Showing posts with label Sauternes do Château Doisy-Védrines 2016. Show all posts
Showing posts with label Sauternes do Château Doisy-Védrines 2016. Show all posts

Sunday, February 9, 2025

Vinhos de sobremesa e NAP como leitor do blog!

Introito: NAP está certo!

Às vezes as memórias são sofrimento.
Outras, apenas redenção.
Oenochato

   Nosso Amado Presidente (NAP) é leitor do blog! Só pode ser! Veja:


   Transcrevo suas sábias palavras:

Se você vai no supermercado e desconfia que tal produto está caro, você não compra. Ora, se todo mundo tiver essa consciência e não comprar aquilo que ele acha que está caro, quem está vendendo vai ter que baixar para vender, porque senão vai estragar.

   O vídeo está disponível no canal de Youtube do Poder 360, produtor do corte. Sendo um canal livre, e o assunto importante demais para perder-se, reproduzo aqui guardando a fonte original. Mas diga aí, caro leitor: NAP lê ou não lê o blog? Lê! E aprende - ele não é um idiota completo como julgam alguns!, eu mesmo até ontem. Este Enochato reclama do preço alto dos vinhos no Brasil, e finalmente minhas palavras encontram eco em ninguém menos do que NAP! Por enquanto volto ao iluminado ensinamento para fazer a lista do que eu desconfio que estão caros: sal, pimenta, limão, banana, maçã, mamão, café (e como!), açúcar, arroz, feijão, óleo (azeite é uma prisca lembrança), leite, guardanapo, fio dental, tomate, brócolis, beterraba, batata, alface, gás e água mineral - todos os itens da minha compra semanal, além dos insumo básico para cozer o que for necessário. Notou carne no rol? Ah. Água, posso beber da torneira; substituí o guardanapo pela extremidade da camiseta (não uso mais toalhas na mesa, para economizar água); cortei a pimenta e uso fios soltos da camiseta para limpeza dental. Ademais, já já o ar será taxado pelo Andrada, e desconfio que a economia de agora irá pelo ralo quando a cobrança começar. Faço todos os sacrifícios pela pátria, pois esse é o dever do verdadeiro Cidadão, e não duvidem! Só não admito tentarem fazer-me de completo idiota. Se todos tiverem uma consciência mínima que seja, os biltres não passarão. É onde o chão afunda, mas não deixe de ver o vídeo abaixo. Ele se repete um pouco no início, para ficar mais engraçado no final.


Vinhos de sobremesa

   Essa postagem foi prometida em... Dezembro!, e diz respeito... ao meu níver (Outubro!). Sinal irremediável da falência do blog, para regozijo de muitos e tristeza de absolutamente ninguém. Ao assunto: quem acompanha esse missivista sabe de comparações frequentes entre exemplares rebas de Sauternes e colheitas tardias (CT) sul-americanas, notadamente o Tarapacá CT e o DV by Chateau Doisy-Védrines. Não conheço muito dos CTs chilenos e nada dos argentinos. Sei que no Brasil fizemos certa vez um Ice Wine congelando as uvas, e somos absolutos nessa área também. Veja o vínculo, até houve ameaça da segunda safra - ao que tudo indica, não se concretizou. Mas voltemos: até promovi, certa vez, uma brincadeira com 3 ou 4 vinhos de sobremesa, creio ter sido o Taracapá, o DV, algum Oremus e um Ice Wine. Não tenho certeza se foi publicada. Dessa vez, pretendi proporcionar aos confrades das diversas confrarias uma experiência de espectro mais amplo...


   A foto não representa a ordem de serviço: Undurraga Late Harvest 2021, DV 2016, Bacalhôa Moscatel de Setúbal 2011, Peller States Ice Wine 2023, Oremus Tokaj Aszú 5 Putônios 2016 e Château Guiraudo 2005. De saída, observamos vinhos de safras bem distintas. Isso poderia comprometer um pouco a experiência? A princípio sim, mas o salto de qualidade entre cada vinho pareceu dizer que não: em vinhos de sobremesa, a acidez faz toda a diferença para equilibrar o açúcar, e tal componente o vinho tem ou não tem; o tempo não a fará melhorar. Outro ponto é a qualidade do vinho dentro das ofertas do produtor. Os chilenos produzem seu CT, e pronto. Já os portugueses produzem seus Moscatéis que podem ser algo como 'colheita', mas pode haver também - no mesmo produtor - o Moscatel, o Moscatel Roxo, os Moscatéis Roxos 5 anos e 10 anos, e não sei até onde vai isso. Da mesma maneira, no caso do Château Doisy-Védrines, o DV é seu terceiro Sauternes, enquanto o Guiraud, além de seu um Sauternes Premier Grand Cru Classé na classificação de 1885, é o melhor vinho do produtor. Claro, os Tokaj começam com 3 Putônios, 4 Putônios, 5 Putônios, e o Eszencia, muito especial, é tão raro quanto caro. Então a brincadeira jamais versou sobre quem é o melhor, e sim sobre quais são as variações entre vinhos de sobremesa. Até porque o valor de cada produto denunciou sua posição, até onde foi possível: para minha surpresa, aconteceram algumas inversões. Ainda, preciso confessar ter submetido meus convivas ao terrorismo mais explícito, oferecendo-lhes dedais para a degustação antes de mostrar-lhes as taças... 😅

   Todos os grupos concordaram com a qualidade crescente dos três primeiros vinhos conforme a ordem de serviço, o Late Haverst seguido pelo DV e depois o Moscatel. Mas foi curioso acompanhar como, individualmente e em todos os grupos, a apreciação dos três últimos vinhos foi distinta para cada provador. Houve quem gostasse mais do Ice Wine ou do Tokaj, e o Guiraud ficou em terceiro na opinião de vários convivas em diferentes grupos. Não foram degustações técnicas; prevaleceu o gosto individual de cada um. Na média, a ordem proposta mostrou-se a preferida dos mais experientes, mas mesmo entre eles houve discrepâncias. Para mim, acompanhando as impressões de todos os grupos, foi um aprendizado notar algumas abordagens valorizando mais a intensidade do dulçor em detrimento da graciosidade dulçor + acidez - a segunda equilibra a primeira - mas convenhamos: em nível lúdico não existem verdades nos vinhos, apenas impressões.

   Houve um vinho que fiz questão de deixar de lado: o Jerez. Além do número atores já estar alto, não consegui um bom a ponto de obrigar (sic) os convivas a um esforço extra. A minha impressão é que um Jerez no preço do Guiraud levaria a tudo e todos (rs) no peito sem muita dificuldade. E não me aparece logo depois, por obra e graça do Ghidelli, um Lustau, o Vors 30 anos Pedro Ximenez?! Pois, saí com essa impressão praticamente confirmada (rs). Não sei se o Ghidelli ainda tem dele, mas tenho dos outros, para um embate de alto nível (rs) qualquer hora. Seria mui bienvenido... 

   Para quem não entendeu a epígrafe, ela vem na forma de recuperação da memória do amigo Akira, falecido há dois anos, por estes dias.. Ensinado na infância, carrego comigo a memória de quem me é querido sempre; não calhou ter uma postagem para o dia exato de seu aniversário (ou falecimento, tragicamente tão próximos), mas o registro fica para quando é possível, sem necessidade da formalidade da data. Alguns amigos também comentaram comigo a efeméride, e não é que alguém que não comentou também não tenha lembrado dela.

Não acabou!

   Grande importadora promove 'queima' com descontos de até 50%.  Até 50%...


   Mas está bem, tem lá vinhos com descontos de 50%... 40%, 30%... Algumas compras boas, outras nem tanto. É preciso ficar atento, use o Wine Searcher sempre para conferir que uma oferta é uma oferta de fato, e não promoção do dobro de 3x (6x!) pela metade (3x...). Alguns vinhos são de guarda, outros - inclusive safras mais antigas - não são apontados como tais.

   Vinho apontado como de guarda... safra 2019...


   Vinhos de safras mais antigas (2017, 2018) não apontados como vinhos de guarda...

   Mas... Se você for bacana, o desconto de quase 50% incide sobre vinhos mais 'nobres' - de bons produtores e mais novos, em vez de vinhos não necessariamente de guarda e/ou algo envelhecidos. Veja só a oferta encontrada por aí... (Drouhin Mâcon-Villages)


e no preço regular da importadora (esse não entrou em 'promo')


   Vai duvidar de que da procedência? Ah, tá... então chupa! (vai precisar aumentar bem, mas a importadora é legível e é a representante 'oficial' do produtor).


   Então, recobro as felizes palavras de NAP, e evoco o vídeo abaixo, de apenas 8 segundos, muito elucidativo quanto a lembrar da ação esperada da parte do verdadeiro Cidadão, segundo o 'conselho' de NAP.


Sunday, May 5, 2024

Sobre Hobbits e Homens

Introito: reservas infinitas de estupidez

   Sim, o brasio é isso: um dos poucos países do mundo com reservas infinitas de estupidez. Sendo nossa população finita (sic), e existindo cá alguns escassos iluminados - este a escrever é muito modestamente apenas mero ponto fora da curva - dá para calcular o quanto somos um povo sem noção. Dentro da plataforma do blog, clicando desavisadamente caí numa seção raramente visitada: aquela onde - não sei como nem porquê - mantém certos comentários descartados ou não encaminhados para meu e-mail. Por esse motivo vários apontamentos ficam sem reposta, embora outros foram sim descartados ao entrarem em minha caixa postal. Hoje apaguei mais de 200, e publiquei uns poucos - principalmente do sempre participativo e generoso Don Flavitxo. Preciso pedir desculpas pelo meu tosco domínio de Blog; o silêncio não foi desleixo nem soberba. Se o leitor recebe esta introdução como uma forçação (sic) de barra, invencionice do articulista para superestimar o espaço, veja só:


   Na postagem Escolha Sua Tragédia II, ato final foram no mínimo três comentários dispensáveis. Um reclama de ter suas bobagens democraticamente censuradas. Não tem noção; o sujeito quer ser publicado de qualquer maneira. Desconhece a célebre frase de Edward Coke, jurista inglês do Renascimento, para quem A casa de um homem é seu castelo. Certo, a frase tem muito mais profundidade do que atribuída aqui, não entrarei nesse mérito. Resumindo, a lei da 'vida real' vale para a 'vida virtual', e o blog é extremamente democrático dentro das leis estabelecidas por seu proprietário - eu. Minha opinião política não está sob julgamento ou discussão. Pule-a, se não quiser saber sobre política. O segundo idiota ignora o uso da ironia! A terceira opinião, inteiramente apagada, apenas registra para o leitor o fato de tontos em geral pretenderem poluir estas excelsas páginas com o excremento em estado puro exalado de seus cérebros. Não passarão. E tem mais:


   O primeiro comentário é até razoável, mas é isso mesmo: não publico réplicas sobre política, ainda que apoiem a premissa do blog! Pouco adianta reforçar meu ponto de vista; a proposta editorial é de não abrir oportunidade a tais comentários. Ponto! 


   Esta terceira, é um primor. Reforçando: o blog é democrático. E eu leio tudo sim - o que chega ao meu e-mail, pelo menos - não por curiosidade como pobremente supõe o detrator, mas para em primeiro moderar de fato (comprova meu apego à democracia), depois (e não menos importante) para procurar algum resquício de inteligência no debate, tornando-o digno de discussão. Claro, em 99% dos casos é perda de tempo. Mas o caboclo crê-me apenas curioso. É a estória conhecida, das reservas infinitas de estupidez.

A Dayane e a Renata

Um monte de postagens atrasadas, mas hoje a Dayane e a Renata passaram para almoçar. Saíram, estava escurecendo... horas e mais horas de conversa, reflexões, risadas, causos, planos e muito mais. Pelo começo: a Dayane já pensava em lançar mão de uma Xampa Taittinger - Brut básica, reba - que compramos em 'promo' de 300tinha. Ficou em cima da hora para cozinhar algo a contento, e sugeri uma mudança de planos: meu indefectível filé ao molho gorgo com um tintinho nojento, precedido um um espumantezinho honesto e sincero (risos!). A Cava Cordon Negro já apareceu demais aqui, principalmente nos últimos tempos, e é hors concours; como tintinho cacei um Castel del Monte Il Falcone Riserva 2013, da Azienda Vinicola Rivera, localizado na Puglia. Embora alguns lojistas nacionais digam tratar-se de um corte 70% Nero di Troia e 30% Montepulciano, o sítio do produtor diz 70% Nero di Troia e 30% de outras variedades locais. Também chamada de Uva di Troia, remete à cidade de Tróia na Puglia. A lenda de sua fundação faz conexão com a Tróia antiga, da atual Turquia, conquistada por Aquiles e sua turma, conforme Homero contou em sua Ilíada. Il Falcone aerou por uma hora antes de ganhar o balde e depois pular para as taças. Na primeira cafundaga a Dayane invocou Biotônico Fontoura...(!) Acho que a Renata falou um pouco da madeira, bem presente. Resfriado um pouco mais - além de maior aeração? - seus toques de fruta apareceram, junto de couro ou chocolate, e mais notas. Taninos já macios revelam o vinho em seu apogeu, com boa acidez e final médio, tudo bem equilibrado, casando razoavelmente com o bifim, em harmonização que não brilhou mas sem decepcionar. É bom enfatizar: nada tem a ver com essas porcarias de Primitivos de Puglia infestando prateleiras e tentando competir (sic) com igualmente ruins Primitivos de Manduria, todos invariavelmente doces e desbalanceados. Dizem existir Primitivos de Manduria sem o dulçor enjoativo. Talvez, conheço pouco. Só espero não me aparecerem pela frente, antes de morrer, a Mula sem Cabeça, o Boto Cor de Rosa e o ET de Varginha, tudo juntos e misturados, antes de eu conhecer um Primitivo (qualquer um!) sem esse dulçor dos quintos dos infernos (risos!)

A conclusão deu-se com um gorgo nojentinho escoltado por três vinhos de sobremesa, também provados todos em encontro não postado. Teve um Colheita Tardia da Aurora 2021, corte de Malvasia e Moscato. Para minha completa surpresa - já acontecera antes - ele praticamente equiparou-se ao Tarapacá Late Harvest com seu corte Sauvignon Blanc, Viognier, Gewurztraminer e Chardonnay. Ambos com agradável toque cítrico - para mim sempre soa à folha de laranjeira, embora as meninas identificassem um cítrico de outra origem - mas no Tarapacá a nota de mel também estava evidente, deixando-lhe um pouco mais de sofisticação. Ou talvez este Enochato simplesmente tenha notado esse ponto favorável do Tarapacá sem ter conseguido decifrar algum detalhe mais sutil do Aurora. Ambos, claro, com baixa acidez, deixando o doce prevalecer em boca e proporcionando algum desequilíbrio. O Doisy-Védrines, já muito comentado, levou todo mundo no peito, sem o mínimo esforço. Portanto, um vinho nacional competindo de igual para igual com um vinho Chileno aparece nas páginas do blog, e é retratado como tal, sem o menor preconceito do articulista. Um pelo outro, diria uma grata surpresa! É quando o nosso vinho, minúsculo, discreto, desimportante, um Hobbit por assim dizer (rs) pareia ombro a ombro com 'vinho de homem'. Afinal, bem ou mal, o Chile é o sétimo ou oitavo mais importante produtor de vinhos do mundo. Por favor, caterva, sem ilusões de achar que podemos competir com espumantes ou tintos de Xampanhe ou Médoc, como se entre nós e 'eles' (no caso de Xampas) não existissem Cavas, Brutos (um dos tipos de espumantes portugueses), Crémants (da Borgonha, da Alsácia, do Loire, de Bordeaux, de Limux, etc.), Prossecos, Sekts e uma miríade de outros. Apenas tolos sustentam que podemos competir com tintos e espumantes. 

Parece que podemos competir, regionalmente, com vinhos de sobremesa. Um Aurora Colheita Tardia custa R$ 30,00, o que dá USD 6,00. Um Taracapá custa no Chile USD 8,00. A bem da verdade essa safra da Aurora foi produzida com trabalho escravo, mas dou-me o direito de imaginar que o valor tenha sido reajustado desde aquele escândalo e hoje o sítio do produtor mostre um montante devidamente estabilizado. Então posso dizer: tem que custar a metade, e se necessário ser vendido em caixinha longa vida - o Taracapá vem de longe e usa rolha! - e assim poderemos reduzir o custo para o consumidor. Aguardo um vinho com qualidade mínima e preço adequado para dizer aos quatro ventos que produzimos vinho razoável. Vinho a custo alto não é admissível em um país agrícola

Sunday, October 23, 2022

Escolha sua tragédia

Introito

   Os ânimos acirram-se. Bob Jeff socou bala na polícia e cantou de galo. Os próximos capítulos serão eletrizantes. Ou não, como diriam os sábios de óculos. O sujeito que um dia mandou Zé Dirceu 'sair daí' para não comprometer um cidadão inocente que era nosso amado presidente Lulalelé agora abraça bolsonésio e seu lema 'Deus, Pátria, e-mais-alguma-tolice-qualquer'. No andar intermediário, um monte de gente estúpida, sem noção e desconhecedores da própria importância além dos restritos círculos a que pertencem - desportistas, 'artistas' e 'influenciadores' (risos!) - pregam votos em um ou em outro. Alguém acredita nessa turma? O suprassumo do extrato de pó de titica de galinha chegou na forma da declaração de um cantor obscuro, tido por muitos como intelectual porque, em sua fase relativamente produtiva tropeçou em duas ou três boas rimas: Os bilhões (roubados) da Petrobrás são nada comparado com esse projeto. O baguá assume que a Petro foi aliviada em bilhões e relativiza, aferindo que um escândalo desse tamanho é 'nada'?! E que, supostamente, bolsonésio é um perigo maior? Não pode ser. 'Bilhões' já é a ordem de grandeza do valor da empresa. E ela quase faliu nas mãos dos PTralhas. Alguém está muito, mas muito errado nessa estória. E claramente não sou eu...

A fonte do vídeo está aqui.

   Aqui, no térreo, gente que jamais na vida moveu os fundilhos para qualquer manifestação política agora é ativo cabo eleitoral de um tranqueira-genocida ou de um ladrão-corrupto. Recebo manifestações de ambos os lados, justificando por qual motivo deveria votar em 'a' ou em 'b'. Só queria que me respondessem o seguinte: para que votar em um ou outro se no dia seguinte à eleição estarei na oposição?! Deixo registrado meu pedido antecipado para Papai-Noel: que bolsonésio ganhe por um voto. Vou virar para os lulaslelés apontando o dedo e dizendo ser bem-feito, pois se eu jogasse meu voto nulo em lulalelé o empate garantiria a cadeira a ele, visto que o critério de desempate é o candidato de maior idade. Ou conceda-me o bom velhinho que lulalelé empate - e leve justamente pela maior idade. E vou virar para os bolsonésios e dizer que faltou justamente o meu voto para sua vitória. Está registrado aqui! 🤣 Em caso de resultado tão apertado, meu voto nulo terá sido o fiel da balança! 

Encontro Nix e as Moiras

O grupo Camarão com Pão, sucedido pelo Camarão com Vinho, assumiu sua forma final, Nix e as Moiras, nome retirados da mitologia Grega. A (boa) sugestão foi da Luciana, inicialmente repelida pelo articulista um tanto insatisfeito com a possível conexão entre Moiras e o... o... o 'Juiz', como dizem os PTralhas. E, claro, coisa alguma, tipo Petrolão, jamais aconteceu, a despeito da caetaneada que esta semana transformou nossos ouvidos em penico. Mas voltando... havíamos falado em desfrutar de um vinho com camarão em meu níver do ano passado(!) 😣, e por falta de agenda para testes o evento foi passando... até que rolou sem teste mesmo! A Dayane na foto, este Enochato, a Luciana, a Renata com a Sofia; atrás, o Akira.


Abrimos os trabalhos com o Mirabeau Pure 2020, um rosé delicado produzido na Provence, corte Grenache e Syrah, com buquê discreto até melhor nariz contestar (rs), fruta leve e algum detalhe que passou. Acidez quase média (sic), boca não muito complexa e ligeira, leve demais principalmente se perdemos um pouco a temperatura. Deve-se ter cuidado e servir em pequenas porções para mantê-lo agradável. Tivemos um Petit Chablis Pas Si Petit 2020, produzido pela La Chablisienne. Um 100% Chardonnay de Chablis (como todo Chablis!), deve ser o vinho mais simples do produtor e não me encantou, confesso. Tem sim sua graça, mas falta um pouco da força característica dos irmãos maiores. O toque cítrico está presente no nariz, acidez média, boca sem tanta mineralidade - mas está lá, precisa de atenção - também um algo rápido. Basta notar a garrafa, sobrou um bom tanto... Na esteira veio o Premier Cru Beauroy 2018, do mesmo produtor. Está mais no estilo que gosto, nariz mais pronunciado e complexo, embora não consiga separar bem as notas. Sempre penso identificar abacaxi na primeira cafundaga, mas quase nunca é (risos!). Acho que alguém comentou maçã. A boca é bem viva, a mineralidade se expressa numa pontinha de sal facilmente perceptível. Boa acidez e permanência, equilibrado. O Akira achou um pouco novo, mas não atinjo essa percepção. Para mim estava bastante bom 😋. Seguiu-se um Chablis Grand Cru Valmur produzido pelo Jean-Paul & Benoît Droin, cuja história remonta a 1600 e pouco. Com parreirais distribuídos pelas melhores zonas de Chablis, seus vinhos são muito respeitados. E muitos deles não são caros... nariz com frutas mais distintas - peguei damasco e casca de laranja, ou algo nessa direção, e alguém mais apontou outra fruta;  boca com mineralidade ainda mais marcada, ótima acidez com larga permanência e final delicioso. Acho que está no ponto para ser bebido. Valeu a pena ter guardado a garrafa por seus 8 ou 10 anos. Camarão a provençal e Chablis é uma combinação clássica, e funcionou muito bem. Sob preparo da Luciana, que já treinara solitariamente mais de uma vez antes (risos!), ela acertou a mão e em algum momento cada um suspirou e curtiu seu gole de vinho com camarão. Ainda tivemos um borgoinha tinto levado pelo Akira e um Sauternes Château Doisy-Védrines 2016 para fechar com sobremesas - não fotografei... Teve bão, senão os vinhos, as companhias sem dúvida! E ainda iniciei a Sofia aos vinhos de Chablis, sob olhar atento da mamãe Renata. Sofia gostou...

Saturday, November 6, 2021

Mais e mais bons vinhos e boas companhias

Introito

   Está certo que aconteceu há uma semana e apenas agora estou postando. Mas é-me desagradável, estando a rememorar tão alegres momentos, abordar o cotidiano torto onde vivemos. Como tenho mencionado, o cidadão de bem não pode mais pronunciar-se sobre qualquer assunto sem mencionar estes tempos de desmandos por parte de todos os poderes, corrupção, aparelhamento do estado e desinformação. Os novos quatro cavaleiros do apocalipse para os brasileiros? Serve de consolo saber que nossos acadêmicos recusaram a Ordem do Mérito Científico, mas a atuação da ciência brasileira tem deixado a desejar - como, aliás, a de outras instituições também. Isso claramente não ameniza a falta de ação da Academia. Na falta dela, vou eu mesmo:
   - Marcão (Pontes), há coisa de um ano, pouco mais, eu estava defendendo você em algumas conversas. Não que você estivesse sendo brilhante no comando do MCT, apenas não estava fazendo coisa errada no meio de um governo tão bagunçado, corrupto e canalha. Você é um sujeito com mestrado e piloto de caças. É um currículo e tanto, que o coloca entre os 5% melhores da nossa sociedade. Recentemente a ciência brasileira sofreu um corte de uns 90% em seu orçamento. Você - ao contrário de seu antecessor (quem lembra do baitola?!) - deveria saber o significado disso. Se fosse homem, teria pedido o chapéu. Não sem antes chamar à responsabilidade o presidente e os demais velhacos que perpetraram essa ignomínia. Permanecendo em seu posto, você iguala-se a eles em cretinice e vileza. Deveria preservar seu currículo. Custou muito chegar onde você chegou. E nem falarei sobre a comenda e o fato de ter sido chamado de burro por incompetente intelectualmente muito abaixo de si próprio. Urge cuidado para não justificar o xingamento, por mais baixo que tenha sido.

Carol, Regiane, Silvinha e Akira

Foi a turma que esteve comigo no sábado à noite, dia 30. A Rê ofececeu-se (foi oferecida pelos demais? Não sei, a combinação foi deles...) para preparar um risoto de gorgonzola e damasco, enquanto eu faria as vezes com meu indefectível bifim. Sabedor do gosto das meninas - Akira não conta! 😱 - separei um Bacio Della Luna 2019, já comentado diversas vezes. Esse espumante é o básico que agrada: perlage discreta, longe de fazer as bochechas estufarem quando colocamos um pouco da bebida na boca, equilibrado, um dulçor a mais do que o esperado para um 'extra dry', mas sem comprometer. Não há muito o que acrescentar ao que já foi dito muitas e muitas vezes anteriormente, uma vez que bebi vários no último ano. Preciso comentar que o risoto estava delicioso, e que casou bem tanto com o espumante como com os tintinhos nojentos que preparei para a noite. 

Velhos conhecidos

Chianti Classico Coli 2016 aerou por umas duas horas e tanto - esse não perco mais o serviço 😁 - e rancou (sic) um Uau de alguém quando servido. Claro, é muito superior a sul-americanos na faixa de preço, e ainda casa bem com um bifim. Basta acompanhar as demais postagens - até recentes - no vínculo acima para conferir. Ante a surpresa delas com um vinho europeu - na média bebem mais sul americanos - puxei da geladeira um Cedro do Noval 2015, que havia aberto no almoço. Foi minha terceira garrafa nessa safra, todas muito boas, todas compradas a bom preço no início da pandemia e ficaram guardadas um tempo. É sempre uma aposta certa; rico em frutas, especiaria, chocolate/café, boa boca - acidez, corpo e permanência, para sua faixa de preço, claro. 

Sobremesa

A sobremesa ficou por conta da Carol, que em sua primeira tentativa de finalizá-la no maçarico quase pôs fogo na casa de seus pais 😲. Nem tudo é perfeito... mas na hora ela performou (sic) magistralmente, e tudo funcionou muito bem. O creme brulée estava muito apetitoso, e combinou bem com um Sauternes do Château Doisy-Védrines 2016, que também virou um pouco carne de vaca por aqui. Sua acidez compensou bem o dulçor da sobremesa, e formaram um bom par. Preciso comentar ainda que o almoço contou com a presença do Armando e da Orlinda. Italiano da gema (rs), o Armando não vê hora de retornar ao seu amado Piemonte natal. Se ficarei um pouco triste quando ele partir, por outro lado adorarei visitá-lo lá na terra do Barolo, aproveitando de algum espaço debaixo da escada que ele possa me oferecer. Assim poderei tentar trazer algumas garrafinhas a mais na mala, economizando na hospedagem... 😝

Friday, November 5, 2021

Bons vinhos, boas companhias...

Introito

   O atual estúpido-mor da nação, cargo já ocupado por Luis Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff por ordem de idiotice crescente, para desespero geral e infelicidade completa dos cidadãos críticos, se já estava mal na condução do país e superou todos os seus pares com muita folga. Literalmente isolado na mais importante reunião dos líderes mundiais, foi conversar com... os garçons! Não que eles não sejam gente (sic!), mas acho que tem gente mais importante para conversar num momento como esse! Acompanhado do senador italiano Matteo Salvini, visitou o monumento em homenagem aos soldados brasileiros mortos na Segunda Guerra Mundial, em Pistoia. Dois fascistas invadindo o lugar de repouso sagrado dos nossos heróis que foram morrer longe de casa lutando contra... o próprio fascismo de Mussolini! Não bastasse, foi para outra cidade ver uma Torre e comer uma Pizza(!). É isso mesmo?! Confundiu a Torre de Pisa com Torre de Pizza? Quer piorar tudo? Não, não precisa acrescentar um quilo de merda ao que já está muito ruim; faz pior: concede a si próprio o título de Grão-Mestre do Mérito Científico. Ele, um capado mental apenas comparável à Dilma e seguido de perto por Lula, que poderia ser alcunhado Comandante Cloroquina (parece que os postos de Capitã/ão já estão reservados), recebendo a maior comenda da ciência brasileira?! Estão abrasileirando demais o brasil! Estão não, ele é quem está! A culpa sobre a permanência desse estrume no cargo de presidente recai principalmente - mas não apenas - sobre os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique. Ora, supõem-se eles mesmos lideres, querem opinar (opinam!) sobre o destino da nação, então teriam a obrigação de chamarem suas legendas e impetxarem (sic) o pulha. Essas legendas mais os atuais descontentes seriam suficientes para removê-lo do posto. A História precisa julgar esses idiotas, além do estúpido-mor do turno. E deixemos claro: a culpa de sua permanência recai nas mãos do Congresso. Não do canalha de seu presidente, que compete de perto ao posto de pulha-mor. Ele não seguraria o Congresso, ponto - a explicação não vem ao caso.

A reunião da sexta-feira

   Decidido a fazer reuniões com pequenos grupos, programei um encontro a quatro: o Akira - participante hors concours desde há muito tempo - D. Neusa e Romeu. Já tinha um tintinho na mira, e precisa de outro... queria algo que tivesse algum significado para com o encontro. Lembre-me do recente embate com um energúmeno que questionou se eu respeitava os limites legais ao trazer vinhos para o país, quando listei várias pessoas que haviam trazido dúzias de garrafas para mim, em muitas e muitas viagens - aliás a irmã da Orlinda está vindo aí, com mais 3 na mala! Lembrei-me de um que foi trazido pelo próprio convidado. Tava (sic) armada a algazarra.

   Tauba (sic) de queijos e frios preparada, bifões cortados, recebi os convidados com as garrafas já abertas. A menos da xampa, claro; ela ficou por conta do Akira, que executou a tarefa com sua habitual habilidade zero noiseO Champagne Piper-Heidsieck é um não-vintage engarrafado em 2015 (desta vez li no contra-rótulo). Degustada anteriormente em junho, mostrou o mesmo abacaxi característico da oxidação desse tipo de vinho. A perlage atraiu a atenção geral - não a minha, que não reparo nessas coisas 😒 -, por delicada. Tinha pão, ou fermento, o que acho não ter notado da outra vez. É uma expressão básica de champagnes - champagnes! -, basta ficar atento para notar. Acidez muito agradável, boa permanência, foi bem com uns queijinhos, principalmente o Manchego trazido pela D. Neusa. Depois servi os tintinhos nojentos às cegas. Para o primeiro, o Romeu disse 'ibérico', se não me engano. O Akira cheirou, cheirou que cheirou, olhou e disparou... 
   - Algo como Rioja... - depois falou que poderia ser algo mais, mas ao fim e ao cabo estava fixo em espanhol, talvez Rioja. D. Neusa olhou-me de olhos arregalados 😜. Comentei que era vinho de produtor que ele já havia bebido. Confirmei sua pergunta, era sim um Rioja. Ele brecou tudo com um gesto e voltou a cafungar. Por fim, decretou: 
  - Peraí! É um Remírez de Ganuza. 
   O segundo vinho também causou impacto e igualmente trouxe alegria à mesa, e todos ficaram surpresos. O Akira chutou entre americano e australiano, deixando-se levar pela última nacionalidade. Foi a deixa para que eu encaixasse os dedões próximos aos ouvidos, mãos abertas, e as abanasse para cima e para baixo: 
   - Urrú! Errou! - não era sem tempo... ele tinha acertado tudo desde a primeira reunião com o Renê!


Trasnocho 2008 é produzido pelo tal do Remírez de Ganuza, bodega de produtor homônimo, estabelecida em 1989 em Rioja Alavesa. Trasnocho, corte de Tempranillo, Graciano, Viura e Malvasia (Tempranilho lá pelos 90%) é assim: pensa num vinho potente. Guarde seu conceito do que seja potente, vá estudar e volte. O vinho foi aerado por umas três horas até o serviço. Logo de saída percebemos que está bom para beber, mas pode ficar guardado muito muitos anos. Muitos... não é difícil notar que no nariz é o que costumo chamar de tridimensional. Tem de tudo, muita fruta vermelha e negra, madeira (sem excesso!), algo na direção de chocolate/café/couro, arrisco que algo herbáceo. Álcool de 14,5%, só é perceptível se prestar atenção. Apesar da intensidade, está perfeitamente bebível, e com muito prazer para as papilas: enche e boca, tem ótimo corpo sem ofender, se me entendem, a persistência é larga, o final volta completo após engolirmos as últimas gotas. Uma verdadeira felicidade engarrafada, no seu mais profundo significado. Safras recentes (2012+) custam por volta de 100 dóla. Aqui, nas mãos de tubarões, R$ 1.700,00. Paguei uns R$ 350,00. Outros tempos, outros dóla (sic). Foi trazido pelo Romeu, há muito tempo, e no final lá estava ele para degustá-lo. Disse ter gostado bastante... 
   Agharta Black Label 2004 também surpreendeu. Aerado por mais de cinco horas até o serviço, chegou explosivo. Ótima estrutura - álcool, tanino, acidez e açúcar - competiu bem com Trasnocho. É mais concentrado, mas acho que menos complexo. Só um pouco menos... falamos de vinhos opulentos. Ótima persistência, a fruta e o tanino duram na boca. Apesar de 2004, mostrou-se novo; pode ser guardado por muito tempo. É produto da AVA (Área Vitivinícola Americana - para nossa sorte a tradução do inglês apenas inverte os 'A's) de Sonoma, um corte 92% Syrah, 5% Grenache, 1% Viognier, 1% Marsanne e 1% Roussanne, estas três últimas, cepas brancas. Os Rhône Rangers são viticultores que pregam ser o clima quente da Califórnia mais adequado às cepas mediterrâneas do sul do Rhône, e centram-se em seu cultivo em detrimento das cepas bordalesas ou borgonhesas. Aliados à sua vasta tecnologia em leveduras, os produtores americanos realmente conseguem produzir vinhos à altura dos franceses. Trasnocho e Agharta: taí dois vinhos que eu repetiria. No final tivemos o já batido (rs) Sauternes do Château Doisy-Védrines 2016 com bombom de morango, sobremesa um tanto doce mas muito requisitada no Cantos e Contos. Se usassem Lindit amargo, a qualidade seria outra. O preço também, claro... Teve bão. Mais vinhos nas festas de aniversário que seguiram-se...

Sunday, October 17, 2021

Era-se uma vez meu vinho piada pronta... 😨

Introito

Comentei há algum tempo sobre rótulos de vinho engraçados, quando mostrei alguns exemplos. Existem muitos outros, claro; do inusitado ao divertido, passando pelo mal gosto, tem de tudo. Um muito simpático é esse aí ao lado, Slow Lane Cab... Táxi da Pista Lenta? No sítio do produtor encontramos um comentário justificando rótulo e nome, conectando-o à proposta da produção do vinho. Só o caminhãozinho do rótulo não está carregado com uvas... de resto, tudo casa. Conheci-o em 2008; foi interessante. Estava na loja (uma Liquor Store) e pedi por uma garrafa de 25 ou 30 dóla. O Duílio ia cozinhar uma gororoba qualquer, e a ideia era um vinho para acompanhar. Era uma época de 1 dóla = 1,76 real... O atendente mostrou-me um bem no preço que pedi, mas sugeriu: "Se você está pagando 30 por um vinho, leve este por 36". Ara, que dúvida... levei os dois! Gostei tanto que voltei no dia seguinte e comprei mais uma garrafa de cada; queria porque queria (sic) compartilhar com os amigos do Brasil... Ah, o outro era nada mais nada menos que um Orin Swifit (produtor) Prisoner, que entraria no top 100 da Wine Spectator do mesmo ano. O Slow Lane foi posteriormente avaliado com 96 pontos pelo Parker. Menos... 94 estaria muito bom... 😝

Austrália

  A Austrália é um grande produtor de vinhos. Em termos de volume, anda sempre embolado com Chile, Argentina e África do Sul. A China está vindo aí com produção semelhante, mas não tenho qualquer notícia sobre a qualidade. Ela está geograficamente bem localizada; o problema é que são uns novatos na arte. Os vinhos podem ser ruins agora, mas chineses não fazem as coisas pensando em 50 anos... é um período de tempo muito curto. Ciência e cientistas para aprimorar suas leveduras eles têm, e se pensarmos em concorrência, devemos esperar o pior, ou o melhor, sei lá... sei mesmo que naquelas bandas os orçamentos de ciência e tecnologia não sofrem cortes de 90%... Voltando dessa digressão, a Austrália tem sua produção fortemente calcada na cepa Shiraz, embora Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Chardonnay também tenham forte presença. Australianos tentam de tudo sem medo nem vergonha, plantando Nebiolo e Barbera (nativas do Piemonte), Sangiovese (Toscana), Viognier (Rhône) e outras mais. Seus GSM, corte de  Grenache, Shiraz e Mourvèdre, inspirados no Rhône, são respeitados. Alguns Chardonnays - Cullen e Giaconda - atingem valores de 100 dóla, o que os coloca lado a lado com borgonhas Premier Cru de bom nível. Nunca provei esses brancos, mas os comentários são instigantes. As regiões mais famosas são os vales de Barossa, Clare e McLaren, sem prejuízo de outros também importantes. Seus principais ícones atingem valores superiores a 500 dóla (Granges, Hill of Grace), pelo menos o dobro dos exemplares sul-americanos. O melhor de tudo é que aqueles são bons...

Um início despretensioso

A reunião desta sexta-feira teve na abertura o Castello di Ama Al Poggio branco 2012, Chardonnay IGT produzido por conceituada casa da Toscana, a Castello di Ama, famosa por seus Chianti e pelo IGT L'Apparita, 100% Merlot. Al Poggio estava oxidado, o que não o tornou menos atraente. Nariz cítrico evidente para todos e sugestão de amêndoa apontada por este Enochato encontrou concordância nos convivas. Boca um tanto ligeira e acidez um pouco em declínio não tiraram algum encanto pelo conjunto. É um vinho do 20 dóla lá, à venda aqui (atualmente na safra '16, segundo estimativas no limite do frescor) pela bagatela de 500tão. Vejamos: 20 x R$6,00 = R$ 120, o que dá mais de 4x. A safra '12 foi comprada em 'promo' e infelizmente ficou guardada um pouco a mais de tempo. Custou em 2018 R$ 138,00. Pode? Pode... brasileiro adora conceder graças muito além das merecidas a vinhos e a importadores. É isso o que pedimos, é isso o que recebemos.

Servi a primeira rodada do Xisto Roquette e Cazes 2005 um pouco cedo, e a falta de refrigeração gerou olhares recriminadores por parte os convivas. Foi um fora... 🙄. Mas a segunda rodada algum tempo depois restaurou a bonança à mesa e os olhares tornaram-se mais alegres. Opiniões indicaram que poderia ser 2015, ou algo assim. Muita fruta, álcool menos evidente pela temperatura adequada, acho que a Dona Neusa falou de algo terroso. Tinha boa acidez, bons taninos, tudo bem balanceado. Havia experimentado outra garrafa dessa safra em Abril de 2020, e não estava tão boa. Desta vez foi muito diferente; estava bem mais próximo do que de espera para um vinho em seu preço. O chão afunda quando nos tocamos que, apesar de ter aberto bem, o vinho não evoluiu com o tempo. É aquilo, abre e fica; característica de muitos sul-amerianos tidos como bons. Analisar vinhos é difícil, né? Tenho dito... Anda na faixa de USD 80,00 (lá), e aqui está entre R$ 1.150,00-1.500,00. No... no se puede... Novamente preço entre 3x-4x, claramente superestimado já para seu preço 'lá'. Veja os comentários sobre esse vinho no vínculo e compare a percepção daquela garrafa. O último ponto é que a 80,00 moedas, dá para lembrar de uns 30 concorrentes de relação custo-benefício bem melhores. É possível enfileirar Chiantis, Barolos, Brunelos, Xatenêfis, Barbarescos e Rhônes, sem falar em muitos espanhóis e até diversos portugueses - por que não? Pior de tudo: pelo preço muito alto aqui, podemos comprar borgonhas de ótimos produtores por preço similar. Isso apenas desnuda mais ainda o quanto o preço está desbalanceado. Cadê os energúmenos para tentar dar um contra?!

Meu vinho piada pronta

- Olhalá (sic!), comprei esse vinho pensando em você!
Quantos e quantos não recebi em minha adega com essa piada pronta na manga. Bastava a pessoa se interessar um pouco e pedir para mostrar alguns vinhos que, lá na terceira tirada chegava a esse australiano. Muitas vezes o conviva ria; se ensaiava algum desgosto, logo ouvia:
- Pow... falei do vinho... O Parker pontuou com 96, disse que é elegante, potente e com personalidade... e você olhou o nome o rótulo...  Era a deixa para acabar tudo em risos. Old Bastard 2002 é produzido pela Kaesler, no Barrosa. Tem 15% de álcool que não se percebem; pela cor os convivas chutaram algo como 2015 (novamente!), porque não tinha nenhum halo que pudesse indicar ser envelhecido. Frutas vermelhas e negras e especiaria também indicavam sua jovialidade e complexidade. Boca pegada, com taninos muito maduros trasmitiram que era um grande vinho. Boa acidez, persistência e final longo... com o tempo ainda mudou no nariz, conforme muito bem notado pelo Akira, que se não bebe continua cafungando com maestria. Já experimentei alguns bons australianos: Torbrecks (mais de um, não postados; um registro de Don Flavitxo aqui), vários Kilikanoon (um na mesma postagem!), alguns Vasse Felix, outros (sic) Penfolds, etc. Nunca fiquei triste com um australiano na taça. O maior problema é o custo deles nas mãos de alguns importadores. 

O trio foi degustado com algum queijo e embutidos de entrada e um maravilhoso filé mignon de lombo suíno com alho poró e ervas de Provença, magistralmente preparados pela Márcia e trazido pelo Ghidelli. A tristeza ficou por conta da ausência da cozinheira. Ela tinha outro compromisso. Espero que esteja presente em alguma das próximas... faltaram mesmo fotos dos petiscos e prato principal. Ainda tivemos um bolo - ei, o que era, mesmo? 😕- gentilmente trazido pela Dona Neusa e que acompanhou bem um Sauternes do Château Doisy-Védrines 2016, que o leitor pode encontrar em outras postagens. Como diria Baco... teve bão... 🤤

Monday, July 26, 2021

O Prelado e as Vestais

File failed to load: https://cdnjs.cloudflare.com/ajax/libs/mathjax/2.7.2/extensions/MathMenu.js

Introito

   Desta vez dirijo-me a um grupo específico e não ao eleitor inexistente, a confraria Noivas de Baco. No sábado apenas duas vestais do templo atenderam ao chamado para o culto. Sim, somos uma fraternidade relativamente pequena - mas valorosa, dado o interesse de cada um no assunto - e claramente cada um tem sua agenda. Gostaria de comentar que uma confraria se faz com seus membros participando dos eventos. Sim, ainda estamos em tempos de pandemia, e é necessário todo cuidado e responsabilidade. Por outro lado as reuniões que temos feito são levadas com distanciamento, de maneira tranquila e ordeira, muito diferente de festas em boates. Sim, claro: quem sentir não ser apropriado não deve mesmo participar. Todos sabemos, inexiste penalidade ou recriminação. É uma reunião entre amigos em torno de um interesse comum, jamais uma obrigação de qualquer tipo. E, agora que ameaçamos sair debaixo da terra como marmotas após o inverno, ainda não temos um calendário definido de encontros. Apenas atento sobre podemos começar a respeito. Se os encontros de vinho e turismo serão mensais a partir de agora, encontros igualmente mensais espaçados destes por quinze dias proporcionaria degustações a cada quinze dias - e cada um pode julgar por si se é apropriado ou não. 

Sexta de degustação solitária...

   Na sexta-feira abri uma garrafa que estava muito boa, e da qual bebi pouco mais da metade. Apostei que poderia apresentá-la no dia seguinte, sem o perigo de passar vergonha. Claro, selecionara meu candidato para o dia seguinte e pensei comigo que nenhum adorador de Baco reclama de ser recebido com uma garra suplementar para o culto, mesmo que pela metade.

...Sábado de Aleluia

   A adoração a Baco é francamente anterior à religião católica, portanto não há o que se falar de plágio na invocação desta seção. A palavra, nos dias de hoje - alguém sabe desde quando? - é sinônimo de alegria e júbilo. É nesse espírito de congraçamento que fazemos uso da palavra para manifestar a satisfação do reencontro. Assim, receber as vestais Renata - recuperada da operação - e Dayane encheu este prelado de renovadas esperanças de um 2021 melhor que 2020... e pior que 2022... 😊

Cardápio e atores

   Por conta deste que escreve, o cardápio do cozinheiro de um prato só ficou por conta do indefectível filé ao molho gorgo. Por conta do número do número elevado de participantes, as batatas de fritadeira a ar queimaram um pouco 😖. Mas só um pouco... 😇 nenhum grande pecado. A já famosa entrada de frios também esteve presente, e acompanharam bem o vinho já aberto e bem aerado. A 'sobremesa' foi regada a vinhos já abertos. Novamente, ninguém reclamou...

Havia aberto no sábado um Mocali Mirus Rosso di Maremma 2008. Maremma era um pântano na época dos Etruscos,  e assim permaneceu - a despeito de várias tentativas de drenagem, inclusive já pelos romanos - até a década de 1930, quando sob ordens de Mussolini deixou de ser uma região entregue à malária em plena Europa. Ei, o idiota fez algo que prestasse. Lá pelos anos '90 os produtores mudaram-se definitivamente para lá, apesar de regiões próximas como Bolgheri estarem então bem estabelecidas. Maremma tem seus patéticos detratores por diversas razões, dentre elas a de permitir muitas cepas internacionais (Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlo, Petit Verdot, Syrah) misturadas às locais (Canaiolo, Ciliegiolo, Sangiovese, Pugnitello) mas... ora, se até este insignificante blog tem seus detratores... o que dizer de uma região nova que ousou afastar-se do cerne da produção toscana? Sobre o produtor, já comentei aqui, e aqui. Mesmo no segundo dia manteve fruta fruta vermelha, café/chocolate, açúcar residual com alguma presença mas o conjunto manteve-se harmonizado. Taninos muito bons, boa persistência, acidez equilibrada, bom final. Belo acompanhante para salame e presunto tipo alemão. Pêra-Grave 2017 é outro vinho muito bom, trazido pelas vestais Renata e Dayane. Vinho regional do Alentejo, bebi no ano passado um exemplar da safra 2016, que está comentado aqui. Assim, pouco mais de um ano depois atualizo a degustação de uma garrafa igualmente um ano mais nova, para certificar o que já conhecia: fruta muito fácil, café (chocolate?), um vinho alegre, equilibrado, taninos e acidez elegantes, corte de Cabernet Sauvignon, Syrah, Aragonez e Alicante Bouschet, cepa vastamente cultivada no sul da França e que aportou no próprio Alentejo nos idos de 1800, encontrando ali, segundo alguns, sua verdadeira residência. Com o bifão, veio também o Ferraton Crozes-Ermitage Le Grand Courtil 2009. Essa foi uma safrona no Rhône, que ajuda na sua 'janela de beberagem' (rs! sic!): até 2039... Bebi dele há algum tempo (não postei) e estava ótimo. Este mantém notas herbáceas, fruta e algo na direção de fumo. Boca com ótima acidez, taninos vivos, boa persistência e bom final, um vinho redondo. Comentei sobre outros Ferratons que bebi aqui e aqui, quando propalei (rs) um dos grandes blefes destas páginas, supondo que um vinho chileno teria - teria - batido franceses em degustação às cegas. Foi divertido ver algumas reações. Como comentado, Ferraton não tem encontrado uma casa fixa no Brasil, mas parece que alguns vinhos estão disponíveis a preços razoáveis. Comprei 3 garrafas de Enoeventos este ano e ainda tinha uma lá (bobeei, achei que tinha rapado o estoque). Não sei se durou muito... No final servi um queijo tipo gorgo com o Sauternes do Château Doisy-Védrines 2016, um  Adriano Reserva Particular sem vintage e um Tokaj Leonis Selection 3 putônios 2006, vinhos mencionados em postagens recentes. O Adriano, engarrafado em 2001, permaneceu alguns meses em geladeira, sendo servido em dedais aqui e ali para certos felizardos. Seus aromas terciários - nozes, principalmente - estavam deliciosos. Acabou, infelizmente. Ainda tenho um ou dois Portinhos (sic) de vintage ou engarrafamento mais ou menos dessa data. Aguardem episódios dos próximos capítulos.

Valore$

   Mocali anda à venda em safras mais recentes por uns R$ 250,00 (USD 50,00), e é um vinho 'lá' de USD 22,00. Vale a pena. Pêra-Grave foi comprado pelas meninas (sei porque compramos alguns vinhos juntos) a uns R$ 150,00, e é um vinho de uns USD 12,00 (ou pouco mais) 'lá'. Na 'promo' é bão tameim (rs! sic!). Ferraton, vinho de USD 50,00, paguei cercade R$ 260,00 'cá'. Essa sim foi uma comprona, arrematei aqui pelo preço 'lá': 1x. Baco gostou...

Sunday, July 18, 2021

Noivas de Baco 2 - A vingança

Introito

   Róliúdi já nos soterrou em milhares de toneladas de fétido material orgânico disfarçado de suas sequências que danificam nossa inteligência com sequelas graves. Títulos como 'o retorno', 'a vingança', 'agora é pessoal' e assim vai ad nauseam, sobram na programação de tv (suadamente) paga com nossa labuta diária. Que as pessoas acordem desse torpor é, reconheço, sonho de uma noite de verão. O ser humano gosta de famosa lei do menor esforço. E não falo do brasileiro não, falo do Homo sapiens. É triste, mas é a verdade. A parte boa de escrever sobre vinho no brasio é que esse público tende a ser mais crítico, colocando o cérebro a funcionar com maior frequência.  Então, se não podemos sonhar com usuários abandonando em massa os canais pagos, ouso imaginar que os bebedores brasileiros algum dia darão um via il culo aos importadores energúmenos e começarão a racionalizar suas compras. Estamos na Era da Informação. Ela se propaga... volto ao assunto.

A vingança

   De vingança, essa postagem nada tem. Aconteceu apenas que, no meio da degustação dos burge, a vestal Dayane propôs apresentar um vinho na quinta-feira. Foi a deixa para a Noiva de Baco Eduardo Viagens (sic!) imediatamente sugerir outra reunião, dessa vez em minha casa, local oficial dos cultos da confraria. A Noiva de Baco Gustavo ficou de pensar o cardápio, e não demorou para sugerir um Fetuccinne Alfredo com Bisteca Fiorentina. Entre adesões e algumas pessoas impossibilitadas, a adesão do grupo ficou clara e o encontro estava viabilizado.

Noivas de Baco e Vestais do Templo juntos deste Prelado. Da esquerda: Gustavo, Dirlene, Riana, este Prelado, Luciana, Tatiane e o Eduardo tentado operar o celular sem cortar nossas cabeças. Isabela, Dayane, Renata e Ricardo, participantes mais frequentes dos Cultos, não puderam comparecer, o que foi uma pena. Esperamos ainda que outros participantes juntem-se a nós tão logo professem sua fé. Anunciado o cardápio, lembrei providencialmente que sua procedência - Florença - situa-se na região de Chianti, e outras DOCs próximas seriam Brunello di Montalcino e Vino Nobile di Montepulciano. Nunca se perde a esperança de que alguém traga um Brunello, não é mesmo? 😝 Ainda que dificilmente alguém levasse... 😔

A bisteca e os vinhos

Alguém ofereceu entrada com salame e presunto, e claro ninguém recusou. Começamos com um tinto, enquanto o Eduardo não aprecia com o prometido espumante. Também não ouve reclamações. Em dado tempo, o Gustavo apareceu com seu prato, e também não houve quem se fizesse de rogado. Nota-se sem a menor dificuldade um fervor religioso profundamente arraigado em todos... Baco gostou... A maior parte dos devotos acabou comparecendo com Chiantis. A esperança é a última que morre... mas morreu mesmo (rs); ninguém levou um Brunello. Contudo, antecipando o fato, este Enochato guardara algo diverso para contrapor às demais oferendas.

Começamos as orações embalados no I Colombi Chianti Classico 2015 ofertado por este escriba tão logo o Gustavo chegou para iniciar os trabalhos. Fruta vermelha muito evidente, taninos e álcool harmonizados, corpo e acidez médias, embalou nossas primeiras conversas enquanto as pessoas iam chegando aos poucos. O clima de confraria não permitiu-me prestar maior atenção às características de cada vinho. O mais importante foi que nenhum decepcionou. Depois dele veio o Freixenet, um Cava muito conhecido e de bom equilíbrio, mostrando que não, o espumante brasileiro não é o segundo melhor do mundo, perdendo apenas para os de Champagne. Na frente dele estão - além dos Cava - os Cremant da Borgonha e Alsácia, os espumantes do Loire, os portugueses de Bairrada e Douro, os americanos, sul-africanos, australianos, argentinos, chilenos (até eles!), ingleses, suecos, dinamarqueses, suíços, finlandeses, suecos (eles entraram de novo na fila com sua segunda linha e ficaram na nossa frente! 😫) e noruegueses. Só pra citar alguns, claro. Saibam disso e sejam menos ignorantes; nosso espumante é um embuste. Bem, a Luciana chegou com um Chianti Clássico Malaspina 2018. Já experimentei da safra 2015, duas vezes uma está aqui. É um vinho que gosto, e destaca-se na faixa de preço. A Dirlene compareceu com um Chianti Podere Primo também 2018 e - olha lá! - pertencente ao catálogo da mesma importadora do Malaspina, a Cia Bel, mantenedora da loja de internet  Lovino - sucessora do Empório Festval (era assim mesmo, com "t" mudo). Este enochato apresentou um Gattavecchi Vino Nobile di Montepulciano Riserva 2013. Foi importado pelo Verdemar e esta à venda no Savegnago Passeio pela bagatela de R$ 200,00. É importado também pela... Lovino!, mas o preço lá está mais alto (R$ 350,00). Lá fora é um vinho de USD 20,00 (pelo menos R$ 100,00!), o que mostra que a Lovino dá um pulo fora da casinha pelo menos nesse vinho. Esse tentei reparar um pouco mais, afinal era meu vinho. Marcou pelas notas terrosas e fruta evidente no nariz, com boca marcada por boa acidez, mineral, taninos mais firmes aliados a 30 meses em barrica francesa. Está pronto e muito bem acabado para consumir. Um bom vinho que, acredito, arrancou suspiros das vestais e deixou arregalados os olhos das Noivas. Como sobremesa, brindei os convivas com um Sauternes do Château Doisy-Védrines 2016 acompahado de um roquefort francês. Apresentei finalmete um dedal  para cada do Adriano Reserva Particular sem vintage (mas engarrafado em 2001), que abri em fevereiro deste ano, e estava na geladeira.
   Como último registro, cito conversas com as vestais vindas de S. Paulo. Elas reclamam do preço dos vinhos por aqui, no umbigo do estado. O Akira, vindo da cidade grande para fazer doutorado por aqui nos idos de 2001, já dizia o mesmo em sua época. E pouco tem mudado desde então e até o momento, com a diferença de muitos e muitos compradores locais migraram para a internet como ponto preferencial de compras. Recuperando o dito, a informação se propaga... as pessos chegam de fora com suas impressões, os locais também percebem a diferença de preços cá e lá. Os lojistas, todos eles, parecem conformar-se com a situação. Não é o caminho.