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Wednesday, February 28, 2024

Xisto Cru, entre idiotas e espertalhões

Introito. De idiotas e espertalhões.

Bolsonésio promoveu um encontro de idiotas e espertalhões na Paulista, estes dias. O roteiro era simples: idiotas aplaudiriam espertalhões, igualzinho ao que aconteceu pelo Nordeste inteiro nas últimas eleições presidenciais. Entre acompanhar os discursos ao vivo, via internet, e dedicar-me a alguma atividade produtiva, escolhi reassistir a alguns episódios de Vila Sésamo (anos '70!) disponíveis no Youtube - como era bela, a Sonia Braga. Mulheres tão belas normalmente envelhecem bem - como bons vinhos... Não sei como ela está agora, mas não de demovem: deve continuar bela. Voltando: as fotos abaixo mostram a movimentação em algum momento, não sei qual - a fonte está aqui, logo no minuto um, e a divulgação do vídeo é do Capitão Derrite, Secretário de Segurança Pública de São Paulo, bolsonésio assumido. Assumo que imagens não mintam. A polícia, sob controle do governador, presente ao evento, estimou os apoiadores em 750.000. Especialistas da USP - universidade onde estudei - valendo-se de um software para contar cabeças, em 185.000. Quem sabe fazer conta de vezes, e estimou a largura e comprimento da avenida, e a concentração das pessoas, riu de todas as estimativas. Em defesa da minha instituição - toca passar pano! - digo que o software contou apenas as cabeças, e devia mesmo ter muita mula sem cabeça presente, não sendo, portanto, contabilizadas. Quinhentos mil descabeçados concentrados em tão pouco espaço? Às vezes acontece... veja os jogos de futebol... nada, nada, dá uns 50 mil...
   Vemos abaixo um dos lados da Avenida bem congestionada por vários quarteirões, enquanto outro lado não estava tão movimentado, e tire suas conclusões. A minha é simples e direta: as mulas sem cabeça não se limitaram àquelas presentes na reunião.

   

Segundona da alegria e o Xisto Cru

A Liu - e outros compadres - estavam de malas prontas para ir conhecer algumas vinícolas da Serra Gaúcha e cercanias - saíram nesta noite de terça-feira. Ela comentou quais seriam visitadas, só não transcrevo para evitar ferir susceptibilidades mais aguçadas... Foi que ontem nos encontramos para um jantar de despedida. Recebi-a com um branquinho nojento, o Petit Chablis Pas Si Petit 2020, que, se encanta quem não está acostumado com a elegância de Chablis melhores, causa boa impressão a quem desconhece melhor a região. Não é ruim, em absoluto, principalmente se comprado a bom preço. Tem nariz com frutas brancas, tem a mineralidade tão característica da região, é equilibrado, a acidez está presente mas é um tanto ligeiro. Novamente: não pode ser comparado aos irmãos maiores, Premiers Crus, mas defende-se bem, na faixa de preço (uns R$ 130,00, mas já faz algum tempo). Meu indefectível filé ao molho gorgo foi acompanhado por um Xisto Cru 2014, o último dos moicanos.

Numa 'promo' espetacular comprei meia dúzia de Xisto Crus, e postei alguns. Não o tenho encontrado em 'promo' desde então, mas... tem Quinta do Noval rolando por aí. Tente os Syrah e Touriga Nacional, sem sisquecer do Petit Verdot. Não experimentei desse, mas Don Flavitxo falou muito bem - e é impossível desprezar uma sugestão dessa qualidade. Voltemos... a Liu cafungou e maravilhou-se: encontrou compota de ameixa, cereja, madeira e mais notas logo de cara. Safadinha... comentei algo como chocolate e/ou café, ela fez que não... 😣 Indócil (risos), procurou no Vivino e achou mesmo tais notas - o que significa pouco para este Enochato, posto Vivino estar cheio de bocas tortas. Acidez muito marcante, combinou com o bifim; tem boa permanência e final, e - não me lembrava - suportado por modestos 12% de álcool. Escrevo estas linhas junto da última taça de Xisto Cru: continua perfumado, ótima boca, bom final. Vai deixar saudades.

A Liu levou a garrafa do Chablis. Ela de saída, não resisti à provocação. Disse-lhe: Leve a garrafa amanhã, para comemorar a saída do passeio. Nem precisa de copo, chegue lá bebendo no bico. Ofereça aos confrades, e conte-lhes minha advertência: será o último gole de vinho bom durante toda se semana... Espero que depois me contem... 😂🤣

Sunday, October 23, 2022

Escolha sua tragédia

Introito

   Os ânimos acirram-se. Bob Jeff socou bala na polícia e cantou de galo. Os próximos capítulos serão eletrizantes. Ou não, como diriam os sábios de óculos. O sujeito que um dia mandou Zé Dirceu 'sair daí' para não comprometer um cidadão inocente que era nosso amado presidente Lulalelé agora abraça bolsonésio e seu lema 'Deus, Pátria, e-mais-alguma-tolice-qualquer'. No andar intermediário, um monte de gente estúpida, sem noção e desconhecedores da própria importância além dos restritos círculos a que pertencem - desportistas, 'artistas' e 'influenciadores' (risos!) - pregam votos em um ou em outro. Alguém acredita nessa turma? O suprassumo do extrato de pó de titica de galinha chegou na forma da declaração de um cantor obscuro, tido por muitos como intelectual porque, em sua fase relativamente produtiva tropeçou em duas ou três boas rimas: Os bilhões (roubados) da Petrobrás são nada comparado com esse projeto. O baguá assume que a Petro foi aliviada em bilhões e relativiza, aferindo que um escândalo desse tamanho é 'nada'?! E que, supostamente, bolsonésio é um perigo maior? Não pode ser. 'Bilhões' já é a ordem de grandeza do valor da empresa. E ela quase faliu nas mãos dos PTralhas. Alguém está muito, mas muito errado nessa estória. E claramente não sou eu...

A fonte do vídeo está aqui.

   Aqui, no térreo, gente que jamais na vida moveu os fundilhos para qualquer manifestação política agora é ativo cabo eleitoral de um tranqueira-genocida ou de um ladrão-corrupto. Recebo manifestações de ambos os lados, justificando por qual motivo deveria votar em 'a' ou em 'b'. Só queria que me respondessem o seguinte: para que votar em um ou outro se no dia seguinte à eleição estarei na oposição?! Deixo registrado meu pedido antecipado para Papai-Noel: que bolsonésio ganhe por um voto. Vou virar para os lulaslelés apontando o dedo e dizendo ser bem-feito, pois se eu jogasse meu voto nulo em lulalelé o empate garantiria a cadeira a ele, visto que o critério de desempate é o candidato de maior idade. Ou conceda-me o bom velhinho que lulalelé empate - e leve justamente pela maior idade. E vou virar para os bolsonésios e dizer que faltou justamente o meu voto para sua vitória. Está registrado aqui! 🤣 Em caso de resultado tão apertado, meu voto nulo terá sido o fiel da balança! 

Encontro Nix e as Moiras

O grupo Camarão com Pão, sucedido pelo Camarão com Vinho, assumiu sua forma final, Nix e as Moiras, nome retirados da mitologia Grega. A (boa) sugestão foi da Luciana, inicialmente repelida pelo articulista um tanto insatisfeito com a possível conexão entre Moiras e o... o... o 'Juiz', como dizem os PTralhas. E, claro, coisa alguma, tipo Petrolão, jamais aconteceu, a despeito da caetaneada que esta semana transformou nossos ouvidos em penico. Mas voltando... havíamos falado em desfrutar de um vinho com camarão em meu níver do ano passado(!) 😣, e por falta de agenda para testes o evento foi passando... até que rolou sem teste mesmo! A Dayane na foto, este Enochato, a Luciana, a Renata com a Sofia; atrás, o Akira.


Abrimos os trabalhos com o Mirabeau Pure 2020, um rosé delicado produzido na Provence, corte Grenache e Syrah, com buquê discreto até melhor nariz contestar (rs), fruta leve e algum detalhe que passou. Acidez quase média (sic), boca não muito complexa e ligeira, leve demais principalmente se perdemos um pouco a temperatura. Deve-se ter cuidado e servir em pequenas porções para mantê-lo agradável. Tivemos um Petit Chablis Pas Si Petit 2020, produzido pela La Chablisienne. Um 100% Chardonnay de Chablis (como todo Chablis!), deve ser o vinho mais simples do produtor e não me encantou, confesso. Tem sim sua graça, mas falta um pouco da força característica dos irmãos maiores. O toque cítrico está presente no nariz, acidez média, boca sem tanta mineralidade - mas está lá, precisa de atenção - também um algo rápido. Basta notar a garrafa, sobrou um bom tanto... Na esteira veio o Premier Cru Beauroy 2018, do mesmo produtor. Está mais no estilo que gosto, nariz mais pronunciado e complexo, embora não consiga separar bem as notas. Sempre penso identificar abacaxi na primeira cafundaga, mas quase nunca é (risos!). Acho que alguém comentou maçã. A boca é bem viva, a mineralidade se expressa numa pontinha de sal facilmente perceptível. Boa acidez e permanência, equilibrado. O Akira achou um pouco novo, mas não atinjo essa percepção. Para mim estava bastante bom 😋. Seguiu-se um Chablis Grand Cru Valmur produzido pelo Jean-Paul & Benoît Droin, cuja história remonta a 1600 e pouco. Com parreirais distribuídos pelas melhores zonas de Chablis, seus vinhos são muito respeitados. E muitos deles não são caros... nariz com frutas mais distintas - peguei damasco e casca de laranja, ou algo nessa direção, e alguém mais apontou outra fruta;  boca com mineralidade ainda mais marcada, ótima acidez com larga permanência e final delicioso. Acho que está no ponto para ser bebido. Valeu a pena ter guardado a garrafa por seus 8 ou 10 anos. Camarão a provençal e Chablis é uma combinação clássica, e funcionou muito bem. Sob preparo da Luciana, que já treinara solitariamente mais de uma vez antes (risos!), ela acertou a mão e em algum momento cada um suspirou e curtiu seu gole de vinho com camarão. Ainda tivemos um borgoinha tinto levado pelo Akira e um Sauternes Château Doisy-Védrines 2016 para fechar com sobremesas - não fotografei... Teve bão, senão os vinhos, as companhias sem dúvida! E ainda iniciei a Sofia aos vinhos de Chablis, sob olhar atento da mamãe Renata. Sofia gostou...