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Saturday, October 9, 2021

Premio Nobel para o pior e o melhor da humanidade

Introito

...por seus esforços para proteger a liberdade de expressão, 
que é uma condição prévia para a democracia e a paz duradoura.
Motivação da premiação no Nobel da Paz, 2021 a todos os jornalistas
que defendem os ideais acima em situações adversas.

   Cuidado com eles! A pelegada está em festa porque dois de seus representantes - esses sim responsáveis - foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz. A incompetência nata dos jornalistas começa pela apresentação dos condecorados como vencedores do Prêmio Nobel. Não é uma competição! Não há algo que o laureado posa fazer para ajudar sua performance. Ele não vence, ele ganha o Prêmio. Da mesma forma que o jogador ganha na loteria; nesse caso é uma questão de sorte; no outro de competência. De qualquer maneira, temos que estar alertas com essa corja. Uma profissão que nos mostra o pior e o melhor da humanidade deveria receber olhar mais crítico da população, pelo menos para afastar a parte podre que, em minha percepção, representa a maior parte desse universo. Está certo quem propõe controle sobre esse quarto poder que não é eleito nem precisa prestar contas à sociedade. E não, não pense em propostas como a ladrão do Tesouro que foi solto após mudança da lei e sem conseguir provar sua inocência, ou mesmo em idiota da vez que não suporta acusações no mínimo suspeitíssimas contra sua família de criminosos. Ainda, devemos separar o jornalismo investigativo (e sério!) da imprensa marrom que publica desde fuxicos e fofocas até pseudo-notícias sobre vinhos de 10 dóla(sic) eleitos por júri desconhecido como o melhor do mundo.
   Casos como Escola de Base não podem ser esquecidos. Uma família teve a reputação jogada na lama e nunca mais se recuperou depois de seu linchamento midiático, para só então ser declarada inocente. Aconteceu em 1994. Em 2014 o senhor Shimada faleceu sem ter recebido as indenizações a que fazia jus. Velhotes escroques usam de sua aparente experiência e conhecimento para expor ao público sua concepção do que um parlamentar deve fazer em seu primeiro mandato: No primeiro mandato você estuda... e se aplica à elaboração de alguns projetos e asteamento de algumas bandeiras que melhorem a sua popularidade para você voltar à Câmara. É isso o que devemos esperar de um recém-eleito? É isso o que você espera para seu voto? Cuidado com eles; à medida em que os bons se calam, os picaretas ocupam os espaços.

Reunião do Núcleo Duro

O Núcleo Duro - jargão que já esteve em alta por algumas bandas - reuniu-se para um encontro rápido nesta terça-feira. Não que os bebuns nada tivessem a fazer no dia seguinte; todos tinham. Mas foi a data possível para todos. Decidimos que uns branquinhos nojentos para mudar um pouco a dominância dos tintinhos nojentos seria uma boa alternância. Duas garrafas, para que a conversa não se estendesse e o foco pudesse ser mantido. Ambos já foram degustados aqui. O legal de vinhos bons é a possibilidade de compartilharmos com outras pessoas e ouvir diferentes percepções sobre eles. O Zind-Humbrecht Riesling Turckheim 2018, compareceu com seu habitual frescor, notas cítricas e ótima acidez. O La Chablisienne Chablis Premier Cru Beauroy 2016 mostrou sua mineralidade, toques florais, amanteigado na boca, acidez presente e boa persistência. Combinaram bem com os queijos típicos - tinha até um Manchego que acompanhou bem a ambos, mas especialmente o Chablis. O destaque foi o Akira, que não bebe mas cafunga os vinhos. Deixou-os em suas taças desde o início, enquanto conversávamos e íamos aproveitando nossa parte. A certa altura ele puxou a conversa para o serviço a temperatura um pouco mais alta desses vinhos, e até deixamos os conteúdos das taças aquecerem-se um pouco antes de repormos mais bebida. A acidez pronuncia-se mais. Sim, o buquê decai um pouco, mas o paladar apresenta uma alternativa diferente do padrão. Por fim, serviu-nos os vinhos que todos tínhamos provado do buquê à temperatura ambiente, para conferirmos a diferença. A acidez realmente fica acentuada e o bebedor deve ficar atento a essa possibilidade. Dizem que branco se bebe bem gelado? Ah, tá... cuidado com eles! A pelegada está em festa porque dois de seus representantes...

Monday, August 30, 2021

Cozinheiro de dois pratos só

Introito

   Para espanto de quase ninguém e delírio de menos pessoas ainda, este Enochato deixou de ser cozinheiro de apenas um prato, e passou a dominar o preparo de dois. Lombo com (poucas) ervas é o novo prato sob domínio deste cheff que desponta nas lides da cozinha. Contando com o prato (filé ao molho gorgo) aprendido no ano passado, e fazendo uma previsão algo otimista para os anos vindouros, imagino que até 2098 dominarei uma gama razoavelmente apresentável de alternativas. Gastón Acurio que se cuide... Depois disso passarei à harmonização. Mas, claro, será outra etapa. Um problema de cada vez, diria o gerente cansado. Temos tradição nisso; começou com Fernando Idiota Cardoso (que uns queriam fuzilado), quando presidiu o brasio. Em vez de fazer seu sucessor, entregou o governo para... you know who... 💀

Porco e vinho branco

   Fui conferir uma harmonização com lombo. Wine searcher listou diversas possibilidades, mas Chardonnay e Pinot já bebera recentemente. Procurando um pouco mais, além da Pinot Gris da Alsácia, apareceu Riesling da mesma região. Aqui vai uma dica: se você nada conhece, como eu, perceba que harmonização pode ser uma via de mão dupla na hora da pesquisa. Quem fala da comida sugerindo o vinho, sugere-o de maneira genérica, pensando em algo de seu conhecimento prévio. Não significa que todos os vinhos desse tipo casarão com a comida. Então você confere se o vinho casa mesmo com o prato recomendado... eu não fiz isso... 😦

Zind-Humbrecht Riesling Turckheim 2018

 
Escolhi um Zind-Humbrecht Riesling Turckheim 2018, já degustado em janeiro deste ano. Aquela estória, um vinho legal a cada seis meses; com um estoque de vários vinhos legais todo mês você bebe pelo menos um bom, sem ficar repetindo. Continua muito bom: notas cítricas - maçã verde? - no nariz, boca com muito frescor, limão(?), mineralidade presente e uma pontinha doce que não notei na primeira prova. Aquele buquê a óleo Singer se expressa a temperatura um pouco mais alta; bem frio (não gelado!), essa assinatura fica escondida. Pois é, Wine Searcher sugere para esse vinho peixes mais oleosos, como salmão. O lombo pode não ter harmonizado, lembrando que esse conceito prediz um todo maior que a soma das partes. Não, não aconteceu assim. Mas não comprometeu, o que já é grande coisa para este Enochato que no mais das vezes costuma meter os pés pelas mãos, quando não estraga tudo de uma vez (😰). Talvez possa mudar um pouco o preparo do lombo da próxima vez. Fico me perguntando o que o pessoal da Casa de Carnes Qualidade daqui de S. Carlos pode propor como alternativa. Na sugestão de cozimento eles acertaram em cheio: uma hora por quilo de peça, e mais um pouco fora do papel alumínio para dourar. Eu chego lá...

Monday, January 4, 2021

O inferno é seu destino

Introito

   O título dessa postagem diz respeito às agruras que vivemos em 2020, e sugere o destino para este ano, um período ruim para todos. Se muito tem a ver com a covid, muito também tem a ver com seus efeitos colaterais: empresas quebrando, desemprego, falta de perspectiva... pitonisas prevendo o apocalipse... que o futuro não nos seja tão negro. Ainda que tenhamos de rezar...
   Não menos importante, o assunto de sempre - vinho - requer que alguns repousem no inferno. Tô nem aí (para a blasfêmia, claro), em bordão de alguém que a história já posicionou em seu devido lugar. Maravilhoso desinfetante, essa tal de história.
   Rodam pela internet opiniões abalizadas (muito poucas), mentiras (as que você lê aqui, por exemplo - risos!) - e uma miríade de babaquices. Uma que estava me incomodando teve Don Flavitz como vetor. Leu algures - e endossava - que o Tarapacá branco (Chardonnay), em sua versão mais simples, o Cosecha, seria um bom vinho, até comparável a Borgonhas. Vejamos... mesmo os chilenos (sic) já aprenderam sobre seleção dos vinhedos: os mais novos ou mais ruins fornecendo uvas para os vinhos mais simples; aqueles um pouco melhores provendo matéria prima de melhor qualidade para vinhos superiores, e as parcelas realmente boas sendo usadas para produzir vinhos icônicos. Tarapacá Cosecha é a linha 'chão de fábrica' dessa vinícola que já foi minha preferida. Durante os anos que a idolatrava, bebi todos seus vinhos, de Cosecha aos 'tops'. Felizmente, Cosecha apenas uma vez. Não era vinho, embora 'vinho' viesse escrito no rótulo...
   Não achando crível, mas de espírito aberto, paguei pra ver. Passei na Deliza, peguei um Tarapacá Chardonnay Reserva (nota: acima de Cosecha e abaixo do Reserva inda encontramos o León de Tarapaca e o Gran Tarapaca. Possuem varietais tintos e brancos), escondi sob embalagens de pão, presunto, queijo, salsichas e segui para o caixa discretamente. Tão logo a garrafa foi 'passada' pela caixa, já a embrulhei e dirigi-me à saída. Alí, um pé encostado numa coluna, o Will não deixou barato, comentando:
   - Eu sei o que você fez... - tenho dito por aí que 'nunca mais' compraria um chileno na vida. 
   - Já leu O Analista de Bagé, né? - cruzei a mão livre em frente à barriga, como se procurasse um 3oitão no bolso da calça. O Will riu e fez um gesto como dizendo 'Deixa prá lá'. Melhor mesmo... não coloco minha reputação em risco a troco de nada. Não? 😑

O evento

No dia 30, antecipando o final de ano, cometemos um ligeiro desatino. Nos reunimos a turma, os cinco. Cada um tem tomado os cuidados com isolamento, etc., etc., etc., e, sem sintomas, corremos o risco. As meninas, Carol, Rê e Dani, gostam de vinho, mas não se ligam muito no assunto. São bebedoras típicas: descompromissadas, sem preconceitos, bebem o que for servido de boa fé. Gostam ou não gostam, sob uma ótica absolutamente amadora. Não investem em vinho porque suas fontes de escravidão - para onde quer que apontem - apontam para outros lugares. Roupas? Perfumes? Viagens? Carro? Uma combinção não linear disso tudo? Só não é para vinho...
   Servi às cegas, primeiro o Tarapaca. Foi quase unânime: gostaram do primeiro. Acho que a Rê gostou mais do segundo na boca, somente. Posso estar errado. Ou mentindo... Recorri ao Akira. Ele não bebe, apenas 'cafunga'. Olhou-me por cima dos óculos - aquele espacinho entre a armação e a sobrancelha - e disparou: - O segundo é bem melhor... Perguntei se o segundo valeria o dobro. - No nariz? Sem dú-vi-da! - sim, ele separou as sílabas. As meninas se recolheram. Não, não se fecharam em copas. Apenas queriam saber melhor o que acontecia.
   Tarapacá Reserva 2019 tem um bom 'ataque'. Não que esse bom signifique 'bom'. Não! É muito, muito marcado, presente. Tipo... aquela cena de desenho, quando o personagem entreabre a porta devagar e é atropelado por uma locomotiva. Vinho não é isso. Acidez deixando a desejar - até para um branco -, boca simples, permanência muito rasteira. Vinho de uns R$ 75,00 contos (oscila entre R$ 80,00 a R$ 100,00; paguei 'barato'). O segundo, Terres Secrètes Pouilly-Fuissé 2016 já comentei. Daí ficou difícil para o concorrente. Muito mais equilíbrio, melhor permanência, combinou bem com os queijos, mostrando as sutilezas típicas de um bom Borgoinha básico. Paguei um pouco menos de R$ 150,0. É muito mais vinho, no nariz e na boca. Assim é como estamos: vinhos fracos passando por bons, perante alguma ingenuidade dos provadores. Ingenuidade não é crime nem pecado. É onde, no caso do vinho, produtores se aproveitam para cobrar os tubos por seus produtos. Certo, quem não atenta muito vai preferir pagar R$ 80,00 a R$ 100,00, ainda mais quando a segunda opção requer mais atenção e treino de paladar, 'especialidades' onde muitos não estão dispostos a investir

A segunda parte foi melhor - não que o borgoinha não tenha salvado a pátria (rs). Mas a Carol e a Rê se esmeraram na produção de um salmão com risoto... que acompanhados por um Zind-Humbrecht Riesling Turckheim 2018 e um espumante Kompassus Rosé 2011 foram suficientes para a paz voltar aos corações e mentes de todos. Zind-Humbrecht chega a ser considerado o melhor produtor da Alsácia. Seu detratores (rs) dizem que o melhor é o Maison Trimbach. Para este travesti de blogueiro, será que faz diferença provar do melhor ou do segundo melhor Riesling da região mais icônica que cultiva essa cepa? Veio com um frescor muito vivo, notas cítricas no nariz repetindo-se na boca, acidez bem presente, boa persistência. Novo, mas bem 'bebível'. Deve melhorar com mais alguns anos. Fez ótimo par com o salmão. Kompassus Rosé não ficou atrás: corte de Baga, Touriga Nacional, Pinot Noir e produzido pelo método tradicional, não mostrou a idade. Bom frescor, nariz com abacaxi(?), boca equilibrada, boa acidez, também combinou com o salmão. Kompassus está 'acabado', pronto para consumir. Indicativo de que não precisa (talvez não deva...) ser guardado por mais tempo. O fechamento foi a sobremesa feita pela Dani, bombom de morango na travessa, acompanhado por um Sauternes. Pela extensão da postagem, outra hora falo dele. Mas combinou muito bem... 😋