Monday, April 13, 2026

O vinho 1x6 e a escala 6x1

Introito

Só existe uma vergonha maior que a própria:
aquela advinda da sua classe, clã ou guilda.
Oenochato


   O país está mergulhado no caos, faz tempo. Nosso último GPN (Grande Projeto Nacional) era, se não me falha a memória, estocar vento. Ideias rasas são apresentadas à plebe ignara como a salvação nacional - e sempre chegam acompanhadas do mesmo bodum que emana da situação geral de um país falido como o descrito em Não Verá País Nenhum, atualíssimo passados 45 anos. 

   Há não muito tempo (como anda?) o must era o cazzo da PEC 8/2025. A ideia em curso é bem simplista: vamos desocupar (de trabalho) o pessoal mais simples, podendo evoluir a até 4 x 3 (trabalho de segunda a quinta, descanso de sexta a domingo) e o empresário arca com mais essa obrigação, pagando pelo capricho do Estado.


   Pergunta clara: de que adianta gerar empregos de baixa qualidade, que em breve serão suplantados por robôs e pela inteligência artificial? A alternativa à PEC é clara: ...a solução são políticas públicas para melhorar a produtividade do povo brasileiro e aí (sic) ele vai conseguir receber mais e trabalhar menos. Não há qualquer mérito nessa proposta, de tão modesta! O problema é ela ser usada para estraçalhar o conceito basilar de um irmão de trincheira (rs! sic!) que é retratado com assertividade pelo antagonista por um palhaço. Como posso defender minha ala quando suas ideias são tão facilmente derrubadas e embrulhas prontas e acabadas para seu destino necessário, a lata do lixo? Desses conceitos cretinos tem vivido a esquerda, e seu maior efeito é transformar nossos opositores em pessoas até mais sensíveis e melhor preparadas para enfrentar os problemas nacionais. Note: melhorar a produtividade não apenas renega a escala 6x1; enfatiza a necessidade para nos tornarmos competitivos globalmente.


   A imagem acima comprova o ponto de vista e diz tudo: nossa competitividade chega a apenas 25% de profissionais mais estudados e melhor treinados, enfim, mais produtivos. NAP e sua turma tiveram 20 anos para operar essa transformação, e falharam miseravelmente - fora os escândalos. Então é assim que somos: (sic)

e é assim que continuaremos a ser, se ficarmos reféns dos projetos esquerdopáticos (sic) que vêm dominando o país nas últimas administrações. Em tempo: não é qualquer porcaria igualmente sem propostas e pendurada na indulgência de uma justiça prestes a conhecer o cadafalso - no imaginário de milhões de cidadãos de bem - que vai contribuir para o debate (volto ao assunto depois). Assumo o apoio às propostas deste rapá e sua turma. Eu, não tendo herdeiros, poderia estar pouco preocupado com o país. Poderia... não é o caso: continuo eterno devedor da sociedade que proporcionou-me estudo gratuito de alta qualidade na melhor universidade do país. Não mudarei de lado - não deixarei a esquerda, apesar dos esquerdopatas - mas não deixarei de apoiar um projeto de país moderno, ousado e competentemente proposto; ele está aqui e posso dizer que é tudo isso: li os seis volumes, e não carrego dilema moral em render-me a ele. Uma nação se faz (também) como pessoas corajosas a ponto de admitir sua derrota e trabalhar em prol dela. Chega de carregar a vergonha da minha classe, clã ou guilda.

Vinho é poesia, poesia é Verso...

Recebi da minha sobrinha o convite para almoçarmos no último domingo. Por entrada, Bruschetta de pepperoni e mozarela, seguida de macarronada ao molho sugo. Precisava de algo para combinar com isso, e nem foi difícil - embora a sorte tenha ajudado. Ora bolas, queria levar algo legal, e um exemplar eu sabia de antemão ter potencial para a elegância: o Chateau Haut Batailley Verso 2018, comprado há nem tanto tempo. Historicamente o Château Batailley foi classificado em 1855 - junto de outras 17 casas - como um Quinto Vinhedo. Comprado pela família Borie em 1932, foi posteriormente dividido em Batailley e Haut-Batailley. Por alguma brasileirice - o franceses gostam deu uma, e as estórias sobre os Cru Bourgeois estão aí - ambos permaneceram com o status de Grand Cru Classé. Uma coisa eu não sabia: o  La Tour L'Aspic era seu segundo vinho, homônimo da torre construída no Chateau Haut-Batailley em 1875. Ele simplesmente cedeu lugar ao Verso, que eu acreditava ser o terceiro vinho da casa. Fraquejo onde (e quando) dá; na hora da verdade podem ficar tranquilos que não farei como a franchona que vota da forma contrária a seu discurso e depois vem com repugnante desculpa de ter se enganado... duas vezes! 

   Ficarei com as palavras da Manu na avaliação do vinho: "morango, blueberry e caramelo provendo um toque de fundo". Sim, tinha riqueza de fruta no nariz, com mais alguma nota - o caramelo sugerido? não consegui identificar. Boca beneficiada por boa acidez e taninos médios, combinando bem com o pepperoni em rodelas e com ele na Bruschetta, e não fez feio com o queijo também. Ficou melhor com a macarronada com frango ao sugo, pois tem corpo médio e penaria um pouco para escoltar um bifão pegado como uma picanha. Não, bifão não é para Verso. Mas mostrou boa permanência em boca, e gostei desse detalhe. O mais curioso aconteceu quando perguntei para a Manu sobre as uvas. Ela estava só e desamparada: os últimos vinhos que bebemos foram português, espanhol, italiano... cafungou, pensou um pouco e sugeriu ter Merlot(!), comentando da delicadeza da cepa. É isso mesmo! O corte é Cabernet (majoritário) e Merlot. Já comentei sobre a expressão das uvas de acordo com o lugar; as uvas bordalesas, em Bordeaux, exibem toques delicados a ponto de bebedores primeiro-mundistas de vinhos não reconhecê-las. Para orgulho do tio (rs), a Manu saiu-se muito bem ao identificar uma delas. Como escrevi há pouco, o vinho pelo vinho em sua expressão acabada! 

   Paguei R$ 280,00, há algum tempo. Um ano? Compra conjunta, fiquei só um um garrafa, e lamento... Por aí está de R$ 570,00 por R$ 380,00 na safra 2020. Seu preço lá fora (safra '18) é de cerca de USD 30,00, algo como R$ 180,00. O preço sem desconto dá 3.1x: tubaronice pura. Na 'promo' dá 2.11x, o limite do limite.




   Não é um vinho cujo custo aqui esteja 6x como propôs o título da postagem. Toca o articulista se desdobrar... tomemos o La Dame de Montrose, segundo vinho do Chateau Montrose, um Segundo Vinhedo da classificação de 1855. Não é difícil encontrá-lo lá fora a USD 35,00, R$ 264,00 calculando um dóla a R$ 6,00 (está R$ 5,00). 


   Por aqui não é difícil (sic) encontrá-lo entre R$ 1.035,00 e R$ 950,00, o que dá 3.92x e 3.59x. Certo, ainda não é 6x... Bom, escolha pagar mórbidos R$ 1.998,00... isso dá 7.57x, até acima do 6x da canção... O leitor pode interpelar-me: Mas no Elite sai por R$ 999,00! Bom... você precisa pagar uma joia de R$ 1.425,00 para então poder usufruir (sic) de uma margem de 4x nas demais compras. Nem se comprar um Bolsonéscio (pai ou filho) pelo preço que ele vale e vendê-lo pelo valor que ele acredita valer dá pra fazer um negócio tão bom (para quem vende, claro...). Bom, errei na proporção, deu 7 x 1. A partir da próxima semana, sábados e domingos cancelados; passemos a trabalhar todos os dias sem descanso. Só assim conseguiremos gerar dinheiro para pagar os impostos da carga tributária que se avoluma ano após ano. Chega! Só idiotas completos e acabados não percebem a urgência na mudança de curso. Para esses - idiotas mesmo - recomendo beberem cachaça. É o que poderá anestesiar suas mentes entorpecidas por anos e anos acreditando em mentiras se questioná-las.

   Como se precisasse...







2 comments:

  1. O vinho realmente surpreendeu! Aprendo muito contigo, tio (acho que ficaria complicado explicar aos leitores que na verdade somos primos hahaha). Ansiosa para a próxima...

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    1. 🤣 Sim, ficaria complicado...
      E já estou pensando na próxima, teje avisada...

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