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Friday, September 5, 2025

O Níver do Ghidelli

Introito: VTNC

Não é culpa de quem nasceu sem oportunidades ser ignorante.
Mas quem estudou e continua ignorante é plenamente culpado - de tudo.
Oenochato

As convicções são inimigas mais perigosas da verdade 
do que as mentiras.
Nietzsche, mas bem poderia ser 
qualquer brasileiro sensato
dos dias de hoje.


Notícias metafísicas alertam que o Espírito Santo está ausente; dirigiu-se a uma dimensão paralela corrigir o equívoco onde Nosso Amado Presidente (NAP) foi acusado injustamente de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em ação penal envolvendo um triplex em Manhattan, defronte ao Central Park. Por aqui, a capa da revista Crusoé de umas poucas edições atrás retrata NAP como apresentador de circo, clara referência a um programa dominical onde Sílvio Santos oferecia dinheiro aos participantes de suas competições valendo-se do bordão Quem quer dinheiro? A reportagem comenta como NAP supostamente prepara um auxílio de 30 bilhões entre linhas de financiamento e redução de impostos para alguns empresários valendo-se de critérios não muito claros na escolha dos beneficiados. A ajuda aos amigos do Rei é uma prática milenar, uma tradição por assim dizer, e ante a força do hábito não há muito do que reclamar, se o leitor não morar em um país moderno e civilizado. Crescer e ganhar o mercado internacional é uma opção do empresário. Mas é uma opção de risco, e o empreendedor deve estar ciente das ondulações inerentes a esse tipo de operação: bloqueio por parte das superpotências, pirataria, tempestades, fechamento de rotas por outros motivos. Na dificuldade de exportar, o excedente pode ser desovado no mercado interno e adjacências, a preços mínimos e em benefício da população local - seria até um reforço a relações de amizade, indispensáveis para com países fronteiriços. Um governo verdadeiramente de esquerda abriria mão de parte dos impostos - cobrados diretamente do consumidor - em vez de abrir linhas de crédito a quem já tem muito, favorecendo quem vem primeiro em seu discurso, o excelentíssimo povo. E se alguma parte da cadeia não fizer sua parte, ora, nesse momento a tão odiada Medida Provisória, com validade entre 60 e 120 dias, mostra-nos sua face honesta, digna e útil enquanto ferramenta legal para o próprio governo enfrentar tempos difíceis e promover justas punições a quem tenta ganhar mais tem tempos de crise. Assim, ouvir a ideia de NAP financiar tal dificuldade como vem propondo obriga-me a reagir com asco e veemência, recomendando-lhe um sonoro VTNC! NAP, aproveite-se da ausência do Espírito Santo causando uma  Vacância Trinitária na Natureza Celeste e, como a alma mais honesta deste Universo em todos tempos, ocupe seu lugar à esquerda do Pai - posição claramente mais elevada do que a direita (rs!). Até aponto o lado porque se deixar és capaz de dirigir-se para a direção errada, senil que estás. É isso: Lula, VTNC, dá até adesivo de carro! Diga aí, PTlho de plantão: foi nesse projeto de país perdulário em que você votou? Deveria NAP mandar 30 bi para empresários abastados ou reduzir os impostos dos cidadãos comuns?

O Níver do Ghidelli

Aniversariando com cada vez mais empenho e dedicação, o Ghidelli comemorou seu sexagésimo sétimo aniversário em grande estilo e prometendo ser apenas o primeiro de vários skenta para o septuagésimo. A ver. 

O início dos trabalhos transcorreu sob uma Xampa, a Barbier-Louvet Cuvée D'Ensemble Grande Cru, engarrafada em 2020 e entregando muito frescor e equilíbrio, tudo bem balanceado e sem arestas. Não sou conhecedor de Xampas, mas comprá-la a uns R$ 252,00 na pandemia foi grata oferta. Quisera perdurasse... Atualmente a Enoeventos pede R$ 397,60 pela Premier Cru - paguei 231,00. O dóla valia R$ 5,40, não muito diferente de hoje. Uma pena ela ter descambado para a tubaronice. Mas se procurar com cuidado sobram algumas garrafas a bom preço lá. Wine Searcher, nunca sisqueça! O camarão com Mascarpone - já tradicional em nossas reuniões de gala - acompanhou um Tondônia Reserva 2012 Branco. É sempre um prazer abrir um Lopez de Heredia, e se for da linha reserva a felicidade só aumenta. Nariz cítrico com mais notas a desvendar e toque herbáceo, boca com aquele oxidado, marca registrada, boa acidez, persistente, deixa saudades quando a taça chega ao final. É ótima pedida para acompanhar camarões. Seu preço por aqui é proibitivo - a menos que o leitor encontre um desses vendedores de redes sociais que desovam algumas garrafas da importadora-tubarona, mais não é muito comum achar o branco. Esse foi trazido de fora.

Aqui começam uma das bolas divididas do encontro. Se entendi bem, Masdache 2023 é produzido pela Puro Rofe, uma vinícola fundada em 2017 nas proximidades de Lanzarote, Ilhas Canalhas (sic! rs!). Devido aos ventos fortes as vinhas são conduzidas rente ao solo e amparadas por providenciais muretas de pedra. O sítio está em construção, mas aqui tem outras belas fotos do local. Composição de vinhas centenárias, Masdache é um corte não linear (sic rs!) de Malvasía, Diego, Listán Blanco, Listán Negro, Negramoll... tirando a primeira cepa, já ouviu falar de alguma outra? O toque mineral está lá - veja a cor do solo! - cítrico, acidez muito (muito mesmo) presente - safra nova? - ótima boca, no sentido de persistente, e bom equilíbrio, com 13% de álcool e madeira discreta. Se não lesse na ficha técnica não diria ter... Um vinho surpreendente; merece ser degustado. Não é barato (50 dólas), mas está numa faixa que pode ser posto na mala e trazido para compartilhar com confrades incautos... porque pelas cepas do corte um bebedor mais conservador passaria longe. Walew, Ghidelli! Ah, sim: o aniversariante declara as Ilhas Canárias como terra de seus ancestrais, de algumas gerações atrás. Ele curtiu muito quando falei das Ilhas Canalhas, apresentando uma paronomásia em forma de trocadilho.

As ofensas se escalaram com os tintos. Nojento, Don Flavitxo trouxe seu vinho embrulhado. A mulherada sugeriu um Pinot(!); passei longe da cepa, tendo chutado espanhol amparado numa vaga lembrança do Mas Borràs (Pinot!), mas sem fazer a devida conexão. A expressão da Pinot à qual estou acostumado não é aquela; o palpite foi pelo estilo, e não pela uva! E para piorar tudo, era mesmo um Pinot... Incursão da prestigiada Maison Drouhin no Óregon nos EUA iniciada em 1987, imagino que o Vale do Willamette tenha sido escolhido após alguma pesquisa em diversos estados cuja característica comum seja a latitude, bem similar à da Borgonha (Oregon, Washington, Idaho, Michigan, Vermont e Nova York gozam dessa característica). Para mim, a questão se resume assim: o (bom) produtor sabe, e ponto. Se os Drouhin escolheram o Oregon como ponto para suas prospecções, a este idólatra de Baco resta provar e aprovar a oportunidade que veio pelas mãos generosas de Don Flavitxo. Vou abrir um parênteses.
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   Até beber um Borgonha legal, a Pinot nunca me convencera; a postagem Meu Primeiro Valisére (2013) mudou minha percepção sobre ela em definitivo. Antes disso, eu havia trazido do Chile o Leyda Lot 21. Pagara no mercado regular uns USD 40,00, valor próximo aos ícones Don Melchor e Don Maximiano no frixópi de saída do Chile (USD 50,00), sob o comentário do vendedor dele ser o melhor Pinot do Chile. Abri algum tempo depois com o confrade Cesar Matemático (rs), rapá de boa índole tanto quanto bom gosto, e nos olhamos com certa decepção: Esperava mais - dissera um. Eu também, retrucara o outro. A amizade até continuou (risos!), apesar do abalo - ele também nutria boas expectativas para com o Lot 21. O tempo passou e reposicionou o blefe: presentemente paga-se USD 25,00 por ele no Chile (mas se procurar, encontra por USD 15,00). O preço não apenas não se sustentou, ele caiu, passados uns 20 anos, a inflação pela qual atravessou o país e a (super)valorização dos vinhos chilenos em geral. Corta a cena, vamos para o Oregon, um produtor de primeiro nível viaja literalmente meio mundo, se estabelece em um lugar alienígena, abraça a tarefa de produzir um vinho e suas versões mais recentes de Dundee Hills  estão à venda por... USD 35,00-USD 40,00! Tem qualidade muito superior ao que se produz do lado debaixo do Equador, sem dúvida, mesmo não alcançando a similaridade com a Borgonha. Talvez o tempo comprove a proposta do produtor - serão décadas(!); o próprio enólogo da Catena, Alejando Vigil, admite isso -, e nenhum leitor estará aqui para conferir, mas pouco importa; produzir vinho é um projeto de gerações, digno somente dos maiores sonhadores. Drouhin é mais honesto em sua proposta do que 105% de todos os produtores da América do Sul. E Dundee Hills sequer figura entre os vinhos mais caros da região. Aqui, a métrica é diferente: querem cobrar-nos o valor de um vinho acabado pulando toda a etapa da evolução de cinquenta anos ou mais necessárias para um projeto de monta decolar. Estão certos, afinal este é um país de estúpidos onde as exorbitâncias não são reconhecidas.
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   Para felicidade geral o Imperial Gran Reserva 2017 chegou para resignificar (rs) a palavra elegância: muita fruta madura, café ou chocolate (qual?) com mais notas e madeira com presença. Os taninos amaciaram, a expressão geral é de corpo médio amparado em boa acidez, permanência acima da média recheado de frutas e mais toques. Custa uns 70 dólas na Espanha, e R$ 990,00 por aqui, na Grand Cru (R$ 850,00 para assinantes). Dá um pouco mais de 2.6x, um tanto acima do razoável; existem muitas opções melhores. Apenas por curiosidade, a Gran Cru também traz o Lot 21, a R$ 530,00 para meros mortais e R$ 450,00 para assinantes. No Chile, como dito, acha por até USD 15,00, o que dá R$ 82,00 e aí a proporção (preço cheio) salta para 6.46x(!). Isso sim é tubaronice! Tal discrepância sugere registro, mais abaixo.

   A postagem está demasiado grande - e excessivamente atrasada. Termino na próxima.

O que se pede pelo Lot 21 aqui...


Leyda Lot 21 Pinot Noir, preços no Chile e no Brasil. Varia bastante por lá, entre 16.000 e 28.000 Pesos, o que dá entre 16 e 28 dólas. Aqui, R$ 530,00.








Tuesday, December 3, 2024

Outros vinhos

Introito

Andrada aprontou novamente. E se Andrada apronta, o dóla sobe. É o mantra preferido dos idiotas cuja memória não vai a além de uma semana, não por deficiência mental mas por retardados que são. A estória de quem chega a quanto primeiro é antiga:


   Notou? Já em 2015, primeiro ano do segundo mandato da estocadora de vento, os memes circulavam serelepes. E nem pretendo ser essa a primeira aparição desse tipo de piada. Em 2019, (logo o meu) PC do B em sua infinita sabiduría cutucava (recuso-me a fazer propaganda para vagabundo): 


Nascida quando Minerva estava de férias, Simone Palíndromo pretendeu em 2022 dar mostras de sapiência igual à dos esquerdopatas a quem se aliaria logo em seguida:


Por último e crentes em seu ineditismo - eles são estúpidos quanto à cronologia de eventos, mas não estão sozinhos nisso - bolsonésios acreditam inovar. Ah, tá...


   E ficamos assim: projeto de país, de qualquer das partes atuantes no governo federal - agora ou antes -, é absolutamente nenhum. Ações para colocar-nos da rota do crescimento, esqueça. Preocupação com a educassão? Com a educassão, toda! Já com educação... Basta de gente covarde, sem caráter, sem inteligência e sem propostas viáveis, sejam direitóides ou esquerdopatas. Por um projeto de país - um bom! - de qualquer ideologia. Não temos mais tempo a perder com essas tolices.

Uns vinhos algo exclusivos...

Foi no dia 28 ou 29 de outubro: deveria ser uma reunião da Paduca sem o Paulão, com viajem marcada havia semanas, mas no final o Fernando também não compareceu. E perdeu. Servi às cegas para o Duílio um Quinta da Romaneira Syrah Apontador 2016. Ele ficou abismado, logo de saída, com o buquê. Perguntava-me repetindo como um manta: O que é isso?! a cada cafungada, e antes de prová-lo. Quando finalmente levou-o aos lábios precisou fechar os olhos, como se estes interferissem em sua... avaliação? Não, em sua satisfação... engoliu devagar, e piscou junto de um sorriso, maravilhado. Não lembro-me bem das notas, mas sobravam fruta e mais toques na clara constatação de um vinho amadurecido e próprio para ser degustado. A boca estava pegada - no sentido de potencializada a 14% de álcool bem integrados, acidez presente e boca complexa com final longo de verdade...Tanto um quanto outro parávamos no meio da conversa para comentar o quanto o vinho permanecia em boca depois de engolirmos e enquanto conversávamos. A foto mostra o entusiasmo do bebedor com a experiência. Apontador era vendido pela Lovino, braço eletrônico do grupo supermercadista curitibano Cia Beal de Alimentos, infelizmente descontinuado. Por indicação de Don Flavitxo paguei módicos R$ 199,00 por algumas garrafas, e pois de experimentar uma delas em modo infanticídio (rs), R$ 259,00 por outras poucas, para um vinho dos seus 45.00€-50.00€, uma ótima compra. Infelizmente ele esgotou-se e parece ter passado para a concorrência. O valor pornograficou-se, indo a R$ 750,00 - tá, entrou em 'promo' por mórbidos R$ 600,00. 




Para o Duílio ficou a experiência de um novo patamar em qualidade de vinhos; Apontador sem dúvida está um degrau acima (dois?) do melhor vinho português que a Paduca provou até hoje, o Chocapalha Vinha Mãe. Aos poucos os Paduquentos vão-se emendando. 

Vinho véio

No dia 31 de outubro fomos para Campinas, Duílio e eu, buscar Don Nagibin, o bom palestino. Amigo dos tempos de graduação - 40 anos - Nagib veio do Chile para meu níver, o que muito enfelicitou-me (sic). Chamara Don Flavitxo, nosso contemporâneo de UFSCar, e o próprio Duílio, depois de aturar-me por quase 400 km, mereceu uma participação especial, mesmo com a reunião da Paduca marcada para um pouco mais adiante. D. Neusa havia prometido saudar-me pessoalmente no dia, e como saí cedo ela veio à noite, após uma reunião com amigas. Sortuda, chegou no melhor momento. O sorriso aberto do Duílio prenuncia ao leitor o que veio...

A Xampa Grand Cru Cuvée D'Ensemble do Barbier-Louvet foi a saudação para os convidados. Ótimo corpo, boa acidez, foi bom par com frutas secas, harmonização sugerida pelo Flávio. Novamente, pelo tempo passado não vou lembrar-me de muitos detalhes, mas o sorriso de felicidade da turma foi suficiente para convencer-me de como a proposta funcionou bem. Depois vieram os tintinhos. Comprados lá fora em oportunidades ímpares, estavam destinados à minha prova pessoal do velho aforismo: bons Barolos e Brunellos realmente envelhecem bem. Claro, nunca estamos 100% livres de um problema de percurso como uma rolha defeituosa, e guardá-los por bastante tempo envolve algum risco. Aldo Conterno Barolo Riserva GranBussia 1996 provém de excelente vinhedo da propriedade de ótimo produtor do Piemonte. E 1996 foi uma safra magnífica. Conti Costanti também é grande produtor de Montalcino, e a safra 1997 na toscana foi tão grandiosa quando a do ano anterior no norte da Itália. Abri ambos tão logo cheguei, e era um pouco tarde, por volta das 17:00. Levei as rolhas ao nariz a certeza da qualidade cristalizou-se em aromas discretos e agradáveis. Estavam ambos ótimos! Foram servidos por volta dos 21:00, depois da Xampa. O Barolo estava no padrão do Brovia, degustado com a Maluca há pouco: elegante, gracioso, fruta ainda presente, sem a menor nota de oxidação(!), taninos redondos... o Brunello não ficou atrás, igualmente arrebatador com grande equilíbrio. Não fosse suficiente, ainda evoluíram durante a degustação. D. Neusa chegou um pouco tarde, e colheu os melhores frutos. Nenhum deles tinha borra! Até onde sei, a borra é em parte o tanino precipitado, e se nenhuma havia, ele estava lá, misturado ao vinho. Domado, arredondado, tranquilo... simplesmente... um must! (risos!)

   A sobremesa foi antecipada para os convivas de todas as confrarias para evitar que alguém trouxesse alguma sobremesa que não combinasse, e fez parte de uma teima nutrida por este Enochato há tempos. Já fizemos com todas as confrarias uma brincadeira sempre entre um colheita tardia (chileno, normalmente) e um Sauternes 'reba' - o DV by Doisy-Védrines, até onde sei, é o terceiro vinho do produtor. Minha ideia era oferecer aos convivas um painel de diversos vinhos de sobremesa em espiral ascendente. Se deu certo? Precisarei de uma postagem para falar só disso...


Impressões da bléqui

   A bléqui deu o ar da graça este ano. Quem comprou, quase invariavelmente @sidanou. A menos, claro, que o leitor esteja nas listas dos bacanas de alguns vendedores da internet profunda, que desovam vinhos das tubaronas em condições melhores do que as da bléqui. Acredito, mesmo, em condições melhores daquelas ofertadas aos lojistas-representantes, uma verdadeira facada nas costas dos comerciantes. E tem lojista-otário defendendo a parceria com as importadoras. Estúpidos, não percebem o quanto a parceria com o cliente é de longe a mais importante. Não acredita? Veja por si...

   A Zahil é representante exclusiva (até onde sei) da Viña Alberdi Reserva desde que conheci o vinho, muito bom. Agora ela não mais  divulga o preço dos vinhos em seu sítio; é necessário escrever para eles. Se procurar na internet, encontra entre R$ 349,00 e R$ 510,00, passando pelos R$ 377,00 da VinhoBR, loja conhecida por conseguir boas negociações com as importadoras - um eufemismo para desovar com algum desconto, na maioria das vezes reposicionando o produto na margem de 2x. Ele é facilmente encontrado nos EUA por USD 17,00 (com taxas). Não farei conversão a R$ 6,00, mas, até para arredondar, a R$ 5,00; essa flutuação - que pode até permanecer alta - distorce muito a estatística (sic). Ora, USD 17,00 x R$ 5,00 dá R$ 85,00(!). Ainda se fosse R$ 6,00, daria R$ 102,00. O menor valor, R$ 349,00 dividido por R$ 85,00 dá... 4,1x! Ainda se fosse por R$ 102,00, ficaríamos com margem de 3,42x. Veja os dados abaixo.







   Mas hora, não há (muitos) motivos para você cair aos prantos se estiver no clube dos bacanas:


   E convenhamos: dá 2x se fizer a conta do dóla a R$ 6,00! Até tive cócegas de comprar, mas deixei sobrar na prateleira, optando por quem tem apresentado ofertas melhores desde sempre

   O Viña Arana Gran Reserva, da mesma importadora, varia de R$ 599,00 a R$ 939,00, passando por R$ 699,00. O primeiro valor dá USD 120,00 (ou USD 100,00), para os valores propostos do dóla. O mais caro dá USD 187,8 (ou USD 156,53), novamente para dólas a R$ 5,00 e R$ 6,00.




   Em algum lugar a versão paga do Wine Searcher diz custar USD 33,00. Não sabemos onde, então fiquemos com a versão de USD 36,00 dólas. Dá R$ 180,00 (ou R$ 216,00). O menor valor aqui está em margem de 3,33x (ou 2,77x), e o valor mais alto dá incríveis 5,22x (ou 4,35x).


  Se o comprador for bacana...


Ainda está caro! R$ 540,00 pelos R$ 180,00 dá exatos 3x, e pelos R$ 216,00 (dóla nas alturas) fica em 2,5x, além do limite da compra. Taí um ótimo vinho para trazer na mala, compondo preço médio com opções mais caras, eventualente.

Nem tudo são lágrimas...

   A de la Croix ofereceu o seu Domaine Charles Joguet Chinon Clos de la Dioterie a R$ 546,00. Ele custa USD 54,00 na França, o que dá R$ 270,00 (ou R$ 324,00). Não precisa ser gênio para constatar: com o dóla a R$ 5,00 (preço desejável), a margem está em 2x. Se tomarmos a R$ 6,00, ela cai a 1,68x(!). Basta comprar as margens dela com as registradas acima e aperceber-se de quem respeita o honorável consumidor.




   Claro, vai aparecer algum defensor anônimo (e covarde) promovendo sua mentira preferida (ou desinformação) e achando que repetir sua fábula mil vezes transformará tal cantilena em verdade. Ledo engano, não passará.

   Enfatizo: a importação no Brasil é (sempre foi) um negócio perigoso; o importador ousar descarregar toda a variação do câmbio para cima do consumidor desavisado é só mais uma mostra do quanto somos uma sociedade desprivilegiada no quesito senso crítico. Não deveríamos aceitar. Importação - em qualquer lugar - é negócio de risco. E a insegurança é para quem importa, não quem para vai comprar a posteriori. Não está satisfeito? Comece a se virar para melhorar o país, ou vá negociar esterco nas plantações de café, laranja e soja.

Continua...

Monday, April 29, 2024

O níver do Paulão

Introito

Remember, gentlemen,
it’s not just France we are fighting for,
it’s Champagne!
Winston Churchill

In victory, you deserve Champagne;
in defeat, you need it.
Napoleon Bonaparte

Paulão está de níver novo (rs), e para prestar seus respeitos à data encontram-se os pingaidos da Paduca, suas respectivas e um casal de amigos dele, Neto e Andreza. Por ordem, Oenochato, Paulão, Dona Claudia e Chiquinho, Duílio e Dona Eva, Dona Andreza e Neto. O Fernando saíra mais cedo, por conta das crianças: não conseguindo uma reposição para a cuidadora do turno seguinte que o deixara na mão, precisou apresentar-se às 22:00 para render a vigia em sua jornada regular e assim passou a tomar conta de seus pais octogenários. Uma pena. Artimanhosamente (sic, rs), pedi ao aniversariante para comprar nosso espumante preferido, a Cava Cordon Negro, da Freixenet. Por 80tão aqui em S. Carlos, sempre é uma boa pedida para abertura de serviços (rs) ou comemorações em geral. A bem da verdade, antes do Cordon Negro - enquanto não chegavam todos os convivas - servi um La Belle de Jour rosé, o vinho do Alceu Valença, como dizem por aí. E é isso mesmo: o proprietário da vinícola Quinta da Atela - parece ser um dos seus menores negócios - é amigo do nosso grande cantor, e quis fazer um vinho homenageando-o. Acho válido, mas minha má estima para com rosés também não foi superada com esse exemplar. Frutadinho no nariz, leve em boca, baixa acidez e uma maravilhosa cor de salmão, esse vinho é produzido com a desconhecida (para nós) Castelão. Infelizmente o rótulo não mostra a safra... Os marmanjos, pelo menos, tiveram a decência de não reclamar; o Neto experimentou uma tacinha e começou a falar de sua especialidade: cachaças. Não me agradar conta muito pouco para um rosé; as meninas adoraram. Então, para leitores que curtem, está por cerca de 60tinha no Shot Café e Vinho, ali na Quinze. A dada altura servi o Cordon Negro. É um espumante já comentado aqui diversas vezes, mas notei mais frescor nesse exemplar. Acho que a Mercearia 3M recebeu reposição de lote importado recentemente, e comprar algumas garrafas para beber nos próximos meses deixará o consumidor bastante feliz.

Na sequência servi às cegas outro espumante. Ele mostrou nariz muito mais rico e delicado, cítrico com uma mistura de frutas, pão - fermento, na verdade -, e mais notas. Boca com ótimo frescor, acidez marcante e contrabalançada por um dulçor agradável e longa permanência, daquelas que o bebedor engole, saliva e sente a continuidade do vinho na boca. O Fernando fez cara de poucos amigos e disparou: Achara ambos muito parecidos. O Neto olhou surpreso e disse que o segundo era muito superior. Paulão achou superior e o Duílio não notou tanta diferença - ou foi o contrário? Entre as garotas, o interesse pelo segundo espumante foi explícito. Elas não tinham ideia do que bebiam, mas seus sorrisos diziam tudo. O Champagne Barbier-Louvet Cuvée D'Ensemble Grande Cru surpreendeu a todos pela exclusividade - nunca haviam bebido uma Xampa Grand Cru e precisei desmembrar-me em mentiras para dar-lhes um panorama geral sobre a região, comentando rapidamente sobre terrenos Premier Cru e Grand Cru. Quanto ao Fernando, achei honesto quando externou sua impressão com sinceridade. Eu mesmo já estive em situação similar com duas taças na mão, certa vez no Consulado de Portugal, provando de um Roquette e Cazes junto de um Esporão Private Selection e não percebendo muito bem suas diferenças. Quando bebemos vinhos muitos diferentes dos que estamos acostumados, é-nos difícil entender a experiência no primeiro momento. Comigo foi assim também quando abri um Porto que deixara oxidar por mais de 20 anos. O Akira adorou, e o longo de alguns meses consumiu boa parte da garrafa em pequenas doses. Eu o acompanhava comedidamente, sem curtir muito, inicialmente. Só pelo final a ficha foi caindo, e sua degustação passou a fazer sentido. Não há demérito em desconhecer sobre vinho; desmerecimento mesmo é fechar-se e privar-se de oportunidades. 

Com o salomão (rs) preparado pela D. Cláudia chegou um Chablis Premier Cru Côte de Léchet 2016 da La Chablisienne, ótima cooperativa borgonhesa. Um dos últimos exemplares da caixa comprada em ótima 'promo' da Clarets - na época acho que ficou por volta de R$ 200,00 rasos - mostrou nariz cítrico, algo mineral - indicando que, acredito, ainda esteja no ápice - mineralidade repetida em boca na forma de um ligeiro salgadinho, ótima acidez e permanência, bom final. O problema foi o salomão (rs) com um tanto de alho, que colidiu com o vinho e não permitiu melhor harmonização. Não antecipei que D. Cláudia pudesse optar por esse preparo do peixe... mea culpa, mea maxima culpa... Finalmente, o Calcu Gran Reserva Rosé 2021, feito de Malbec, apesar de uma cor bem bonita, pouco acrescentou à minha percepção sobre rosés. A ideia do Paulão era pegar o branco, já velho conhecido nosso, mas estava em falta. Para não deixar o vácuo - o inominável vácuo - tomar conta, ele optou pelo rosé em vez de escolher outro branco. Ligeirinho que só ele (rs), não fez jus à versão Sauvignon Blanc-Semillion: 12,5% de álcool, baixa acidez, alguma graça no nariz e rápido em boca, não foi suficiente para aproximar-se do Gran Reserva branco, que recomendo. Teve sobremesa e vinho, mas já tinha alcançado meu limite...

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🐭 Rata!
Como bem observado pelo Jairo, o Shot fica na Carlos Botelho...