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Monday, March 18, 2024

Uma semana triste

Introito

No dia 13 passado tivemos mais um encontro no Shot Café/Vinho, com apresentação de uma viagem ao Egito pelo viajor Eduardo, da Caminhos do Turismo. Não bastasse, era aniversário dele. A surpresa para todos chegou quando o Edu começou a tentar nos dizer, com olhos embargados, parando de tanto em tanto para tentar conter a emoção, que preferia nenhuma manifestação mais efusiva pela data; ela estava eclipsada de maneira indelével pelo estado de saúde crítico da mãe de uma de nossas queridas confrades. Ela veio a falecer na sexta-feira, e infelizmente a distância a separou de nós todos. Ficam nossos melhores sentimentos - não apenas os meus, mas de todos os participantes do encontro, que manifestaram sua solidariedade sem mesmo conhecer a confrade.

A degustação das Arábias

Bem, a degustação não foi das Arábias, mas do Egito, embora o Edu tenha passado ali por perto também. Mas tinha camelo, o que por algum motivo dá-me um quê de Arábias... Os vinhos não foram de lá, apenas o assunto rondou esses lugares. Começamos com dois brancos, mas lembro-me de somente um: o Corte del Golfo Coda di Volpe Irpinia 2020. As coisas complicam, aqui. Coda di Volpe - Rabo da Raposa - é o nome da invulgar cepa branca da região da Campania, na 'canela' da bota. Infelizmente foi servido em uma taça desajeitada, e meu nariz estava algo ruim no dia. A mulherada estava afiada: alguém disse ter mel - segundo a ficha técnica, tinha mesmo. Ainda cravou-se outra expressão corretamente, não lembro-me qual. Sem acidez, não chamou-me a atenção. Tivemos um Brumes de Gascogne Merlot e Tannat 2021, localizada no sudoeste da França - mais ou menos fica abaixo de Bordeaux, em direção à Espanha. Pega um pouco mais das terras à direita também - lembre-se: Bordeaux fica próximo ao Atlântico; o sudoeste vitivinícola desce em direção da Espanha espalhando-se para o interior, a leste. Essa região é caracterizada, dentre outros detalhes, por ser o lar da Tannat e da Malbec na França, em comunas distintas. Brumes de Gascogne é um pouco ligeiro, leve, e novamente a mulherada notou (e acertou) cereja. Alguém ainda mencionou a cepa. Os homens ficaram como avestruzes. Achei que casou com pizza, mas aprecio mais vinhos de maior corpo; pode ter seu público e apenas este Enochato não faz parte dele. O Castello Di Querceto Rosso Toscana 2020, com melhor corpo, agradou. Se não me engano o corte Sangiovese, Syrah e Merlot é produzido em Chianti, e Querceto acaba rotulado como IGT pela presença da Syrah - até onde sei a Merlot foi permitida na DOCG, mas não a Syrah. Tinha fruta evidente, e outras notas; boca um pouco mais pegada mas faltou um teco de acidez para dar graça à composição. Tinha outras expressões, mas acabaram passando.

Esticando na adega do Enochato: erros que foram acertos

Apesar do infortúnio anunciado, a data ainda era comemorativa. Convidei os presentes para esticarem a noite. Fui à pizzaria, duas quadras dali, encomendar uma única peça, e quando retornei o número de pessoas dispostas a degustar mais algum vinho tinha dobrado 😣. Uma turma heterogênea, pensei rápido: mais um ótimo grupo para experiências deste Enochato. Servi dois vinhos às cegas enquanto o terceiro respirava um pouco à vista de todos. Como mencionado, o grupo continha desde neófitos até gente mais experiente, que curte viajar para vinícolas e conhece vinho há até mais tempo do que este escriba. Após ouvir algumas opiniões rápidas "gostei/não gostei/gostei mais", pedi ao Waldomiro uma análise mais técnica. Confrade eventual de quase duas décadas, ele tem bastante experiência com vinhos do velho e novo mundo. Achou o primeiro vinho 'até bom' embora ligeiro; podia ser bebido sozinho e agradar; avaliou em uns R$ 80,00. O segundo, bem mais estruturado, mereceria um acompanhamento, e estaria na faixa dos R$ 120,00-R$ 150,00. O primeiro era o Tarapacá Etiqueta Negra Cabernet Sauvignon (preço: R$ 170,00 em 'promo' a até R$ 320,00), e o segundo era nosso valente e valoroso Quinta de Chocapalha 2016, que comprei a cerca de R$ 90,00. Em termos de preço de mercado, as avaliações do Waldomiro soaram um fora excepcional. Mas... como é mesmo a estória repetida ad nauseam por aqui?, vinho sul-americano está caro demais.... Pois é! O Waldomiro avaliou corretamente - comparando pelo preço de mercado - o quanto deveria valer (posto aqui!) um Tarapacá Etiqueta Negra e acertou o preço 'normal' (tubaronesco) do Quinta de Chocapalha. O preço baixo (na verdade, honesto) de Chocapalha (abaixo de R$ 100,00) deve-se possivelmente, à crise não comentada pela qual passam as tubaronas - e talvez todas as importadoras do país. O pessoal está queimando 'lucro excessivo' e desovando com margens mais condizentes. Se prestar atenção tem muita oferta interessante por aí. E voltando ao Waldomiro, sua avaliação correta do 'preço brasio' para o Chocapalha mostra (risos!) quanto ele precisa usar mais o Wine Searcher e preservar suas compras. Fora isso, walew, Waldomiro!

   A segunda parte foi um fora deste pobre-coitado: o Edu falou em beber um Rioja; imerso na soberba, puxei um Ribeira del Duero... 😣. Era o Pago de Los Capellanes Joven 2019, já comentado outras vezes. Pelo menos, após aerar por uma boa hora antes de ir para o balde, ele mostrou ótima fruta e estrutura, deixando para trás os dois primeiros. É mesmo outro padrão de vinho, e esta safra pode ser guardada por mais alguns anos. Tenho comentado isso com a Paduca: eles ficaram entusiasmados após experimentar o Gran Reserva do Bilbao - está aqui - contra um Muga Reserva novo e não pronto para ser degustado, e exultaram-se com o primeiro, sem notar bem o potencial do segundo. Observemos tratar-se de um Reserva versus um Gran Reserva. A estória repete-se: um produtor melhor faz diferença. Não que os vinhos da bodega Ramón Bilbao sejam ruins, mas para mim afigurou-se uma boa fronteira para futuras experiências, principalmente com iniciantes: comparar o quanto um Gran Reserva de certo produtor pode ficar abaixo de um Reserva - ou mesmo Crianza - de outros produtores. Um tema a ser explorado em futuras brincadeiras.

Outro falecimento

Nesta segunda-feira, amiga querida e confrade faleceu, levada pelo câncer, na flor dos 82 anos. A Margarida M.M. Tavares, terceira da esquerda, entre a Márcia (segunda) e Elvira (cabeceira) sempre compareceu às reuniões munida de bom humor, graça e leveza, insistindo que não entendia nada de vinho; ela apenas gostava ou não gostava do que ia provando. Não entendendo, do que gostava mais, ao final repetia uma taça. Convençam-me dessa verdade sob minha afirmação: ela sempre escolhia, para repetir, o melhor vinho da noite... 😏 safadinha, enganava todo mundo e jamais percebemos. Tão logo escureceu nesta noite, busquei meu telescópio e apontei para a saída do nosso sistema solar. Não vi, mas senti: ela já passara por lá, em direção ao Grande Tudo. Fique onde ficar, esse lugar está mais divertido agora.

Thursday, August 3, 2023

A Paduca e mais um

Introito

Agora nós estamos em guerra com a Lestásia.
O inimigo sempre foi a Lestásia.
Eurásia é uma nação aliada.
1984, de George Orwell

Amigo de longa data e igualmente de esquerda - apenas um tanto mais recatado - envia-me vídeo da rapaziada do MBL onde, segundo ele, nova edição de imagens é feita pela trupe direitosa. Um traveco de reitor (da UFPR), na qualidade de presidente da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino superior, é apresentado desdenhando de maneira desavergonhada do rapá que estragou diversas obras de arte desenhadas nas paredes da UFSC e acabou levando um corretivo - com muito amor - por causa disso. Ora, nenhum Magnânimo Reitor se prestaria a tal situação, de onde o vídeo claramente apresenta um impostor. Vejam por si:


   Abaixo, reportagem do sítio da prestigiosa Instituição (UFPR), com foto do verdadeiro reitor. Basta comparar para ver que não são a mesma pessoa!


   Você acompanhou a estória do corretivo em seu meio de comunicação preferido? Não? Talvez devesse rever sua predileção... vinhos, por exemplo: revi as minhas várias e várias vezes.

A Paduca reunida

Paduca - Paulão, Duílio e Carlos - é uma confraria de caras batutas que se conhecem há mais de 20 anos. Desta vez veio o Fernando, amigo dos confrades de mais longa data. Vale a pena falar deles; diversos dos leitores se identificarão com suas perspectivas sobre vinhos. O Paulão (na câmera) é meu mais fiel seguidor (rs). Bebemos juntos mais vezes, ele conversa, pergunta, vem notando essa tal de acidez da qual sempre falo e a tem distinguido dentre os vinhos. De barba ao fundo, o Duílio é o mais faltoso (rs) da Paduca, e bebe sem maiores compromissos senão o de ligeira contemplação e com maior interesse na conversa. O Fernando está entre um e outro; cansou de vinhos sul americanos e tem procurado por europeus. Em comum eles não conhecem muitas marcas ou produtores e guiam seus gostos um pouco pela curiosidade, sem preconceito nem medo em arriscar um rótulo diferente em supermercados. São tipicamente os bebedores comuns, adoradores do vinho pelo vinho, sem saber de pontuações ou tendências de mercado. Leitor, reconheceu-se em algum deles?

Trinca de portugas

Paulão prometeu trazer um vinho reserva 😀. Cumpriu 😄. Só que não... 😟. Seu Vinho Regional de Lisboa era o Portada Reserva 2020, meio seco. Mostrou-se muito simples, com excesso de fruta vermelha logo de cara, típico de inox - ou seria típico de aromatizantes artificiais? - e sem traço de madeira. Sem acidez e aquele doce enjoativo - surpreendeu negativamente nesses pontos -, e mesmo sendo meio seco esse dulçor desagradável não se justifica - foi muito rápido na boca. É um corte Shiraz, Alicante Bouschet, Caladoc, Tannat e Touriga Nacional sem qualquer diferencial; poderia passar por um sul-americano sem susto (sic). Seu produtor é a DFJ Vinhos, cujo volume de produção atinge 10 milhões de garrafas ano, provenientes de 250 ha de vinhedos próprios e outros 600 ha de produtores de uvas. Segundo o sítio, estagia três meses em barricas novas (não acredito!), e... um mês em garrafa(!), seguindo para a distribuição. É isso? Três meses em barricas novas e um mês em garrafa? Um tremendo desperdício de barrica! Fernando trouxe o alentejano Ciconia 2018 (Casa Relvas), também com muita fruta vermelha e um pouco tostado, mostrando a madeira. Um vinho alegre, corte Touriga Nacional, Syrah e Aragones, melhor equilibrado, boca com alguma especiaria, acidez baixa a média, corpo e taninos flertando a médios, foi um dos meus preferidos no início de minha transição dos sul-americanos para os europeus. Este Enochato ofereceu o já conhecido na confraria Quinta de Chocapalha 2016, mostrando que os vinhos regionais de Lisboa salvam-se sem dúvida alguma. Corte Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca, Castelão e Alicante-Bouschet, tinha fruta vermelha, notas como chocolate/café e mais toques. Mais corpo em forma de taninos redondos e bem presentes, melhor acidez, claramente maior persistência dentre os três, para mim destacou-se bem. Não representou uma unanimidade entre os bebedores, mas o gosto é livre. Lembremo-nos: são todos mais ou menos neófitos, para quem importa mais uma reunião regada a piadas, futebol, política nacional, cinema, discussões existenciais, mulheres, vinho, política local e comida, não necessariamente nessa ordem. Saíram todos prometendo repetir. Vejamos... 😒

Preços

   Portada Reserva é vendido pela Evino a R$ 194,00 por três garrafas (unitário = R$ 65,00). Na Garrafeira Nacional custa € 4,25, ou R$ 23,00. Dá quase 3x. Aqui a questão da madeira. Uma barrica nova custa quanto? Chutemos 500tão (dólas/Euros). O custo de armazenamento fica em USD 2,00, e estamos falando só dele. Há ainda os custos da garrafa, rolha e o restante da produção. E chega ao consumidor a € 4,25? Não acredito. Ciconia custa lá fora € 4,00, e por aqui pode custar entre R$ 50,00 e R$ 80,00, e na comparação, por R$ 50,00, é uma barbada (dá pouco mais de 2.2x; pelos 80tinha fica em 3.8x 😖). Enquanto isso, Chocapalha é um vinho na casa dos € 9,00 (R$ 48,50), e seu valor oscila entre R$ 105,00 e R$ 150,00 (facilmente vemos estar entre 2x e 3x). Bem comprados, Chocapalha vale o dobro de Ciconia? Para mim, vale. Se o leitor não estiver disposto a gastar tanto em um vinho, e bebe-o nas condições dos confrades, seguramente ficará satisfeito com Ciconia. Se um Pérgola custa cerca de R$ 25,00 - e nem é vinho; será que alguém pensa que é? Teria de ser muito idiota... - Ciconia bem comprado transforma-se de fato em ótima escolha.

Outra reflexão: vem de há muito a ideia de comprarmos vinhos bons na Europa por € 2,00 a € 3,00. Gostaria de lembrar: a moeda estrangeira também tem inflação; a depreciação do Euro em 20 anos foi de 62%; somente entre 2019-2023 foi de 25%(!). A calculadora de inflação do Euro está aqui; tente replicar os valores. E essa é a inflação média. Os vinhos subiram mais, nesse período. Tomando por baixo € 3,00 corrigidos em 20 anos daria  € 4,86, no mínimo. Por esses valores (atualizados!), nem Portada nem Ciconia seriam considerados bons vinhos. Chocapalha, sim! A matemática não mente...






Friday, September 30, 2022

Mea culpa, mea maxima culpa

Introito - mentira infinita



O debate de ontem mostrou quão bem os principais candidatos dominam com maestria a arte de mentir sobre si e dizer a verdade sobre os oponentes. Quem fez essa abordagem foi o músico e youtuber Nando Moura. O preço dessa idolatria será o inferno, não para os idólatras, mas para todos nós. Preciso fazer agora um mea culpa. Em nome de minha geração, peço desculpas à nação. Se o detrator pretender perguntar quem sou eu para arrogar-me nessa posição, digo que fui aquele que levantou a questão. Quase cumprindo 58 anos, considerarei o grupo entre 48 e 68 anos como a 'minha geração'. E pergunto: como permitirmos que tudo chegasse onde chegou? Gente da minha geração foi capa-pintada... e não conseguimos melhorar a face do país. Tivemos um início de século dourado, e em berço esplêndido deixamos um canalha nos conduzir, a despeito dos escândalos que pipocavam logo de saída. Marchamos para banir da Esplanada o resto boquirroto de uma quadrilha criminosa para, no pleito seguinte, permitir o surgimento de outro canalha de igual quilate superando o antecessor somente em parvoíce e desinteligência. E ninguém apresentou-se para retribuir com um impeachment quando as condições mostraram-se honestas e justas. Onde estávamos? Dirão que na pandemia? Escrevi nota agora perdida no Youtube onde afirmava preferir morrer no campo de batalha a permanecer em confinamento. Foi-se.

Ainda, se falhamos com a Pátria, pecamos também com a educação da próxima geração. Vitimados pela falta de senso crítico, boa parte da nossa descendência de jovens não consegue perceber o erro de votar em corruptos de qualquer estirpe. O que é isso, senão falta de caráter da geração precedente? Não se transmite o que não se tem... Juntamos esses desprovidos a idiotas crescidos de hoje que acreditam em uma primeira década dourada e livre de máculas com estúpidos crendo estarmos agora em um momento reluzente e puro, e estamos aqui nos perguntando (novamente) como permitimos às coisas chegarem a esse ponto. Vejam o Pisa; estamos aí, oscilando dentro da margem estatística há 20 anos, sempre abaixo da média dos países mais importantes do mundo. A fonte é esta. Falhamos. Falhamos miseravelmente. Mea culpa, mea maxima culpa.

   Encerra-se a data permitida para propaganda eleitoral. Não que este espaço tenha feito alguma; não pedi voto nenhum até agora. Já escrevi diversas vezes: sou de esquerda, e continuarei a sê-lo, a despeito da idiotia generalizada que traz-me vergonha e nojo de juntar-me a muitos e muitos de seus representantes - atualmente, todos, aliás... Nesta eleição votarei em candidatos a deputados estadual e federal do MBL, e sugiro fortemente ao leitor refletir sobre esses cidadãos. Kim Kataguiri (4433) e Cristiano Beraldo são candidatos a deputado federal; Renato Battista (44999), Guto Zacharias (44777) e Amanda Vettorazzo (44333) são candidatos a deputado estadual por São Paulo. Eles têm poucos candidatos em outros estados: Samuca Chang, 1999, federal por Santa Catarina, e João Bettega, 30123, estadual pelo Paraná. Se perguntarem-me como uma pessoa de esquerda pode votar neles, respondo tranquilamente: na absoluta e completa falta de qualquer projeto sério de país por parte dos energúmenos que nos governaram até hoje, essa trupe é de longe a mais qualificada. Vejam as ações populares propostas por Renato, Guto e Beraldo, à sombra da atuação parlamentar de Kim e Arthur do Val, o Mamãe-Falei, caracterizadas pelo combate às mamatas em todos os níveis da administração pública, para não me estender mais. Algo é fácil de verificar: nenhum deles usa fundo eleitoral. O candidato em que você pensa em votar neste momento usa-o? Pois é...
   Aos demais cargos, concederei uma banana. Nunca estivemos tão mal representados em São Paulo. Escumalha...

Quinta de Chocapalha 2016, segundo dia

O estranho amarguinho mencionado continua lá; se incomoda, por outro lado não espanta o desejo de bebê-lo. O nariz caiu um tanto, mas a fruta e algo mais continuam ali. Arrisco que chocolate. A acidez sempre segura alguma graça, e é o que vale; e não há muito mais. O blog sempre pautou-se pelo vinho antes, e outros assuntos depois. Hoje, excepcionalmente, houve uma inversão. Não é para menos. E obrigado pela paciência e generosidade da leitura.



Corruptos e seus amoucos

Introito

A casa de um homem é seu castelo.
Edward Coke  (1552-1634)

quid enim sanctius, quid omni religione 
munitius, quam domus unusquisque civium?
O que é mais sagrado, o que mais fortemente 
guardado por todo sentimento sagrado, 
do que a própria casa de um homem?
Cícero (106 aC-46 aC)

Somos o país da miscigenação, mistura de seres que, em outras espécies, resultam em uma linhagem mais adaptada, mais forte, por assim dizer. Mas ao final a única coisa em que nós brasileiros somos mais é... resilientes... o que não nos tem conduzido a lugar algum. Precisamos ser mais em muito mais coisas (sic): mais críticos às iniquidades que nos cercam? Seria o mínimo. Mais participativos? Desejável... Mais proativos? Imprescindível. Só assim mudaremos a percepção que nós mesmos temos de muitos de nossos irmãos - o que não significa que também não tenhamos defeitos similares, apenas bem camuflados dentro de nossas próprias desculpas e nunca escancarados a nós mesmos, já que nossa sociedade é caracterizada pela falta de debate de ideias entre as pessoas. Idiotas de primeiro escalão infestam as redes sociais no sinistro papel de patrulheiros, não como debatedores. Este blog tem sido vítima constante de tais detratores. Já declarei que não debato política aqui. Registro minha opinião porque, repito, o cidadão de bem não pode mais permanecer calado ante tanta iniquidade por parte de todo o espectro político. Após não ter suas 'opiniões' publicadas, um detrator anônimo sai-se com esta:


   O energúmeno não se satisfaz com as regras do blog; invade o espaço na intenção de deixar seu recado e para tal distorce o ideal da democracia; para ele são apenas direitos, não existem deveres. Seguramente desconhece as premissas declaradas no início desta postagem, seculares e mesmo milenares. Ademais, tenta tomar de assalto um espaço crítico a todos os principais políticos com o único propósito de realizar propaganda de seu corrupto de estimação, jamais para debater. Iguala-se àquele que o inspira não somente em mediocridade e vileza, mas ainda pela semelhante falta de inteligência e posição de amouco. Lulalelé e bolsonésio são mentirosos. Não são somente incompetentes para gerir o erário público, como promovem seu assalto dia sim, dia também, à luz do sol ou na calada da noite. Promoveram políticas francamente desfavoráveis à grande parte da população durante todo seus mandatos. Apenas acontece que por obra e graça do diabo, e nenhum outro, bolsonésio é de longe o pior. A parte boa é que, mais estúpido do que desonesto, poderá ser impedido de continuar no comando da nação por meio democrático e republicano. Lulalelé não; se chegar lá não o tiraremos nos próximos 8 anos. Os prejuízos para as instituições serão sentidos nos próximos 50 anos.

Quinta de Chocapalha 2016

Venho consumindo algumas garrafas deste bom vinho ao longo de 2022; é a quarta. Gosto, como pode ser conferido nessas postagens, de mostrar aos amigos opções interessantes descobertas aqui e ali. Uma delas foi com a confraria Paduca, outra com a Dayane e a Renata. Novamente compartilho com o leitor o Quinta de Chocapalha na safra já rara - a de 2017 é a mais comum. Degustando-o praticamente à 0:00, estando aberto desde as 20:30, mostrou nariz com fruta quase certamente vermelha, couro/chocolate e alguma outra nota não identificada, talvez uma mistura à espera de melhor bebedor. Curiosamente a boca apresentou-se um pouco mais amarga nesta garrafa. Os taninos estão bem presentes, boa acidez, um pouco do dulçor típico mas o amarguinho a mais ocupava seu espaço. Estava um pouco rápido no final, mas com um retrogosto à chocolate também; não lembro de ter pego antes. Mencionei ser um vinho de USD 12,00, anteriormente. Possivelmente em Portugal. Nos EUA, encontrei com média de USD 16,00 em três lojas. Aqui, em duas lojas está com preço inferior a R$ 100,00, o que é surpreendente. O preço nos EUA compreende um frete transoceânico, e torna-o mais realista em comparação com o nosso, uma vez que há uma necessidade de transporte igualmente longo. Nos dias de hoje, parece ser  melhor compra disponível no mercado. Por R$ 100,00, vale quanto pesa.

Preço cá...



Preço lá...

Sunday, August 7, 2022

Tempo demais

Introito

Preciso começar por um reparo na penúltima postagem. Escrevi assim: Sem algum fator extraordinário, as pesquisas praticamente definiram o segundo turno. A presença constante de energúmenos neste espaço fez-me proferir essa idiotice sem tamanho. É claro que as pesquisas nada definiram. Pesquisa nada define desde sempre. Sem entrar em absurdas teorias de conspiração, com a grande (e vendida) mídia mancomunada contra os brasileiros, torna-se claro que vaticinar um pleito já definido agrada a ambos os atuais primeiro e segundo candidatos nas pesquisas. Querem vender-nos a crença de que 80% dos votos já estão cristalizados, e isso seguramente é mentira. Vamos à tradução d'Oenochato dessa mentira: dos 25% que votarão em lulalelé de qualquer maneira, e dos 20% francos eleitores bolsonésios, 80% estão com os votos cristalizados. Só 80%... quer dizer, nem o suposto 'núcleo duro' desses canalhas está certo de que se renderá de quatro a seus senhores. Não se deixe enganar.
   Outra falácia diz respeito a um suposto protagonismo do Gê num governo PTralha. Na época do 'pró-mercado' do lulalelézinho-paz-e-amor, da carta aos brasileiros, o vice não era exatamente um político de carreira: Alencar ocupou um único cargo eletivo justamente antes de ser convidado a participar da eleição nacional. Seu posto era ornamental. Acreditar em Gê moderando lulalelé é esquecer o que os PTlhos fizeram com Temer após a eleição da presidAnta: ele ficou escanteado até começar a costurar o destino de seus detratores. Quando estava tudo certo, lançou a famosa carta Verba volant, scripta manent. Inês era morta e os estúpidos PTlhos sequer perceberam já terem ido. 

   Para aclarar a proposta do voto em bolsonésio para quem acha necessário participar com voto válido na eleição, é necessário enfatizar a escolha aos demais cargos. É óbvio que o eleitor precisa desancar os candidatos bolsonésios! Lembre-se, ele não governará. Até porque mesmo agora, com sua base inicialmente eleita, nada governou. Ele não sabe como deve fazer, percebe? Ademais - recorde-se daquela foto onde as raposas se cumprimentam - o grande risco será votar em deputados estaduais e federais cujo caminho natural será o colo do Nosso Guia. E ele próprio garante-nos: está com tesão de 20 anos! Finalizando: também de pouco adiantará votar em bolsonésio e ficar calado. Isso é desculpa para quem já está propenso a tal, mas precisa de uma justificativa. Para quem votará em bolsonésio, o caminho no dia seguinte será cobrar o impeachment sonegado de nós até agora. O eleitor precisa escolher deputados que combaterão com ele na trincheira de democracia em 2023. Observe que eleitor sozinho não faz verão. Ele precisa do parlamentar em consonância com sua aspiração para espalhar medo (sic) entre os demais que estão lá. Porque a maioria dessa caterva é composta de estúpidos de ocasião. Já para os próprios PTralhas a solução será convidativa: eles terão a segunda chance se aprovarem a deposição de bolsonésio em até dois anos. Com um pouco de sorte, sai em um ano, um ano e pouco.

Tempo demais

A Dayane me uátizappa comentando ter conversado com a Renata acerca do baixo nível de confraternização em suas correntes sanguíneas. Foi a senha para uma reunião de almoço no sábado, e lá se foi todo feliz e faceiro este Enochato estrada afora até Araraquara. Levei, para que elas conhecessem, meu vinho do momento, o Chocapalha 2016. A fruta estava lá, e a especiaria também, mas não peguei claramente o chocolate desta vez. Madeira presente, álcool sempre um pouco a mais, a acidez e os taninos como esperado fizeram, pelo que notei, o vinho preferido da Dayane. Também experimentamos um Delas Frères Côtes du Rhône Saint-Esprit 2018. Curiosamente o sítio do produtor indica um corte Syrah e Granache, embora tenha encontrado a segunda cepa como sendo principal em dos importadores brasileiros. Logo de cara notei a característica sempre comentada pelo Akira para essa região, um buquê adocicado na direção de melaço. Tinha nariz com fruta muito presente e agradável; especiaria, algo como couro/café, taninos e acidez médias com álcool discreto: elegante do começo ao fim, embora de final um pouco curto. Mas ótimo para um Côtes du Rhône. Foi o preferido da Renata. E meu.

Acho que como acompanhamento do cupim com arroz e mandioca cozida o Delas foi melhor, pelo conjunto. A Sofia, desta vez presente, acompanhou-nos degustando alguns goles sob supervisão cerrada da Renata, dizendo-nos ter gostado de ambos. E não caiu no sono como já vi muito marmanjo fazer, nem ficou reclamando que era muito vinho. Já está ameaçando o lugar de muito confrade mais tarimbado. Ainda tivemos, preparado pela Renata, um fondue de chocolate com morangos muito bom. Baco reclamou a falta de um vinho de sobremesa, falha indesculpável deste travesti de crítico. Teremos outras oportunidades...

Wednesday, March 16, 2022

Os três mosqueteiros e D'Artagnan

Introito 

 Internamente, estamos gastando tempo (e tempo é dinheiro...) à toa e por nada. Arthur do Val tentou trazer à tona a discussão do Plano Diretor enquanto candidato à prefeitura paulistana. Recentemente veio falando de Pacto Federativo. Sabe o que é isso? É uma confabulação onde o estado de São Paulo envia dois caminhões de dinheiro para a União e recebe em troca uma carriola de balas Chita. Aí não temos como pagar melhor os professores, policiais e outros agentes do estado. Recentemente Arthur foi cancelado (rio disso, cancelamento) assim como Danilo Gentili, Kim Kataguiri, o rapá da bicicleta e quaisquer outros que não falam bem da esquerda tola ou da direita estúpida. O que ninguém comenta é que a próxima legislatura, mais uma vez, caminhará de braços dados com o presidente eleito  até o final de seus mandatos. Em diversos países (EUA, Inglaterra), há uma eleição dois anos após o pleito presidencial que renova um terço do congresso. Se o governo da vez está derrapando, corre o risco de perder a maioria nas casas legislativas. Se a oposição está derrapando, corre o risco de tomar uma carraspana dos eleitores. Só aqui temos que aturar um presidente idiota e um congresso canalha caminhando lado a lado e de mãos dadas enquanto nós é que ficamos na berlinda.
*   *   *

   Externamente, o quarto poder vai ganhando a Guerra da Ucrânia. Esse pessoal em quem não votamos nem nos presta contas vai cavando a caveira do Putin. A direita mundial condena Putin, mas aqui ele é apoiado pela esquerda e pela direita. Ponha a mão na cabeça - ou em outra parte de seu corpo, alguns pensam com outros órgãos - e pergunte-se se isso está correto. Nessa guerra nenhuma potência é mocinho. Nem bandido. São todos patriotas e lutam pelas suas doutrinas. Que doutrinas? De conquistar o mundo, claro. Conquistar, não. Dominá-lo, no médio prazo. Porque no longo prazo os chineses levarão, e isso são favas contadas. Eles nos conquistarão, seja em 200 ou 300 anos; seus planos não são imediatistas. Quem viver, verá... 😝 

Os três mosqueteiros - e  D'Artagnan

O Duílio é um caboclo com quem viajei para o Hawaii, nos idos de '08. Mergulhos com arraias, Pearl Harbor, mergulho com tartarugas em Molokini, uma rodovia cortando a rota da lava (sic) - sem qualquer vegetação, quilômetros e quilômetros de uma aterradora paisagem de rocha solidificada que remete-nos ao inferno - jantar em alto mar para ver o pôr do sol no mar (era um jantar romântico, para casais, entramos de gaiatos e gerou na turma a famosa frase do Duílio, Larga da minha mão, Carlos André!), praia de areia negra (há havia visto no Chile), a Pipeline e 300 revistas pelas autoridades aeroportuárias, enquanto íamos de uma ilha para outra. Um dos oficiais foi extremamente simpático. Visitara o Brasil - Rio - e gostara muito. Os outros, apenas profissionalíssimos. O Paulão, tirando a foto, é um amigo de mais de 20 anos. Conheci-o após sua separação e quando ele estava cheio de interesses pela Dona Cláudia; a galera toda olhava com um sorriso de satisfação, Isso vai dar casamento. Tanto deu que fui o padrinho do noivo. Acompanhei o crescimento das duas crianças do primeiro casamento, e agora vejo o Chiquinho querendo virar homem. O Vinícius já tornou-se; à minha esquerda, é o D'Artagnan dessa estória.

Paduca e seus vinhos

Essa confraria existe há tempos, com reuniões muito incertas. Tentamos tornar os encontros regulares. Paduca - Paulão, Duílio e Carlos - reuniu-se algumas vezes mas nunca teve uma postagem a altura. Agora vai! De reunião anterior, sobrara um Casillero del Diablo 2011(!) Cabernet Sauvignon, que foi trazido pelo Duílio e ficou para trás. Não que esse último encontro tenha sido há um quinquênio(!), ele apenas tinha esse vinho por lá e resolvemos ver como estaria. Não estragou, mas perdeu o pouco que um dia teve (rs!). Sem nariz, sem acidez, sobrou o álcool e um pouco da picância típica da cepa na ponta da língua. Ainda assim fomos carcando pra dentro até acabar, pois meu candidato ficou de lado para respirar e depois precisou ser resfriado. Já na temperatura apropriada tivemos o Carmim Reguengos 2018, vinho de cooperativa produzido em Reguengos de Monsara, cidade próxima a Évora. É um corte de 40%  Trincadeira, 40% Aragonez e 20% Castelão, que mostrou boa fruta vermelha, cacau (café?), corpo e acidez médios e bem integrados, malvadeza tocada a 14,5% de álcool com alguma persistência. Pagou na faixa de R$ 50,00, e preciso dizer que é uma ótima compra. É um vinho de 3 a 4 dólares em Portugal, e seu preço dá um pouco mais de 2x. Queria ver esse vinho servido às cegas em meios a nossos vinhos de R$ 150,00-R$ 300,00. Neguin ia chamar o Putin com seus tanques... Servido por último, após serviço cuidadoso, apresentei aos confrades o Quinta de Chocapalha 2016, Vinho Regional de Lisboa corte de 45% Touriga Nacional, 20% Tinta Roriz, 15% Touriga Franca, 10% Castelão e 10% Alicante Bouschet e 14% de álcool. Por obra de Don Flavitz conhecia sua versão Reserva, comprado em 'promo' há muito tempo. Vinho de importadora tubarona, encontrei a R$ 97,00 (4 garrafas, somente), mas depois a R$ 120,00. É um vinho de USD 12,00 lá fora, então pelos R$ 120,00 ficou subitamente bom. Curiosamente, em outra loja, havia encontrado o Vinha-Mãe, superior ao Reserva, a preço pouco maior que o próprio Chocapalha comum (usualmente R$ 180,00). A fruta é bem mais presente e mais ampla do que em Reguengos, acompanhada de chocolate e especiaria; a madeira dá um toque elegante, a acidez é muito boa, os taninos convergiram e o álcool não escapa. Está ótimo, e pode ser guardado. Esse é o vinho que entra naquela estória do bebedor ter  uma caixa (ainda que de meia dúzia), provar uma garrafa de tempos em tempos e ser feliz. Na foto, consegui caçar o Paulão entre as garrafas. Fez boa figura.

Sunday, February 20, 2022

A falácia de um pais polarizado feito palha choca

Introito

Estou cada vez mais convencido da minha inocência.
José Dirceu, depoimento ao Conselho de Ética da Câmara Federal, 2005

   Dizem que o país esta polarizado. Não pode haver idiotia maior. O país não está polarizado, está imbecilizado. A polarização é uma mera consequência dessa situação desastrosa. Assim como o valoroso combatente Dirceu convenceu-se de sua inocência, milhões de otários de pai e mãe convenceram-se de que o Grande Guia sofreu uma perseguição do Estado, na figura de um juiz de Curitiba. E, na sequência, um tribunal superior, que antes o havia condenado, convenceu-se do contrário e anulou o julgamento que anteriormente decretara da mais completa lisura. Do outro lado do espectro, outros milhões de idiotas consideram o mesmo juiz de Curitiba um traidor. Não sabem porque, mas consideram-no. E, se e quanto souberem o motivo, duvido que essa crença suporte uma ou duas perguntas bem feitas. Mas eles continuarão acreditando, porque essa é a missão dos tolos. 

Lembro-me muito bem quando um amigo bolsonésio chegou em casa e sugeriu - apenas sugeriu - algo desabonador sobre o Moro. O Gabinete do Ódio já iniciara sua fritura, eu é que não sabia. Ouvida a infeliz sugestão, propus o seguinte: imagine uma cidade com dois diques, um no norte e outro no sul. Do leste, vem o bolsonésio em sua motocicleta dourada - a cor dos tolos, porque eles acreditam em tudo o que reluz - e diz que o dique do norte estourou. Do oeste, chega o Moro em uma lambreta reportando o estouro do dique do sul. Não penso duas vezes, corro para o norte. Não entendi porque, meu amigo abaixou o olhar na hora. Só muito depois caiu-me a ficha.

   Assim permanece a nação: idiotas nos dois extremos do espectro político acreditando no que não faz sentido. Título de doutor ou educação básica, ou mesmo nenhuma educação, nada faz diferença. Os tolos escolheram acreditar em uma ilusão só justificada pelo mais profundo delírio. É de encontro a essa escuridão tenebrosa que caminhamos. Resta saber se vamos afundar todos, de mãos dadas, ou se tentaremos jogar luz nessas trevas. Poucos que somos, comecemos por acender algumas velas. Se depois alguém aparecer com um holofote, melhor...

Revendo um produtor já conhecido

Conheci a Quinta de Chocapalha (produtor) por obra de graça de Don Flavitxo. Situado nos arredores da capital portuguesa - antes a região era chamada Estremadura - recebeu a classificação de Vinho Regional de Lisboa e posteriormente foi designada Indicação Geográfica Protegida. Cuidado com o sítio: pedem para você confirmar a idade, mas o botão de 'confirmar' fica invisível, pelo menos no Chrome. Depois por lá contam piadas de brasileiros. Ah, tá... Precisa clicar na parte de cima da tela com o rato (sic!) e fazer uma seleção do texto de cima para baixo, aí o botão invisível aparece. Não bastasse, uma vez no sítio de pouco em pouco aparece uma janela oferecendo a subscrição na newsletter deles. Que idiotice! Chega... Então voltando... Don Flavitxo avisou que um tal de Chocapalha Reserva estava em 'promo'. Comprei duas garrafas e apresentei a conta para o Akira. Primeiro guardamos e depois as degustamos, espaçadas em vários anos, e ambas estavam ótimas. Eis que aparece, em 'promo', o Quinta de Chocapalha em um lugar quase ao mesmo tempo em que encontro o Vinha-Mãe também em ótimo preço. Fiquei doente (rs), estourei o orçamento mas tornei-me o feliz proprietário de algumas garrafas. Hoje degusto a primeira delas.

Quinta de Chocapalha 2016

Quinta de Chocapalha está abaixo da linha reserva. É um corte Touriga Nacional (45%), Tinta Roriz (20), Touriga Franca (15%), Castelão (10%) e Alicante-Bouschet (10%). Um vinho português com certeza! Apesar de não ser o reserva, estagia 18 meses em barricas de carvalho francês. Rico em frutas negras mesmo com 15 minutos após a abertura, ainda aporta algum chocolate (café?) e a madeira é perceptível. O álcool escapa um pouco. O boca tem aquele dulçor português, e indica ser mesmo o café do nariz a se repetir. Tem especiaria, acidez vibrante, taninos um pouco pegados boa persistência e final. Segundo o Wine Searcher, sua janela de beberagem (sic) vai de 2019 a 2037... significando que mais alguns anos na garrafa seguramente vão arredondar todos esses detalhes e seguramente se tornará um vinho muito mais redondo e prazeroso. Será preciso alguma paciência... Uso o conceito a seguir sempre ligado ao preço, e posso dizer tratar-se da já citada felicidade engarrafada. É um vinho de USD 12,00 lá, e paguei R$ 96,00 por aqui. Ótima relação custo-benefício, mas por aí está beirando R$ 200,00... aí não... Por 200tão, tem obrigação de ser bom, e entrega isso. E pela metade do preço, aí sim, merece a classificação generosa deste Enochato. Baco gostou... eu muito mais...