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Saturday, March 8, 2025

Beberagem de Carnaval - atrasada!

Introito: é assim que o Brasil vai pra frente!

Compre vinhos caros, se puder, porque eles valem a pena.
Mas não pague caro por vinhos, pois isso 
é bem diferente de comprar vinhos caros...
Oenochato

 
Existe uma defensora dos direitos LGBTQIA+ cuja trajetória é marcada pela assistência às pessoas trans e negras, e especialmente ao combate à transfobia e ao racismo estrutural. Ela também enfatiza a importância da aceitação da própria imagem, desafiando padrões normativos e promovendo o orgulho trans. Eleita deputada federal, tornou-se um símbolo da resistência e da representatividade de toda uma classe social na política. Desfilou por alguma escola de samba neste Carnaval de 2025, e comenta-se que ar-ra-sou(!) na Avenida (não sei qual). As fontes das fotos acima estão aqui e aqui. Noto como ela estima a valorização da própria imagem e de sua cor, e lembro-me do Michael Jackson, perguntando-me: a deputada teria vitiligo? É uma questão acadêmica, claro; como bem sabemos a cor de uma pessoa não é importante. Seu caráter o é - sempre. Importante mesmo é registrar a transformação pela qual vem passando a festa mais popular do país, deixando de lado - e definitivamente, espero - marchinhas toscas e idiotas tipo Olha a cabeleira do Zezé... e tantas outras, para assumir sua posição de vanguarda na luta pelos direitos sociais das minorias. A sociedade brasileira em peso seguramente apoia essa mudança de rumo; eu mesmo, sem prestar atenção ao evento nos últimos 20 anos, pelo menos, posso dizer de peito estufado: Agora sim! No próximo ano prestigiarei o acontecimento ao vivo, na Avenida (não sei qual). Ao contrário do bordão dos anos 1970, originado em programas humorísticos de televisão e repercutido desde então por toda a sociedade, podemos afirmar que é assim que o Brasil vai pra frente!

As Malucas durante o Carnaval

Durante o Carnaval as Malucas reuniram-se na humilde choupana deste Enochato para a celebração dessa festa pagã. Sem a Débora adoentada, 😥, ficamos todos extremamente infelizes ao ter de verter para dentro de nossas gargantas sua parte nos vinhos. O Chablis Vielles Vignes 2022 do Domaine de la Motte tem sido consumido a torto e a esquerda (sic!) pelas confrarias. Comprado a bom preço (R$ 179,00, se não me engano), talvez estejamos queimando as garrafas ainda um pouco jovens. Pode sim ser degustado, mas segurarei duas minhas um pouco mais. Essa foi trazida pela Liu, e mostrou um nariz cítrico bastante evidente e alguns toques de frutas brancas também (percepção da Liu?). A mineralidade, igualmente, apresentou-se conforme esperada: bem característica, como já encontrada nas outras garrafas, junto de boa acidez, perfazendo uma boca potente e persistente, com frescor e agradável. Esgotou-se a R$ 399,00 (um assalto!), enquanto lá fora é avaliado em 20,40€/USD 24,00. A menos de R$ 200,00, teve boa (sic)... O anfitrião aportou o Château Chantemerle 2016, Cru Bourgeois cujo significado foi comentado rapidamente aqui. A Luciana tocou o terror - não o terroir! 🤣 - registrando um bodum a bota, chulé, pé mal lavado 😣... suspeito estivesse enfatizando couro, presente, e um pouco de Brettanomyces - Brett - um fungo que de fato contribui com a percepção de algum mal cheiro às vezes até mais desagradável - estábulo mesmo. Não notei, mas deve ser atribuído à minha deficiência antes de qualquer outra coisa. Acidez presente sem marcar tanto, taninos suavizados, final médio, alguma persistência perfazem um vinho razoável, decente, pronto para beber sem muito compromisso. Por sobremesa, um morango com chocolate trazidos pela Liu, e acompanhados com algumas sobras do meu níver (outubro!) ainda remanescente: Tokaj (Oremus), Moscatel de Setúbal (Bacalhoa 2011) e Sauternes (Guiraud). Ninguém reclamou... 
 
   Voltando ao Chantemerle, pelo que custam os vinhos por aqui, adequado e acima da qualidade média, ao preço de R$ 200,00, à época. Está esgotado na importadora (Enoeventos), mas eles possuem outros Cru Bourgeois em estoque - apenas fique esperto e confira no Wine Searcher se não está pagando caro demais, pois ela não tem mantido a política de preços de antigamente. Com a crise dos últimos anos as tubaronas começaram a abrir o bico, algumas mais cedo, outras apenas recentemente. Desde então acumulei estoque significativo de Quinta do Noval, desde Cedros degustados com alguma frequência, Quinta do Noval em diversas cepas (Touriga Nacional, Syrah, Petit Verdot) e mesmo o Reserva (safras '16 e '18), comprados - pasme - às vezes até a R$ 200,00, constituindo-se em compra sem igual naquele momento. E se procurar de repente ainda encontra a R$ 260,00. Não deixa de ser uma boa aquisição, pois é um vinho de seus 45,00€ em Portugal. Em suma: procure, pesquise. Compre vinhos caros quando puder, pois eles são bons e valem a pena. Só não pague caro por vinhos, porque isso é bem diferente de comprar vinhos caros...
 
   Como recordação e registro, as Malucas: Liu na foto, Luciana, Mário e este Enochato.
 
 
   Também para registro, o valor de 'mercado' do Chablis (esgotado) a R$ 400,00, e seu preço segundo o Vivino e o Wine Searcher, em Euros e Dólas, respectivamente.
 

Sunday, October 20, 2024

O Road Xou da Qualimpor, e mais

Introito


O posto de maior herói nacional desde Caxias está vago.
Oenochato

O posto de maior herói nacional desde Caxias está vago. E tem gente querendo ocupá-lo. Não é Ali Lulá com seus sequazes cujos primeiros 14 anos dominando os destinos do país passaram liberalmente em branco, sem resolver uma e apenas uma das grandes mazelas nacionais: o MST deveria ter sido extinto, tendo todos os trabalhadores atuantes e vindouros terra à disposição para produzir, em vez de envolver-se em confusão pelo país afora; na educação, o desempenho dos jovens no PISA já foi vastamente discutido, quando o valor investido no ensino quadruplicou e ainda assim andamos para trás(!); finalmente, o término do (des)governo de Ali Dilmá evidencia como a economia foi entregue ao sucessor. Aliás, (des)governo abreviado pelo bem da nação e da próxima geração, de maneira democrática e usando-se das entrelinhas da lei, diga-se. Vemos claramente como a tal da Nova Matriz Econômica colocou-nos na rota de um (de)crescimento seguro e irremediável. A fonte é oficial (IBGE), portanto não pode haver dúvida. Ademais, a média do crescimento destacada no gráfico (2.5%) é pífia se comparada às 500 nações que mais cresceram no período (sic!).


   Também não será bolsonésio e caterva quem colocará o país na rota do crescimento. Sua atuação como deputado em diversos mantados só não foi mais ridícula do que a própria gestão presidencial; a sequência de desmandos presenciados pelos eleitores foi a mais vexatória da história da República. Sua política econômica mesmo pré-pandemia não surtiu nenhum efeito de longo prazo simplesmente porque nada foi sequer enviado para o Congresso. Onde estão as propostas de cortes de impostos, privatizações e fechamento de estatais inúteis? Ninguém viu!

   A despeito desses grupelhos há um grupo sério com propostas intelectualmente honestas e politicamente factíveis para o país. Se você não assiste às lives do MBL, pode não saber do que eles estão falando. Mas está tudo (sendo) escrito, aqui: é a proposta de mudança acontecendo na sua frente. Cidadão honesto, acompanhe ou deixe passar para se envergonhar depois, por mim tanto faz. Só não defenda-se na própria ignorância quando for o último da fila! Leitor interessado que gostar, propague essa ideia - não a minha, nem desta página - até porque não estou interessado em gado e pulhas vindo aqui falar besteiras; não publico comentários sobre política neste espaço. Propague sim a ideia desse pessoal que, independente da orientação política - e mesmo sendo diferente da minha - é quem tem apresentado o projeto de nação mais consistente que já vi em minha vida. Lamento que não seja a esquerda a fazê-lo. Ele teve sua vez, e deixou a oportunidade escorrer por entre os dedos; prostrada, entregou o país a meia dúzia de... você sabe!

Korem na Paduca

Rolou encontro da Paduca no começo do mês. Para abrir as festividades do meu aniversário - e ainda falta muito... - resolvi preparar-lhes uma surpresa. Inicialmente servi às cegas o Chablis Vielles Vignes 2022 do Domaine de la Motte, degustado algumas vezes com outras turmas. Infelizmente o Fernando não estava, mas os confrades remanescentes não fizeram feio. Um foi direto na acidez, disse-a impressionante. Outro atentou para estilo da boca; não soube se expressar adequadamente perante a nova experiência, mas claramente pretendia chamar a atenção para a mineralidade. Quando sugiri um salgadinho na boca, disse entusiasmado: - Exatamente isso! 
Assim está indo a Paduca, pingaiados (rs) de cerveja e uísque descobrindo as lides do vinho e maravilhando-se com ela; podem carecer de experiência, mas já está se emendando na vida (rs). Era para ser uma reunião descompromissada, e o Duílio trouxe às cegas um Valpolicella Classico Bolla 2021, declarando depois nunca termos bebido juntos um vinho icônico nas prateleiras brasileiras desde há muito. É verdade, não bebia um Bolla há uns 25 anos... o nariz estava alegremente frutado, e a fruta repetia-se em boca, com uma pontinha de acidez - baixa... Corpo médio, macio, pronto para beber. Não acompanhou tão bem o bifim a molho gorgo, mas o prato foi não escolhido para acompanhá-lo. E tão logo ergui a garrafa para servir a primeira taça, o próprio Duílio olhou a cor e cantou sua derrota: - Olha a cor desse ordinário... 
   Bem, somente a cor de um vinho não entrega suas qualidades - embora em muitos casos possa conter informações interessantes. O problema é que Korem 2015 está pronto para ser bebido, continuará assim pelos próximos anos, tem a coloração de novo, o nariz elegante e a boca complexa e passou como um rolo compressor por cima do pobre Bolla. Grande parte de sua composição é Bovale, mostrando o quanto devemos desapegar quando o assunto são cepas diferentes. Uma mistura ampla de frutas e notas ao estilo couro ou chocolate, e mais. Boca com taninos amaciados, boa acidez, madeira presente, álcool contido (mesmo nos 14,5%), extraído, com boa persistência - o pessoal elogiou como ficava na boca. O bebedor mais calejado sabe como existem experiências melhores, mas para vem na espiral ascendente e encontra um Korem pela proa, a sensação é uma quebra de paradigma. Comprei Korem da Enoeventos a vários preços no começo da pandemia, e fui comprando ao longo do ano conforme entrava em 'promo'. Cheguei a pagar por três garrafas o valor de R$ 245,00 a unidade - atualmente é um vinho de uns USD 40,00 nos EUA, mas recordo-me de na época custar menos. Nas mãos da importadora anterior - excelsa tubarona cujos calhordas de plantão insistem em defender - custava a bagatela de USD 118,50 (sim, o preço de catálogo deles vem em dólas). Não direi que é a Mistral por uma questão de édica (sic! rs!). O Korem 2019 está custando R$ 480,00 na Enoeventos. Convenhamos, dá 2x, mas existem atualmente diversas ofertas de vinhos com relação lá x cá bem melhor. Estes dias comprei a xampa Taittinger Brut Réserve a R$ 360,00 e não quis pegar o Sassoaloro a R$ 270,00. A primeira custa uns USD 50,00, e o segundo, USD 35,00- USD 40,00. O mercado parece estar encolhendo...

O Road Xou da Qualimpor

Andava meio durango da vida - conforme comentei com o Sommelier Conectado Eustáquio Fragalle, o Lemão aliviou-me em quase um Barca Velha. Depois fui conferir, e o susto diminuiu: custou-me apenas um Ferreirinha Reserva Especial, a parte da cirurgia. É meu amigo por 11 anos, não vou poupar umas meras garrafas se precisar tratá-lo, não é mesmo? Mas estava indi$po$to para comparecer ao Road Xou da Qualimpor em S. Carlos quando um imprevisto da Liu fez-me ser contemplado com seu convite... claro, fui salvá-la de perder o investimento! Ela não aceitou ser ressarcida, para meu desapontamento. O portfólio da Qualimpor cresceu bastante nos últimos anos: de uma empresa cujos produtos limitavam-se às linhas de Crasto e Esporão surgiram a Quinta dos Murças, a Quinta do Ameal, a  importante produtora de vinho do Porto Taylor's, a Colinas de São Lourenço e outros mais. São todos vinhos muito bons, embora estejam um pouco caros. Chamaram atenção: Principal Tète de Cuvée Pinot Noir Rosé, e olha que torço o nariz para rosés, como todos sabem. Mas esse tinha presença, espírito - não corpo, se tem corpo não serve pra ser rosé (risos!) - nariz rico à frutas vermelhas, ótima acidez, frescor, muito chique. O preço assustou, algo como R$ 600,00. Custa caro lá fora, quase USD 70,00, mas não vejo-me comprando um rosé nesse valor. Por mais USD 30,00 dá pra pegar um Xatenêfi &#🙉@😲-de-roda pronto pra beber... é um vinho para bebedores muito mais endinheirados e refinados do que este Enochato, não há dúvida. 

Os Porto Crasto 10 e 20 anos da foto anterior também surpreenderam muito positivamente. Os preços, cerca de R$ 550,00 e R$ 900,00 é que não... mas são ricos, untuosos, o 20 anos até lembra Xerez, elegante mesmo. Mas USD 100,00 é um investimento alto para a maioria dos bebedores; no meu caso guardaria para comprar algo lá fora. O Quinta da Ameal Solo Único, indicado por Don Flavitxo a exemplo do rosé - só ele para fuçar tanto (rs) - também estava deliciosamente complexo, mas àquelas alturas não consegui guardar as notas. Lembro que impressionou. A foto do Principal Reserva (Grande Reserva?) mostra o estado deste Enochato em algum momento: saiu de foco, a despeito de toda a tecnologia disponível nos celulares... no sítio da Qualimpor está disponível o Grande Reserva da safra 2011. Já bebi outros mais antigos, tanto o Reserva quanto o Grande Reserva. São vinhos de bom corpo, acidez presente, fruta generosa e mais detalhes. Àquela hora, impactou sim: tanto pela extração em boca como pelo preço: R$ 1.400,00, algo assim... Tá, priscas eras, com dóla a uns R$ 2,50... paguei menos de R$ 250,00! O dóla pouco mais que dobrou, e o preço sextuplicou! Don Flavitxo comentou que tiveram êxito com ele, lá fora - não lembro os detalhes para tanto êxito - e Princpal Grande Reserva não está saindo por menos de USD 150,00. Lamento... é um bom vinho, mas não sei se vale. Fico lembrando-me, por exemplo, de um Remirez de Ganuza - pode ser o Reserva ou o Trasnocho -, ou de um Domaine du Pegau Cuvee Reservee, ou de um Pape Clement, ou um Comte Armand Clos des Epeneaux, borgoinha de Pommard... São vinhos mais baratos (menos o Clos des Epeneaux, um tantinho mais caro) e francamente superlativos se comparados ao Principal. Sinceramente não entendo onde os portugueses querem chegar com alguns de seus vinhos. Parecem estar incorrendo no mesmo erro de vários sul-americanos... ou não... ambos apostam em impressionar o consumidor desavisado com preços altos. Já escrevi neste espaço: que bom! Se os bebedores soubessem o valor de Xatenêfis - até de alguns Côtes-du-Rhône Villages - eles provavelmente não sobrariam na mão deste Enochato.

   Um comentário que se repete: importadores que propõem um preço ao lojista, mas no mercado acabam praticando outro valor. Não sei se a Mercearia 3M está sendo vítima disso ou se apenas está usando a tabela cheia do preço proposto pela importadora - cujo desconto é gordo - sem repassar qualquer tantinho de benefício para o consumidor. Mas por aí encontram-se ofertas melhores. O sr. Idinir deveria estar atento a isso. Ora, convenhamos(!), este Enochato não é o único que tem ou que sabe usar internet. Qualquer cidadão sabe! Vejamos o que ele encontra:

Esporão Private Selection: não, ele não está por aí a R$ 1.100,00, ou algo assim... está mais um tanto mais barato...



O Calcário3 (a R$ 300,00, até tinha desanimado a falar dele), ficou razoável,

 

   Enfim, não vou procurar os demais, o leitor - que usa a internet tão bem quanto eu! - pode fazê-lo. Sempre digo, devemos prestigiar o lojista local, pois é ele quem nos provê as degustações sempre tão importantes para conhecermos os vinhos, conversarmos com os produtores e aprendermos sobre processo e outros detalhes, mas ele também deve fazer sua parte e suprir seu consumidor com bons vinhos a preços condizentes. No presente caso, infelizmente, os vinhos são bons mas estão muito caros - lá fora e aqui também. No mercado mundial eles não se traduzem em compras são boas, basta conferir os valores do vinhos citados e procurá-los nas postagens. Quem bebe, sabe...

Finalmente, demonstro (como se precisasse...) o valor pago pelo Korem na 'promo' e o valor pelo qual era vendido pela tubarona antes de ser descartado por ela e ir para a Enoeventos.





Sunday, July 14, 2024

#émuitovinho

Introito

A ironia é uma arma poderosa em tempos de paz e democracia e este escriba arroga-se a dominá-la com alguma maestria. Sem muita paciência para metáforas rebuscadas ou para rimar termos cognatos, vou tecendo minhas cantilenas e abusando da indulgência do leitor mais desavisado. Não estamos mais em em momentos pacíficos, e faz tempo. Para mim começou (não) na última quinta-feira, mas n'alguma quinta-feira preguiçosa tempos atrás, quando o Estúpido pronunciou pela primeira vez "Porque eles...".  Agora esse Zé Ninguém com posição de superintendente prepara, imerso em sua raiva e desejo de vingança, mais um assalto à classe média em extinção coordenado pela batuta de seu filho bastardo Zé Taxão: alguém cuja pouca capacidade obrigou-o a colar em prova de Economia e que de repente viu-se no cargo de sinistro (sic) de estado sem ter ideia nem noção da importância e responsabilidade da função. Nenhuma novidade para posto já ocupado por um cabeça de mantega (sic). Na falta de paz e democracia - e pela esquerda mundo afora estar desgovernada, para minha mais completa vergonha - algum ódio acaba por nos acometer. Minha paciência ante a desmandos e incompetências acabou-se há muito, mas a democracia manda-nos testarmos nossos limites e manter a ternura... Aconteceu dos tempos de paz e amor ficaram para trás, né Janja? Saboreemos então a dura verdade. Nada mais, mas também nada menos.

   O pobre Joe é outro a não se cansar em nos humilhar. Estes dias comentava, lépido e saltitante, sobre os aliados (europeus) nada dizerem acerca de sua condição, nem recomendarem-lhe repouso. Indica dois pontos: o quanto os primeiros são tolos e omissos, e quanto o pobre Joe passou do ponto e confunde o menor fio de teia de aranha por cipó onde possa agarrar-se. Ousariam os aliados europeus recomendar ao pobre Joe encher sua fralda geriátrica no aconchego do lar em vez de fazê-lo repetidas vezes em público?


#Émuitovinho

Estes dias a #Émuitovinho voltou a se reunir, celebrar a vida, as companhias, o vinho e o retorno da D. Neusa daquele país onde a cana mais dá, o Canadá. Claro, com muitas garrafas na mala. Desta vez escolhemos exemplares mais baratos em maior quantidade; os caros ficaram por conta do compadre Ghidelli, tendo-os trazidos em viagem de final de ano para sua amada Espanha. Ameaça tirar cidadania, e parece decidido... todos os rebentos estão lá; para que suportar os desmandos presenciados diariamente por estas bandas? Abusos para quem os percebe, bem entendido, porque aqueles que não os querem observá-los, simplesmente não os notam... 

Com alguns vinhos mais complexos devidamente repousados por vários meses, lançamos mão de um exemplar de destaque junto a outros mais simples. O Chablis Vielles Vignes 2022 Domaine de la Motte já apareceu nestas páginas e foi um grato achado graças aos contatos de Don Flavitxo. Quem o havia degustado e esquecido (risos!) gostou novamente e aprovou a aquisição. Manteve o nariz cítrico, boca com frescor e ótima acidez, boa persistência e final, como se espera de um vinho de 17,00€. Comprado aqui a R$ 180,00, é uma oferta excelente. O Viña Cubillo 2016, também provado há pouco tempo, recebeu de D. Neusa um comentário jocoso: E pensar que é o vinho mais simples desse produtor... Cubillo é tudo isso: elegante, bom corpo, estruturado e bem balanceado, sem muitas arestas: lembra aquela bandinha bem treinada a tocar os acordes da maneira correta e sem afetação. Para um vinho de 18 dólas na Espanha, seu preço aqui de R$ 373,10 é um despropósito - e não adianta dizer ter sido indicado pelo Enochato; terá de pagar até os últimos R$ 0,10. Sei que tem no Paraguai. Considero viajar até lá e usar dos meus direitos de turista na fronteira e trazer o que puder dele, antes da meia-noite. 

Junto do bifão veio o Brunello de Montalcino Fattoi Riserva 1999. A safra '99 foi notável em Montalcino. Isso não assegura a integridade de todas as garrafas - outro exemplar aberto pelo confrade literalmente miou - mas a nossa mostrou-se muito interessante. Reproduzo a impressão do Ghidelli: ...uma cor que não entregaria tudo o que se esperava de um Brunello. Mas surpreendeu com aromas primários de alguma fruta negra. Tinha muitas camadas de aromas terrosos e resina, além de creme de cogumelos e aromas de estábulo. Na boca a acidez se equilibrou com os taninos bem redondos, sem se notar a presença marcante de álcool. Boa permanência e retrogosto. Gostei da surpresa... O meu nariz estava um pouco detratado (rs); no dia seguinte uma gripe chegaria com força, mas deu para pegar notas oxidadas bem evidentes. Equilibrado, tinha ótima persistência e final, mas só consegui aproveitar além do mais óbvio. Ainda assim a diversão foi completa, e valeu. Obrigado, Ghidelli! Para completar, a sobremesa foi tocada por um Icewine Riesling 2019 da Pond View, produtor da Península do Niágara. Buquê muito rico, complexo, pouco decifrável pelo estado calamitoso do provador, ainda assim teve força para marcar-me com um tom cítrico de maneira indelével. Boca adocicada contrabalanceada pela firme acidez, mostrou-se muito equilibrado e a permanência, esplêndida. Não tenho certeza de bate o excelente Magnotta Cabernet Franc, do qual tive o prazer de desfrutar por duas vezes, mas valeu muito.

Encontrei a imagem da abertura aqui, https://br.ifunny.co/picture/meia-noite-taxarei-sua-alma-ze-do-taxao-l76DgS9aB. Não há crédito do artista, pessoa de sensibilidade e bem conectada ao momento atual, e cuja paciência claramente ainda não se esgotou.

Tuesday, June 4, 2024

Uma surpresa surpreendente (sic! rs!)

Introito

A taxação é para os tolos.
Oenochato

   Sobre a estória da cobrança de impostos para importações até 50 dólas, a Miss-Brasil Primeira Drama, sem qualquer vitimismo, alerta, enfática: A taxação é para as empresas e não para o consumidor. Não sei bem o significado, mas abaixo de sua postagem no Tuíter apareceu uma contestação.


   Corriam os anos dourados do dóla a R$ 1,60. Eu faturava muitos dólas... e arrisquei comprar alguns filminhos da Amazon. Seriam taxados em 50%, eu sabia. Não estava ciente - e fiquei PuTo - quando ela incidiu inclusive sobre o frete declarado no envio. Isso tem nome: desfaçatez. Alguém acha que essa regra foi deixada de lado, em algum momento? De outra maneira: imposto pode diminuir, não importa o governo? Com subsídio - sempre para os grandes, como indústria automotiva, branca, etc. -, pode. Quando começarem a subsidiar o Fiel Contribuinte me avisem... desde sempre ele é o idiota a bancar toda a farra. Só falta explicar direito um detalhe: por qual motivo o governo dos pobres taxa justamente as compras pequenas, sabidamente realizadas pelas pessoas de menor renda? As próprias empresas informam isso: trata-se de itens de consumo muito pouco sofisticados, como peças de vestuário ou maquiagem simples, sem marca conhecida. São produtos de classes C e D, mesmo - note que nossa classe B aqui seria pobre 'lá'. Enquanto isso os bacanas podem viajar para o exterior 12 vezes por ano e trazer na faixa a mórbida (sic) quantia de 1000 dólas cada vez, absolutamente isentos. Houvesse um mínimo de honestidade intelectual por parte dessa turma, e os mais abonados seriam os primeiros a entrar na faca. O caminho a tomar está dado pelos cidadãos brasileiros da mais alta capacidade, idoneidade e sensibilidade social. Não são necessários retoques, basta ouvi-los:


   Ao final de tanta conversa mole, tanta picaretice e tanta desinformação, fie-se n'Oenochato; ele não o engana: a taxação é para os tolos! Porque apenas tolos permitem governos como os últimos que vimos - desde Martim Afonso de Sousa - prosperarem.

Uma quarta-feira preguiçosa

Feriado de quinta-feira... sugere uma quarta algo preguiçosa, à noite. A confraria #émuitovinho reuniu-se com convidadas especiais, e a sentida ausência da D. Neusa. Ela mandou lembranças do Canadá, enquanto embalava Kenzo, seu mais novo netinho. Lutando cá (risos!) começamos nossa reunião com o Chablis Vielles Vignes 2022 do Domaine de la Motte. Fresco com toques cítricos evidentes, boca com acidez presente - indo a média, não impressiona muito - bem equilibrado, com um salgadinho ligeiro denunciando a mineralidade típica da região. Mesmo essa acidez não tão alta propicia boa permanência em boca, e se comprado a bom valor vale quanto pesa. O produtor vende a 17,00€, dá quase 100zão; comprá-lo aqui por R$ 180,00 mostra como dá para trazer vinhos de fora, em pleno 2024, com margem satisfatória para o importador e boa para o consumidor. Sim, a detratoria logo dirá que logo a importadora vai falir, e toda a sorte de bobagens na qual quer acreditar. Estou comprando deles desde o ano passado, e continuam firmes... Enoeventos segurou a onda por uns bons cinco ou seis anos; sua virada, creio, foi uma opção de mercado. A Chez France prosperou e ainda comprou a Sociedade da Mesa antes de começar a subir seus preços para oferecer descontos de até 70%(!). Cada um com sua escolha... eu com as minhas, comprando nas melhores ofertas. Quer um vinho decente a preço condizente nos dias de hoje? de la Motte...

Nem só de branquinhos se vive a vida...

Apresentei inicialmente dois vinhos às cegas para um doelo (sic - é entre dois...). Após alguma discussão mais solta, os confrades - Celinha, Elvira, Liu, Salete e Ghidelli - se emendaram. Palpite de francês para o primeiro - apenas pelo buquê elegante a sugerir sua procedência, disseram alguns, mesmo antes de levá-lo à boca. Depois também continuaram no palpite. Tem sim um nariz rico em frutas, principalmente, e o pessoal apontou mais algumas notas conforme opinavam. Apreciaram a boca, com bom corpo sim, e opinaram estar muito boa - e isso não entendi. O segundo foi classificado como nariz inferior, não tão pronunciado, embora com boa fruta, e a boca pareceu deixar a desejar para mais de uma pessoa. O primeiro, para surpresa surpreendente (sic! rs!) foi o Casa Valduga Terroir Exclusivo Arinarnoa 2020, com 14% de álcool até bem equilibrados, mas cuja boca não me surpreendeu. Preconceito de minha parte? Concordei imediatamente com o buquê - surpreendeu mesmo. Mas na boca não, achei ligeiro, apesar dos taninos maduros - ele tem boa extração sim, mas não vai além disso. A falta de acidez pareceu não incomodar tanto os bebedores. Por sua vez a acidez do segundo vinho, o Cedro do Noval 2016, 13,5% de álcool, tampouco fez-se sentir. Estranhei uma turma tão habituada à acidez não perceber a diferença entre os vinhos. Depois fiquei matutando comigo mesmo - 😵 - o que poderia ter acontecido. A reflexão levou-me a recordações antigas, distantes, de quanto o próprio Cosmos era uma massa amorfa...

Degustação de priscas eras

Corria ali pelo ano da Graça de Nosso Senhor de 2015, ou 2016... o blog andava às mínguas, ao contrário de minhas aventuras etílicas. De repente nos reuníamos Isabela, Bete, Akira e este Enochato para nossas experiências. Numa delas aparece a Bete com seu vinho às cegas. Serve-nos com um sorrisinho artimanhoso... Akira e eu cafungamos, olhamos um para o outro e fomos direto ao ponto: Chianti. Era o melhor buquê de Chianti que provara. Já a boca... não lembro-me se o Akira reformou a posição para acertar a procedência, eu simplesmente achei estranha, não batia. Era um vinho chileno! No contrarrótulo, enfatizava-se a presença de... toques mediterrâneos(!). Alguém já ouviu essa descrição? É rara. E em um vinho chileno? Como pode? Óbvio... aromatizantes artificiais! (o grifo na imagem abaixo é meu).


   E o leitor pensa ser um produto exclusivo? Necas! Veja um concorrente,


   As páginas estão aqui e aqui. Não consigo ver outra explicação para um buquê tão... tão... tão francês(!), perfeito demais, na garrafa de um vinho brasileiro. Milagres existem, eu acredito neles... mas não, não estava diante de um nesse caso! Ele estava perfeito demais para remeter a um vinho do Velho Mundo... lamento se parto corações ou fero susceptibilidades. Há mais um ponto importantíssimo para prestarmos atenção: como a cepa Arinarnoa, absolutamente desconhecida para nós(!) pode nos remeter com tamanha força para a lembrança de um vinho francês? Não há algo soando errado? Ai émi véri sóri...

De volta ao encontro...

Por fim, servi o Quinta do Noval Reserva 2018. Estava sim fechadão, exibindo nariz com pouca fruta, boca com taninos ainda duros e só alguma acidez fazendo-lhe as honras na taça. Comecei a servi-lo já com três para quatro horas de aeração, e ele permaneceu irredutível. Na opinião geral, deve-se aguardar mais uns cinco anos. Relatei experiência similar com outro português, o Apontador, da Quinta da Romaneira, aqui. A diferença é que desta vez tínhamos outros vinhos, e então outra máxima deste Enochato fez-se valer - mais uma vez sem os confrades notarem:

Deixado livre, o melhor vinho sempre encontra as taças primeiro!

   Sim, ninguém notou mas... ao final da noite o Noval Reserva estava bem mais seco, e adivinhe de qual vinho sobrou mais? Exatamente... do Valduga. Não é má estima deste Enochato, é apenas o depoimento de como ficaram as garrafas. Convido os confrades a ficarem atentos a esse detalhe da próxima vez... Então não entendo como ele foi considerado o melhor - ainda que apenas melhor do que o Cedro. O pessoal não é boca torta... bem, o Ghidelli é - 🤣 - mas confesso: nesse dia ele estava inspirado e foi o primeiro a sugerir francês para o Valduga. Vai saber...

Tungas!

O leitor já cansou de ler minhas reclamações acerca do preço elevado cobrado pelos vinhos sul-americanos em geral, e chilenos em particular. Tomemos esta comparação: a Vingardevalise volta e meia apresenta boas ofertas. Esta, do Dom Maximiano Founder's Reserve está boa, principalmente comparando com seu preço lá no Chile. Veja só: ele estava sendo vendido aqui por R$ 550,00, enquanto no frixópi chileno - livre de impostos, portanto - saía pela bagatela de... USD 115.00... praticamente o mesmo valor! E coincidentemente é a mesma safra!

    

   Como é, então?! Um vinho cujo custo no frixópi chileno é igual ao seu valor de venda aqui, com todos os impostos, taxas, etc.? Eles são da ordem de 60%, talvez um pouco mais. Já comprei dessa loja diversas vezes. Os pedidos sempre chegam com nota, e no contrarrótulo o importador está devidamente identificado. Não é contrabando. Não há picaretice nessa loja. Então fica a pergunta: saiu do Chile por quanto?! Bem, eu não pagaria R$ 550,00 por um vinho chileno - e o Founder's foi o vinho que mais gostei, quando comprava praticamente só chilenos. Ele custava USD 50,00, até 2007. R$ 200,00, eu pago. Seria um bom vinho nessa faixa de preço. Por R$ 500,00 já entramos em Xatenêfis, Barolos e Brunellos bem razoáveis - só para falar nesses.

   Pela bagatela de R$ 498,00 por R$ 239,90 pode-se comprar um maravilhoso Francis Coppola Diamond Collection Zinfandel.


   O Wine Searcher coloca seu preço aqui entre USD 76,00 e USD 94,00.


   Quanto ele custa nos EUA?


   A partir de 11,00 Dolas! (contei inclusive o imposto americano, pois como de hábito o WS apresenta o valor sem taxas). Então temos algo como R$ 60,00 'lá' contra R$ 498,00 (sem o desconto), uma margem de... 8,3x! Onde estão aqueles idiotas de pai e mãe, os detratores do blog, para justificar uma margem dessas? Queriam explicar com argumentos toscos as margens de 3,5x a 4x, mas agora ela está em 8,3x! Detratores, apresentem-se! Ah, sim: o vinho é importado pela Ravin.



Rata! 🙈

   O escriba deixou passar um palpite certeiro do confrade Ghidelli. Está registrado no comentário.