Showing posts with label Roquette e Cazes 2006. Show all posts
Showing posts with label Roquette e Cazes 2006. Show all posts

Sunday, May 17, 2020

Postagem dois em uma: o bebido Roquette e Cazes 2006 e bebendo o Clos Floridène 2009

File failed to load: https://cdnjs.cloudflare.com/ajax/libs/mathjax/2.7.2/extensions/MathZoom.js

Introito

   Estou com muita 'meda', estes dias. Alguns vinhos nos quais apostei maior longevidade, estão descendo a ladeira. Ô tristeza! Precisarei acelerar um pouco o consumo. E, com o advento desse odioso Corola vírus, preciso comentar com a caterva que consumirei as garrafas sozinho. A 'menas' que alguém se candidate a vestir aquelas roupas de segurança de laboratórios de pesquisa genética e vir para cá ajudar na tarefa. 'Tejem' avisados.

Roquette e Cazes 2006

   Andava bebendo coisas em setembro de 2017 quando experimentei um Roquette 2006, e estava bom. Depois do pega pá capá à portuguesa, fiquei um pouco preocupado com a longevidade desses e de outros vinhos mais simples de Crasto/Esporão. Andei conversando com Don Flavitxo a respeito, e ele apontou que vinhos mais icônicos dessas casas são mais longevos. Pow (rs), pelo que custam o Vinhas Velhas e o Xisto Roquette eu esperaria mais... Mas aí vi que tinha um Roquette e Cazes 2006, mas simples que o Vinhas Velhas. Sem muita dúvida, 'chamei' uma pizza, a Carol, e mandei ver...
   A rolha não sobreviveu bem - não fotografei. Precisei retirar com o saca rolhas de 'garfo', pois logo no começo notei que ela cedeu ao ser puxada. O vinho estava bom, mas claramente seus melhores dias haviam passado. Muito bebível, ainda com fruta, aquela goiaba de fundo, acompanhou bem a pizza de pepperoni, mas a borda atijolada testemunhava a terceira idade. Certo, cada garrafa é uma garrafa, como costuma dizer Don Flávio. Mas eu não apostaria mais fichas em Roquette e Cazes na safra 2006. Você tem? Vou citar outra que Don Flávio adora comentar: melhor um ano antes do que um dia depois. Saca-rolhas em punho, taça na mesa, e... garganta nele! Vá com tudo! Safras mais recentes, claro, teje frio (sic), e guarde mais um pouco. Eu compraria... se não fosse tão caro. O mercado tem opções melhores pela faixa de preço, ou opções similares bem mais baratas. Basta procurar - ou morrer de ler as postagens já cometidas (sic) por este travesti de analista.

Clos Floridène 2009

   Esse Graves 72% Cabernet Sauvignon e 28% Merlot foi minha primeira queima impulsionada pelo susto acima. É um vinho relativamente simples, mas é um Graves. Mas é relativamente simples (risos!). E, sendo assim (um Graves!), foi um tiro n'água. Estava muito bom: 'na fruta' (vermelha), algo na direção de chocolate aparecendo com algum respiro. Boa boca: acidez presente, bons taninos, madeira discreta. O final não é longo. Mas ei (rs), você aí que pensa que vinhos sul americano têm final longo... aprenda a beber (risos!); pegue um Clos Floridène e se desespere (gargalhadas; vá para 1:50 e recorde... porque esquecer-se é a perdição do homem...). Vinho é comparação. Uma vez acostumado aos europeus - e à acidez - é isso o que esperamos. Então, se não é um final longo para o padrão do bom vinho europeu, é bom o suficiente para destroçar sul americanos nessa faixa de preço (R$ 200,00) e mesmo além. Digo e repito: chilenos estão caros. Se (quando) abaixarem de preço, vou dizer. Se melhorar a qualidade, vou falar, também.
   Lembro que paguei uns R$ 65,00  no evento; era a comemoração de 50 anos da Mercearia 3M, há muito tempo. Outro dóla, como costumo dizer... Aliás, junto do Silicum, um toscaninho muito ajeitado, ele foi considerado por respeitado júri de experts como o vinho do evento. Alguém me perguntou quais eram os melhores vinhos, e dei como opinião justamente esses dois, antes da opinião cicular. É esses júris até que sabem de alguma coisa - embora eu ache mesmo que não. Mas preciso alimentar meus detratores com algum motivo para me detestarem, certo? É esse, aí acima... 🤣😂

Conclusão

   Não há muito o que concluir (risos!). Como primeira tentativa de reorganizar a adega, consumindo algo mais antigo, falhei fragorosamente. E olha que tenho aqui um Graves 2001. Acho que não foi exatamente uma tentativa de reorganizar a adega... foi mesmo uma tentativa de beber um vinho bom. Aí sim... 😄 acertei em cheio. O vinho ainda está a menos da metade, e chegou a pizza quentinha. Fui.

Thursday, September 7, 2017

Estarei bebendo coisas?

Estarei bebendo coisas?

   A literatura e o cinema já levaram à exaustão o clichê do personagem a se perguntar se está vendo/ouvindo coisas, quando seus sentidos passam por algum estranhamento. O estranhamento vem dos formalistas russos, que começaram seu movimento entre as décadas de 1910-1930 e acabaram por tornar-se os pais da crítica literária moderna (veja aqui, e demais vínculos na mesma página). O que este escriba tenta fazer agora é levar o estranhamento a um novo sentido: o paladar. A motivação é a de sempre, e não foge muito àquela dos formalistas russos na literatura: crítica de vinhos. A crítica desfruta, no Brasil, terra de pessoas ridículas que não aceitam ter suas ideias confrontadas, de uma certa má estima. Isso é natural em um lugar onde cada um acha-se no direito de dizer verdades absolutas e incontestes. Creio existirem lugares onde ouvir o contraditório e contra-argumentar seja parte corrente do dia a dia.
   No tocante aos vinhos, a crítica deve apontar seus defeitos e, principalmente, nos dias de hoje, seus vícios. Claro, não deve deixar de exaltar as qualidades, quando existirem. O meu descontentamento vem de uma categoria de vinhos que estão se tornando cada vez mais parecidos entre si, apesar de oriundos de diferentes países. Fáceis de beber, são fruto da tentativa desesperada de vários produtores de tornar o vinho agradável ao gosto popular. Vejamos o que foi degustado.

Sarda Matel Reserve 2004. Representante do Roussillon, comuna pertencente à região de Provença, no Sul da França, surpreendeu com boa boca e nariz que fez este pobre-diabo sugerir que fosse um vinho italiano. Tem 14,5% de álcool, bem integrado a bons taninos e boa acidez. É bem honesto para sua faixa de preço, R$ 85,00, ainda comparando o preço lá fora. A confusão com um italiano apenas mostra o quanto este Enochato precisa aprender, mas é um vinho de características europeias. Na média, arrasa com sul americanos nessa faixa de preço.

Roquette e Cazes 2006. Duriense muito famoso aqui pela região de S. Carlos, apresentou bons taninos e boa acidez. O álcool escapou um pouco (também... 15%... - risos), sem comprometer. Notas de goiaba, acredito que pela evolução da safra, não é aquela goiaba enjoativa que  pulula muitos chilenos atualmente, em clara tentativa de substituição da madeira tão apresente até alguns anos atrás. Vendido a cerca de R$ 80,00 "lá fora", os R$ 300,00 que chega a custar aqui apenas evidencia reclamação antiga deste Enochato: a importadora vem aumentando o preço de alguns de seus produtos em dólares ano após ano. Se custasse a metade, seria bem competitivo.

Berônia Tempranillo Elaboración Especial 2004. A Bodegas Beronia, localizada em Rioja, Espanha, produzem excelentes  Tempranillos, embora plante também Graciano, Garnacha e Viura. Em sua linha Crianza, Reserva e Gran Reserva é um clássico para os amantes de vinhos espanhóis. Este Elaboración Especial eu não conhecia, e está precificado na mesma linha dos Reserva. Na Espanha, custa uns R$ 40,00, contra uma média de R$ 125,00 por aqui. Tem 14% de álcool, e é o exemplo acabado do vinho que tenta ser popular. Em nada lembra um Tempranillo "clássico". Para um amigo presente na degustação, nariz respeitado mais pela boa percepção de odores do que pelo tamanho (risos!) - e também para mim! - lembrou bastante o travo algo doce do vinho Português. Esse travo doce no caso dos Portugueses, deixemos claro, não é do tipo enjoativo. A mim parece estar mais ligado ao terroir e à vinificação do que em outros exemplares onde o dulçor cai com certa impressão de não natural. É um pouco difícil de explicar. O bebedor mais experiente saberá do que falo. O menos experiente, lamento, precisará de mais litragem. Enfim, aqui está um vinho ao estilo dito Coca-Cola. Não é ruim, nem desequilibrado. Mas está no conjunto "última escolha" de quem pretende uma nova experiência a cada garrafa.