Introito
Postagens atrasadas por diversos motivos acabam deixando para trás fatos importantes da história recente. Com o país ladeira abaixo, repito sempre, deixar de manifestar-se sobre nossas incongruências é uma forma medíocre de escapismo indesculpável para quem usa a pena - em qualquer área. As gerações futuras nos julgarão. Recentemente uma atriz foi eleita para a... Academia Brasileira de Letras(!). Qual o nome, mesmo? Irrelevante. Atrizes são assim: várias com 50 anos de carreira começam a autoproclamar-se - cheias de confiança - como excelentes. Muito mais pelo tempo de janela, claro, porque volta e meia nenhum fato suporta essas opiniões. Isso diz tudo sobre a classe. No caso em pauta, assisti a Central do Brasil em um dia e A Vida é Bela no outro. Não lembro a ordem, mas saí da sala de exibição no segundo dia com a certeza de que não teríamos a menor chance no Oscar. Atuações que vi (poucas) absolutamente não me comoveram, mas foram suficientes para garantir-lhe uma vaga na Academia Brasileira de (poucas) Letras, onde estão ou estiveram cirurgião plástico, jornalista, escritor de quinta categoria e general do exército cuja obra mais relevante foi a assinatura do Ato Institucional Número 5 (o AI-5). Como lembra o professor Deonísio da Silva, Aurélio de Lira Tavares escrevia sob o pseudônimo de Adelita. Quem aí assistiu Beleza Americana? Eram tempos em que certos eventos no seio (sic) das forças armadas eram mais contidos. Hoje o sujeito declara até o nome do noivo, e todos ficam se perguntando: Mas quem é o Aristides? Voltando à Academia, a coisa vem mal desde a eleição de Paulo Coelho. Bem, Tavares e Pitangui vieram antes, mas eles não eram escritores de fato, no sentido de exercerem a literatura ou pelo menos terem escrito uma obra solitária mas de tal qualidade que justificasse suas presenças ali. Foram apenas uma excrescência. PC (e demais) na Academia representou um desvio de conduta já não explicável pela subserviência explícita de alguns velhinhos caquéticos a modismos, chiquismos ou maneirismos ao elegerem os últimos membros a seu grupelho. Com o advento de Coelho eu simplesmente deixei de comprar livros de imortais da época que o elegeram, ainda que diversos não tenham participado do engodo. Eles eram livres para deixar a instituição. Depois da fulana, e ainda mais com Merval Pereira - que até pode ser um bom jornalista, embora para mim isso não exista - deixei de comprar ou ler livros de qualquer membro da Academia, desde sempre. Os autores já falecidos, se insatisfeitos, que virem-se em seus túmulos e voltem para pegar nos pés dos culpados que fizeram da ABL o que os políticos ordinários fizeram da nossa nação mais ou menos nesse igual período de tempo.
Brancos
Na reunião com Dona Neusa, Elvira e Akira - Margarida não pode vir de última hora - tivemos por prato principal um pappardelle ao molho de frutos do mar acompanhado por dois brancos de mesma uva. O La Chablisienne Chablis Premier Cru Beauroy 2016 já foi degustado algumas vezes antes. É uma aposta certeira para pratos de massa e molho branco, ou frutos do mar em geral, além de casar bem com camarão à provençal e alguns queijos. Continua com ótima mineralidade, toques cítricos e florais, amanteigado, boa acidez e persistência. Seu preço cheio é algo proibitivo, mas se pegar em 'promo' pode compensar. O vínculo acima, de postagem passada, está mais completo. Das mãos de Marcolino Sebo veio o QP Chardonnay 2014, Vinho Regional Alentejano com 14% de álcool bem equilibrado. Acho que alguém mencionou nariz com baunilha, provavelmente da madeira. Tinha ainda boa fruta branca e boca com ótimo frescor; acidez pegando só um pouco, mas combinou bastante bem com o pappardelle. Havia ganho essa garrafa; pela coincidência da proximidade com a bléqui fraidi, voltei na loja - estava com 75% de desconto na segunda garrafa - e comprei duas por R$ 100,00 cada. Nesse preço, ficou ótima compra. Pena que a franquia precise dar um desconto desses - cerca de 40% na média para o vinho transformar-se em boa compra... se praticassem o preço sempre, seguramente compraria mais.
O vinho véio
O Caves Aliança Garrafeira Particular 1966 já foi comentado aqui. Ainda bem. Um assunto tão interessante e um vinho de tamanha qualidade não poderia jamais ser misturado com assuntos mundanos protagonizados por gente desprezível. Muito embora os brancos degustados e comentados aqui ainda permaneçam interessantes e de maior relevância do que a caterva mencionada na introdução. E olha que nem são lá grandes vinhos no sentido de verdadeiros grand vins... mas o seguinte...

