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Saturday, November 6, 2021

Mais e mais bons vinhos e boas companhias

Introito

   Está certo que aconteceu há uma semana e apenas agora estou postando. Mas é-me desagradável, estando a rememorar tão alegres momentos, abordar o cotidiano torto onde vivemos. Como tenho mencionado, o cidadão de bem não pode mais pronunciar-se sobre qualquer assunto sem mencionar estes tempos de desmandos por parte de todos os poderes, corrupção, aparelhamento do estado e desinformação. Os novos quatro cavaleiros do apocalipse para os brasileiros? Serve de consolo saber que nossos acadêmicos recusaram a Ordem do Mérito Científico, mas a atuação da ciência brasileira tem deixado a desejar - como, aliás, a de outras instituições também. Isso claramente não ameniza a falta de ação da Academia. Na falta dela, vou eu mesmo:
   - Marcão (Pontes), há coisa de um ano, pouco mais, eu estava defendendo você em algumas conversas. Não que você estivesse sendo brilhante no comando do MCT, apenas não estava fazendo coisa errada no meio de um governo tão bagunçado, corrupto e canalha. Você é um sujeito com mestrado e piloto de caças. É um currículo e tanto, que o coloca entre os 5% melhores da nossa sociedade. Recentemente a ciência brasileira sofreu um corte de uns 90% em seu orçamento. Você - ao contrário de seu antecessor (quem lembra do baitola?!) - deveria saber o significado disso. Se fosse homem, teria pedido o chapéu. Não sem antes chamar à responsabilidade o presidente e os demais velhacos que perpetraram essa ignomínia. Permanecendo em seu posto, você iguala-se a eles em cretinice e vileza. Deveria preservar seu currículo. Custou muito chegar onde você chegou. E nem falarei sobre a comenda e o fato de ter sido chamado de burro por incompetente intelectualmente muito abaixo de si próprio. Urge cuidado para não justificar o xingamento, por mais baixo que tenha sido.

Carol, Regiane, Silvinha e Akira

Foi a turma que esteve comigo no sábado à noite, dia 30. A Rê ofececeu-se (foi oferecida pelos demais? Não sei, a combinação foi deles...) para preparar um risoto de gorgonzola e damasco, enquanto eu faria as vezes com meu indefectível bifim. Sabedor do gosto das meninas - Akira não conta! 😱 - separei um Bacio Della Luna 2019, já comentado diversas vezes. Esse espumante é o básico que agrada: perlage discreta, longe de fazer as bochechas estufarem quando colocamos um pouco da bebida na boca, equilibrado, um dulçor a mais do que o esperado para um 'extra dry', mas sem comprometer. Não há muito o que acrescentar ao que já foi dito muitas e muitas vezes anteriormente, uma vez que bebi vários no último ano. Preciso comentar que o risoto estava delicioso, e que casou bem tanto com o espumante como com os tintinhos nojentos que preparei para a noite. 

Velhos conhecidos

Chianti Classico Coli 2016 aerou por umas duas horas e tanto - esse não perco mais o serviço 😁 - e rancou (sic) um Uau de alguém quando servido. Claro, é muito superior a sul-americanos na faixa de preço, e ainda casa bem com um bifim. Basta acompanhar as demais postagens - até recentes - no vínculo acima para conferir. Ante a surpresa delas com um vinho europeu - na média bebem mais sul americanos - puxei da geladeira um Cedro do Noval 2015, que havia aberto no almoço. Foi minha terceira garrafa nessa safra, todas muito boas, todas compradas a bom preço no início da pandemia e ficaram guardadas um tempo. É sempre uma aposta certa; rico em frutas, especiaria, chocolate/café, boa boca - acidez, corpo e permanência, para sua faixa de preço, claro. 

Sobremesa

A sobremesa ficou por conta da Carol, que em sua primeira tentativa de finalizá-la no maçarico quase pôs fogo na casa de seus pais 😲. Nem tudo é perfeito... mas na hora ela performou (sic) magistralmente, e tudo funcionou muito bem. O creme brulée estava muito apetitoso, e combinou bem com um Sauternes do Château Doisy-Védrines 2016, que também virou um pouco carne de vaca por aqui. Sua acidez compensou bem o dulçor da sobremesa, e formaram um bom par. Preciso comentar ainda que o almoço contou com a presença do Armando e da Orlinda. Italiano da gema (rs), o Armando não vê hora de retornar ao seu amado Piemonte natal. Se ficarei um pouco triste quando ele partir, por outro lado adorarei visitá-lo lá na terra do Barolo, aproveitando de algum espaço debaixo da escada que ele possa me oferecer. Assim poderei tentar trazer algumas garrafinhas a mais na mala, economizando na hospedagem... 😝

Monday, August 9, 2021

Reunião da Noivas de Baco

Introito

   Com o relaxamento das regras sanitárias para encontros, a confraria Noivas de Baco começa a se reunir um pouco mais. Semana passada aconteceu, com a perspectiva de degustações a cada quinze dias, alternando a quinzena com os eventos Vinho e Turismo, que também são mensais. Desta vez tivemos seis comparecimentos: duas noivas, três vestais e este prelado que vos narra. O pessoal veio animado. O encontro foi divertido, como veremos.

Vinhos

A recepção correu por conta do já famoso (rs) Bacio Della Luna 2019, espumante italiano que o pessoal tem apreciado. Esgotado na Enoeventos, onde encontram-se outras opções mais sofisticadas (Proseccos), é um espumante básico que funciona; no vínculo acima o leitor vai encontrar sua descrição. Tímido, escolheu não sair na foto... o Gustavo - lembro bem - compareceu com o Beauty in Chaos 2017, comprado junto à Grand Cru de S. Carlos. É um corte Cabernet Sauvignon-Merlot de Washington, região que produz vinhos de muita elegância. Este é um pouco mais comum, pega na baunilha com força, mas também tem boa fruta. Boca com certo dulçor - ambos, dulçor e baunilha baixaram bem quando voltamos a ele, na segunda rodada. Acidez média, taninos um pouco pronunciados mas conjunto bom. Tem uma relação de preço cá/lá de USD 26/12, o que dá pouco mais de 2x. Com esse dóla alto, quem não reajustou muito os vinhos está apresentando preços melhores. Não fosse a desvalorização de 40% de nossa moeda, daria uns 3.5x... é só fazer as contas... 

Acho que foi a Riana quem apareceu com um Faustino Crianza 2017, de Rioja. Já bebi várias garrafas do Faustino I Gran Reserva, que é muito bom. Postei umas poucas. O Crianza, não conhecia. Não lembro-me muito bem dos detalhes, mas recordo-me de que estava redondo, bem harmonizado. Acidez e corpo médios, creio que agradou a todos. A Luciana trouxe o Rioja Bordón 2008, das Bodegas Franco-Espanholas. Estava um pouco oxidado, mas para mim, ótimo. Perdeu um pouco da fruta e os taninos estavam bem suaves, e a acidez era boa. Na boca ainda ficou algo terroso, o que chamou atenção. O final estava discreto. Pelas características, não é um vinho 'fácil', mas a experiência foi atraente. O Gustavo também gostou. A Dirlene chegou com o IGT Primitivo Primo Puglia 2019, da Torrevento. Embalado pelas conversas, não prestei tanta atenção. Lembro que estava com fruta bem evidente, mas um pouco fechado e algo doce. Não tanto quanto outros vários Primitivos, mas o doce estava presente. Finalmente, e com o burgue (sic) divinamente preparado pelo Gustavo, apresentei outra garrafa do Cedro do Noval 2015. Havia bebido um bem recentemente, e achei que seria legal apresentá-lo para a turma. Eles pareceram ter gostado, e na minha opinião casou muito bem com o hambúrguer - há experimentara anteriormente, que não sou bobo nem nada. Este repetiu a garrafa anterior. Leia a postagem sobre ele; acho que valerá a pena. Com o preço atual de R$ 120,00, é uma boa compra. A foto foi tirada pela Riana. Divertidos com os vinhos, ninguém lembrou-se de registrar o encontro. O representante do Ricardo ficou na geladeira, assim como o Jerez da Luciana; os demais secaram. Sinal evidente de que tudo esteve muito bom... 😋

Saturday, July 31, 2021

Cedro do Noval 2015

Introito

   Jorge Lucki, um dos maiores especialistas sobre vinhos nesta terra de nós-cegos, tem coluna constante em Valor, importante jornal de economia. Faz sentido; o público desse veículo tem alguma sofisticação (nem que seja para segurar a taça da maneira mais afetada possível) e o jornal supre sua audiência com um assunto que, graças ao colunista, fica leve e informativo. Avisado pelo Ricardo, uma Noiva de Baco (rs! sic!), fui correndo olhar uma live armazenada no Youtube, está aqui, onde, em 51 minutos, Lucki discorre sobre muitos e muitos assuntos como evolução e métodos de produção, vinho nacional, importação e preço, considerações sobre consumidores, produtores e muito mais. Vale a pena conferir.
   Preciso dizer que concordo com muitos e muitos pontos abordados pelo Lucki, mas ainda discordo de uns tantos. Antes, também preciso dizer (desculpe a repetição) que ele é um profissional do mercado, oferece seus serviços de avaliação de vinhos a diversas importadoras e portanto não pode passar uma descompostura com bucha e sabão em quem, eventualmente, pagará pela sua consultoria. Ele faz certa crítica, mas dá o que vem-se chamando de uma boa passada de pano nas questões mais sensíveis. Nesse ponto este Enochato tem muito a ensinar ao Lucki. Os detratores dirão que será o único (ponto), e nem discordo. Mas e eles? Conseguem ensinar algo ao Lucki? Pois é...

Cedro do Noval 2015

Para minha surpresa - achei que fosse há mais tempo - recentemente experimentei um Cedro 2010. Já estava, portanto, com seus mais de 10 anos. Este, está com quase seis. Sua maioridade (no contexto da expectativa de vida) vem bem expressa em fruta vermelha viva e imediata, parecendo cereja. Especiarias? Chocolate? Na boca, a... cereja(?) acompanha, com o travo algo doce do vinho português. É um vinho médio: corpo, acidez, taninos não tão pegados... médios... álcool equilibrado (13,5%), boa permanência e retrogosto. Como a outra garrafa degustada, e como neste espaço faz todo sentido, dependendo do preço é felicidade engarrafada. Note que esse conceito é tão abrangente quanto etéreo. Um vinho bom mas muito caro jamais o será, enquanto um vinho mais simples a um preço honesto o será sem dúvida. Quem atribui esse conceito? Seu criador, este Enochato, é claro. Quer sistemas de notas até 20 pontos, até 100 pontos, estrelas, tacinhas, etc., veja todos os outros avaliadores. Aqui o leitor encontra um sistema único. E, claro, muito mais preciso, confiável e plenamente reprodutível... 😂😆  Claro, o sistema pode ser tudo, menos reprodutível. Ora, você não esperaria que eu entregasse algo de graça, esperaria? Não, não é assim. Custa escrever uma coluna. Cobro atenção e perspicácia do leitor. Não gostou? Youtube.com; vá no trends que tem (sic) um monte de coisa fácil e engraçada.

Preço

   Cedro é um vinho de preço médio em USD 18,00, atualmente. Dá R$ 90tinha. Aqui, encontra-se de R$ 169,90 por R$ 129,90. Também de R$ 192,00 por R$ 129,00. Se bobear, encontra a R$ 119,90, sem 'promo'. Para um vinho de mais de R$ 90,00 'lá', está um preção. Mesmo a R$ 180,00, ainda é 2x.  Continuo achando que destroça sul-americanos de R$ 200,00. A importadora é uma só. E, no final, quase todos os revendedores caem na mesma faixa de preço (notou?). Curioso, né? 
   Cedro sofre (sic) da mesma maldição de Terrunyo - já comentei em alguma postagem. Ficam naquela, tensionando o preço a R$ 320,00+ e fazendo 'promo' a todo momento, por R$ 240,00. Antes, era preço de R$ 240,00 com 'promo' a R$ 170,00. Por que não vendem logo ao preço menor, em vez de tentar praticar golpinhos em cima do consumidor desavisado? Quer dizer... estamos na Era da Informação. O consumidor já não pode ser chamado de desavisado. Otário cabe-lhe melhor. Invoco a máxima de Marx e Engels devidamente atualizada para nosso tempo e espaço: Consumidores do Brasil, emendem-se!