Showing posts with label Fração Única Pinot Noir 2021. Show all posts
Showing posts with label Fração Única Pinot Noir 2021. Show all posts

Friday, July 12, 2024

Níver da Liu

Introito - Istoriadodores (sic) de araque

Um povo sem memória é um povo sem história. 
E um povo sem história está fadado a cometer, 
no presente e no futuro, os mesmos erros do passado.
Emília Viotti da Costa

O primeiro dever do historiador 
é não trair a verdade, 
não calar a verdade, 
não ser suspeito de parcialidades ou rancores.
Cícero


   Istoriadores (sic) de araque abundam por todos os lados. Dentre os esquerdopatas, mais; a tradição de reescrever a história é antiga neles, embora tais origens remontem ao Egito. Sim, a citação é de um filme róliúdiano, mas a prática milenar de apagar os nomes de antecessores e tomar para si realizações de outrem está registrada em pergaminhos e foi reconhecida com o emprego de fotografias de alta resolução durante os anos 50 e 60. Nessa época Stalin já se cansara de reescrever a História, e nem estava sozinho; Mussolini - direitóide por excelência - também era craque na matéria:


   Mais recentemente, Nosso Amado Presidente - NAP! - parece ter cedido a tais pendores. E na tentativa de reescrever a história baseado em sua inépcia usual, ainda enfia os pés pelas mãos. Vejamos:


   Entendi corretamente? Preste atenção!: Algumas pessoas me disseram, Andrada, eu não sei se é verdade... - ótima introdução. Não se compromete, embora nos premie com mais do mesmo: sua ignorância sem limites. - Que quando São Paulo perdeu a... a Revolução de 32, que eu não acho que foi revolução, eu acho que foi um golpe que os paulistas tentaram dar no Governo Federal... Como é que é?! Antes ele não sabia, mas imediatamente entrega-se, produzindo um juízo de valor! O que é pior?, falar sobre o que não sabe ou perpetrar uma ofensa aberta contra os paulistas quando estes insurgiram-se contra um governo provisório que, depondo a administração em curso, prometeu, sem cumprir, a nova constituição da qual, dizia-se (minha vez de sair-me bem!), o país precisava? NAP pretende reescrever a estória, ao sugerir um golpe? Golpe é o que o atual governo perpetra nos mais pobres, quase diariamente e sem remorso, arrastando junto a classe média. Não bastasse, Andrada, um paulista, estudante do Colégio Bandeirantes - o nome presta homenagem a homens baseados em São Paulo cuja coragem e tenacidade esticaram o Tratado de Tordesilhas dando ao Brasil suas imensas fronteiras! - aceita isso como um cachorrinho de madame! Volte lá no filme, e veja se ele não sorria! Assim NAP - NAP, bah! - flerta com a perfeita canalhice pretendendo rebaixar o esforço paulista contra um governo ilegítimo. O Decreto n° 19.398, de 11 de Novembro de 1930, estava claro. Apenas não foi cumprido:


   Aliás, notou a fonte a reproduzir o fac-símile original do Decreto? É próprio Istituto (sic) Ali Lulá! Conhece? Não conhecendo, apresento-o:

O níver da Liu

Uma das comemorações do níver da Liu aconteceu no último dia 3. Ela reuniu sua galera do vinho - ou a parte que pôde comparecer -, e este Enochato estava lá... Cada um levaria alguma garrafa, e havia muito para apreciar... belisquei aqui e ali, e comento apenas alguns exemplares. Teve o Anciano Criança Tempranillo 2015, e uma curiosidade associada: no presente rótulo, diz-se que ele envelheceu em barrica por três anos. Havia provado dele anteriormente (aqui!), mesma safra, mas o rótulo indicava dois anos de guarda. Alguém explica? Lendo aquelas notas, este três anos pareceu mais redondo e melhor acabado. Mostrou fruta bem evidente (será 2015 mesmo?), boca com acidez um pouco ligeira e rápido no final, algo surpreendente para um vinho simples com nove anos. Vi na Cave912 por R$ 63,00, e por esse preço enfrenta bem a concorrência, principalmente vários portugueses de supermercado. Ainda, mais arredondado se comparado ao Faustino Faustino VII Garnacha, degustado recentemente em duas safras, e vendido em mega-promo a R$ 58,00 ou sem promo a R$ 98,00. Esse Faustino de fato não me ganhou, embora eu goste de seus Gran Reservas.  Rolou um chileno, o Leyda Reserva Pinot Noir 2022. Há muito tempo trouxe do Chile um Grand Vin também Pinot do produtor, e não convenceu pelo preço lá. Não recordo-me muito das notas do reserva, mas este igualmente não convenceu na boca: bem ligeiro, acidez baixa, nada trouxe de novo ao meu conceito sobre chilenos: permanecem caros. Teve outro Pinot, o Fração Única 2021 da Casa Perini. O produtor teve seu Moscatel eleito como o quinto melhor do mundo, ali por 2017, por um painel de jornalistas ou algo assim, mas ninguém colocou o nome na reta. Experimentei e tive a certeza: o mundo faz Moscatéis melhores. Já experimentou um Moscato d'Asti? Experimentei um só, não lembro agora qual foi, mas mantenho na memória algo básico: equilíbrio. Doce sim, contrabalanceado pela acidez. O Perini era somente doce - enjoativo, portanto... Seu Fração Única tinha ótimo buquê, mas a boca entregava todas as características de um vinho simples: sem acidez nem diferencial, muito leve - pouco tanino, também -, rápido e rasteiro. Outro típico caso a despertar a dúvida: como pode ter um nariz tão interessante e uma boca tão singela? Uma possível explicação foi comentada recentemente: aromatizantes artificiais. Não sou contra colocar chips de madeira em tonéis de inox para dar toque de carvalho em vinhos simples. Acho desonesto quando isso é feito às escondidas - fora quando ainda vendem o produto como Reserva... Mas aromatizantes artificiais? Ninguém me perguntou, mas se querem saber, é o seguinte: aceita artificiarias (sic)?, vai beber cococola....

Apareceu um Poeme Grande Reserve Cabernet-Syrah, de garrafa bem bonita mas cuja safra perdeu-se em algum lugar... Um languedoquês (sic) um pouco acima dos já comentados aqui, com bom nariz mas boca quase tão simples quando os sul-americanos já descritos. Batizado também? Tem um pouco mais de estrutura sim, mas competiu com vinhos relativamente fracos - a menos do Anciano, e este pareceu-me acima dele. Assusta seu valor aqui, cerca de R$ 140,00, mas vem de importadora tubarona. Não deve ter custo superior a 4,00€ na França, mas não encontrei nenhuma referência a ele em sites franceses! Dá a impressão de vinho feito para o mercado brasileiro... Este Enochato compareceu com um Quinta do Noval Syrah 2016. O Eustáquio - não falei do vinho dele, um branco - comentou ter sido para ele o vinho da noite. Quando todas as garrafas estavam empilhadas num canto e a turma olhava para as taças vazias, saquei da mochila a derradeira, um MOB Lote 3 2018. Evaporou... Esses já foram bem comentados, não vou repetir-me. 

Ao fim e ao cabo, para um encontro onde a estrela foi a aniversariante e não os vinhos, diria o Enochato: teve bão... walew, Liu!