Showing posts with label La Chablisienne Chablis Premier Cru Côte de Léchet 2016. Show all posts
Showing posts with label La Chablisienne Chablis Premier Cru Côte de Léchet 2016. Show all posts

Sunday, September 12, 2021

Quando a harmonização funciona I : brancos

Introito

Acabo de conferir o resultado das manifestações democráticas marcadas para hoje. O resultado parece ter passado longe da expectativa. Uma pena. Como é de se esperar, o lado contrário aproveita-se. Amigo bolsonésio envia-me comentário de um fedelho que foi banido de uma plataforma de xadrez online por evidente trapaça e depois precisou distorcer a realidade a ponto de fazer o Gilmar Mendes parecer um amador, na tentativa de explicar-se. É curioso que ele una-se a alguém de também defende um corrupto e ladrão que está solto porque a lei foi alterada para soltá-lo, mas que nunca conseguiu provar sua inocência. Tenho escrito (não aqui, no uatizápi): na minha turma estão Caxias, Rui Barbosa, Ulysses Guimarães... e na sua, quem estão? Lula? Os donos das grandes construtoras que fizeram acordos com a justiça, e devolveram bilhões ao tesouro nacional? Ei, o que foi que aconteceu? Eles foram achacados pela justiça ou só devolveram o que tinham levado na maciota? Estamos tão desmoralizados que de repente não posso dar essas ideias... alguém vai aparecer com esse argumento, e ainda teremos que devolver o dinheiro para essas construtoras... dinheiro que portanto entrará devidamente esquentado na conta desses ex-delatores...

Um encontro harmonizado

  Don Ghidelli ameaçou fazer jus à sua fama de sommelier de primeira linha e convocou a caterva para um jantar em sua casa. Fez o óbvio, o que nos dias de hoje precisa ser tomado como grande acerto. Bem... ele apenas anunciou o cardápio em detalhes e com antecedência, para que pudéssemos levar vinhos de acordo.
  • Camarão salteado com mascarpone ao alho-poró. 
  • Polenta na pedra com paleta assada com ervas e molho.
  • Sobremesa de torta cream cheese com frutas vermelhas.
Don Flavitxo e eu comparecemos com dois brancos às cegas. Ambos combinaram à perfeição com o camarão. São harmonizações praticamente infalíveis, embora uma delas tenha me surpreendido. Meu vinho foi servido primeiro. Todos - Ghidelli, Márcia (sua esposa), Flavixto e a Neusa mataram que era um Chablis. Notem bem: não disseram 'Borgonha'; disseram Chablis. Era um La Chablisienne Chablis Premier Cru Côte de Lécht 2016, vinho da cooperativa mais respeitada da Borgonha, com toques de frutas brancas (Neusa), ótima acidez, mineralidade característica - o que de fato permitiu aos bebedores mais experientes cravarem a procedência - boa permanência, ótimo final. O segundo vinho causou ótima impressão entre os convivas. Da minha parte, gostei muito. Chutei que poderia ser um Sauvignon Blanc, cepa que não conheço muito mas que tenho apreciado também por culpa e graça de Don Flavitxo. Mas não tive maior inspiração para imaginar de onde seria. Quem rasgou o verbo foi o Ghidelli: frescor e mineralidade decorrente de climas quentes, provocando aromas frutados e muito refrescante, com ótima acidez e permanência. Para mim é um português. E era mesmo! Tapada do Chaves branco 2018, um corte de Arinto, Antão Vaz, Assario, Tamarez e Roupeiro, é desses vinhos que entrega. Mesmo. Encheu a boca, o nariz, combinou muito bem com os camarões e foi aclamado. Tem um preço cá de R$ 290,00, e um preço lá de 20 Euros (R$ 130,00). O preço aqui está um pouco mais de 2x, o que deve ser considerado muito bom. Côte de Léchet custa lá cerca de 35 dóla, e comprei aqui, em 'promo' por pouco mais de R$ 200,00, à época. Hoje, sem 'promo', sai por uns R$ 420,00. Aí salga...

Saturday, September 12, 2020

La Chablisienne Chablis Premier Cru Côte de Léchet 2016

File failed to load: https://cdnjs.cloudflare.com/ajax/libs/mathjax/2.7.2/extensions/MathMenu.js

Introito

   A Borgonha é uma região vitivinícola que estende-se, de norte a sul, entre as cidades francesas de Dijon e Lyon. A ordem de monges cistercienses já estava estabelecida ali lá pelo ano 1.100. Ramo dos Beneditinos, eles seguiam o preceito máximo de São Benedito, seu patriarca: ora et labora (reze e trabalhe). Claro, muitos mosteiros tinham como labor o trabalho nas vinhas, meticulosamente cuidadas, para que pudessem colher as melhores uvas e consagrá-las ao bom Deus em suas missas diárias. Logicamente o excesso - uns 99%, acho - acabava por ser consumida fora dos cultos religiosos. Eu decididamente não estou disposto a enfrentar uma situação como a dos heroicos jornalistas do Charlie Hebdo em 2015, de modo que atento o leitor para o meu acho, no parágrafo anterior... Eu posso estar errado. Mas acho que não... 🙃
   A principal cepa branca de Borgonha é a Chardonnay. Em alguma região perdida (Saint-Bris) cultiva-se a Sauvignon Blanc, e em algum lugar mais perdido ainda, há espaço para a Aligoté.
   Chablis está dividida entre várias regiões Premier Cru e Grand Cru, além, claro, das regiões mais simples. Uma boa fonte de informações para o iniciantes está aqui. O Chablis é normalmente um vinho seco, fresco, bem mineral e com boa acidez. Em suas versões mais simples deve ser consumido jovem, mas as produções mais sérias, nos melhores vinhedos, podem precisar de uma década para atingir o ápice, e manter-se por igual período. 

La Chablisienne

La Chablisienne é a maior e mais séria cooperativa da região. Fundada em 1923 como Société Coopérative La Chablisienne, conta atualmente com cerca de 250 cooperados que produzem vinhos de uma extensa gama de regiões e vinhedos específicos. É tida como a melhor relação custo-benefício de toda Chablis. Seu sítio é bem estruturado, e pode ser apreciado aqui.

La Chablisienne Chablis Premier Cru Côte de Léchet 2016

   Côte de Léchet produz vinhos Premier-Cru, significando uma qualidade bastante elevada. Não é o topo da excelência, mas é o suficiente para assegurar que a América do Sul precisará estudar (e rezar, e trabalhar...) por mais 200 anos se aspira atingir nível próximo. E na minha opinião ainda assim não vai... Mas bem, Côte de Léchet tem uma corzinha na qual não dá pra creditar, olhando meio longe, a menor qualidade. É quase transparente...  água com um pózinho para deixar mais turvo... (sic).  Aí vem o nariz, e o sujeito precisa se arrumar dentro da camisa. Bem floral, maçã por cima e algo mais que não identifiquei. É um dos problemas da pandemia: em confraria, os confrades sugerem outras notas, e de repente nosso cérebro faz a conexão. Sozinho, ficamos pensando: mas o que é isso, mesmo? 
A boca também é bastante boa: fica bem marcada, traços de limão são os mais evidentes. Boa persistência, acidez muito presente, muito frescor. Combinou muito bem com lombo canadense, com peito de peru, com Briê e com salsicha de vitela. Comprado em 'promo'(ção) no ano passado, a R$ 160,00, é outro exemplo de felicidade engarrafada que apresento no blog. Fazendo jus, dentre o que experimentei em bastante tempo, a até R$ 200,00 ('promo' ou não), é de longe o exemplo mais perfeito, completo e acabado de felicidade engarrafada que já analisei. Duro é pagar seu preço cheio, atualmente na ordem de R$ 380,00. Aí não... 

Provocando (como sempre), se formos comparar com um Sol de Sol - venderam-me certa feita como "El mejor Chardonnay de Chile", a USD 32,00 lá, a atualmente a R$ 300,00 aqui, então por R$ 380,00  Côte de Léchet está barato. Claro que não é assim. Sol de Sol é que não vale mais do que R$ 50,00 (posto aqui), e, enfatizo, isso porque eu simpatizo muito com o Chile em geral e com Sol de Sol e particular, o que exacerba minha generosidade (mas não minha capacidade analítica!), e acho que alguns brancos chilenos são infinitamente melhores que os tintos, proporcionalmente falando. Qualquer centavo acima disso deve-se ao marketing e a consumidores desavisados e desprotegidos. Existem dezenas de vinhos ao estilo e qualidade de Sol de Sol mundo afora - daí minha generosidade em simpatizar com ele - mas são poucos, muito poucos, os que rivalizam com um Chablizinho como  Côte de Léchet, que tem uma produção minúscula. O mundo tem 8.000.000.000 de consumidores em potencial. Vinhos equivalentes a Sol de Sol são muitos. Equivalentes a Côte de Léchet, são bem poucos. Entenda-se por que este pode custar mais. É mais com menos como o Chuck Norris: ele pode dividir por zero...