Cartuxa Reserva 2006;
Xabec 2008;
Finis Terrae 2008.
O Cartuxa Reserva, segundo o sítio, é produzido com cepas comuns do Alentejo: Trincadeira, Aragonez, Alfrocheiro, Periquita, Moreto e Tinta Caiada. É lavra da Fundação Eugênio de Almeida, que tem por ícone o Pera Manca. Dizem os conhecedores, este último já teve seus dias de glória e preços compatíveis. Atualmente mantém o preço compatíviel com o passado, sem manter os méritos de antanho. O Cartuxa Reserva 2006 apresentou boa coloração, praticamente novo. Boa fruta e pouca madeira: a receita simples e sem mistérios para um vinho agradar o grande público. Algo como café (chocolate? - rs!) dá um toque elegante. Retrogosto agradável, boa persistência. É um bom vinho, mas não para a faixa de R$ 200,00. Não custa muito menos lá fora (encontrei a safra 2011 por 26,00 euros no Garrafeira Nacional), o que só faz aumentar (estender?) o receio de que o produtor já tenha deixado para trás seus melhores dias, e embarcado no famoso conto do "faz a fama e deita na cama".
Já o Xabec 2008 foi extensamente comentado antes; veja aqui. Para um vinho simples, estes seis anos não lhe fizeram mal. Duraria mais tempo; se não outros seis, mais três ou quatro com certeza. O tempo massacrou diversos vinhos brasileiros, sinal de que, se no marketing já estamos craques (os produtores estão craques...); na competência técnica ainda tempos muito a aprender. O Xabec 2008 ainda pode ser encontrado na Grand Cru e o preço atual (R$ 62,00) não alterou muito com relação ao de 2012.
O Finis Terrae custa por volta de R$ 58,00 nos EUA, R$ 67,00 (!) no Chile e R$ 115,00 no Brasil. No Chile, o preço varia entre 15.000 e 16.000 pesos, e minhas garrafas não peguei mais de 10.000 pesos, o que reflete um aumento de 50% a 60% do produto no mercado chileno. Cada vez mais tenho certeza de que nossos vizinhos estão perdendo a noção. Começo a gostar de termos a Bolívia e a Argentina entre nós e eles... vai que a "sem noçãozice" pega...
Bem, o Finis Terrae é um vinho premium da Cousino Macul, que tem por ícone o Lota. Já bebi diversas garrafas e em sua versão 2010 é um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah. Infelizmente a garrafa ficou no apê da Carol, e o sítio do produtor menciona apenas essa safra em sua ficha técnica. Mas sempre é majoritariamente Cabernet. A safra 2008 ainda mantinha boa fruta bem balanceada com madeira, diferente de alguns vinhos premium chilenos que tornaram-se depósito de goiaba. Não sei das safras mais novas. Eu tinha boa recordações do Finis Terrae: sedoso, redondo, um veludo mesmo. Bebi a primeira taça e estranhei um tanto. Nem tão redondo, nem tão aveludado. Experimentei novamente, e olhei para o Akira. Ele retribuiu o olhar e foi direto ao ponto:
- Não parece mais aquele vinho que estávamos acostumados, não é mesmo?
- Então... mudou o vinho ou mudamos nós? - comentei, sorrindo. A clara menção ao Soneto de Natal, de Machado de Assis, arrastou-nos por assuntos mais agradáveis do que ver um antigo ícone solapado por um concorrente da metade do preço.
Conclusão
Independente do meu gosto, a atuação dos bacantes em qualquer evento sempre diz tudo: o vinho melhor acaba primeiro. O Cartuxa e o Xabec foram abertos quase ao mesmo tempo, e o segundo acabou em primeiro (sic).Para o meu gosto (e bolso), ficou assim: em primeiro, o Xabec. Seguindo de perto, o Cartuxa. Por R$ 115,00, o Finis de longe fica em terceiro. Se for gastar R$ 200,00 e só puder escolher entre esses três, não hesite: leve 3 Xabec pelo preço de um Cartuxa. Ou leve um Cartuxa, e tente ser feliz pensando em 3 Xabec (rs). Com o Finis, não dá...
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| Desta vez não temos um redentor cercado pelos vendilhões. O vendilhão ficou de fora, já que a garrafa do Finis Terrae foi deixada na casa da Carol, com um tantinho no fundo. |
