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Wednesday, October 5, 2022

O níver da D. Cláudia

Introito: restos de uma eleição malfadada

Eu sei que tem um restinho de jornalismo lá.
Ciro Gomes sobre O Estado de São Paulo, 1min:35s


Alguns assuntos pós-primeiro turno:
1. Os institutos de pesquisas - e canais pelegos, escondidos em suposta isenção - tentando explicar o enorme furo nas pesquisas. O engraçado é que no estatistiquês ainda dizem que os levantamentos possuem 95% de confiabilidade - e explicam: se acontecerem 100 eleições o resultado será esse em 95 ocasiões. E vimos, em vários pleitos, os outros 5% dando o ar da graça. Bem... 5% de um, vezes 5% de outro, vezes... entendeu, né?, deve dar uma chance de 0,000000000000000001%, mais ou menos, de resultados tão errados aparecerem encadeados em uma única eleição. Mais fácil ganhar três vezes na mega-sena. O legal mesmo foi ver um canal peleguíssimo - H2? I3? J4? - dizendo que bolsonésio tem 8,5 milhões de votos para pescar no laguinho (sic! rs! que lindo!) e precisa tirar uma desvantagem de 6 milhões de votos. Nunca ouviram falar de vira-votos, vira-latas? É o que provavelmente acontecerá, ainda mais agora que Zema anunciou apoio a bolsonésio em Minas, estado onde os PTlhos ganharam no primeiro turno. Bolsonésio pode virar o cenário por lá... e quem ganha em Minas... Sem contar o catatau, neto do Toninho Malvadeza, opositor direto do candidato PTlho no estado do Marcelo B. Odebrecht - entendeu? Pra que lado ele correrá? Será que 'vira' uns votinhos também por lá? lulalelá está com as barbas de molho, pois sabe de tudo isso. Você que não, eleitor... 
2. O que escrevi, mesmo, sobre Rodrigão Garcia? Exemplo de neo-oportunismo desde sempre? Ah... foi até o aeroporto receber bolsonésio para declarar apoio incondicional? Ele é mais do que um gênio... é um... é um... é um oxigênio! Vamos, leitor, para onde você acha que os votos PSDBlhos migrarão? Os que acompanharam Alquimim já foram embora faz tempo! A manifestação Rodriguelha nada acrescenta ao caldo; bolsonésio apareceu lá para cumprir tabela e fazer uma moral com os paulistas. Por outro lado, pode renderao político uma Secretaria qualquer no governo do Tarcizo, e ele posteriormente postulará uma vice-governadoria para não sair candidato ao cargo titular. Será a história repetindo-se como farsa...
3. E o mentecapto? Após chamar lulalelé de o maior corrupto do planeta, em todos os tempos, agora vai apoiá-lo porque é uma diretiva do partido. Ah, tá.... O rapá aí embaixo explica (fonte aqui).


O níver de Dona Cláudia

Há algum tempo o Paulão chega e comenta sobre um vinho específico. - É feito no sul da Espanha - expliquei. - De umas uvas com nomes estranhos... Palomino, Pedro Ximénez e mais uma, não lembro o nome agora... Jerez era o nome do vinho, e Moscatel a cepa que faltou-me. D. Cláudia vira em algum filme e ficara curiosa. Há não muito tempo bebera até me lambuzar (rs) de um exemplar que gostei muito e está disponível em nosso mercado, apesar de pertencer à carta de uma tubarona. Não dá para ganhar todas... marcamos uma pizza - somente a família e este Enochato - e partimos para o abraço. Levei um singelo Blau 2019, do produtor espanhol Juan Gil. Corte 50% Cariñena, 25% Syrah e 25% Garnacha, com 4 meses em barrica, tem nariz com boa fruta vermelha e alguma especiaria, boca equilibrada, taninos macios, acidez média e madeira discreta; bom conjunto, deixando um pouco a desejar no final. Pronto para beber; se tem, vá em frente. Se não tem, taí uma oportunidade. Por cerca de R$ 100,00 (aproximadamente R$ 50,00 'lá'), é uma ótima compra. Importado pela Enoeventos, a comparação de preços está feita aqui; não vou repeti-la. A nota curiosa fica por conta do evento dos vinhos italianos há alguns meses, onde encontrei-me com o srs. Oscar e Thiago Salame, sócios da Enoeventos. O Thiago comentou durante o jantar que após ler minha bronca sobre o 'preço cá' do Blau, o sr. Oscar diminuiu o valor do vinho. Notem então a reação do importador face à reclamação do consumidor, quanto este se faz presente. Não adianta se insurgir à boca pequena, escondido pelos cantos; a cidadania se concretiza pela troca de impressões, pelo protesto, pelo resgate da proposta da própria importadora, quando for o caso.

O que levei de presente para D. Cláudia - devidamente rachado com o Paulão - foi um Jerez Viña 25, também comentado há não muito tempo. Encontrei um marzipan recoberto com chocolate para acompanhar a degustação, promovendo uma breve preleção para que o pessoal pudesse apreciar devidamente o vinho; primeiro cafungar, depois pequenos goles, então experimentar com o marzipan, mastigando junto do vinho. Ninguém pegou, mas quando comentei o buquê e sabor a figo, todos perceberam. É mais rico, mas não concentrei-me muito dessa vez; vale apenas pelo registro. O Vinícius foto, seguido pela irmã Bia, a namorada Carina, este Enochato completamente à vontade e sem sapatos, o Fracisco, D. Cláudia e o Paulão. Teve bão...

Sunday, February 6, 2022

Juan Gil Blau 2019 e uma transferência inusual

Introito

Procure o Criador apenas pela fé, e só o encontrará se ele apresentar-se a você.
Procure-o desafiando a Ciência e quase certamente haverá de encontrá-lo mais rápido do que imagina.
Provérbio do Enochato

   Uma tola da República Tcheca chamada Hana Horka tinha para si mesma que "sua filosofia era de que ela preferia a ideia de pegar Covid do que ser vacinada", segundo o próprio filho. "Agora vai ter teatro, sauna, show", escreveu ela em alguma rede social durante a convalescência, dois dias antes de piorar e ir a óbito. Assim caminhamos: bandos de tolos acreditando em óbvias notícias falsas e simplesmente desprezando o que passou a infância fazendo: vacinando-se. Ou na Europa não vacinam, pelo menos, contra pólio, sarampo, caxumba, rubéola e algumas outras? Ainda que não, desta vez estamos em uma pandemia. Impossível acreditar que os alertas não foram emitidos. Desconsiderá-los apenas nos adverte do quão longe vai a ignorância, que tenta nublar não apenas a ciência, mas a própria cidadania. Vejam em nosso caso os milhares de bolsonésios e lulalelés enrustidos ou declarados, a despeito do "nem lulalelé nem bolsonésio". Vejam ainda nos comentários passados deste blog o obscurantismo de tolos que tentam porque tentam defender as margens absurdas praticadas pelas importadoras tubaronas do mercado. Tudo isso é mer... mer... mercadoria da mesma pocilga que apenas tolos e desavisados aceitam. No caso da saúde pública, a despeito das falhas do governo - e canalhas que agradecem à natureza pelo surgimento do Coronavírus - a sociedade civil está mais informada e um tanto organizada para combater o mal. No caso de vinhos, enfrentamos primeiro uma falta de informações que este espaço tenta cobrir, em uma voz solitária contra farsantes e aproveitadores que vendem-se em troca de umas poucas garrafas e propagandeiam ofertas carérrimas (sic) como boas compras. Está tudo dominado? Continuo fazendo a minha parte, sem esmorecer.

O fio desencapado

   Há algum tempo estava com meu fio desencapado procurando algum fundilho. Acho que de algum importador tubarão ou assecla energúmeno, não lembro bem. O fato é que comentei sobre a região vitivinícola de Jumilla e as Bodegas Juan Gil, ao experimentar dois exemplares desse produtor de uma só vez. Agora, um terceiro. Sugiro fortemente o tema vinculado aqui para acompanhar a leitura da postagem... 😂🤣. Depois o amável leitor me conta se tem a ver.

Juan Gil Blau 2019

Blau é a lavra de entrada da série Cellers Can Blau (uma das bodegas do grupo, pelo que entendi), produtora de três vinhos. Baseado em Montsant, na região da Catalunha, é um corte 50% Cariñena, 25% Syrah e 25% Garnacha, com fruta (negra?) muito viva no nariz, boca onde os 14% de álcool fazem malabarismo para se equilibrar com bons taninos e acidez viva. Mas o malabarismo dá resultado, e os 4 meses de barrica aportam alguma especiaria - mas não peguei a madeira em si - que dão graça ao conjunto. Tem corpo médio, é um pouco ligeiro e o retrogosto não é tão marcante. Lembre-se da brincadeira com o Renê e seu Numina, e novamente aposto que derruba sul-americanos do dobro do preço, pelo menos. E queria o quê, por um vinho de 8 euros? Foi comprado na bléqui fraid por R$ 94,00 (convertendo hoje, 8 euros dá 50tão) e por tal fica matador; ótimo vinho pelo preço, menor que 2x o preço 'lá'. Atualmente custa R$ 139,00, o que o coloca no perigoso patamar de quase 3x! Pondo-me em pé e batendo palmas três vezes: - Alô, alô, Oscar, o preço está escapando! O que acontece? Note-se que o preço 'Enoclube' está R$ 118,15, o que dá 20% acima de 2x - para o 'Enoclube'!. Diria que é uma compra limite. Os três vinhos dessa série estão variando um pouco, para cima ou para baixo, com relação ao 'preço lá' em 2x, considerando o preço Enoclube. A melhor compra é o Mas de Can Blau, vide imagens comparativas mais abaixo. Se você não é um Enocluber (sic), aproveite este conselho de um comprador dessa importadora: ligue em vez de comprar direto do sítio. Comece dizendo que você viu o ... (vinho mais caro de sua lista) e peça um desconto para comprar uma caixa sortida. Eles fecham, que vendedor precisa ser muito ruim para ignorar a venda de 12 garrafas. Compre com amigos, se for o caso - sempre faço assim com a turma de uma confraria mais antiga. São todos clientes da importadora, e quando um liga o Oscar já desconfia😁. Por outro lado, quase sempre compramos duas caixas, o que torna o negócio bom para ambos os lados.




Resenha

O leitor já percebeu minha queda por filmes (mas também livros) de Ficção Científica. O gênero atravessou diversas fases. Inicialmente, e durante muito tempo, os efeitos especiais deixaram (muito) a desejar. Vai que os melhores filmes pautavam-me mais por uma estória atraente - embora quase sempre inocente - do que pelos efeitos em si. Claro que muito esforço foi empregado em produções que marcaram época. Gostei muito de Forbidden Planet ('56), assistido pela primeira vez em Sessão da Tarde nos anos '70. Tem o Leslie Nielsen novinho de tudo e o Richard Anderson, que ficaria famoso por aqui como o Oscar Goldman do seriado O Homem de Seis Milhões de Dólares igualmente novinho que mal dá pra reconhecer. Estes dias mesmo estava relembrando a luta contra o monstro do Id (sim, o Id da psicanálise). Veja aqui. Apenas para registro, a visita às instalações dos Krell também é impressionante - para a época. Nada disso adianta o verdadeiro mote do filme; pode olhar com fé (rs). Em se tratando de efeitos especiais, vários saltos foram sendo dados e vários paradigmas foram quebrados: 2001, Guerra nas Estrelas, O Exterminador do Futuro 2 e outros na sequência. Há mais de 20 anos, os efeitos especiais assombram e deixaram de ser mérito para ser obrigação em qualquer filme que pretenda ser digno do gênero. Curiosamente, entretanto, parece que os melhores filmes foram aqueles realizados com nenhum ou um mínimo de efeitos especiais: Alphaville ('65), Fahrenheit 451 ('66), Os 12 Macacos ('95), Gattaca ('97), Transfer ('10), Coherence ('13) e Predestination ('14) , por exemplo. Comentarei Transfer. Um casal de terceira idade conversa sobre fazer ou não fazer - ela mostra-se incomodada com a ideia. Fazer o quê? Assunto deles, não sabemos. Até que ela é diagnosticada com uma doença terminal, e o instinto de sobrevivência fala mais alto. Um processo de transferência de suas consciências para os corpos de jovens voluntários permite que o casal volte a desfrutar os primeiros anos da paixão, usando esses corpos algo como 20 ou 22 horas por dia e então eles "adormecem", quando o controle retorna aos proprietários originais. Inicialmente os voluntários enfrentam problemas: - Você me possuiu! Nós nem nos conhecemos! (Mas o casal de idosos tinha 50 anos de convivência...). Soluções verdadeiramente elegantes, nos detalhes, nos maravilham, como o diálogo que se estabelece entre as duas mulheres, que vão se conhecendo e se tornando amigas. Claro, nem tudo é um mar de rosas e a trama caminha para descobrir o lado negro da força (sic). As análises aqui não são de fato muito profundas. Entenda-as como uma provocação para assistir (ou não...) filmes que considerei acima da média para o gênero. No presente caso, os acontecimentos narrados praticamente limitam-se aos primeiros 20 minutos do filme, então o leitor pode estar certo de que encontrará muita diversão e dramas humanos em Transfer.