Showing posts with label Tapada do Chaves branco 2018. Show all posts
Showing posts with label Tapada do Chaves branco 2018. Show all posts

Saturday, May 25, 2024

Bacalhau pós-Páscoa

Introito

Corra Scadufax, mostre-nos o significado de pressa.
Gandalf, em O Retorno do Rei

O texto da última postagem saiu defeituoso (sic). Havia escrito um pequeno roteiro - como sempre - ligando o título, Sobre homens e éguas, ao vinho, mote principal do blog. Sem querer apaguei a nota, e na hora de formalizar os pensamentos acabei deixando passar a conexão. Esse deslize sempre empobrece a escrita; a coesão é um dos pontos básicos da boa composição. O comentário focaria na invocação de algumas postagem recentes comentando os preços da Chez France e da Enoeventos: eles andam soltos como éguas na planície, cavalgando à frente de uma manada de cavalos. Os garanhões, querem fazer-nos crer as tubaronas, são os clientes abrindo suas carteiras com toda a virilidade e desembolsando suas notas em troco de vinhos de qualidade inversamente proporcional ao seu valor de face. Durante um café na padaria, leitor aventou se eu referia-me às políticas citadas como éguas. Em função do comentário acima, posso dizer: - Meu caro, errou...


   Sim, a  Marina Silvia não escapou de críticas. Mas seu passado a condena. Dentre muitas, ela votou contra a liberação de pesquisas em células-tronco embrionárias, lembra? Não lembra? Ah...

   Da Janja, eu falei muito bem!, basta voltar lá e ler direitinho. E vou falar mais bem agora, veja:


Notou seu desapego e desinteresse a quem estivesse em volta, chorando aos prantos quando recebeu em seus braços animalzinho tão simpático, adotando-o como mais um ser de estimação para seu harém sua casa? Alguns a acusarão de estar protagonizando ato político. Se é assim, apoio! Janja 2026! Depois vou cobrar...


Aos vinhos.

Reunião da #émuitovinho

Estava marcada há muito tempo, e finalmente aconteceu. Elvira ofereceu-nos um bacalhau pós-Páscoa, e tentamos harmonizar esse difícil pescado. Em sua humilde choupana, ela recebeu a Liu comandando a foto, este Enochato, Luidgi,  D. Neusa, ela própria, Márcia e Salete. A primeira e a última foram convidadas da confraria. No início dos trabalhos, para agradar os presentes enquanto não chegavam todos, começamos com um espumante brut rosé da Casa Perini. Esse produtor teve seu moscatel eleito como o quinto melhor do mundo, em 2017, por um painel de jornalistas. Ah, jornalistas... chicoteie-os do nada. Você pode não saber porque bate, mas eles sabem porque apanham. Experimentei na época; achei que poderia ser o quinto pior espumante do mundo pelo doce nauseativo. Este não fugiu à regra, não sendo tão doce: mais ligeiro que o Andrada para aumentar imposto, passa pela garganta sem deixar lembrança nem saudades. Tem lá um buquezinho do tipo para dizer que tinha, e pronto. Não é má fé. Faça assim: compre, junto de uma Cava, e experimente ambos. Até imagino os detratores do espaço misturando dos dois em cada taça para dizer terem-nos achado bem similares... Voltando... pelo tanto de pessoas, avaliei ser prudente duas garrafas iguais de entrada, para que pudessem ser bem apreciadas em uma quantidade razoável. Tapada do Chaves Branco 2018 foi o escolhido. Lavra de ótimo produtor, comprei algumas garrafas e fui degustando uma aqui, outra ali. Corte Arinto, Antão Vaz, Assario, Tamarez e Roupeiro, fez a alegria da galera e o Ghidelli elogiou seus toques cítricos vindos de... lima de casca amarela(!) a lembrar um Late Harvest, e mel. Ainda viu lichia... Está com medo de ser excluído da confraria, e vem mostrando serviço... 🤣 Não consegui fazer essa conexão de lima a partir dos óbvios toques cítricos, fiquei bastante satisfeito com a acidez sempre presente e com a ótima persistência em boca. Comprava a uns R$ 190,00 em 'promos', agora está R$ 210,00. Para um vinho nos seus USD 20,00 em Portugal, está com bom preço. As confrades, desnecessário dizer, adoraram.

Servi então o Arínzano Gran Vino 2016, do qual já havíamos provado em março do ano passado. Ele fizera boa figura então, mas desta vez notei o Ghidelli segurando a taça com cuidado e olhando para dentro dela, como se o universo estivesse sendo criado ali, naquele instante. Tem algo de Jerez amontillado aqui, disse. Cafunguei e disse notar algum óleo. Não o Singer, característico de muitos Rieslings da Alsácia, mas ainda assim óleo. Fluido de isqueiro..., disse ele. Alguém sugeriu mel. Claro, o cítrico bem presente e notas mais complexas. Não sei se essa garrafa simplesmente estava muito melhor do que a anterior ou se esse ano a mais fez-lhe bem, ou ainda se ela respirar - sem resfriar! - enquanto nos divertíamos com o espumante e os Tapada não fizeram a diferença. Nunca sisqueço (sic) de um Condrieu que bebi com o Akira, postagem com o sugestivo título Brancos também evoluem depois de abertos..., de abril de '21, relatando nossa sublime experiência com o  La Chambée comprado pouco antes da Cellar trocar de mãos. Voltando ao Arínzano, sua acidez também estava ótima, assim como sua persistência e final. É mesmo um ótimo vinho, apesar de caro lá fora. Observe naquela postagem o comentário do leitor Dionísio; talvez ele tenha incorrido em erro similar nosso, não deixando sua garrafa respirar. Vida de enófilo não é fácil... 😓 O Falcoaria Vinha Velhas 2016 é um Fernão Pires (casta!) do Tejo algo simples mas bom para acompanhar um bacalhau, aquiaqui. Seu ponto alto é a mineralidade; ela dá um salgadinho à boca, e sua acidez também agrada. Ele não chamou tanta atenção porque estava entre Vinhões, com "V". Junto dele veio um Tapada do Chaves branco Vinhas Velhas 2008, um corte similar ao irmão menor mas com um grau a mais de álcool (14%) e muita, mas muita complexidade. É realmente outro padrão de vinho, e também ofuscou o Falcoaria. Excelente boca, verdadeiramente longo ao final, foi comemorado pelas confrades. Comprei em uma 'promo', alertado por Don Flavitxo. A safra em oferta era a 2018, mas, para grande surpresa, ao abrir a caixa, veio o 2008. Até escrevi para o Fábio da VinhoBR e ele disse que eu fora sorteado; com o excesso de pedidos naquela promo as garrafas da safra 2018 se esgotaram e o meu pedido - um dos últimos - foi agraciado com a safra mais antiga. Olha... até as notas algo oxidadas estavam lá. A galera não reclamou...

Por sobremesa tivemos um Vale de Lobos Colheita Tardia 2014 feito de Riesling e tocado a 11% de álcool. Já havia bebido um bom tanto, e não anotei nem lembro-me de seus detalhes. Defendeu-se bem (rs) da voracidade geral. O bacalhau estava ótimo, combinou bem com os vinhos. Claro, ficou melhor com o Tapada, mas seu preço é muito superior ao Falcoaria. Esta infelizmente parece esgotado no Verdemar, grupo supermercadista de Minas. Lembro de ter visto a R$ 115,00, quando havia comprado em Araraquara por uns R$ 90,00, um preção para esse vinho. Se acabou, não há o que chorar. Vamos para o próximo.

Turbinado

Esta postagem foi tocada a um Torrione 2012, minha última garrafa desse toscano produzido pela Petrolo, já apreciado em várias oportunidades mas do qual falei apenas uma vez. Teve bão (sic), mas comentarei dele amanhã - deixei meia garrafa...

Tuesday, August 30, 2022

O níver do Ghidelli

Introito

   Na semana que passou fomos assolados com uma chuva de mentiras sem precedentes. Explica-se: foram sabatinados os principais candidatos à presidência e a chave de ouro aconteceu no debate de domingo. O show de horrores terminou segunda-feira com pseudoanalistas pretendendo (sic) quem teria ganho o debate. Ninguém ganhou, e, não bastasse, todos nós perdemos! Talvez não seja bem verdade. Ganhamos a exata noção do quanto são estúpidas todas as opções além dos dois ladrões e do mentecapto que ocupam as três primeiras posições nas pesquisas. Então talvez seja verdade... (que todos nós só perdemos 😣)...
   Bolsonésio - só não é mais idiota porque não voa - deixou passar uma grande oportunidade num dos embates com Cirão da Massa. O último falava de seu plano para tirar a população endividada do SPC. Se bolsonésio diz-lhe de supetão que a ideia é tão boa (não que seja...) que ele a implementaria em seu governo, e sugerisse um convite ao PDTista para comandar esse programa, teria desarmado o oponente e avançado com classe para cima do eleitorado de seu adversário, que parece dividido entre os dois primeiros. Seria a desidratação perfeita.
   Os pseudojornalistas em nada colaboraram para o debate, com perguntas estupida e propositadamente sem a menor importância para o momento histórico. O governo mais corrupto da história deste país querendo voltar à cena do crime - Auquimim quem disse! - e ninguém fala algo? O maior genocida sul-americano dos últimos 300 anos presente, e ninguém fala algo? Ponham essa no currículo! Já é uma m#rd@ mesmo, entendo, só não pensem que seus históricos não pode piorar, porque piorou. Bando de facínoras!, assassinam o futuro do povo brasileiro e pretendem sair de fininho.
   Simone Palíndromo, com toda sua capacidade nulidade resolve, quando teve oportunidade, emparedar o mito minto. Fez uma pergunta ruim e um tréplica pior. Dilma torce por ela.
   Fiquemos por aqui, com o PS: O Imperador japonês, visto pela população como um Deus, a despeito de sua posição divina curva-se a uma única classe no Império do Sol Nascente: a dos professores (e creio que apenas do ensino elementar). Ainda assim, os professores em todos os níveis pagam impostos como os demais japoneses...

O níver do Ghidelli

Confraria em festa, expectativa de lauto banquete, separei algo acreditando estar à altura do evento, dado o prato principal que foi-me antecipado. Aeração de 6 horas antes de seguir para o encontro. Lá, sessões de fotos, bom humor e apenas alguma lamentação mínima 😐 pelos confrades ausentes - sobraria mais para nós! 😃 Na foto, D. Neusa e Márcia não sabiam se olhavam para o bolo pelado (naked cake) (sic) ou para o Icewine canadense que andou de mão em mão. 
A primeira rodada teve início, e lá veio um branco. Nariz com abacaxi imediato e muito marcado, curiosamente desaparecendo com o tempo - após degustarmos o vinho seguinte. Boca muito mineral - nota-se até um salgadinho, com boa acidez, final não muito longo agradável. Tem suas complexidades, mas faltou capacidade a este analista. Não vi-me apto a chutar sua procedência. Era um alentejano, o Tapada do Chaves Branco 2018, corte Arinto, Antão Vaz, Assario, Tamarez e Roupeiro. Agradou a todos, mas por pouco tempo. 

Notado por alguém - inicialmente deixei passar - o branco seguinte apresentou-se com o famoso toque óleo Singer, sugerindo tratar-se de um Riesling. Para mim não estava na intensidade e pegada que aprendi (pouco) a identificar dessa uva em exemplares da Alsácia e da Nova Zelândia. Pensei ser mais próximo do que suponho seja o estilo dos Sauvignon Blanc do Loire; ledo engano. Bem complexo e aromático, não consegui identificar notas características - sinal da dificuldade em avaliar vinhos muito desconhecidos que expressem toques além de minha restrita gama de percepções. Mostrou boa estrutura, acidez média, boa persistência. A certa altura o Ghidelli deu uma das suas: Parece algo como aquelas uvas francesas estranhas, Roussanne e Marsanne... e... era sim um corte Borboulenc, Roussanne, Grenache Blanc e Clairette. O vinho: um Chateauneuf-du-Pape La Bernardine Blanc 2016, do Chapoutier. E, para quem não sabe, Roussanne e Marsanne são cepas muito usadas justamente em Chateauneufs... rapá, que tiro...
   Levei um baile, mas aprendi bastante. A postagem terá segunda parte, com os tintos.

Sunday, September 12, 2021

Quando a harmonização funciona I : brancos

Introito

Acabo de conferir o resultado das manifestações democráticas marcadas para hoje. O resultado parece ter passado longe da expectativa. Uma pena. Como é de se esperar, o lado contrário aproveita-se. Amigo bolsonésio envia-me comentário de um fedelho que foi banido de uma plataforma de xadrez online por evidente trapaça e depois precisou distorcer a realidade a ponto de fazer o Gilmar Mendes parecer um amador, na tentativa de explicar-se. É curioso que ele una-se a alguém de também defende um corrupto e ladrão que está solto porque a lei foi alterada para soltá-lo, mas que nunca conseguiu provar sua inocência. Tenho escrito (não aqui, no uatizápi): na minha turma estão Caxias, Rui Barbosa, Ulysses Guimarães... e na sua, quem estão? Lula? Os donos das grandes construtoras que fizeram acordos com a justiça, e devolveram bilhões ao tesouro nacional? Ei, o que foi que aconteceu? Eles foram achacados pela justiça ou só devolveram o que tinham levado na maciota? Estamos tão desmoralizados que de repente não posso dar essas ideias... alguém vai aparecer com esse argumento, e ainda teremos que devolver o dinheiro para essas construtoras... dinheiro que portanto entrará devidamente esquentado na conta desses ex-delatores...

Um encontro harmonizado

  Don Ghidelli ameaçou fazer jus à sua fama de sommelier de primeira linha e convocou a caterva para um jantar em sua casa. Fez o óbvio, o que nos dias de hoje precisa ser tomado como grande acerto. Bem... ele apenas anunciou o cardápio em detalhes e com antecedência, para que pudéssemos levar vinhos de acordo.
  • Camarão salteado com mascarpone ao alho-poró. 
  • Polenta na pedra com paleta assada com ervas e molho.
  • Sobremesa de torta cream cheese com frutas vermelhas.
Don Flavitxo e eu comparecemos com dois brancos às cegas. Ambos combinaram à perfeição com o camarão. São harmonizações praticamente infalíveis, embora uma delas tenha me surpreendido. Meu vinho foi servido primeiro. Todos - Ghidelli, Márcia (sua esposa), Flavixto e a Neusa mataram que era um Chablis. Notem bem: não disseram 'Borgonha'; disseram Chablis. Era um La Chablisienne Chablis Premier Cru Côte de Lécht 2016, vinho da cooperativa mais respeitada da Borgonha, com toques de frutas brancas (Neusa), ótima acidez, mineralidade característica - o que de fato permitiu aos bebedores mais experientes cravarem a procedência - boa permanência, ótimo final. O segundo vinho causou ótima impressão entre os convivas. Da minha parte, gostei muito. Chutei que poderia ser um Sauvignon Blanc, cepa que não conheço muito mas que tenho apreciado também por culpa e graça de Don Flavitxo. Mas não tive maior inspiração para imaginar de onde seria. Quem rasgou o verbo foi o Ghidelli: frescor e mineralidade decorrente de climas quentes, provocando aromas frutados e muito refrescante, com ótima acidez e permanência. Para mim é um português. E era mesmo! Tapada do Chaves branco 2018, um corte de Arinto, Antão Vaz, Assario, Tamarez e Roupeiro, é desses vinhos que entrega. Mesmo. Encheu a boca, o nariz, combinou muito bem com os camarões e foi aclamado. Tem um preço cá de R$ 290,00, e um preço lá de 20 Euros (R$ 130,00). O preço aqui está um pouco mais de 2x, o que deve ser considerado muito bom. Côte de Léchet custa lá cerca de 35 dóla, e comprei aqui, em 'promo' por pouco mais de R$ 200,00, à época. Hoje, sem 'promo', sai por uns R$ 420,00. Aí salga...