Introito - Renan, um coxinha
Bolsonéscios e PTlhos voltaram suas metralhadoras de massinha para o pré-candidato Renan Santos. Ouço críticas - bisonhas - de ambos os lados; como sempre, as da esquerda cobrem-me de vergonha. Toca levantar a pena para ensinar essa turma a fazer a boa crítica, atacando a ideia sem arremeter contra a pessoa. O vídeo abaixo tem dois minutos e meio. Mostra como o sr. Renan Santos é um ótimo candidato a coxinha. O termo é usado maciçamente em São Paulo, significando uma pessoa conservadora e inocente que segue padrões típicos das burguesas classes média e alta; um mauricinho por assim dizer. Assista, e comentarei abaixo.
Está claro, a partir de 38 segundos: "Veja, quando você é traído uma vez, a gente (sic) aceita. Pô, fui traído uma vez... acontece. Todo mundo tá sujeito a isso. Agora algo muito diferente é você permanecer sendo traído e aceitar...". Como é que é?! Sim, "todo mundo tá sujeito a isso", é uma grande verdade! Mas supor o cidadão sento enganado ininterruptamente por Flávio Bolsonéscio e aceitar esse cenário? Aí não! Que conjectura cretina! Não poderia sê-la mais, aliás! Onde já se viu, imaginar o cidadão de bem sendo embromado continuamente por seu líder e persistir impassível como gado no pasto. É preciso ser muito, mas muito, mas muito otário elevado ao quadrado para continuar nessa posição sem rebelar-se contra um eventual mentiroso contumaz cuja missão na Terra não parece ir além de atazanar nossos ânimos. Está bem, ambos os lados possuem QI inferior ao de uma Glyptemys insculpta, a popular Tartaruga-de-Madeira, que em testes de aprendizagem em labirinto em "T" precisou de apenas quatro tentativas para encontrar seu alimento. Humanos, presos em labirintos mentais, perduram cativos por anos, até décadas, e tanto não percebem quanto não fazem esforços para escapar dessa situação, mesmo se alertados! A tartaruga está melhor de inteligência (sic) do que muito título de eleitor preso em ambulante desavisado espalhados pelo país. Voltando, afinal a crítica tem Renan como destinatário. É isso: pego em um momento de improvisação, ele atenuou a análise sobre a postura de quem se deixa enganar sequencialmente e, ao fazê-lo, ficou parecendo um coxinha - posto assim, e apresentando o argumento para bolsonéscios e PTlhos, estes certamente o elegerão como tal, sem sombra de dúvida. É o mais longe que podem almejar atingir, pobres gados. Puxando o tema desta postagem, outras estórias, quer um projeto de país? Procura uma equipe jovem e com disposição de tocar avante uma transformação de verdade no Brasil? Escute esse senhor e seu time. Alguns improvisos podem soar coxinha (sic), mas ele é de longe a melhor opção para uma nação tão combalida como a nossa. Ah, tem mais: de quebra, ouve-se no final do vídeo uma reflexão oportuna por parte do coxinha. Bolsonéscio de bem (sic), apresente um plano de governo por parte de seu... líder... se consegue chamar assim quem o engana tão deslavadamente. PTlho, vou deixá-lo de fora nessa, por óbvio: NAP não tem qualquer proposta, está claro depois de três mandatos - fora os Anos Dilma. Ah, questiona a proeza da tartaruga? Leia aqui.
Outras estórias...
Os Paduquentos continuam sua jornada pelos brancos. Depois de um Saint Véran, foi a vez do Chablis, produzido pelo Vincent Wengier em 2023 (a safra está no contrarrótulo). O buquê cítrico de entrada foi facilmente reconhecido e agradou. Não estou certo se o Paulão disse Pera, mas tinha algo mais amarguinho. Limão? O Duílio destacou o impacto em boca, sem saber se expressar. Mineral, sugeri. Isso! Era a palavra que eu procurava!, ele se entusiasmou, de verdade. Um toque levemente salgado, não? - continuei, para a completa concordância do confrade. Sim, a mineralidade se destaca bem, como esperado em um Chablis. O mesmo cítrico repetia-se no paladar, com acidez média, talvez média-mais, álcool a 13%, o salgadinho já mencionado, com permanência e final não acompanhando a apresentação em boca, mas bem definidos. Pelo que pagamos (R$ 170,00), surpreendeu positivamente. CellarTracker e Vivino falam em USD 25,00-USD 30,00; no sítio do produtor custa € 21,00. Razoável. Esgotou (não sei quando, é uma dessas páginas que o Google encontra) em uma importadora a R$ 265,00, um pouco além de 2x. Mas a compra foi ótima. Está no ponto de beber, de agora até o próximo ano.
Há algum tempo abri um Noval, o Touriga Nacional 2017, se não me engano - não fotografei. O exemplar não evoluiu bem em garrafa, e mesmo com aeração não decolou. Os confrades não aprovaram com razão; embora mostrasse notas bem discretas de fruta e alguma acidez, estava no limite do bebível. Haviam provado de outros Novais, sabiam da qualidade, e aquele ficou um um sabor de ter faltado. Passou algum tempo e este Enochato sacou mais uma garrafa para espantar a frustração dos amigos, desta vez na safra 2020. Aerou por umas três horas e foi servido às cegas depois do Chablis: chegou com força, tocando o terror pra cima de mentes a almas, memórias e nervos, narizes e bocas, impondo-se, como adoram os Paduquentos. Muita fruta na frente, seguida de especiaria e algo herbáceo para fechar. Tem mais complexidade ali, café, ou chocolate, para ser desvendado. Gigante... Boca com taninos firmes encontrando a maciez em estágio inicial - vai longe... tem fruta, o chocolate (café?) volta a aparecer, tem uma pontinha do dulçor característico dos Durienses e ótima acidez. A madeira comedida deixa sua marca, os 15% de álcool estão equilibrados e a permanência é longa - longa de verdade, não àquela vergonha atribuída a sul-americanos de R$ 120,00. Chega a 30 dólas lá fora, e em algum momento comprei a R$ 199,00, ou até menos - estavam sendo desovados ali por '23 ou '24. A Vingardevalise ainda tem o Syrah 2018 por esse preço, e vale a pena. Está pronto para beber; se cabe no seu bolso, não perca.
Mais estórias...
Havia combinado de jantar com a Liu - ela insistiu em levar o vinho. E às vezes dá tudo errado... 😨 Bem, não tudo, nem errado, para falar a verdade, e como veremos mais adiante. Ela estava abrindo uma garrafa quando a rolha deu uma esfarelada. Sem um saca-rolhas de pinça à mão, resolveu pegar outro exemplar para poder aerá-lo pelo menos uma hora. Felizmente a rolha do segundo colaborou... 😄 O vinho em questão era um dos meu preferidos, e eu a havia presenteado com ele! Ah, não é que deixou de sê-lo, eu apenas não consigo mais comprá-lo ao valor pago durante a pandemia (R$ 265,00 a R$ 290,00), quando devo ter comprado, durante aquele ano, um total de 12 garrafas. Mostrei pra muita gente. Bebi algumas garrafas sozinho - que felicidade! Dei pelo menos duas de presente. Então, num gesto muito carinhoso e desprendido, um precioso frasco voltou para mim...
Korem é o nome da fera! Produto da Argiolas, é um dos grandes representantes da Sardenha, em seu corte não linear (rs!) de Bovale, Carignano e Cannonau. Quão bela é a criação do Senhor - 😒 quando ela dá certo, claro! E Korem é sempre uma aposta certeira: buquê carregado como ficam nossas árvores frutíferas no verão do Sudeste, imerso em frutas maduras, e ainda sobra espaço para um desfile de sensações; nem precisa ter muito nariz para perceber, tem de tudo! Café, chocolate, fumo? Estavam lá, pelo menos dois deles e para melhores narizes classificarem. Algo de especiaria, couro, herbáceo. Essa talvez tenha sido a melhor garrafa que provei dele: a acidez está maravilhosa, a madeira dá o toque e os demais atores (álcool, dulçor) estão maravilhosamente equilibrados. Korem 2015 é o vinho em seu esplendor; ótimo momento para se degustado, com mais alguns anos pela frente. Não sei como ele poderia melhorar mais, a tendência é manter-se assim por algum tempo e depois começar a declinar. Ao final, uma certeza: ótimo agora. Sobre preço/valor, as postagem passadas já fecharam a questão.
Uma estória (quase) triste
Aqui recupero a estória da Liu e sua malfadada rolha. Ela estava abrindo nada menos do que um Quinta do Vallado Field Blend da histórica safra de 2011. Quando soube o que era, comentei que sim, o vinho sobreviveria na geladeira, mas precisaria ser consumido no dia seguinte... como ela tinha uma sequência encadeada de aniversário, casamento, crisma e batizado pelos próximos dias (risos!), não poderia bebê-lo. Pois eis que a Paduca veio salvá-la, ao melhor estilo de João de Santo Cristo quando aceitou a passagem do boiadeiro com destino a Brasília. Ela deixou a garrafa em casa e os Paduquentos, devidamente alertados, apresentaram-se para os trabalhos em uma incerta de surpresa mas muito bem vinda. A vinificação desse vinho está sob os cuidados de Francisco Olazabal, um ícone da viticultura portuguesa e cujo foco é a ênfase na melhor expressão do terroir lusitano. Já bebi dele algumas vezes e adianto: é grande; posto lado a lado, ele daria uma lapada em Korem. Lembre-se: ele repousou 24 horas em geladeira. A temperatura pode ter desacelerado a velocidade de oxidação, mas ela aconteceu. A fruta vermelha mostrou-se exuberante, intensa... alguém falou framboesa e/ou cereja, e concordamos com essas sugestões. Um toque de carvalho pegado convidava a prestarmos mais atenção, e por trás dele vinham mais notas. Chocolate/cafe? Tabaco? O destaque fica por conta da intensidade, mesmo face a Korem: mais... penetrante, profunda... seguramente mais complexas também. Em boca, taninos vivos mas macios e sem arestas misturavam-se a uma acidez delicada e enganadoramente discreta - parece baixa, mas o que explicaria a persistência? Frutas e chocolate (novamente), álcool bem integrado, um conjunto muito acertado aos 14 anos e ótimo momento para ser degustado. A permanência é outro ponto alto: após um gole o bebedor saliva, engole e ele continua lá. Outro indicador de acidez... Vallado ainda vai longe - cinco anos tranquilamente mantendo esse aspecto, e depois algumas notas poderão cair para outras se reforçarem: característica de um ótimo vinho ainda em evolução. Beba ou guarde. Um Vallado nem tão bom - safra regular - estraçalhou um ícone Uruguaio, está aqui. E custa USD 35,00 em safras recentes (tá, a 2011 está avaliada em uns USD 90,00). Mas qualquer ícone sul-americano custa USD 100,00+... Repito: estão caros. Bem, se idiotas pensam em votar em Bolsonéscio Filho ou NAP tudo é possível, inclusive pagarem tanto por vinhos de terceira quando poderiam comprar um de Quinta (rs! sic!).
Só sei que foi assim, jantar com presente compartilhado em grande estilo “Korem” merecemos! Divino.
ReplyDeleteE ao quase “perdido” Vallado uma noite digna para seus anos de guarda, marcando presença de um vinho potente, e que ironia em um grupo de Paduquentos em uma “Quinta!” Até a próxima CA!
Sim, o jantar teve ótimo (sic! rs!), obrigado pelo convite e pelo vinho. Precisamos repetir mais vezes. Quanto ao Vallado, o pessoal agradeceu. E promete alguma surpresa para breve.
DeleteRaridade este Vallado, hein Big Charles! É sempre um vinhão, mas de 2011, o negócio ainda melhora. Felizmente, mesmo considerando o custo Brasil, este vinho ainda pode ser encontrado a preços mais que competitivos frente a seus conterrâneos, brigando, a meu ver, com vinhos bem mais caros. E se comparar com vinhos sulamericanos, o negócio fica ainda mais evidente.
ReplyDeleteAbraço!
Flavitz
Sim, raridade. Já vi o Vallado em alguma 'promo' razoável na Grand Cru, mas na maior parte do tempo está um pouco tubaronesco. A safra atual, '22, está R$ 670,00 contra USD 35,00 no Garrafeira Nacional. Mesmo com um dóla a R$ 6,00 (está R$ 5,00!), custa lá R$ 210,00 e dá um 'fator de tubaronice' de 3.2x. Morbidamente nojento...
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