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Sunday, December 24, 2023

Nem novo nem maduro: o indigno não brilha, jamais

Introito


   Antigamente dizíamos 'uma definição de dicionário' para algum termo cujo significado pretendêssemos tornar claro. Hoje dizemos 'uma definição do Google'. Por exemplo:

   Como primeira aproximação, é uma boa contextualização. Faltou mencionar pelo menos dois pilares básicos do jornalismo, a saber: 1. Isenção do jornalista para com a matéria, e 2. Tratamento igualitário para todas as partes de alguma maneira envolvidas na notícia.

   Dito isso, pergunto: você viu a patuscada recentemente perpetrada pelo ministro dos direitos humanos Sílvio Almeida? Qualquer pessoa com inteligência e articulação maiores do que a de uma ostra - e começo a considerar quão inteligente pode ser uma ostra... 😨.. mais do que muito ministro - sentiu-se envergonhada. Foi assim: a certo momento tomou lambada e tentou revidar atacando o argumentador em vez do argumento. A tática fanfarrona foi denunciada e veio mais lambada. Almeida ripostou, e levou nova invertida. É o que dá tentar contrapor alguém muito mais inteligente e capaz: passa vergonha, e envergonha quem está em volta. Papel corriqueiro dessa gentalha de esquerda nos últimos 20 anos - veja quanto tempo passou desde o primeiro escândalo dos governos de Ali Lulá, e as denúncias não param... 
   O interessante foi a reação da esquerdalha, glorificando quem apresentou argumentos pífios e tortos:

      

    Não bastasse, houve clara manipulação de declarações do deputado oposicionista: pretendendo o ministro estar no controle da situação, a Rede TVT (um veículo de comunicação educativo que tem compromisso com a democracia , com  o fortalecimento da cidadania e com a justiça social - sic), edita trecho onde Almeida acusa um deputado de fazer cortezinhos para dizer que venceu o debate, quando... sua claque usa exatamente esse expediente para tentar deixar mal o debatedor que estava com a razão!... (vídeo com 50 segundos).


...mas a verdade é muito outra! Veja o vídeo do deputado e avalie quem estava na defensiva e quem estava no ataque (vídeo de 50 segundos).


   Mas este espaço não é uma claque qualquer como as existentes por aí. Prefiro - exijo!meu leitor sendo crítico, e recomendo: não aceite gratuitamente meu relato, confira o perrengue na íntegra aqui (são 15 minutos). Veja sem cortes os ataques ao argumentador e a reafirmação da máxima dos medíocres, acuse-os do que você faz, chame-os do que você é... 

   A antítese da conduta do deputado encontra sua melhor tradução no comentário da jornalista (sic) Cynara Menezes em sua postagem onde notamos claramente a falta dos dois preceitos comentados no início desta postagem para se produzir uma matéria jornalística decente: não há isenção e muito menos tratamento igualitário para as partes. Começa no minuto 39. Prepare-se: cenas de envergonhar qualquer devoto sério de São Francisco de Sales. Ainda: não sou contra blogs propagandísticos de tendências - mesmo sendo propaganda de vis bandidos, ladrões ou corruptos. Tomando um lado, já sabemos acerca do comunicador e escolhemos segui-lo ou relegá-lo ao esquecimento. Mas daí a usar o termo jornalista/jornalismo em tal situação é flertar com a mais absoluta falta de respeito para com o próximo, a profissão e o santo padroeiro...

   Assim, vemos PTlhos idiotizados pela propaganda querendo acreditar no que lhes convém (a tal da dissonância cognitiva, comentada aqui com link explicativo logo no preâmbulo). Chamam o MBL de extrema-direita (enquanto bolsonésios acusam-nos de extremo-esquerdalhas!), disso e daquilo. Na hora dos debates - sem edição! - vê-se claramente de onde vêm os melhores argumentos. O leitor com o mínimo de inteligência pode ver por si - e não concordando, espumar quieto; os demais podem espumar sem ter noção dos fatos e atacar este Enochato em vez dos argumentos do Enochato. Se houver um debate - sem edição! - onde algum tonto de esquerda consiga argumentar contra o deputado Kim Kataguiri sem tomar uma invertida imediata, gostarei de ver. Não publicarei, é claro, mas olharei. Honestidade intelectual no envio - embora duvide disso da parte de PTlhos e bolsonéios. Colham o que plantaram: hoje não há crédito para qualquer dos lados.

Novamente o Gran Enemigo Gualtallary, agora 2013

Olha... nunca provei tanto vinho ruim no compromisso de levar a melhor informação ao leitor (😂🤣). Desta vez tive um cuidado suplementar para certificar-me da procedência do Gran Enemigo. Está descartada a hipótese da garrafa do Renê ser falsificada (safra 2017). A dúvida originou-se a partir de um comentário naquela postagem acerca de falsificações, e confesso ter-me deixado em dúvida até provar da safra 2019, recentemente. Aconteceu da D. Neusa ter a safra 2013 - agora algo envelhecida - e oferecê-la para um embate. Essa garrafa foi comprada no frixópi de saída da Argentina. Vão dizer que de lá também é farseta? Uma falsificação não apresentaria cápsula tão grossa (à esquerda). Vejam à direita a de um bom vinho, bem mais fina. Quase precisei de uma motosserra para removê-la...

Combinamos um comitezinho (rs) com a Liu e a Elvira. Conversando com a primeira, perguntei se ela teria um Catena comprado em sua recente passagem pela bodega, e ela prontificou-se a trazê-lo. E, generosamente, contentou-se em ouvir sobre a proposta de degustação às cegas. À Elvira coube a tarefa de trazer um espumante, e ela ficou da total ignorância dos atores. D. Neusa sabia apenas de seu vinho. Assim começamos. Para surpresa geral, Elvira trouxe um Antonieta 2022, corte Pinot-Chardonnay produzido pela argentina Falasco Wines. O cítrico advindo da Chardonnay estava lá; não peguei mais notas. Fresco mas bastante ligeiro, acidez baixa, pode competir bem com os nacionais de algum padrão, como os descritos recentemente na degustação da Mercearia 3M; mais uma prova - como se fosse necessário - do quanto nosso espumante está embolado no meio de campo desse estilo mundo afora.

Comentarei a percepção das confrades no encontro. Como sobrou de todos os vinhos, e por sugestão delas levei tudo para a segunda prova no dia seguinte, a minha avaliação será apresentada na sequência. E foi bom, pois pude deixar-me levar pela conversa animada das meninas, além de ocupar-me mais em observar suas avaliações em vez das minhas próprias; queria ser honesto a ponto de afastar qualquer má estima inconsciente e outras opiniões poderiam reforçar - ou contrapor com argumentos - minhas percepções anteriores. Para desafiar o Catena Alta Cabernet Sauvignon 2018 da Liu, não tive muita dúvida: acreditei no meu Château Magence 2010, um Graves já degustado em safras 2001 e na própria 2010. Essencialmente um corte Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, espera-se forte benefício da Merlot para aportar um teco de elegância à potência da Cabernet. Não houve muita dúvida quanto à diferença de qualidade entre Magence e Catena; a preferência pelo francês foi unânime. Às cegas, na segunda bateria, a Elvira foi categórica: o terceiro vinho (tinto) lembra o quarto, mas o quarto é muito melhor. Não recordo-me bem se D. Neusa acompanhou exatamente esse ponto - de um vinho lembrar o outro. A Liu, se não teve tal percepção, não teve dúvida quando escolheu o quarto vinho como o melhor da noite.

   Um parêntese: Parker comparou - e tudo quanto é lugar (sic) repete isso à exaustão - o 50 dólas Gran Enemigo (um corte Cabernet Franc e Malbec) ao Château Lafleur, de Pomerol; corte Cabernet Franc e Merlot, ele custa 500 dólas em safras medíocres e 1000+ dólas em boas safras. O crítico conferiu duas notas 100 ao Gran Enemigo entre 2010 e 2022, e, da mesma maneira, galardoou duas notas 100 para Lafleur... nem o Patricio Tapia do Guia Descorchados  teve a ousadia de agraciar Gran Enemigo com 100 pontos (em tempo: Descorchados é o manual de avaliações extremamente generosas compilado inicialmente para vinhos chilenos e depois estendido para os sul-americanos de maneira geral, corajoso em pontuar com 95 ou 96 brancos chilenos que não chegam aos pés de Borgonhas AoC de produtores de segundo time. Como pontuaria ele borgonhões De Verdade (rs)? A escala só vai até 100, correto?). A pesquisa está um tanto incompleta: a fonte é o Wine Searcher, e não contém avaliações de Parker ou Tapia para todos os anos entre 2010 e 2022, para ambos os vinhos.

   Para mim a contenda resume-se ao seguinte: vinhos bons são vinhos bons, e quando eles são realmente bons, uns defendem-se bem contra outros. O bebedor pode tocar um Brunellão, alcoólico e taninoso (sic! rs!) pra cima de um Borgonhão; este vai defender-se com sua acidez excepcional, e não cairá nesse bom combate. Quero dizer: vinhos diferentes podem ser comparados e grandes vinhos não se atropelam. Se um Brunellão atropelar outro, então o segundo não era um Brunellão, era apenas um Brunello - ou um Brunellinho. Um vinho só atropela outro se for melhor. Normalmente (cuidado aqui!) o preço tem a ver com isso, diretamente. Essa afirmação não é tão verdadeira na comparação dos sul-americanos (caros demais, qualidade de menos) com os europeus. Também é tão verdadeira entre norte-americanos (muito caros, característica do mercado deles, mas bons) e europeus. Mas entre europeus a aproximação tem validade bem maior.

Desta vez queria colocar um Cabernet Franc para enfrentar Gran Enemigo - jogar em seu próprio campo. Encontrei em um Saint-Émilion - região francesa onde a CF tem grande presença, junto da Merlot - o combatente mais que digno, e fui à prova.

Agora, comentando os quatro tintos, no almoço do dia seguinte. Catena Alta 2018 (Cabernet Sauvignon) tinha bom nariz, rico em frutas, com couro ou café; boca com frutas vermelhas, taninos arredondados, a picada mais potente da Cabernet sul-americana, madeira bem integrada com baixa acidez - querendo ir a média, mas faltando... -, deixando seu final ligeiro. A importadora diz ser produzido somente em anos especiais mas... Wine Searcher mostra uma produção contínua desde o início do século; dados completos no final da postagem. Para um vinho de abertura de trabalhos (risos), agradou. Mas tinha um Magence no meio do caminho... Château Magence 2010 já foi degustado outras vezes e não decepciona: corte 50% Cabernet Sauvignon, 40% Merlot e 10% Cabernet-Franc, nariz recheado de frutas, especiaria, café, boca com a picada da Cabernet mais discreta, taninos ajustados (certo, é mais velho), e a acidez fazendo toda a diferença, deixando a boca mais marcada, permanecendo nela por mais tempo e com ótimo final, em comparação. Passamos para o segundo conjunto, e após degustar ambos, relembro como Elvira apontou Gran Enemigo de parecer-se com o Château Meylet 2012. Ponto para o primeiro. Mas é assim: o Lázaro Ramos e o Sidney Poitier se parecem, também. No branco do olho, e nada além. Gran Enemigo 2013, devidamente envelecido, não brilhou além do já anotado anteriormente: nariz com fruta - pelo menos não declinou com a idade - e traços de chocolate/café esses sim mais ricos: desenvolveram-se bem. Não lembro da baunilha presente das outras vezes, nem se alguém apontou. Boca dentro do esperado, com fruta e algo mais, e as demais características - tanino, acidez, final - sem melhora significativa. Ao fim e ao cabo, três safras degustadas, a percepção é a mesma: pode encantar os bocas tortas ou chapas brancas, mas não vai além disso. Já o Château Meylet repetiu a performance de minha primeira garrafa: nariz ótimo, rico, diversificado, e para fechar a boca acompanhando na nariz em tudo! Um grande vinho, fez Gran Enemigo rolar na lama - e não porque eu torça contra, foi apenas uma constatação geral. Espere um pouco, vamos lá: Gran Enemigo custa seus USD 40,00 ou R$ 50,00 na Argentina. Meylet custa os seus USD 80,00 ou USD 90,00 por aí (aqui, eles custam R$ 890,00 e R$ 750,00, respectivamente). Com uma diferença de 2x, Meylet tem a obrigação de entubar bem entubado vinhos da metade de seu valor. No caso de Gran Enemigo, fez com a competência esperada de quem pode. E aqui, Parque (sic! rs!), é o seguinte: precisava comprar o argentino logo com o Lafleur? Ô Parque, não consegue indicar algo mais singelo por comparação? Ah, claro, ele lembrou o Lafleur... para a Elvira ele lembrou - digo pela terceira vez! - o Meylet. E ela sequer pensa em ser profissional de avaliação, basta-lhe ser a médica competente que é. Mas se ela quiser ser avaliadora, está começando melhor do que muita gente no ápice da carreira, não é mesmo?

   Em tempo: Château Meylet é classificado com 92 pontos pela Cellartracker, em sua safra 1998. Lembrando,
90 - 95 pontos: vinho de excepcional complexidade e carácter, rico em buquês e sabores.
   Maylet entrega. Gran Enemigo pode estar em elegantes 89 pontos, e não é demérito. Por R$ 200,00 aqui, não faria feio face a um Noval; a R$ 890,00, é um despropósito e talvez torne os Noval melhores só pela diferença de preço. Você é fã da Catena? - rindo: a melhor vinícola do mundo? - Desentorte a boca... mas pensando bem, não... continue pagando USD 40,00 ou USD 50,00 por um Gran Enemigo na Argentina, e deixe-me tentar comprar Meylet em alguma futura promo-dos-rótulos-manchados da de la Croix, sua importadora. Se os bocas-tortas endinheirados comprarem Meylet em seu preço cheio, não sobrará nem para promo... E chegamos à conclusão, antecipada no título da postagem: nem novo, nem maduro: o indigno não brilha, jamais.

   Os valores de quase todos os vinhos já foram discutidos nas postagens anteriores. Abaixo apenas os do Catena Alta.

   Vejamos o que mais poderemos ter para hoje. Se nada (risos!), ficam o agradecimento pela leitura desse extenso artigo e os votos de um Feliz Natal! Obrigado!

*  *   *

Preço do Catena Alta CS aqui: R$ 417,00. Em destaque, a notícia desmentida pelo Wine Searcher de ser produzido somente em anos excepcionais. Ou vai dizer que todos os anos (safras) na Argentina foram excepcionais?


Preço do Catena Alta EUA: uns USD 40,0 (R$ 200,00). Aparentemente não está tão fora, dá 2x... só não acredito que ele valha USD 40,00...

   Produção do Catena Alta: pode não estar disponível em todas as safras, mas é produzido anualmente...

Preço Catena Alta no Mercado Livre da Argentina: R$ 82,00, uns USD 16,00. Não fica ruim, nem um pouco...



Monday, October 31, 2022

Escolha sua tragédia II, ato final

Introito

Para confundir é preciso saber.
O que, convenhamos, é uma raridade hoje em dia.
Dito d'Oenochato


Passamos pela redemocratização sempre escolhendo entre duas tranqueiras e elegendo a menos pior delas. Apenas não percebíamos. O acaso não permitiu-nos julgar Tancredo. Talvez tivesse sido um ponto de virada em nossa história; quem sabe? Se a genética 'funciona', e observando seu neto, diria que não, e não temos muito mais onde nos fiar; acredito que a ciência deva estar correta. Analisando em retrospectiva nossos últimos anos, notando o nível da discussão tanto entre as principais correntes políticas (uhm...) como nas chamadas ruas, não posso dizer que melhoramos. Aliás, pioramos seguramente; basta ver a união em torno das Diretas e o completo desrespeito pelo outro nos dias hoje. Escolhemos o lado entre dois tolos, e portamo-nos como asseclas. A prova disso jaz aqui mesmo neste microuniverso que é blog: reclamações vazias, nenhum argumento, um deserto de propostas originadas em quimeras com corpos de ciclopes e cérebros de ostras bradando por democracia. Nas últimas semanas recebi - por vários meios - mensagens sugerindo voto aqui ou ali. Questionados, PTlhos disseram-me que não impixamos (sic) bolsonésio porque o congresso o protegeu. Acreditam que a esquerda movimentou-se, mas confrontados com a postagem acima, de moça que pode ser rotulada de muita coisa menos por ser de direita, calaram-se. bolsonésios arrumaram algum argumento para configurar seu mito melhor do que lulalelé; alegraram-se com minha concordância para então enfurecerem-se ao ouvir que sim, ele seria um diâmetro atômico melhor pelo simples fato de (ainda) não ter sido condenado. Continuo a reputar que bolsonésio é expulsável (sic?), enquanto lulalelé não o é. Economizando por simplicidade, os simples fatos narrados nos últimos parágrafos reforçam minha absoluta certeza de que não mereço nenhum deles. E eles, por equivalência, nada merecem de mim. Quanto mais meu voto. No final, a bem dizer, a democracia vencerá. Discuti à exaustão com meus amigos - bolsonésios, PTlhos, PSDBelhos/Simones-Palíndromos - e todos permanecemos amigos. Àqueles que clamam por democracia sem respeitá-la, podem ladrar.

O encontro do Gustavo

O Gustavo, do Bistrô Graxaim, voltou a aprontar das mandracarias, desta vez com um jantar a quatro tempos, rolha free (sic) - aí gostei! Aconteceu na última quinta e teve por cardápio:
* Entrada com linguiça de carneiro, com sua intensidade de sabor, introduzirá o jantar na forma de petisco que remete à culinária argentina, com um toque próprio...
* Primeiro prato com Prime Rib de Black Angus é o corte escolhido para o tempo que trará a carne bovina. Grelhado e com acompanhamentos inspirados na culinária francesa, com algo brasileiro.
* Segundo tempo com leitão Red Duroc à pururuca trará o momento da carne suína e o sabor reconfortante da culinária interiorana, com acompanhamentos e temperos que elevam os sabores com ingredientes selecionados.
* Sobremesa, com bacon caramelizado, saindo do convencional, traremos uma combinação que destaca o potencial do sabor defumando e do corte selecionado de duroc em receitas doces.
Combinei a ida com o Ghidelli, pois tínhamos um vinhozinho comprado de ameia (sic! não a do castelo), e estava na hora dele; por não beber - e exclusivamente por causa disso - o Akira foi extremamente bem vindo. 😂🤣

Chateau Magence 2010, já comentado aqui e então imerso em bom confronto entre pares, voltou para dar o ar da graça. É um Graves dos seus 20 dólas (rs), vendido aqui na safra 2014 pela de la Croix a R$ 248,00 (2x, portanto), corte bem bordalês movido (sic) a 13% de álcool, 50% Cabernet Sauvignon, 40% Merlot e 10% Cabernet-Franc, com boca delicada e menos potência, similar a outros da região, mas com muito mais classe. Mantém a fruta - achei que vermelha - especiaria e café/chocolate (qual?), boa acidez, permanência 'adequada' picância esperada (digo, da especiaria) e bom final, foi o vinho que mais combinou com os pratos em geral. O problema é que havia uma pedra no meio de seu caminho... como o encontro fazia parte das comemorações do meu níver, levei um Peter Lehmann Stonewell Shiraz 2009, Xirrazão (sic) australiano de 60 dólas movido a 14,5% de arco mais um tanto de frexa (sic! rs!), que levou no peito tudo o que havia pela frente. Lembra a cena no caminhão com a moto logo no começo daquela porcaria do World War Z, com o bonitinho da bala Chita? Aqui, é a primeira das 'melhores cenas', logo aos 33 segundos. 


Então, com Stonewell foi bem assim. Vinho de muita extração - quando o mosto é deixado em contato com a casca das uvas por mais tempo, gerando muito tanino e cor bastante escura, principalmente nos exemplares australianos - tem o atributo dos bons vinhos ao marcar suas características de maneira indelével, tornando fácil até para os deficientes nasais o reconhecimento de suas notas e peculiaridades. A fruta é claramente negra, o toque é de chocolate, a especiaria está bem distinta. Acho que o Ghidelli comentou 'compota'. Boa madeira, até um pouco aparente, mas os outros aspectos também são superlativos, então o conjunto se harmoniza em alto nível. Ótima acidez e permanência, seu grande defeito é um adocicado forte e acima de tudo isso. Para mim, impediu qualquer perspectiva de harmonização com os pratos - e o bifim (sic) foi Angus... não, não é um vinho para comida, é um vinho para ser degustado a seco (sic), sozinho ou com um par igualmente potente. Senão o risco é amassar - Hulk smash - o concorrente, como fez com o pobre Magence. Em defesa deste, ficou claro seu potencial de harmonização superior. 

O Eduardo, guia e proprietário da Caminhos do Turismo, estava lá com uma turma. Sentei-me com eles por alguns instantes, e minha taça com o Stonewell passeou ligeiramente entre algumas bocas. Completamente surpreendente foi uma das opiniões, não lembro se da Tatiane ou de sua amiga (não guardei o nome 😔): 'entra doce e termina salgado'. Eu não pego tantos detalhes no primeiro gole; sou um tanto limitado e preciso de um momento distinto para analisar cada característica (rs amarelos): entrada, meio de boca, final (permanência e retrogosto). As mulheres são muito melhores para tais percepções. Daí que muitos reclamam do mercado andar repleto de sommerdiers (sic). Todos homens... Voltando... entre as diversas garrafas disponíveis na mesa deles, escolhi provar um pouco do pomposo Casa Valduga Arte Forza Blend Tinto 01 safra 2020 - nominho, heim!?, um blend Cabernet Sauvignon e Merlot. O gentil Eduardo foi até nossa mesa e serviu-nos generosamente dele, de modo que pudemos prová-lo em duas taças. Não há o que surpreender. Já declarei, não compro - não compro porque não compro - vinho nacional. Tenho-os de partida como uma porcaria e preço ridículo. Vejamos esse: estava, em um sítio m... m... melequetrefe, de 70 por 42 moedas. Também segundo o sítio - não encontrei no do próprio produtor! - tem por descrição Elegante, Taninos macios, Intenso, Persistente (escrito exatamente assim!). 
   Vamos lá. Nariz: bastante fruta vermelha, que desapareceu completamente depois de uns 15 minutos em taça. Boca rápida e rasteira, acidez quase zero - já vi comentário similar em algum lugar como elogio(!); cada bebedor sabe o que... bebe! - não deixa traço ou lembrança em boca. O Ghidelli notou que foi para o azedo, o Akira observou um toque de meia cura, beirando à podridão. Surgiu o comentário - um pouquinho maldoso - que o vinho morreu ao cair na taça. Até faz sentido, já que em 15 minutos ele transformou-se de algo próximo a vinho para algo pouco tragável. Não tenho motivo para desfazer de maneira tão gratuita do vinho nacional. Ele apenas é o que ele é; como crítico somente promovo minha apreciação técnica do produto. Já escrevi e repito: gostaria muitíssimo de levar um produto nacional para o Chile, onde tenho amigos, puxar um Leon da Tarapacá da prateleira deles e compará-lo com meu exemplar nacional. Mas para tanto precisaria gastar uns R$ 250,00 num Lote 43, enquanto o Leonzinho custa USD 3,00 nos melhores supermercados chilenos. Preciso, para registro, dizer que a crítica vai para vinho, e não dirige-se nem a quem o levou e nem a quem o bebeu ainda que com gosto. Mas se está jogando dinheiro fora pagando R$ 70,00 por 'isso', pegue uma boa compra do português Chocapalha por cerca de R$ 90,00, coloque de cada um deles em uma taça e compare!

Post-scriptum

A primeira parte desta postagem foi escrita antes da eleição. Lulalelé está eleito, com margem de 1% sobre bolsonésio. Foi quase um voto (sic), o meu, conforme comentei anteriormente, que faltou para o outro, bem feito (rs). Não há o que falar sobre o ganhador. Mas talvez fale sobre o perdedor, somente pelo gosto de tripudiar sobre seu cadáver - às vezes tenho certos prazeres mórbidos, reconheço. O tranqueira que perdeu, merece. Poderia ser lulalelé, tanto faz. Só não estou certo de valer a pena gastar meu tempo com isso. Direi depois de usar meus sais de banho.

   Sobre o... o... o... qual o nome, mesmo? Ah, sobre o vinho nacional,



Monday, August 2, 2021

Vestais na cozinha unidas pela emoção

Introito

   Unidos pela emoção é o lema das olimpíadas de Tóquio. Bonito. Ao que consta Rebeca Andrade não tinha patrocinador até a última quinta-feira, dia em que faturava sua primeira medalha. Enquanto isso bancões patrocinam um idiota metido a surfista que posta imagens de namoradas (ou meras parceiras, tanto faz!) na internet, para compartilhar suas conquistas com os 'amigos'. Parece que diversos atletas do nosso atletismo além de também não terem patrocínio precisam usar equipamentos de segunda linha, mais baratos, para poderem competir. Como é possível, depois do milagre de classificações para fases finais de suas competições - ou sem conseguir se classificar por pouco - tentarem competir com atletas bem treinados, bem alimentados, com suporte técnico, médico e dispondo do que há de melhor em equipamentos? Mas um único Neymar da vida - e uma sequência quase infinita de iguais idiotas antes dele - assinam contratos centi milionários e brindam-nos com a simulação de um choro ao perder alguma disputa para no mesmo dia promoverem o maior pagodão, churrascão ou algo que o valha. Tenho acompanhado um pouco da festa olímpica. Ela não me representa. Não enquanto nossas empresas mantiverem suas políticas toscas de só patrocinar atletas 'mais do que prontos', em sua sanha de fazer bonito frente ao consumidor - alguma semelhança com nossos importadores de vinhos? - e enquanto nossos 'ídolos' defenderem que o país precisa de estádios mais do que de hospitais - para não citar outros exemplos. O Zaneti, que literalmente caiu das argolas, representa-me. Todos os que foram lá com a cara e a coragem, tenham conquistado ou não medalhas, representam-me.
*   *   *
   Este Prelado andava algo preocupado. O que fazer neste final de semana? O que beber? O que cozinhar? (tamanho dilema para  este cozinheiro de um prato só, lembre-se...). A confraria possui um templo, e este, as vestais... pronto! Por que não chamá-las e resolver os problemas? Da mensagem para as vestais Dayane e Renata surgiu nova ideia e outra mensagem chegou para a vestal Luciana. No sábado estávamos todos reunidos para vinhos e beliscos.

Um vinho nacional

A Luciana apareceu com um um vinho espanhol, que acabou ficando para outra oportunidade, e um vinho nacional, cometido (sic) e engarrafado por Francisco Carlos dos Reis, Chácara Santo Ivo, Rua Duque de Caxias, Caldas, MG. É rotulado como um 'Produto Nacional Delícias de Minas'. Tem 11% de álcool, e clama ser um 'vinho tinto seco'. Tem um 1922 no rótulo. Duvido que seja a safra 🤣. Também tem um RESERVA escrito em letras garrafais. Se lembro-me bem, acho que o 'Caldas' é de Caldas Novas. Particularmente, acho ótimo prestigiar o vinho nacional. Até tomarmos pé do que ele é. Parênteses: o sr. Élvio (se não me engano era esse seu nome) mantinha uma loja de vinhos brasileiros em S. Carlos, lá pela primeira década do século. Comprei vários vinhos dele, para conhecer nossos produtores. Um dia, levei-o em casa e abri-lhe um Leon de Tarapacá, vinho que consumia com frequência - estava no início da minha caminhada. Naquele dia ele entendeu o que eu dizia-lhe há semanas, que os vinhos chilenos eram superiores aos brasileiros 😝. Fecha parênteses. Depois abri um Selección del Diretório (Santa Helena), e ele convenceu-se de que não, não tínhamos a mínima condição competir com os chilenos 😕😖... Aqui, repete-se o mesmo de alguns (mas não todos) dos vinhos nacionais que experimentei naquela época: falta de estrutura, buquê a... uva... gosto a... uva... que impregna a taça a ponto de comprometer a degustação do vinho seguinte. Precisei lavar nossas taças para sair o buquê, e... não lavei as taças das vestais Renata e Dayane. Baco não perdoa... espero que elas sim... 😟. A Luciana ainda pagou R$ 89,00 pela garrafa. Um Leon de Tarapacá custa USD 3,00 (três 'moedas') no Chile. Isso dá R$ 18,00... e surra de chicote o... o... o... o que quer que seja acima, que não é vinho.


Três vinhos às cegas, e um quase no final

Recebi as vestais oferecendo-lhes, a título de curiosidade, o Cedro do Noval 2015, que abrira no dia anterior. Estava bastante bom, e elas gostaram muito. Depois vieram três vinhos às cegas, que a dado momento foram revelados. Um foi o Château Peyrabon 2013, degustado há pouco, em junho. Essa garrafa nada mudou, e não há o que acrescentar à postagem recente. Mostrou-se um pouco chocho, sem muito corpo, sem impressionar. Alguma acidez, e pouco mais. Veja a postagem. O  Chateau Teyssier Grand Cru 2011 também foi degustado recentemente, em maio. Naquela ocasião foi admirado pelas outras confrades, e voltou a ser louvado em nosso encontro. Corpo bem mais presente, acidez mais equilibrada, final mais marcado do que Peyrabon. O Chateau Magence 2010 foi inédito para mim, embora tenha provado da safra 2001 em novembro de 2020. Passou um pouco despercebido pelas vestais - acho que alguém (Renata?) gostou dele. Mas a preferência geral recaiu sobre o  Noval. Bem, Magence apresentou nariz com boa fruta, especiaria, café/chocolate, boca média (taninos, acidez) e toques minerais com álcool e madeira contidos. Corte Cabernet Sauvignon/Merlot (60%/40%), mostrou ainda final agradável e alguma persistência. Teyssier foi comprado a R$ 200,00 ou pouco mais, tempos atrás. Andou a R$ 300,00, agora está R$ 250,00. Peyrabon, comprei a R$ 150,00 em 'promo', e anda a mais do dobro por aí. Por R$ 230,00, Magence é de longe a melhor compra.

Novamente, o ato falho

   Do (re)começo. A primeira ideia foi apresentar para as meninas vinhos mais ou menos da mesma região (Bordeaux) em safras distintas e muito díspares. A safra 2010 (Magence) foi excelente; a 2011 (Teyssier), boa, a 2013 (Peyrabon), medíocre: a pior dos últimos 25 anos. A segunda foi experimentar como anda o Magence. Acontece que, se na postagem da safra '01 mencionei que ele havia se esgotado, bem... o importador conseguiu mais um lote. Comprei outras duas garrafas - o preço não subiu muito: foi de R$ 210,00 há alguns anos para R$ 230,00(!) com esse dóla de hoje. Está bastante bom e vale a compra de mais algumas garrafas. Aquela estória de guardar mais um pouco e em algum tempo começar a beber uma a cada seis meses, lembra? Isso mesmo...

Preciso comentar ainda que - dada a quantidade de comida trazida pelas vestais - deixei de oferecer meio hambúrguer para cada pessoa, para acompanhar tanto uma degustação rápida de Noval e dos franceses. Foi minha falha. Os quitutes eram muitos e estavam muito bons, mas não parearam com a boca dos franceses. Desacompanhados, eles ficaram um pouco aquém do que poderiam oferecer. Ainda, Noval está mais novo, tem mais corpo e é de uma safra bastante boa. Nos últimos anos não tem-me faltado um bifão - ou mesmo um hamburginho - com vinhos desse padrão, e não me atentei em assegurar a presença de um pedaço de carne mais concentrada. O grande ato falho das meninas foi apontado por mim, mais ao final. O Peyrabon não chamou mesmo muita atenção. Vejam quanto sobrou (à direita). Teyssier, bastante elogiado, foi bem consumido (garrafa do meio). Mas o esquecido Magence (esquerda) foi o mais consumido... Recobro então minhas máximas, reescritas abaixo, com os devidos links para as postagens onde ganharam a luz pela primeira vez. Creio que a leitura dessas postagens também possa ser ilustrativa.




Rata! 🐭

   O município em Minas Gerais é de fato Caldas, e fica no sul do estado.