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Friday, December 16, 2022

Os ratos darão passagem aos canalhas

Introito


A rosa é bela.
Mas necessitamos da bosta para adubá-la.
Máxima d'Oenochato

Ladrão não vai subir a rampa.
Ameaça de algum sectário bolsonésio
Por complementar, tampouco deveria descê-la.
Constatação d'Oenochato

   Bolsonésios diziam com a boca cheia e sorriso incontido que O MBL derreteu... Estranho, muito estranho um grupo brigar contra outro do mesmo campo. Líderes e estadistas constroem, nunca fazem o contrário. Agora estão todos aí, chefes (mantêm por enquanto o comando, jamais a liderança) em final de mandato sem saber para onde ir, o que fazer e tampouco o que falar. Viram o patético Boa Noite por discurso completo de bolsonésio em pessoa, dia desses? PTlho sem noção já defendeu que Ali Lulá seria um estadista. Bem, por comparação não dá para contra-argumentar, mas a honestidade manda que tais atribuições sejam absolutas. Conclusão: retardados, bolsonésios e PTlhos. A despeito disso, os comandantes bolsonésios continuam sendo bem sucedidos no engano constante de sua patuleia de seguidores para os quais é mais conveniente (ou fácil) aceitar o que ouvem do que por a cabeça para trabalhar. No final, o MBL, que havia derretido, acabou sendo o fiel da balança da eleição, e decretou a derrocada bolsonésia - bem feito. Como já dito: teve pouco mais de 500 mil votos em S. Paulo, que detém cerca de 20% do colégio nacional. A diferença de votos foi de cerca de 2 milhões. Claro que tal estatística não tem muito fundamento, é apenas uma mera comparação, mas essa foi apenas uma das pontes que o (des)governo da atual administração detonou. Gênios da lâmpada...
   Tiro. É o que a forças da ordem legalmente constituídas não podem economizar caso alguma turba promova desordem na posse de um presidente democraticamente eleito. Canalhas, idiotas e tontos em geral: fiquem no fundo do quintal esperneando para os ET's, e não ousem. Mas uma coisa é um presidente democraticamente eleito, outra são as canalhices que já despontam na transição. Uma lei sob a qual participantes de campanhas eleitorais não poderiam assumir cargos governamentais quase foi implodida a bem de um aloprado, segundo o próprio Ali Lulá (e com aderência bolsonésia pesada!). Valendo aquele ditado, à mulher de Cesar não basta ser honesta, tem que parecer honesta, um mandatário que aceita questionar lei aliada da ética antes de começar a governar, passa qual imagem? Pilantras.
   Assim nos aproximamos da transferência da faixa presidencial. Os ratos (no comando ou na plateia) darão passagem aos canalhas. Não é uma sugestão, é uma afirmativa que deve imperar para preservamos a democracia. É inegociável. E, ratos, não se esqueçam de devolver nossos símbolos pátrios, principalmente a bandeira, ao saírem. Não precisam apagar a luz - duvido que essa gente sem o menor senso de pertencimento faça isso, de qualquer maneira - pois as pessoas de bem vão colocar-se na oposição no primeiro momento. Quem se arrepender talvez possa levantar a mão e fazer o mea culpa. Por mim, não. As forças democráticas podem prescindir desses pulhas. Mas eu não mando. Se bem que, estalinista que sou, colocaria todos para marchar - o final da Madeira-Mamoré é logo ali, e a fauna é rica; ninguém morrerá de fome no trajeto.

Despedida abençoada

Deveria ter acontecido entre final de Outubro ou começo de Novembro, e ficou para Dezembro. Sei que a Angelina - agora não mais Professora Angelina, pois deixou de ser cliente - passou para comemorarmos (ou enterrarmos, não sei bem...) o final de seu mandato acadêmico à frente de Motriz. Sempre pergunto a meus clientes se certas coisas chegam por promoção ou castigo; a resposta não é unânime... Sei que cônsona foi a opinião sobre a Piper-Heidsieck que abri para recebê-la; estava em fase com a outra garrafa degustada há pouco mais de um mês: o toque de abacaxi elegante, dessa vez peguei ainda um pouco de fermento, pão... foi bem com Roquefort - melhor do que Gorgonzola - esta acompanhou melhor do que o Maasdam. Das várias combinações propostas, essas três saíram-se melhor, de longe. Então foi a vez do Aldeia de Irmãos branco 2020, um 100% Sauvignon Blanc da região da Península de Setúbal. Chegou com nariz à maracujá por cima de tudo, sem atropelar (rs); pode ter mais alguma notinha (😂) que não discerni. Boca com muito frescor, boa acidez, talvez um pouco rápido no final, e também combinou com o Maasdam e o Brie. Agradável, sem grande complexidade, está pronto para ser bebido. A sobremesa.. como se chamava mesmo? (😣), não lembro; combinou bem com uma taça de icewine da Lundy Manor, que continua bom após um mês de geladeira. Por comparação, servi ainda uma tacinha do Sauternes do Château Doisy-Védrines, mas não deu pra ele não... o icewine passou por cima: mais buquê, corpo mais pegado... são faixas de preço diferentes. Não sei se Doisy-Védrines poderia levar alguma vantagem no buquê mais sutil... meu nariz não estava para tanto.
   Enquanto valor, falemos de Aldeia de Irmãos branco. Seu preço lá é 7,39 € + iva (chutemos 15%) = 8,51 € = R$ 48,00. Seu valor aqui, R$ 129,00. Dá 2.7x, e convenhamos, fica além do limite razoável. A Chez France, durante muito tempo, manteve margens inferiores a 2x, googa aí (sic) "comparação das importadoras" enoeventos (assim mesmo, primeiro com aspas) e veja lá. Agora a Chez France deu para flertar com a tubaronice. Mas eis que veio a roda-viva a bléqui-fraid e carregou o preço alto pra lá. Na oferta para comprar uma caixa (com 6), saiu R$ 69,00 a garrafa. Aí deu 1,44x; ficou subitamente bom e o Enochato gostou! Precisei comprar uma caixa? Bem, a primeira pessoa a quem mostrei a oferta já se propôs a ficar com duas garrafas do tinto e duas do branco. Ainda assim não é desculpa. A Chez-France - importadora que 'namorei' por bastante tempo, porque estava gostando de outras compras em Enoeventos e Cellar - vem se fazendo de dificilzinha. Fica nessa, fica... encho o picuá e vou de buzum até BH, visitar o Verdemar.

Atenção atenção! (Merchan)

A Vinho e Ponto está em 'promo' de Natal. Safadinhos que são (rs), colocam os vinhos mais simples na 'promo', mas os melhores ficam fora dela. Rebelde com causa, o Jairo da V&P São Carlos abriu mão de parte do lucro e colocou seus vinhões na mesma promoção. Chamei uma das confrarias e pegamos um Reserve de La Contesse 2009 (safrona), um Barbaresco Polissero 2010 (grande safra) e um brunellinho Pianrosso 2010 (outra grande safra!) por menos de R$ 200,00 por membro por garrafa (beberemos em 3). Fim de ano promete; o Enochato ficou feliz... Tem coisa interessante por lá em valores menores; o contato é (16) 98159.7743. Se disser que leu n'Oenochato eu ganho um expresso do Shot Café, segunda das três marcas que compõem o espaço-conceito único em S. Carlos (a terceira 'marca' é de chocolates). Mais um desinteressado serviço de informação deste articulista aos leitores, onde a transparência sempre está presente e o leitor-consumidor nunca é enganado. Tabela de safras em mãos e Wine-Searcher no celular são ferramentas obrigatórias para o consumidor consciente. Tem garrafa de safrona e garrafa de boas safras também. Basta conferir.

Sobre Aldeia de Irmãos, está morta a cobra.







Sunday, November 6, 2022

Espanholeto 20 anos e escarnecendo bolsonésio II - só mais um pouquinho... 😂

Introito

É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade. Por isso é preciso tomar muito cuidado com a informação no jornal que você recebe. Folha de S. Paulo, o jornal que mais se compra e o que nunca se vende.
A fonte está aqui.

O trecho acima é o parágrafo final de uma excepcionalmente bem feita propaganda do jornal, veiculada em televisão no final de 1987. É uma peça publicitária maravilhosa, criação do Washington Olivetto, pessoa de inventiva inegável e que reproduzo abaixo, porque é muito importante para ter apenas o endereço registrado; às vezes eles não são perenes. Esquisito mesmo é ver o jornal que não se vende editando as próprias reportagens antes com termos pejorativos a bolsonésio e agora com apresentações açucaradas para o leitor desavisado em prol de lulalelé. O comentário completo está aqui, e vem de gente tão séria e boa quanto o próprio Olivetto. Aliás, vem do único movimento que hoje em dia tem uma proposta séria para o país, e cujos membros continuam longe das listas de podriqueiras, embora tenham tentado aprontar para cima deles. Chupem, tranqueiras! Mas voltando... não soa muito 1984 quando um veículo de comunicação que se pretende sério passa a editar reportagens à socapa? Tem uma explicação que tentaram perpetrar em algum lugar, e não comentarei; apenas quem nasceu sem cérebro e fumou um ainda por cima (sic) acredita nela.

O vídeo mencionado acima:

   Aliás, as tranqueiras decretaram que o MBL derretera já em 2020. Vejamos... bolsonésio precisaria de 2.139.645 votos para empatar com lulalele. O MBL teve cerca de mais de 500 mil votos, com candidatos em apenas 3 estados, sendo apenas 2 fora do estado de São Paulo. Esse apoio - ou a falta dele - foi claramente decisivo para a definição final. São Paulo deve ter uns 20% do eleitorado, ou 1/5 dele. Fazendo uma proporção (forçada, admito), 500 mil votos do MBL x 5 (caso houvessem 1. público proporcionalmente engajado e 2. apoio do MBL a bolsonésio) = 2.500.000 votos. Percebe? Tá, é uma brincadeira sem fundamento estatístico qualquer, mas... durmam com essa, bolsonésios de uma figa. Tivemos ainda 3.930.765 votos nulos (cuidado, muitos já estão nessa conta acima, dos 2.5 milhões de votos do MBL!), como o meu. Um protesto afirmativo contra ambos os candidatos. Note bem: Bolsonésio igualou-se, a nosso ver, a um concorrente que foi levado aos corredores da justiça contra sua vontade mas sob as ordens da Lei. Declarou-se a alma mais honesta deste país, - mais do que eu!, mais do que você, leitor de bem! Note, sua alma não é igualmente honesta, é mais honesta! - mas não conseguiu comprovar sua inocência. E depois beneficiou-se de duas alterações na lei para sair da prisão e poder concorrer às eleições. Mas bem, assim foi-se bolsonésio, feito Denethor. E não deixará saudades.

Nesta semana pós-eleição o blog - e meu uátizáppi - foram vítimas de mensagens furiosas pró-bolsonesio ou pró-lulalelé. Estes últimos creem-se (mais uma vez) no direito de deixar recadinhos a favor de seu capo, como se o espaço fosse deles e não meu. Acima citei gente que não tem cérebro e ainda fumou um para designar pessoas verdadeiramente tolas. A definição acabou de ser atualizada 🤣... Lulaslelés ou bolsonésios, tanto faz: nenhum traz qualquer argumento. Reclamam a falta de espaço para sua desfaçatez, é isso mesmo? Podem reclamar. Todos, absolutamente todos eles foram (ou serão agora) respondidos com base em argumentos sólidos e intelectualmente honestos, como é a marca do blog, diga-se. Recebam este que lhes dou,

Celebrações de aniversário continuaram até dia 3...

Para o dia 3 estava marcada uma reunião com as Moiras, mas duas delas não puderam comparecer. A Carol também faltou, e foi uma pena... para elas! 🤣 Porque os vinhos estavam bons! 😨 Vieram a Luciana e o Akira. E não, não foi muito vinho, já que a sobra manteve-se igualmente boa no dia seguinte. A Piper-Heidsieck é uma produtora de Champagne fundada em 1785 e produz uma gama relativamente variada dessa bebida. Seu Cuvée Brut, corte 50% Pinot Noir, 30% Pinot Meunier e 20% Chardonnay, deve ser o produto mais simples da casa - e o que dá pra pagar... comprei 4 garrafas há muitos anos, e a que experimentei logo de cara já mostrava alguma idade. Portanto, foi sem muita surpresa que esta veio cheia de abacaxi, algo característico das boas xampas já oxidadas. Significa também que parte de seu frescor decaiu um tanto, mas permaneceu algum toque cítrico além do abacaxi. A boca é generosa, com cremosidade e acidez marcante; corpo médio com boa persistência, constitui um conjunto que só pode ser eclipsado pelos nossos maravilhosos espumantes do sul - e em breve pelos de alguma outra região que passe a produzi-los, porque, afinal, somos imbatíveis quanto o assunto são bolinhas. La Rioja Alta Gran Reserva 904 é um clássico espanhol. A vinícola remonta a 1890, conforme podemos ver de sua história, e diversos outros rótulos foram sendo agregados ao longo do tempo. La Rioja Alta tem, como outros produtores da elite local, a perseverança de envelhecer seus vinhos antes de colocá-los à venda. Daí para aguardar que atinjam a maturidade é só (mais) uma década (Wine Searcher declara sua janela de beberagem da safra 2001 (sic! rs!) como 2010-2040). A safra 2001 foi muito boa na Espanha, assim como a 2005, e neste 2022 podemos considerar o exemplar de 2001 como maduro. Menciono a safra 2005 porque nela o vinho ficou no quarto lugar na lista dos 100+ da Wine Spectator de 2019. Previsivelmente seu preço disparou: custa, na safra '11 (a mais recente), a média de USD 75,00 - embora encontre-se a partir de USD 60,00 (com taxas) -, enquanto paguei pela minha '01, em '11, a bagatela de USD 45,00. Aqui custa a insignificância de R$ 1.515,00 (dividido por R$ 5,50) = USD 275,00, o que dá, pelo preço médio de lá (USD 75,00), 3.93x da mais pura tubaronice. Adiantei o preço para não passarmos mal depois (risos), então vamos lá: aerou cerca de uma hora antes de ganhar as taças, e de cara veio um mentol fragrante e aquela estrutura 3D no nariz à qual refiro-me a certos vinhos de qualidade. Rico em frutas, tabaco/café, tinha mais componentes do que este Enochato pode distinguir. A boca é muito boa, composta for frutas, café (chocolate?), madeira sem excesso, taninos nada além de médios para casar com a excelente acidez, balanceada por surpreendentes e econômicos 12,5% de álcool. Sutileza não é potência, e o conjunto deste Gran Reserva 904 mostra-nos isso didaticamente... É um corte Tempranillo (90%) e 10% de Graciano, muito bem alinhado e continuou luminar um dia depois. Vinho que todo bebedor deve experimentar uma vez na vida, de maneira que este felizardo está plenamente satisfeito e feliz: há experimentara a safra '09, então com 11 anos. Está aqui.

   Depois falo dos demais vinhos... para que estragar a estendendo demais o assunto?

Nota sobre o mercado do vinho

Avisa-me o amigo Xandão - não o do STF! - que sua cidade natal de Ribeirão Preto, maior município da região, foi alvo de batidas policiais em diversos estabelecimentos comerciais que vendem vinho. Conta a reportagem que foram apreendidas 33 mil garrafas, avaliadas em R$ 1,7 milhão, em 5 lojas distintas. Agora quero ver o que dirão os tranqueiras de sempre que policiam o cidadão de bem que sequer compra de contrabando, mas é enganado na própria Argentina, e traz para cá vinho falsificado (vide os comentários nesta postagem). Vão passar pano para lojas que praticam descaminho na cara dura? Vão defender a dura vida do lojista que alimenta a corrupção país afora? Porque vinho de contrabando não chega a S. Paulo sem uma longa fila de mãos molhadas desde a fronteira até aqui.

Friday, November 5, 2021

Bons vinhos, boas companhias...

Introito

   O atual estúpido-mor da nação, cargo já ocupado por Luis Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff por ordem de idiotice crescente, para desespero geral e infelicidade completa dos cidadãos críticos, se já estava mal na condução do país e superou todos os seus pares com muita folga. Literalmente isolado na mais importante reunião dos líderes mundiais, foi conversar com... os garçons! Não que eles não sejam gente (sic!), mas acho que tem gente mais importante para conversar num momento como esse! Acompanhado do senador italiano Matteo Salvini, visitou o monumento em homenagem aos soldados brasileiros mortos na Segunda Guerra Mundial, em Pistoia. Dois fascistas invadindo o lugar de repouso sagrado dos nossos heróis que foram morrer longe de casa lutando contra... o próprio fascismo de Mussolini! Não bastasse, foi para outra cidade ver uma Torre e comer uma Pizza(!). É isso mesmo?! Confundiu a Torre de Pisa com Torre de Pizza? Quer piorar tudo? Não, não precisa acrescentar um quilo de merda ao que já está muito ruim; faz pior: concede a si próprio o título de Grão-Mestre do Mérito Científico. Ele, um capado mental apenas comparável à Dilma e seguido de perto por Lula, que poderia ser alcunhado Comandante Cloroquina (parece que os postos de Capitã/ão já estão reservados), recebendo a maior comenda da ciência brasileira?! Estão abrasileirando demais o brasil! Estão não, ele é quem está! A culpa sobre a permanência desse estrume no cargo de presidente recai principalmente - mas não apenas - sobre os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique. Ora, supõem-se eles mesmos lideres, querem opinar (opinam!) sobre o destino da nação, então teriam a obrigação de chamarem suas legendas e impetxarem (sic) o pulha. Essas legendas mais os atuais descontentes seriam suficientes para removê-lo do posto. A História precisa julgar esses idiotas, além do estúpido-mor do turno. E deixemos claro: a culpa de sua permanência recai nas mãos do Congresso. Não do canalha de seu presidente, que compete de perto ao posto de pulha-mor. Ele não seguraria o Congresso, ponto - a explicação não vem ao caso.

A reunião da sexta-feira

   Decidido a fazer reuniões com pequenos grupos, programei um encontro a quatro: o Akira - participante hors concours desde há muito tempo - D. Neusa e Romeu. Já tinha um tintinho na mira, e precisa de outro... queria algo que tivesse algum significado para com o encontro. Lembre-me do recente embate com um energúmeno que questionou se eu respeitava os limites legais ao trazer vinhos para o país, quando listei várias pessoas que haviam trazido dúzias de garrafas para mim, em muitas e muitas viagens - aliás a irmã da Orlinda está vindo aí, com mais 3 na mala! Lembrei-me de um que foi trazido pelo próprio convidado. Tava (sic) armada a algazarra.

   Tauba (sic) de queijos e frios preparada, bifões cortados, recebi os convidados com as garrafas já abertas. A menos da xampa, claro; ela ficou por conta do Akira, que executou a tarefa com sua habitual habilidade zero noiseO Champagne Piper-Heidsieck é um não-vintage engarrafado em 2015 (desta vez li no contra-rótulo). Degustada anteriormente em junho, mostrou o mesmo abacaxi característico da oxidação desse tipo de vinho. A perlage atraiu a atenção geral - não a minha, que não reparo nessas coisas 😒 -, por delicada. Tinha pão, ou fermento, o que acho não ter notado da outra vez. É uma expressão básica de champagnes - champagnes! -, basta ficar atento para notar. Acidez muito agradável, boa permanência, foi bem com uns queijinhos, principalmente o Manchego trazido pela D. Neusa. Depois servi os tintinhos nojentos às cegas. Para o primeiro, o Romeu disse 'ibérico', se não me engano. O Akira cheirou, cheirou que cheirou, olhou e disparou... 
   - Algo como Rioja... - depois falou que poderia ser algo mais, mas ao fim e ao cabo estava fixo em espanhol, talvez Rioja. D. Neusa olhou-me de olhos arregalados 😜. Comentei que era vinho de produtor que ele já havia bebido. Confirmei sua pergunta, era sim um Rioja. Ele brecou tudo com um gesto e voltou a cafungar. Por fim, decretou: 
  - Peraí! É um Remírez de Ganuza. 
   O segundo vinho também causou impacto e igualmente trouxe alegria à mesa, e todos ficaram surpresos. O Akira chutou entre americano e australiano, deixando-se levar pela última nacionalidade. Foi a deixa para que eu encaixasse os dedões próximos aos ouvidos, mãos abertas, e as abanasse para cima e para baixo: 
   - Urrú! Errou! - não era sem tempo... ele tinha acertado tudo desde a primeira reunião com o Renê!


Trasnocho 2008 é produzido pelo tal do Remírez de Ganuza, bodega de produtor homônimo, estabelecida em 1989 em Rioja Alavesa. Trasnocho, corte de Tempranillo, Graciano, Viura e Malvasia (Tempranilho lá pelos 90%) é assim: pensa num vinho potente. Guarde seu conceito do que seja potente, vá estudar e volte. O vinho foi aerado por umas três horas até o serviço. Logo de saída percebemos que está bom para beber, mas pode ficar guardado muito muitos anos. Muitos... não é difícil notar que no nariz é o que costumo chamar de tridimensional. Tem de tudo, muita fruta vermelha e negra, madeira (sem excesso!), algo na direção de chocolate/café/couro, arrisco que algo herbáceo. Álcool de 14,5%, só é perceptível se prestar atenção. Apesar da intensidade, está perfeitamente bebível, e com muito prazer para as papilas: enche e boca, tem ótimo corpo sem ofender, se me entendem, a persistência é larga, o final volta completo após engolirmos as últimas gotas. Uma verdadeira felicidade engarrafada, no seu mais profundo significado. Safras recentes (2012+) custam por volta de 100 dóla. Aqui, nas mãos de tubarões, R$ 1.700,00. Paguei uns R$ 350,00. Outros tempos, outros dóla (sic). Foi trazido pelo Romeu, há muito tempo, e no final lá estava ele para degustá-lo. Disse ter gostado bastante... 
   Agharta Black Label 2004 também surpreendeu. Aerado por mais de cinco horas até o serviço, chegou explosivo. Ótima estrutura - álcool, tanino, acidez e açúcar - competiu bem com Trasnocho. É mais concentrado, mas acho que menos complexo. Só um pouco menos... falamos de vinhos opulentos. Ótima persistência, a fruta e o tanino duram na boca. Apesar de 2004, mostrou-se novo; pode ser guardado por muito tempo. É produto da AVA (Área Vitivinícola Americana - para nossa sorte a tradução do inglês apenas inverte os 'A's) de Sonoma, um corte 92% Syrah, 5% Grenache, 1% Viognier, 1% Marsanne e 1% Roussanne, estas três últimas, cepas brancas. Os Rhône Rangers são viticultores que pregam ser o clima quente da Califórnia mais adequado às cepas mediterrâneas do sul do Rhône, e centram-se em seu cultivo em detrimento das cepas bordalesas ou borgonhesas. Aliados à sua vasta tecnologia em leveduras, os produtores americanos realmente conseguem produzir vinhos à altura dos franceses. Trasnocho e Agharta: taí dois vinhos que eu repetiria. No final tivemos o já batido (rs) Sauternes do Château Doisy-Védrines 2016 com bombom de morango, sobremesa um tanto doce mas muito requisitada no Cantos e Contos. Se usassem Lindit amargo, a qualidade seria outra. O preço também, claro... Teve bão. Mais vinhos nas festas de aniversário que seguiram-se...

Saturday, June 26, 2021

Tinha uma Champa no meio de caminha a Pompéia

Introito

   No último domingo foi aniversário da Sra. N. Para quem lembra-se das coisas - não é o forte da maioria do eleitorado, infelizmente - Dona Neusa estreou no blog como missivista de uma desesperada correspondência à procura de orientação, no que foi imediatamente atendida. Naquela data ela faria uma confraternização muito restrita com a família, e ainda tinha em mente um evento com um muito petit comité (rs) em data específica. Acontece que Enoeventos marcara uma degustação harmonizada para o dia 23 de junho, e após experimentar a degustação anterior, ela estava deveras disposta a mais uma experiência enogastronômica. É uma daquelas ocasiões em que se juntam a sede e a vontade de comer (sic!).

Os últimos dias de Pompeia: A vinicultura aos pés do Vesúvio

   Assim foi batizada a proposta dessa pequena mas honesta importadora carioca comandada pelo gaúcho Oscar Daudt. Apresentou vinhos da região da Campania, que com seus solos vulcânicos oferecem grande mineralidade. Aliás, haja coincidência: o vinho que sugeri à Dona Neusa naquele primeiro contato - o Terra Di Lavoro - também tinha origem nessa região. Parece que não está sendo importado, e é um vinhão. Alô, alô, Oscar...
 
Combinei com o chef Gustavo uma surpresa como entrada, e levei um Champa Piper-Heidsieck Cuvée Brut (non-vintage), acompanhado de uma proposta de degustação composta por uma bruschetta de lagosta e lagostim no pão de brioche, salada coleslaw (sic), queijo brie, tomate seco, lagosta, lagostim e picles de cebola roxa com erva doce. O Champagne estava já um tanto oxidado, mas muito agradável; notas de abacaxi, com boa acidez e boa permanência. Combinou bem. Na sequência vieram o Coda di Volpe Irpina DOC 2020 da desconhecida casta Coda di Volpe, com toques bem herbáceos, abacaxi (na verdade era pera...) boca com mineralidade presente e baixa acidez, mas sem comprometer o conjunto - particularmente aprecio a acidez, e tendo a não curtir sua falta. Ele foi seguido por um Corte del Golfo Falanghina Irpinia 2020, da cepa (igualmente desconhecida para mim) Falanghina. Nariz com toques florais e bem cítricos, boca melhor - para mim - pela acidez mais presente e boa persistência. Eles foram armonizados, respectivamente, com um sorpresine bicolori (açafrão e espinafre) com manteiga de sálvia e lascas de amêndoas tostadas, e com fagottini com recheio de creme de cogumelos; molho fonduta de queijo e pangratatto de Panko e ervas. Autêntico capiau do asfalto (rs), este Enochato misturou ambas as massas no mesmo prato (😂) e foi brincando com um vinho e outro, alternando as massas. Para mim não funcionou muito bem, em comparação com experiências anteriores. Mas o melhor chegaria logo. Na sequência, experimentamos uma polenta cremosa de queijo com ragu de linguiça artesanal pareado com o Nativ Bicento Irpinia Campi Taurasini 2017, um vinho que, como diz o nome, é feito a partir de vinhas bicentenárias (😨), da cepa Aglianico di Taurasi, e que portanto sobreviveram à praga da filoxera. Buquê com um doce algo carregado, boa fruta, boca algo doce, mas com ótima combinação com a polenta. Comentei sobre a combinação de vinho de travo mais doce com comida, o que, surpreendentemente, justifica (sic) a existência até de vinhos meio secos. Algo para o que o leitor deve estar atento e não fechar-se às possibilidades. Essa harmonização funcionou muito bem. A sobremesa foi composta de cannoli di ricotta al pistacchio acompanhada do passito Baronazzo Amafi Zibbibo 2016. Um vinho 100% Zibibbo (ou Moscatel de Alexandria), notas notadamente cítricas, boa acidez a contrabalançar o dulçor, 14% de álcool que não aparece, muito equilibrado e também casou bastante bem com os cannoli. Também foi muito divertido, nota 10. A aposta da D. Neusa foi que o Nativ Bicento diminuiria o açúcar no dia seguinte. Fui agraciado com a garrafa, e provei no dia seguinte (ontem). Não, não diminui muito, continuou com aquele doce. Não é um defeito, mas acho que é um vinho para harmonização; não arriscaria abrir uma garrafa sem acompanhamento. 

A transmissão do evento via Youtube teve momentos divertidos, mas estávamos em seis pessoas inicialmente atrás de um celular perdido tentando localizá-lo via mandracarias de GPS, e em um ambiente mais festivo, de forma que o evento não foi acompanhado com muita ênfase. De qualquer maneira, Enoeventos vem produzindo encontros virtuais muito bem harmonizados e que valem a pena participarmos. Por aqui o amigo Ricardo, Noiva de Baco de primeira hora (rs!) também acompanhou a degustação e enviou-me a foto ao lado. Disse-me que esteve tudo muito bom e apreciou bastante a oportunidade. Mais uma opinião que atesta tanto a qualidade dos vinhos quanto da harmonização, e reforça o quanto essa abordagem merece nossa atenção. Fique atento. Oscar promete que vem mais por aí...