, R$ 968,00 e R$ 977,00. Portanto um preço próximo de R$ 1.000,00 (lá!). E aqui? Encontrei entre R$ 1.000,00 e R$ 1.250,00, embora também tenha aparecido a quase R$ 2.900,00 (ta, R$ 2.600,00 no Pix - risos!). Antes importado pela Mistral, o rótulo está atualmente na Vinci - mesmo grupo. Não sei como anda eventual contrato de exclusividade, mas olhando os valores mais em conta, vemos uma paridade de preços entre Argentina e Brasil. Aqui temos uma carga tributária próxima a 60%. Novamente, fica a pergunta: por quanto saiu? (da Argentina, e para chegar aqui pela mesma quantia). Mais uma: estamos falando em cerca de 200 dólas. Alguém me explica como ele chega nos EUA e Alemanha a apenas 150 dólas? Só reforça a pergunta: saiu por quanto? (da Argentina).


Achou que terminaria por aqui? Sabe de nada, inocente! A mais nova oferta da praça é o Viña Bujanda Crianza 2021, a 700tão na caixa com seis. Dá R$ 117,00, porcada! Não sei por qual cazzo de coincidência a mesmíssima safra dele está a R$ 212,65 na Mistral (se disser que falou com o Enochato, sai por R$ 212,00). Quase fechei cinco caixas, sem pensar, mas... aí, pensei... Wine Searcher nos mostra a €6.95 na rede espanhola Decantalo, ou entre USD 12,00 e USD 13,00 nos EUA. Ainda assim dá menos de R$ 70,00. Bem, 7 Euros dá R$ 41,00, fazendo da oferta de R$ 117,00 quase 3x, e do preço regular, 5.2x(!). Certos pulhas defendem margens das importadoras de 3x. Onde estão eles agora?! Percebemos facilmente: como na política, é fácil ser enganado por trambiqueiros. E a pergunta lá vale aqui: honorável consumidor, você aceitará essa trapaça quieto? É esse o país que você sonha em viver? Não compro uma única garrafa sem antes comparar seu preço aqui com o praticado lá fora. E digo: 2x é um limite mais do que razoável para pagar. Mesmo com o mega-vilão Taxad espreitando-o no quarteirão mais próximo a você.

Como se o blog não tivesse credibilidade...

Valores de Noemia na Argentina






Valores de Noemia no Brasil




   A 'oferta' de Noemia


Valores de Bujanda Crianza fora



Valor de Bujanda Crianza, preço cheio


Bujanda Crianza na 'promo'



Monday, April 13, 2026

O vinho 1x6 e a escala 6x1

Introito

Só existe uma vergonha maior que a própria:
aquela advinda da sua classe, clã ou guilda.
Oenochato


   O país está mergulhado no caos, faz tempo. Nosso último GPN (Grande Projeto Nacional) era, se não me falha a memória, estocar vento. Ideias rasas são apresentadas à plebe ignara como a salvação nacional - e sempre chegam acompanhadas do mesmo bodum que emana da situação geral de um país falido como o descrito em Não Verá País Nenhum, atualíssimo passados 45 anos. 

   Há não muito tempo (como anda?) o must era o cazzo da PEC 8/2025. A ideia em curso é bem simplista: vamos desocupar (de trabalho) o pessoal mais simples, podendo evoluir a até 4 x 3 (trabalho de segunda a quinta, descanso de sexta a domingo) e o empresário arca com mais essa obrigação, pagando pelo capricho do Estado.


   Pergunta clara: de que adianta gerar empregos de baixa qualidade, que em breve serão suplantados por robôs e pela inteligência artificial? A alternativa à PEC é clara: ...a solução são políticas públicas para melhorar a produtividade do povo brasileiro e aí (sic) ele vai conseguir receber mais e trabalhar menos. Não há qualquer mérito nessa proposta, de tão modesta! O problema é ela ser usada para estraçalhar o conceito basilar de um irmão de trincheira (rs! sic!) que é retratado com assertividade pelo antagonista por um palhaço. Como posso defender minha ala quando suas ideias são tão facilmente derrubadas e embrulhas prontas e acabadas para seu destino necessário, a lata do lixo? Desses conceitos cretinos tem vivido a esquerda, e seu maior efeito é transformar nossos opositores em pessoas até mais sensíveis e melhor preparadas para enfrentar os problemas nacionais. Note: melhorar a produtividade não apenas renega a escala 6x1; enfatiza a necessidade para nos tornarmos competitivos globalmente.


   A imagem acima comprova o ponto de vista e diz tudo: nossa competitividade chega a apenas 25% de profissionais mais estudados e melhor treinados, enfim, mais produtivos. NAP e sua turma tiveram 20 anos para operar essa transformação, e falharam miseravelmente - fora os escândalos. Então é assim que somos: (sic)

e é assim que continuaremos a ser, se ficarmos reféns dos projetos esquerdopáticos (sic) que vêm dominando o país nas últimas administrações. Em tempo: não é qualquer porcaria igualmente sem propostas e pendurada na indulgência de uma justiça prestes a conhecer o cadafalso - no imaginário de milhões de cidadãos de bem - que vai contribuir para o debate (volto ao assunto depois). Assumo o apoio às propostas deste rapá e sua turma. Eu, não tendo herdeiros, poderia estar pouco preocupado com o país. Poderia... não é o caso: continuo eterno devedor da sociedade que proporcionou-me estudo gratuito de alta qualidade na melhor universidade do país. Não mudarei de lado - não deixarei a esquerda, apesar dos esquerdopatas - mas não deixarei de apoiar um projeto de país moderno, ousado e competentemente proposto; ele está aqui e posso dizer que é tudo isso: li os seis volumes, e não carrego dilema moral em render-me a ele. Uma nação se faz (também) como pessoas corajosas a ponto de admitir sua derrota e trabalhar em prol dela. Chega de carregar a vergonha da minha classe, clã ou guilda.

Vinho é poesia, poesia é Verso...

Recebi da minha sobrinha o convite para almoçarmos no último domingo. Por entrada, Bruschetta de pepperoni e mozarela, seguida de macarronada ao molho sugo. Precisava de algo para combinar com isso, e nem foi difícil - embora a sorte tenha ajudado. Ora bolas, queria levar algo legal, e um exemplar eu sabia de antemão ter potencial para a elegância: o Chateau Haut Batailley Verso 2018, comprado há nem tanto tempo. Historicamente o Château Batailley foi classificado em 1855 - junto de outras 17 casas - como um Quinto Vinhedo. Comprado pela família Borie em 1932, foi posteriormente dividido em Batailley e Haut-Batailley. Por alguma brasileirice - o franceses gostam deu uma, e as estórias sobre os Cru Bourgeois estão aí - ambos permaneceram com o status de Grand Cru Classé. Uma coisa eu não sabia: o  La Tour L'Aspic era seu segundo vinho, homônimo da torre construída no Chateau Haut-Batailley em 1875. Ele simplesmente cedeu lugar ao Verso, que eu acreditava ser o terceiro vinho da casa. Fraquejo onde (e quando) dá; na hora da verdade podem ficar tranquilos que não farei como a franchona que vota da forma contrária a seu discurso e depois vem com repugnante desculpa de ter se enganado... duas vezes! 

   Ficarei com as palavras da Manu na avaliação do vinho: "morango, blueberry e caramelo provendo um toque de fundo". Sim, tinha riqueza de fruta no nariz, com mais alguma nota - o caramelo sugerido? não consegui identificar. Boca beneficiada por boa acidez e taninos médios, combinando bem com o pepperoni em rodelas e com ele na Bruschetta, e não fez feio com o queijo também. Ficou melhor com a macarronada com frango ao sugo, pois tem corpo médio e penaria um pouco para escoltar um bifão pegado como uma picanha. Não, bifão não é para Verso. Mas mostrou boa permanência em boca, e gostei desse detalhe. O mais curioso aconteceu quando perguntei para a Manu sobre as uvas. Ela estava só e desamparada: os últimos vinhos que bebemos foram português, espanhol, italiano... cafungou, pensou um pouco e sugeriu ter Merlot(!), comentando da delicadeza da cepa. É isso mesmo! O corte é Cabernet (majoritário) e Merlot. Já comentei sobre a expressão das uvas de acordo com o lugar; as uvas bordalesas, em Bordeaux, exibem toques delicados a ponto de bebedores primeiro-mundistas de vinhos não reconhecê-las. Para orgulho do tio (rs), a Manu saiu-se muito bem ao identificar uma delas. Como escrevi há pouco, o vinho pelo vinho em sua expressão acabada! 

   Paguei R$ 280,00, há algum tempo. Um ano? Compra conjunta, fiquei só um um garrafa, e lamento... Por aí está de R$ 570,00 por R$ 380,00 na safra 2020. Seu preço lá fora (safra '18) é de cerca de USD 30,00, algo como R$ 180,00. O preço sem desconto dá 3.1x: tubaronice pura. Na 'promo' dá 2.11x, o limite do limite.




   Não é um vinho cujo custo aqui esteja 6x como propôs o título da postagem. Toca o articulista se desdobrar... tomemos o La Dame de Montrose, segundo vinho do Chateau Montrose, um Segundo Vinhedo da classificação de 1855. Não é difícil encontrá-lo lá fora a USD 35,00, R$ 264,00 calculando um dóla a R$ 6,00 (está R$ 5,00). 


   Por aqui não é difícil (sic) encontrá-lo entre R$ 1.035,00 e R$ 950,00, o que dá 3.92x e 3.59x. Certo, ainda não é 6x... Bom, escolha pagar mórbidos R$ 1.998,00... isso dá 7.57x, até acima do 6x da canção... O leitor pode interpelar-me: Mas no Elite sai por R$ 999,00! Bom... você precisa pagar uma joia de R$ 1.425,00 para então poder usufruir (sic) de uma margem de 4x nas demais compras. Nem se comprar um Bolsonéscio (pai ou filho) pelo preço que ele vale e vendê-lo pelo valor que ele acredita valer dá pra fazer um negócio tão bom (para quem vende, claro...). Bom, errei na proporção, deu 7 x 1. A partir da próxima semana, sábados e domingos cancelados; passemos a trabalhar todos os dias sem descanso. Só assim conseguiremos gerar dinheiro para pagar os impostos da carga tributária que se avoluma ano após ano. Chega! Só idiotas completos e acabados não percebem a urgência na mudança de curso. Para esses - idiotas mesmo - recomendo beberem cachaça. É o que poderá anestesiar suas mentes entorpecidas por anos e anos acreditando em mentiras se questioná-las.

   Como se precisasse...







Saturday, April 11, 2026

Quatro vinhos e as Quatro Liberdades de FDR

Introito

A democracia tem custo, e ele está no que precisamos ouvir 
para separar as pessoas boas das ruins.
Oenochato

O Discurso sobre o Estado da União é na verdade um relatório, exposto anualmente, normalmente entre janeiro e fevereiro, pelo Presidente norte-americano a seu Congresso. Ele comenta as condições do país, apresenta sua proposta legislativa para o mandato em curso e enuncia prioridades nacionais. Exemplo de organização; não nos faria mal copiar. Corria o Ano Santo da Misericórdia de Nosso Senhor de 1941. O Lend-Lease Act só seria assinado em 11 de março, mas em 6 de janeiro, antevendo o recrudescimento da guerra e já tendo adiantado que a América seria o arsenal da democracia, F.D. Roosevelt expunha suas ditas Quatro Liberdades: liberdade de expressão, de religião, de viver sem necessidades e de viver sem medo. Desde há muito vemos humoristas sendo condenados em tribunais justamente por exercer a primeira das liberdades; já escrevi a respeito. Amigos juristas temem que eu sofra algum processo por diversas opiniões publicadas neste espaço. Na falta da primeira liberdade, pessoas que bem me querem são oprimidas pela ausência da quarta autonomia, viver sem medo. Concordo: a liberdade de religião segue relativamente intocada - os evangélicos sempre na berlinda, na opinião dos espertos -, mas a liberdade de viver sem penúria não tem se concretizado, a despeito de quase 20 anos de NAP e sua turma no comando da nação. A liberdade de expressão vem sendo solapada pelo STF quando o bloqueio de contas em redes sociais (dentre outras ações) intimida e restringe o debate público. Alega-se respaldo legal para tais atitudes, ou pelo menos essa foi a interpretação dada pelos próprios Juízes a alguma lei. Não importa. Ao valer-se dessa prerrogativa, por mais legal, nosso Supremo parece ter subvertido de uma tacada só todo o pensamento ocidental sobre igualdade entre os poderes - a base da democracia - pois aparentemente legislou sem ter poderes para tanto. Imagine se alguém aparece das massas dizendo ser necessário impixar todos eles, de uma só vez, com direito a cadeia depois do devido processo. A justificativa está dada acima; carecemos da personagem. Ela falta, mesmo? Em nossa atual Câmara e Senado (embora a responsabilidade seja do último) encontraremos tal bravura? Nem debaixo da cama, diriam alguns humoristas - sob risco de prisão. Não sinto vivermos, nós brasileiros, em uma democracia. No dia em que puder ouvir de um cidadão, em alto e bom som, sem ele sentir medo de processo ou repressão, que na casa dele não entra preto fedido, viado almiscarado nem judeu (ou árabe) cafajeste, então sim, sentirei o sujeito soberano em meus direitos. É muito mais fácil para todos quando as pessoas pronunciam-se sem filtros, e não se trata de validar o ódio, mas de trazê-lo à desinfetante e pungente luz reveladora dos preconceitos de cada um. A peneira, pois, estará na ação; uma pessoa que invocasse qualquer um dos enunciados acima jamais entraria na minha casa, e muito menos gozaria da minha amizade. É claro, injúrias devem ser tratadas na esfera penal; aumentar a pena pode trazer melhor punição aos tagarelas em tempos de redes sociais de amplo alcance e repercussão. A democracia tem custo, e ele está no que precisamos ouvir para separar as pessoas boas das ruins. Já passou o tempo de restaurarmos as Quatro Liberdades das quais um dia gozamos. Alguns uma vez no comando invocariam ser necessário montar um cadafalso. Não concordo. Mas não moveria um dedo contra, com medo de ser preso. Poderes arbitrários acabam nos transformando em pessoas cautelosas...

Quatro vinhos

   O tempo passou, a pedra no rim a atacar-me o corpo e o espírito com a força e vigor de um anão da Terra-Média parou na tecnologia de um laser e, dentre outros problemas, o blog anda devagar. Faz parte da vida, cujas vicissitudes vão-nos minando mais ou menos, conforme permitimos. Preciso revoltar-me contra isso...

Há algum tempo queria passar uma lição na Paduca. Digo, aportar-lhes sem prévia dois vinhos para tirar-lhes o chão, balançar-lhes a percepção, apresentando-lhes outra visão, abordagem e direção dentro da trilha que vêm galgando desde nossos primeiros encontros. Servi-lhes o primeiro, e notei os cenhos franzidos. Sua qualidade foi imediatamente celebrada, e suas notas devidamente identificadas: muita fruta na frente, com mais toques de tabaco ou chocolate, e medicinal segundo algum Paduquento; bom corpo (médio), acidez agradável e ótimo 'conjunto'. Adiciono final elegante e permanência, dignos de um vinho admirável no auge. Alguém chutou italiano, mas foi isso, um chute. Não deixou de ter razão. Para minha completa satisfação sobram-me os últimos exemplares de Korem 2015 para compartilhar aqui e ali. Faltarão garrafas... 😔. Da segunda botelha, os elogios vieram logo na prova do buquê: igualmente rico, frutado em primeiro plano com toque herbáceo no fundo. Boca equilibrada, também de corpo médio, acidez presente, equilibrada, boa persistência... os rapazes se entusiasmaram com o Fonterutoli Chianti Classico 2019, mesmo sem perceber o serviço correndo livre três horas antes do início da reunião. Da minha parte percebia Korem tocando o terror pra cima de Fonterutoli enquanto os confrades dividiam-se nas opiniões. Foi divertido observá-los batendo cabeça com o a sugestão de "O Carlão não colocaria dois italianos de uma vez", opinando um ou outro terem tal procedência. Sempre digo, e repito: O vinho pelo vinho! Não pense em quem serve, não mire a garrafa, não procure a rolha, olhe para a bebida! Acidez e açúcar, principalmente; esta última aporta dicas importantes, quase sempre: um melaço, à cana de açúcar? Sul do Rhone, quiçá. O dulçor mais discreto, sutil, marcado? - e o leitor não pode confundir com o açucarado de porcarias sul-americanas fedendo à goiaba -, quem sabe, Alentejo. Um tipo muito específico de cereja (é preciso aprender a reconhecer)? Toscana. Não conheço muito além disso, mas oras, estão aí os pontos para leitores de melhor nariz começarem a se tocar e aprender; sigam em frente, desvendem, divirtam-se! 


   O valor de Korem já foi discutido exaustivamente, e a reflexão mais importante está aqui. Como atualização, a safra 2019 esgotou na Enoeventos a mórbidos R$ 479,00, muito distante do R$ 245,65 pagos anteriormente - confira no vínculo! - mostrando a recente inclinação à tubaronice da importadora. Mas se olhar com atenção tem alguns espanhóis antigos a preço razoável - desconto, encerrado, desde a última vez que olhei. Note: razoável, não mais. Ponto bom: prontos pra beber. Dica: o nome do produtor começa com "B". Voltando: Fonterutoli não apresenta-se em melhor situação. Trazido pela Grand Cru e pela TodoVinho, que se não me engano é o braço internético (sic) da Casa Flora, está na casa de R$ 300,00, para 20 dólas lá fora. Algo como 2.5x, acima do aceitável; existem compras melhores, não direi de Chiantis, mas de vinho. Lembrando o ditado, quem não tem cão, caça com faisão. Esse exemplar foi-me trazido do Paraguai por um amigo que nem bebe, mas passava uma semana no sul e tinha cota de frixópi sobrando. Valeu, Edu Amaral!

Para rebater a uruca considerei um banho de descarrego com sal grosso e ervas aromatizadas, mas desisti; sal grosso, só na picanha. Pensei no uso de um defumador de incenso e mirra - pela ação cicatrizante da última -, mas bem... já tinha sarado e talvez não valesse a pena gastar tiro à toa. Ainda matutei valer-me de cristais de turmalina negra cuja proteção contra mau-olhado, chifre (como se me preocupasse) e vibrações negativas é amplamente reconhecida até pela Ciência, mas ora... estou imune a chifre, portanto descartei também. Só restou uma saída, e com a Liu responsável pela comida, convoquei a Luciana a comparecer com um borgoinha. Para uma autêntica purificação, só um borgonhão dos nervosos... então não hesitei em dar uma aliviada na minha Prateleira Celestial, que agora reclama a devida reposição. Virá (espero...). Rully é uma comuna de Côte Chalonnaise, por sua vez localizada ao sul de  Côte d'Or, nos informa a Wikipedia. Não conta com nenhum vinhedo Grand Cru, mas abriga 23 Premier Cru para alegria e satisfação de muitos e para oposta inveja e humilhação de outros. A Maison Jaffelin é considerada por alguns como a menor das grandes casas da Borgonha, reputação calcada em produção artesanal de ótima relação custo-benefício. Primariamente um négociant, consegue uvas de vinhedos Grand Cru de prestígio e possui alguns vinhedos Premier Cru. É presentada pela Chez France, importador que infelizmente, de um momento para outro, e sem maiores (rs), virou uma tubarona: duplicou os preços de maneira geral, e fica o tempo todo promovendo ofertas com 50% de desconto. Tenho muitas notas fiscais de compras passadas para comprovar isso. E, para completa tristeza, as 'promos' de hoje estão aquém dos descontos de 20% de antigamente. Tecnicamente parece ser Rouge, mas também um AoC. Para mim, Rouge seria um vinho composto por uvas de qualquer lugar da Borgonha, enquanto um AoC seria confeccionado a partir de uvas com localização demarcada: Rully, por exemplo. Preciso consultar as fontes... 😠 Por onde andará Don Flavitxo? Bem, Jaffelin Rully 2020 chegou com fruta elegante e bem marcada na frente e mais notas em segundo plano para bons narizes - não lembro se as meninas apontaram algo. Como se espera de um bom Borgonha, sua acidez firme e elegante - mesmo para um AoC - estava bem presente e conferia-lhe um toque alegre, fácil de desfrutar para um admirador da região. O problema é que para competir com ele levei um Dugat-Py Gevrey-Chambertin Cuvee Coeur de Roy Tres Vieilles Vignes 2009. Seria claramente uma competição desonesta - mas nem era uma disputa; lembre-se, era um descarrego! - colocar um produtor considerado de primeira linha representado por um dos melhores vinhedos da Borgonha contra qualquer outro artesão que não igualmente favorecido. Repito: não era uma peleja do diabo com o dono do céu (rs); antes, um momento de descontração em que a evolução em espiral de nossa bebida predileta apenas coroou um encontro de  conversas, risadas e instantes de contemplação quase bacântica diante do mais puro estado da arte enoica. Voltando: havia lido sobre uma combinação notável para esse vinho, um boeuf bourguignon. Nem gastei muito tempo, joguei a sugestão para as meninas sem perceber ser esssa uma receita trabalhosa. Para completa sorte, a Liu abraçou a ideia e começou os primeiros preparos no mesmo dia - é demorada! Não deixei por menos: abri a garrafa às 10:00 daquela noite. O que dizer de um vinho de primeira, devidamente aerado, com uma comida apropriada? É a prescrição perfeita para a felicidade em seu estado mais puro, o bem-viver exponenciado e a alegria da vida expressa nos passos saltitantes do fauno em nossos sonhos mais delirantes. E sim, como ele estava rico! Frutas! Frutas delicadas em meio a um oceano tânico elegante e majestosamente casado com excelente acidez. Pouco de aspectos terciários, indicando bom tempo de guarda à frente, e ainda assim redondo em boca, madeira presente mas discreta e belíssima persistência. Ah, Borgonha, por isso te amo tanto! 😍 Beba dessa safra agora ou nos próximos 10 anos. Esse vinho nem é um Premier Cru - embora digam por aí que está em nível similar aos melhores de Gevrey-Chambertin - e é caro, algo como USD 200,00, atualmente, lá fora. Mas é o preço a se pagar por um bom Borgonha (foi menos, há muito tempo).  O bebedor pode escolher um vinho desses e pensar em faunos, felicidade, sétimo céu, ápice do êxtase ou procurar a fada azul imersa no Absinto de USD 15,00... sem qualquer demérito à bebida. Como ainda estou na fase mais delicada da vida, prefiro abrir a carteira, sobreviver a alguns hot-dogs durante a semana e então provar um desses no sábado... Seu preço por aqui está superior a 2.5x (R$ 3.100,00), na importadora 'oficial', a Mistral. Mas a safra é a 2019. Pela estrutura, principalmente taninos, não acho adequada para degustação imediata; certos vinhos precisam de aging... aquele processo contínuo e natural de progressão que nenhuma taça superpoderosa poderá proporcionar. Mesmo satisfeita, a Luciana saiu feliz mas jurando vingança (risos!). A estas alturas já foi e voltou da África do Sul com diversos generais na mala, à procura de uma desforra. Que venha...

Minha sobrinha Manuele (rs - prima em segundo grau) chega em S. Carlos para um doutorado em computação. Primeira na prova de mestrado, estimulada pelo orientador prestou o exame para "doutorado direto" e... passou em primeiro lugar, para orgulho do tio. Conto isso de pescoço empinado porque ela é outra adoradora de Baco que agrega-se à veneração dessa deidade neste último ponto do trem do velho-oeste da região central do estado povoado por bocas-tortas cultivadas há décadas à custa de sommerdiers locais especializados nas mais profundas, tortuosas e dementes técnicas de empurrar chinelos chilenos, argentinos, uruguaios e nacionais para as gargantas de idiotas abastados crentes na força da produção local. Já escrevi: tenho um dever moral de beneficiar a sociedade cujos impostos financiaram minha educação no terceiro grau, e venho por meio desse pacto não juramentado cumprir minha obrigação de alertar essa mesma sociedade acerca do engodo à qual está submetida: compare europeus básicos com sul-americanos de alta gama (sic), principalmente esses de R$ 200,00 por R$ 99,00, sanfonada que mal traz o produto a seu valor razoável, com boas compras de europeus. Campoalto Chianti Classico Riserva, da Tenuta Casuccio Tarletti, é um exemplo. Paguei R$ 110,00 numa 'promo' - a safra ficou no contrarrótulo - e ele bate sul-americanos de R$ 150,00 já com o devido desconto. A força (rs) do italianinho está calcada nos bons taninos da Sangiovese e na estrutura razoável (na média de USD 15,00), com toques frutados característicos de vinhos mais novos, apresentando relação custo-benefício eficiente. Faltou sim um pouco de acidez, mas nesse valor, para um vinho de dia a dia, é muito satisfatório pelo conjunto. É claro que comparado a outros Riservas de melhores produtores com vinhedos de maior qualidade ele passa vergonha, mas nesses casos o custo também é outro. Encontrando por cento e pouco, compre e beba. Está pronto.

Falei 4 vinhos no título, mas citei cinco. Ora, assim como aos Três Mosqueteiros juntou-se D'Artagnan, por qual motivo o leitor haveria de reclamar? Na Era de Informação, saber nunca é demais.