Friday, November 23, 2018

Black Fraid

Aproveitem as oportunidades

Todo ano a Black Fraid/Fraude/Friday nos aterroriza com propostas sedutoras - quem não aprecia 30% de desconto (ou mais!) em uma compra? O problema é mesmo de sempre: lojas aumentam o preço antes para dar desconto depois, prática extensamente reportada anualmente desde há muito. Em outros casos, o preço de ocasião traz o valor do produto para uma margem semelhante àquela praticada por importadores que normalmente oferecem preços razoáveis em seus produtos. Por razoável quero dizer que a margem média dos produtos oferecidos está em valor consistente com o preço dos produtos lá fora. Enoeventos sempre escreve matérias a respeito, veja aqui.

Assim, o consumidor deve estar atento e... fazer uma auto-crítica - algo muito em voga nestes tempos... - ou melhor, uma análise crítica das ofertas que encontra. Como sempre, a ferramenta Wine-Searcher nos ajuda a entender o quanto uma oferta pode estar... "boa".

Veja algumas oportunidades que encontrei nesta BF de 2018:

  • Pinot da Nova Zelândia, de R$ 828,00 por R$ 579,60, na Wine Brands. Pena que lá fora custe tão menos...





  • Falesco: um italiano muito bom... de R$ 329,00 por R$ 230,30, na Wine Brands. Essa sim, uma boa compra, apesar da atual cotação do dóla (sic) estar alta, o que reflete na comparação final. Imagine se o dóla (sic) estivesse na casa dos R$ 3,00, refaça as contas e... seja crítico.




   Alguns produtores não entram em BF. Apenas apresentam bons preços o ano todo. Cada um com sua política; respeitemos 😎.


  • Para quem gosta de brancos, Masson-Blondelet "D'Or et Diamant" AC 2013, um Pouilly-Fumé que não conheço, mas deu vontade de experimentar, não sei por qual motivo... por R$ 180,00 na importadora, a Cellar  traz uma oferta que, lá fora, está avaliada em R$ 150,00. Tá, sendo justo e crítico, imagine de novo a cotação a R$ 3,00, refaça a estimativa desse valor e depois me diga se ainda vale a pena (apenas resolvi que não farei essa conta, dá muito trabalho...)


Acho que não vou aproveitar as ofertas da BF. As da BF...  Aliás, se pensar como eu e tiver um pouco mais para investir (comprei com minha patota), na mesma Cellar o Condrieu "La Chambée" AC 2016, por R$ 330,00 (R$ 156,00 + 20% de impostos, na Europa), fica surpreendentemente melhor depois de uma hora, uma hora e meia...

Thursday, September 7, 2017

Estarei bebendo coisas?

Estarei bebendo coisas?

   A literatura e o cinema já levaram à exaustão o clichê do personagem a se perguntar se está vendo/ouvindo coisas, quando seus sentidos passam por algum estranhamento. O estranhamento vem dos formalistas russos, que começaram seu movimento entre as décadas de 1910-1930 e acabaram por tornar-se os pais da crítica literária moderna (veja aqui, e demais vínculos na mesma página). O que este escriba tenta fazer agora é levar o estranhamento a um novo sentido: o paladar. A motivação é a de sempre, e não foge muito àquela dos formalistas russos na literatura: crítica de vinhos. A crítica desfruta, no Brasil, terra de pessoas ridículas que não aceitam ter suas ideias confrontadas, de uma certa má estima. Isso é natural em um lugar onde cada um acha-se no direito de dizer verdades absolutas e incontestes. Creio existirem lugares onde ouvir o contraditório e contra-argumentar seja parte corrente do dia a dia.
   No tocante aos vinhos, a crítica deve apontar seus defeitos e, principalmente, nos dias de hoje, seus vícios. Claro, não deve deixar de exaltar as qualidades, quando existirem. O meu descontentamento vem de uma categoria de vinhos que estão se tornando cada vez mais parecidos entre si, apesar de oriundos de diferentes países. Fáceis de beber, são fruto da tentativa desesperada de vários produtores de tornar o vinho agradável ao gosto popular. Vejamos o que foi degustado.

Sarda Matel Reserve 2004. Representante do Roussillon, comuna pertencente à região de Provença, no Sul da França, surpreendeu com boa boca e nariz que fez este pobre-diabo sugerir que fosse um vinho italiano. Tem 14,5% de álcool, bem integrado a bons taninos e boa acidez. É bem honesto para sua faixa de preço, R$ 85,00, ainda comparando o preço lá fora. A confusão com um italiano apenas mostra o quanto este Enochato precisa aprender, mas é um vinho de características europeias. Na média, arrasa com sul americanos nessa faixa de preço.

Roquette e Cazes 2006. Duriense muito famoso aqui pela região de S. Carlos, apresentou bons taninos e boa acidez. O álcool escapou um pouco (também... 15%... - risos), sem comprometer. Notas de goiaba, acredito que pela evolução da safra, não é aquela goiaba enjoativa que  pulula muitos chilenos atualmente, em clara tentativa de substituição da madeira tão apresente até alguns anos atrás. Vendido a cerca de R$ 80,00 "lá fora", os R$ 300,00 que chega a custar aqui apenas evidencia reclamação antiga deste Enochato: a importadora vem aumentando o preço de alguns de seus produtos em dólares ano após ano. Se custasse a metade, seria bem competitivo.

Berônia Tempranillo Elaboración Especial 2004. A Bodegas Beronia, localizada em Rioja, Espanha, produzem excelentes  Tempranillos, embora plante também Graciano, Garnacha e Viura. Em sua linha Crianza, Reserva e Gran Reserva é um clássico para os amantes de vinhos espanhóis. Este Elaboración Especial eu não conhecia, e está precificado na mesma linha dos Reserva. Na Espanha, custa uns R$ 40,00, contra uma média de R$ 125,00 por aqui. Tem 14% de álcool, e é o exemplo acabado do vinho que tenta ser popular. Em nada lembra um Tempranillo "clássico". Para um amigo presente na degustação, nariz respeitado mais pela boa percepção de odores do que pelo tamanho (risos!) - e também para mim! - lembrou bastante o travo algo doce do vinho Português. Esse travo doce no caso dos Portugueses, deixemos claro, não é do tipo enjoativo. A mim parece estar mais ligado ao terroir e à vinificação do que em outros exemplares onde o dulçor cai com certa impressão de não natural. É um pouco difícil de explicar. O bebedor mais experiente saberá do que falo. O menos experiente, lamento, precisará de mais litragem. Enfim, aqui está um vinho ao estilo dito Coca-Cola. Não é ruim, nem desequilibrado. Mas está no conjunto "última escolha" de quem pretende uma nova experiência a cada garrafa.





Friday, July 28, 2017

Vinho com nome de carro?!

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Introito

Vinho com nome de carro... pode, Arnaldo? Lembro-me de há muitos anos ter dirigido um Lamborghini velozmente, quase no limite, por curvas apertadas seguidas de retas deslumbrantes, onde a velocidade chegava literalmente ao máximo. Bons tempos. Tempos felizes. Era assim: meu irmão mais novo tinha um autorama; os carrinhos eram uma Ferrari - que ficava com ele - e uma Lamborghini, que ficava comigo...

Ferruccio Lamborghini

Ferruccio Elio Arturo Lamborghini foi um industrial italiano. Filho de fazendeiros, fundou a Lamborghini Trattori em 1948 e posteriormente a Automobili Lamborghini, em 1963, fabricando carros esportivos de luxo. No início dos anos 1970, com a aposentadoria como industrial, mudou-se para a propriedade La Fiorita, adquirida anos antes, disposto a iniciar-se na produção vitivinícola. Lá foram plantadas as clássicas Sangiovese e Ciliegiolo, além de Merlot e Cabernet Sauvignon. A vinícola fica na Úmbria - dita por alguém como o umbigo da Itália - uma região limítrofe à Toscana. Nos anos 90, Patrizia, filha de Ferruccio que assumiu a produção, focou-se na Sangiovese e na Merlot. Campoleone é fruto desse trabalho.

Lamborghini Campoleone, safras 1999 e 2010

   Tive alguma sorte ao encontrar uma garrafa da safra 1999. Algum tempo depois, a safra 2010, que é a disponível aqui no Brasil, entrou em promoção. Lá fora é um vinho de 50 dólares, e comprei por menos de R$ 200,00 - uma boa compra, sem dúvida. A safra 99 lá fora custa uns 80 dólares. O bom é que está envelhecida o suficiente para uma brincadeira. Tradicionalmente, é um corte meio a meio de Sangiovese e Merlot.
  •    Lamborghini Campoleone 1999: 13% de álcool, mostrou frutas mais vermelhas, boa acidez, corpo médio.
  •    Lamborghini Campoleone 2010: 14% de álcool, apresentou couro/chocolate, frutas negras, boa acidez, corpo médio.


   Abri a garrafa da safra 2010 com duas horas de antecedência, e a da safra 1999 ao receber os convidados. A diferença fez com que os vinhos evoluissem quase ao mesmo tempo, mas mostrarem-se melhores depois de duas horas do início dos "trabalhos" (!). Ou seja: um bom serviço para o 2010 recomenda sua abertura com 4 horas de antecedência. Mas se o degustador desejar acompanhar a evolução - e eu acho que aí está a graça do vinho - a abertura com 2 horas será bastante boa.

   A motivação do encontro foi acerca de repetidas conversas na confraria acerca da internacionalização dos vinhos quando adentramos o Século 21. Parece que a conversa seria mais ou menos vinhos do Século 21 para bebedores do Século 21, ou alguma troça assim. Essa inspiração tornou-se mais conhecida com o advento do Brunelogate, uma proposta de internacionalização dos vinhos italianos para que eles se tornassem mais palatáveis ao consumidor novomundista. Os vinhos continuam bons - até onde seja possível - mas à custa de sacrificar o terroir - o bentido terroir. Só que eles perderam algo. A essência, talvez? No presente caso, não foi muito diferente. Campoleone 2010 é bom. Mas... note a quantidade de álcool. Diferença de safra não é suficiente para proporcionar tamanha variação alcoólica. A menos que fossem safras muitos díspares, uma excepcional e outra absolutamente decepcional (sic! risos!). Não é o caso. Então mudou um pouco o processo. E com isso alguma coisa também foi sacrificada.
  No final, o que temos ao experimentar por exemplo um Brunello pós-2004 é um vinho algo doce logo na abertura. Abra um bom Brunello 1997 para ver de saída aquela água de riacho depois da chuva, que vai evoluindo com as horas(!) até se tornar... um Brunello! Assim, você, bebedor de hoje, que só conhece a safra 2010 de Campoleone, lembre-se sempre da alegoria da caverna de Platão: os vinhos de hoje estão se tornando uma espécie de ilusão daquilo que deveria ser um verdadeiro vinho.

   Chega de conversa fiada. O leitor pode meditar um pouco a respeito por sua conta e risco. Ou sua conta e riso, o que em muitos casos dá na mesma (risos!). De preferência à borda de um bom copo. Termino com as palavras de um dos colegas da confraria:

O 2010 é melhor... 
mas eu prefiro o 99...

Saturday, June 10, 2017

Chileno bate franceses em degustação às cegas!

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Introito (pule se não estiver com saco paciência)

   Aconteceu. Eu vinha reclamando - pouco no blog, porque pouco tenho escrito, e mais à boca torta, não!, à boca miúda (rs) - que, comparativamente, os vinhos sul americanos ficam notas aquém de seus rivais do Velho Mundo. Na minha percepção, aconteceu assim:
   Corriam os idos de 2008. Para refrescar a memória, foi o ano da Grande Crise Econômica do Século 21, também conhecido como Ano da Marolinha. Não sei se foi antes da crise estourar ou depois, mas o senhor Parker declarou:
   - Os vinhos chilenos estão subprecificados.
   Apesar de respeitar o sistema de pontuação de vinhos, apesar de dar algum (somente algum!) crédito a certos avaliadores (e-RobertParker, inclusive), eu não sou otário nem nasci ontem (sou apenas um enochato!). Não tenho dúvida de que rolou alguma grana. A grande dúvida, e isso conta muito, é de qual direção veio ela. Perguntando para alguns conhecidos, a resposta era quase unânime:
   - Dos chilenos, claro!
   Tenho dúvidas. Ora, a USD 50,00 (Freeshop chileno), preço comum para um Don Melchor ou um Don Maximiano em 2008, eu me dava por feliz em comprar um deste e outro daquele quando vinha do Chile. Os vinhos europeus custavam muito caro no Brasil - importadoras como a de la Croix estavam no começo, outras como a Enoeventos sequer existiam, e 90% do comércio de vinhos finos era dominado por 4 ou 5 importadoras. Acho que hoje é só uns 80%... Bem, eu viaja muito ao Chile, e me dava por satisfeito ao trazer alguns ícones de lá. Quando o Parker deu essa declaração, em 2008, foi a senha para os chilenos mais que dobrarem o preço de seus vinhos. Foi o que encontrei, ao retornar em 2009, após um hiato de dois anos. Desgostoso - quando eu pagaria USD 130,00-140,00 por um vinho?! - trouxe apenas segundos rótulos: EPU, Terrunyo, etc. Por coincidência, minha irmã começava a viajar para o exterior, e se dispôs a trazer-me algumas garrafas. Claro que, antes de pagar por vinhos Chilenos nos EUA ou na Inglaterra, apostei em Riojas (Torre de Muga), Barolos, alguns australianos (Torbreck, Dead Arm), um ou outro francezinho... e... fui para a luz!
   Fechando: para mim, quem pagou foram os europeus. Ou os americanos, aventaram alguns, depois de ouvirem meus argumentos. Sou mais os europeus; os americanos precisam comprar vinho porque sua produção não sustenta o consumo... Os chilenos poderiam "comer pela beirada" uma parte do mercado, com seus ícones a USD 50,00. Ao preço do Chile - e a bem da verdade, a USD 70,00 nos EUA!, eles ficaram absolutamente fora do mercado. Os argentinos, com alguns ícones a USD 100,00+, parecem querer trilhar o mesmo caminho. Azar deles (risos!).
   Ao longo do tempo, sem reportar aqui e a despeito do meu nariz claudicante, fui produzindo vários embates comparativos entre europeus e chilenos/argentinos, e fui constatando o quanto estes últimos estão degraus abaixo em qualidade. Os demais sulamericanos então, pelamordeDeus... Para o leitor tomar ciência do que falo, um embate não reportado por mim, mas devidamente registrado, está aqui. A minha opinião foi um pouco diferente daquela do cronista. E, lembro-me bem, Don Melchor sobrou! Ao final, ninguém quis! O Akira olhou para ele com cara de nojo! Menos, menos (risos). Com cara de quem simplesmente não estava a fim, satisfeito com o que deguestara dos outros vinhos. Sim senhores: o sujeito olhou para um Don Mel e dise que... não precisava!
   Recentemente produzi (mais) este embate, mais simples, para testar vinhos que :
   * Tenham preços "acessíveis";
   * Estejam disponíveis no mercado nacional;
   * Não demandem serviço: abriu, "deu 15 minutos", bebeu.

O embate

O tema foi, simplesmente, Syrah. Enrolei devidamente 4 garrafas (uma por conta do Akira e uma que o Jaci deixara comigo tempos atrás, junto de um lote que ele depositou em minha adega para não se preocupar em trazer vinhos de casa), enquanto a Senhora N. e marido traziam a quinta. A ordem do serviço, após todos os vinhos serem abertos ao mesmo tempo, foi a que apresento abaixo, já revelando os atores.


Jean-Luc Colombo La Violette, 100% Syrah (2012). Um Languedoc básico, com breve passagem em barricas, e cuja madeira que quase não aparece, bem integrada ao conjunto. Comprado a R$ 51,00 na Decanter, no Black Friday, está ótimo. Ao preço regular, R$ 94,00, está um tanto fora, como veremos a seguir. Encontra-se "lá" a uns R$ 44,00. A relação é honesta. Boa fruta, mas acidez pouco presente. Foi o meu boi de piranha, um descarrego para iniciar os trabalhos.

Concha y Toro Terrunyo Syrah, 100% Syrah (2008). Este chileno causou furor quando encheu as taças após o La Violette. "Agora sim", foi a impressão geral. Tem sobrevivido bem ao tempo (quase 10 anos), embora não vá evoluir mais (tenho bebido uma garrafa a cada 4 ou 5 meses, ultimamente). Comprado no Chile quando tinha bom preço (R$ 64,00), e atualmente custando R$ 106,00. Aqui, R$ 230,00. Convenhamos, a relação não está ruim, também. Boa fruta, embora peque pela acidez. Madeira perceptível, mas sem exagero, integrada ao conjunto da obra. Já comentei anteriormente: a madeira que faz as pessoas confundirem com potência.

Chateau Camplazens Reserve La Clape, 70% Syrah (2011). Outro Languedoc, agora com mais barrica (12 meses). Comprado a preço regular na Casa do Vinho, atualmente custa R$ 128,00. Lá fora, uns R$ 50,00; novamente bom preço por aqui. Boa fruta, potência advinda de bons taninos e (conectivo de adição!) de boa acidez, gerando final mais longo e marcado. Comparado ao La Violette, a R$ 94,00... bem, ponha mais R$ 30,00 e você tem um vinho de verdade (sic).

Ferraton Pére & Fils Crozes-Hermitage La Matiniere (2010). O nome já diz a prodência e assegura que é um 100% Syrah. Comprado da Enoeventos na melhor Black Friday que já vi, custou por volta de risíveis R$ 100,00 (R$ 143,00, a preço regular), enquanto o preço lá fora está cerca de R$ 65,00! Também 12 meses de barrica, por ser o quarto vinho já estava respirado. Chegou com boa fruta, boa acidez, bons taninos. No conjunto, em minha opinião, um pouco abaixo ao Camplazens, mas "ali". Na cola.

Boschendal The Pavillion, 80% Syrah (2015). Comprado no Vinho e Ponto a R$ 108,00, custa, lá fora... R$ 30,00. Contando na estatística duas lojas no Japão, o que colabora para o preço subir um pouco... de outra forma, por R$ 20,00 estaria bem pago. Um sul-africano diferente, com passagem em madeira (9 meses), com boa fruta, boa acidez e bom tanino, mas claramente aquém dos demais, tirando o La Violette, que é bem leve (e portanto a proposta é outra. Como disse, La Violette foi meu boi de piranha). Não deixa de ser um vinho legal. Tem margem para se tornar uma boa compra; é só cortar o preço pela metade.

$ Preços $

Apenas para recobrar:
Vinho            Preço "cá"    Preço "lá"
La Violette    R$ 94,00      R$ 44,00
Terrunyo       R$ 230,00    R$ 106,00
Camplazens  R$ 128,00    R$ 50,00
Ferraton        R$ 143,00   R$ 65,00
The Pavillion  R$ 108,00   R$ 30,00

Avaliação final

   Terrunyo impressionou alguns, que se animaram mais ao comentar dele. Agradou mais em duas opiniões, enquanto outras duas colocaram o Camplazens em primeiro... e o Ferraton em segundo! Uma opinião não ficou clara para mim. Vou conceder que Terrunyo tenha sido o melhor vinho, por margem mínima, até para justificar o título da postagem (gargalhadas!). Terrunyo custa quase o dobro de seus concorrentes. O preço no Brasil não reflete (ainda) seu custo no país de origem. O leitor pode julgar, mas preciso apresentar mais um dado. E esse faz toda a diferença.

Ato falho

   Quero recobrar parte do Intróito. Aquela parte onde Don Melchor tomou varada (rs) de dois europeus e acabou sobrando para que eu terminasse com ele no dia seguinte, jurando nunca mais comprar um ícone chinelo, digo, chileno. Quero, ainda, lançar uma máxima, que pode até ser contestada. Claro, a premissa é que os degustadores conheçam um pouco de vinho... Vamos lá:
Degustado às cegas, o melhor vinho sempre acaba antes dos demais
    Vejamos o que aconteceu com os vinhos degustados:
   Arrá! Quem praticamente zerou no evento? O Camplazens quase zerou! O Ferraton ficou uma taça atrás! Com cinco garrafas para cinco degustadores, um deles (Jaci) saindo mais cedo, o consumo foi bom. E os melhores vinhos chamam naturalmente as taças. Duvida? Faça você mesmo o teste, quando tiver oportunidade! (risos) O nível do Terrunyo estava mesmo difícil de notar por causa da garrafa escura; fotografei no dia seguinte, à luz do dia:
   Isso reforça minha premissa: os melhores foram os franceses. Com sobras. Se formos invocar a relação custo-benefício... bom aí a coisa fica feia...

Tuesday, June 6, 2017

Que vinho é esse?

Que país é este?

   O saudoso Renato Russo deixou-nos diversas pérolas do cancioneiro nacional antes de fazer as malas e zarpar para longe da mediocridade chamada Brazil. Claro que se pudesse escolher sei que ele ficaria por aqui, ajudando a fazer deste paraíso das bananas um lugar melhor. Uma de suas músicas que mais gosto é justamente a que dá título a esta introdução. O leitor pode se refestelar aqui.

   Hoje começa o julgamento do presidente Michel Temer no TSE. Este blog não trata de política, trata de vinho - mas não possui leitores, então ninguém perceberá. Ah, mas tratará de vinho, também. Tenha paciência, afinal é impossível o cidadão de bem, que aspira manifestar-se para a sociedade ainda que sobre vinho, deixar de lado a situação grotesca pela qual passamos atualmente e portar-se como se nada de mais acontecesse. Resistir é preciso. Aos picaretas do vinho também, mas principalmente aos ratos que roem os cofres públicos e, em última instância, causam um rombo que só é suportado com a criação de mais impostos!

   O senhor Michel Temer recebeu um fanfarrão, segundo o próprio Michel, na calada no noite, na residência oficial do Presidente da República, após este dar entrada na garegam da residência usando nome falso (foi isso mesmo?!). Ouviu o que ouviu, sem dar-lhe voz de prisão. Depois disso, ainda ousa dizer "Não reuniciarei". Grito alto, com as mãos em concha:
   - Saia já daí, Michel!
   Esse senhor precisa ser defenestrado do cargo a qualquer custo, e terá sido tarde. É inaceitável para uma nação ter de suportar um "Não renunciarei" em tamanha cara de pau e permanecer quieta. Temer deve ser alijado da presidência na primeira oportunidade, no mínimo como exemplo para que outros picaretas sequer pensem em repetir esse experiente no futuro. E, a repetirem, a culpa terá sido exclusivamente nossa.

   Depois de todas suas manobras verbais para explicar o inexplicável, se fosse um importador de vinhos, Michel Temer seria para mim uma mistura daquilo que mais critico e abomino. Um assemblage de "a" elevado a "b", onde "a" e "b" são duas importadoras quaisquer listadas a partir da quinta posição na tão mencionada por mim "lista comparativa da margens das importadoras",  publicada pelo sítio Enoeventos, original disponível aqui, e reproduda abaixo.
Ressalte-se que empresas privadas objetivam lucro, e não há nenhum problema nisso. Aliás, é a mola-mestra da economia. Nada contra! Mas quando a margem cobrada chega ao exorbitante, isso reflete diretamente no bolso do consumidor. No meu, no seu, no nosso. Então é minha opinião que o cidadão médio deve ser informado do quão pornográficas chegam a ser certas margens, e, sabendo disso, possa decidir de quem comprar. O imposto sobre bebidas no Brasil é de cerca de 65%. Não há porque pagarmos aqui mais do que 100% sobre o custo do mesmo produto "la fora". E olhe que "lá fora" também existe imposto sobre bebida!

Que vinho é esse?

Em matéria de hoje, UOL publica que "Aécio não achava que cassação ia até o fim no TSE". A certo ponto, em conversa reservada com o sr. Joesley Batista, a quem recebeu em seu quarto do hotel, Aécio Neves esperava Joesley com um vinho aberto, do qual o convidado prontamente se serviu ao entrar no quarto. 
   "Peguei um vinhozinho aqui, viu?", avisa o empresário.
   "OK, peguei para você, acabei de abrir, esse vinho é ruim para caralho, mas é o que tem", responde o senador, que está ao telefone. 
   "Não, tá bom demais", responde Joesley enquanto espera o interlocutor. [em itálico, trecho da reportagem original]







   O senador diz que é "ruim para c@r@#&o" - linguagem bem conveniente para um Senador da República, heim? - E o outro diz "Não, tá bom demais"!

   O inexistente leitor pode ser muita coisa, menos bobo. Sabe que dentre as especialidades de ambos não consta degustar vinho. Mas é de surpreender que o c@r@#&o de um é o bom demais de outro! No final, a pergunta que fica é:

Que vinho é esse?
Senhoras e senhores, aguardo seus palpites...

Sunday, November 6, 2016

Quando potência e elegância andam de mãos dadas

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Introito

   A senhora N. encontrou meu endereço e escreveu-me, entre triste e aflita. Participante de uma confraria de amigos que se conheceram na graduação e seguiram caminhos diferentes, para reencontrar-se anos depois sob a égide de Baco, tinham por brincadeira reunir-se uma vez por mês para degustar às cegas os vinhos que cada um levava ao encontro, atribuindo-lhes notas e elegendo o melhor noite. Ainda, quem identificava o próprio vinho - eram servidos às cegas, lembre-se - ganhava alguns pontos extras na classificação geral.
   Acontecia que a senhora N. ocupava o penúltimo lugar dentre os sete membros votantes na brincadeira mensal. Ainda, ela era, dentre os casais, a única mulher que votava nessas reuniões. Assim, sentia um peso suplementar sobre os ombros, pois promovia uma defesa solitária da honra feminina.
   Ela sabia que sempre levava bons vinhos e, em diversas ocasiões, ficou se perguntando por que suas garrafas italianas e francesas tinham ficado atrás de chilenos, principalmente, e argentinos.

 - Help me, Enochato sem Galochas, you're my only hope - assim ela terminava sua primeira missiva.

   Tirei os óculos, agarrei uma das pernas com os dentes e deixei-o fazendo um movimento pendular à frente dos olhos enquanto caminhava pela sala pensativo. Senti um leve peso pelas costas, como se algo se estendesse quase até os calcanhares, e fiz menção de ajeitar os ombros. Procurei mas não encontrei nada. Ainda olhei para a cintura e não, não estava com um cuecão vermelho por cima da calça. De qualquer maneira, era um trabalho para o Super-Enochato...

   Refleti melhor: uns bocas-tortas amantes de chilenos (risos!) quase certamente confundiam madeira com potência. Como eu poderia ajudar a pobre mulher e, de quebra, dar uma lição inesquecível naquelas almas desvirtuadas do bom caminho? Na verdade não precisei pensar muito; já tivera uma experiência deveras didática*, quando um IGTzinho com jeito de morto transformou Brunellões de peso em menininhas correndo amedrontadas pelo Lobo Mau. Escrevi de volta sucinto:
   - A senhora pode escolher um Galardi Terra Di Lavoro, atualmente disponível na safra 2010.
   Junto, seguiam alguns links para lojas onde o produto estava disponível. E não aconteceu que a senhora N., além de comprar duas garrafas, chamou-me para degustar uma delas?!

Galardi Terra Di Lavoro 2010

Roccamonfina, onde este IGT é produzido, é uma das várias regiões vinícolas da Campânia, localizada na canela da Bota. Os tintos são predominantemente de Aglianico, Piedirosso e Sciascinoso (ou Olivella), com ocasional presença de Primitivo (veja aqui). O nome Roccamonfina é referência a um vulcão extinto, o que confere ao solo características muito minerais. Isso, é claro, reflete diretamente nos vinhos.
A vinícola Galiardi foi fundada em 1991, e em 1993 lançou seu primeiro vinho (veja aqui). Pedindo perdão pelo clichê, o resto é história.
Terra Di Lavoro, 80% Aglianico e 20% Piedirosso, com teor alcoólico de 14%, passa por envelhecimento em carvalho durante 12 meses, e foi servido com uma hora e pouco de aeração. Já estava começando a ficar bom para ser degustado, e só cresceu ao longo das quatro horas que passamos à mesa. Infelizmente o nariz deste enochato encontra-se em situação calamitosa, entrando em saturação após algumas poucas cafungadas.
   Depoimentos dos diversos presentes atestaram sua evolução, alterando as notas entre frutas (bem presentes no início, detectáveis até por este que escreve) para o surgimento de chocolate ou café (não sou o único com essa dificuldade!) e fumo.

O Bressia Conjuro



Produto da Bodega Bressia,  estabelecida em Mendoza, Bressia Conjuro é um corte Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot de vinhas plantadas no Vale do Tupungato, a 1100 metros de altitude. Envelhece 18 meses em carvalho e outros 24 meses em garrafa.
Infelizmente, afetado pelo problema de nariz, não ocupei-me de registrar o rótulo, nem guardei a safra. Bressia Conjuro tem bom nariz - agradou aos participantes mais do que a mim, mas meu julgamento estava claramente afetado -, bom ataque, mas seu grande pecado foi encontrar pela frente um Terra di Lavoro. A falta de acidez ficou evidente na boca: transformou a garganta em escorregador.
   Eu não tenho certeza do que vou dizer agora: talvez se degustado junto de outros sul-americanos, a falta de acidez passe meio batida. Na comparação, fica muito evidente. Talvez apenas falte mais experiência a este enochato para cravar que falta de acidez seja notória, mas como sou um pobre iniciante nesse assunto, o leitor mais qualificado fica no direito de julgar-me muito encima do muro.
   Mas há um ponto onde não fico em cima do muro: Bressia Conjuro custa entre R$ 405,00 e R$ 730,00(!), contra R$ 540,00 do Terrra di Lavoro. Em se tratando de um sul-americano, é um bom vinho. Mas não encara o confronto com um do Velho Mundo. Se custasse R$ 400,00, o meu veredito seria claro: quem chega em R$ 400,00, coloca mais R$ 140,00 e vive feliz. Se Terra de Livoro vale R$ 540,00, Bressia talvez valha a metade.

A competição

D. Neusa voltou da competição com o resultado oficial do mais recente embate. Seu vinho tinha pego em terceiro lugar. Perdeu para um Cobos corte uNico 2008 (preço no Brasil: R$ 1.500-R$ 2.000) e para um Châteauneuf du Pape Bosquet des Papes Chante le Merle 2012 (preço no Brasil: R$ 500-R$ 600). Entubou (risos) um Ridge Monte Bello 2009 (cerca de R$ 1.000,00), um Chateau Smith Haut Lafite, Pessac-Léognan 2010 (R$ 900,00) e um Brunello di Montalcino 2010 (produtor não especificado). O detalhe é que todos eram vinhos 97+. Tinha subido alguma posição no ranking, e, se não estava 100% feliz, certamente ficou mais animada. Outro desentiressado trabalho deste Enochato em prol da divulgação e defesa dos bons vinhos e bons costumes (risos!)


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Resenha

Vinho & Guerra. Os Franceses, os Nazistas e a Batalha Pelo Maior Tesouro da França
   Já havia lido as primeiras páginas do capítulo 1 há muito tempo, quando estava hospedado na casa de um primo, e dividia com ele a leitura do presente de Natal que ele ganhara da esposa. Desta vez consegui um exemplar emprestado e fui até o final.
   Vinho e Guerra tem uma narrativa dinâmica, entrelaçando o dia-a-dia de vários produtores tradicionais de diferentes regiões da França com os esforços do povo francês na árdua resistência face à ocupação alemã. Apresenta também a figura dos weinführers, agentes especializados a serviço do Reich cuja principal missão era garantir que os melhores vinhos francesas molhassem as gargantas certas dentro da cadeia de comando nazista.
   O livro contém muitas passagens belas e emocionantes. Uma das que mais gostei foi acerca da confraternização que Gaston Huet conseguiu promover no campo de concentração para oficiais em que esteve preso durante quase toda a guerra:
Huet se retirou para um canto da sala para saborear seu copinho de mostarda de vinho. Deu um suspiro de satisfação. Era um vinho branco seco do vale do Loire; não era do seu vinhedo, mas ainda assim trazia um gosto de casa. Olhou fundo sua cor esverdeado-dourada, depois se deteve para aspirar seu aroma, seu buquê floral com sugestões de limão, pêra, maçã e mel.
Quando levou o copo aos lábios, o vinicultor Huet falou mais alto: "Hum, um pouquinho acidífero", pensou. "Verde no palato médio e o final é fraco. Duvido que as uvas de Chenin Blanc tenham ficado bem maduras".
Essa análise, contudo, durou apenas alguns breves segundos, pois de repente emergiu o Huet amante do vinho, e os sabores e aromas da bebida o envolveram.
Para quem conhece um pouco acerca vinhos do Vale do Loire, sabe o que significa o nome Domaine Huet na produção vinícola em Vouvray. E, sobretudo, se já experimentou um Moelleux de sua lavra, o trecho acima traz um sentimento particular. Está certo que o vinho degustado por Huet na ocasição era um seco, mas seu Moelleux marcou-me profundamente. Saiba mais sobre a região aqui, e aqui. Siga também o vínculo Vouvray Moelleux na última página para saber melhor o que estou tentando dizer.

Entre o Terra di Lavoro e Vinho e Guera, não tenha dúvida: se puder, fique com os dois!

Vinho & Guerra
Don e Petie Kladstrup
Jorge Zahar Editora
Preço: aproximadamente R$ 45,00


*O André referido na postagem não era eu, que participei do evento na condição de simples comensal.


Sunday, September 25, 2016

Um vinho improvável

Introito

   O Romeu convidou-me para uma pizza e vinho em sua casa. Cheguei ganhando atenção das meninas, duas Akitas, senhoras de certa idade, cujo único inconveniente - se o é, de fato - está em receber-me ao portão com pulos de alegria. A uns 45 kg cada uma, o único cuidado necessário é não ser literalmente atropelado por tanta demonstração de felicidade.
   A Sonia recebeu-me com o bom humor de sempre e contou-me da saúde da Hani (mel, em japonês) e da Panda, enquanto a adrenalina delas baixava a níveis aceitáveis. Então pudemos nos sentar. O Romeu apareceu com uma garrafa lisa - tirara o rótulo para fazer um ensaio às cegas. Abriu a garrafa, serviu um tantinho, conversamos um pouco e chegou a pizza. Fomos recebê-la ao portão e em um tantinho estávamos instalados à frente de um prato bem servido e uma taça.

A degustação

   - Vamos lá, diga-me de onde é esse vinho - convidou o Romeu.
   Gosto dessas brincadeiras, embora saiba o quanto é difícil dar palpite na hora h. Ao nariz, buquê de fruta (vermelha ou  negra, não me pergunte - rs), sem carvalho. Simpático. Pensei que poderia ser algo na linha do León de Tarapacá, que, na infância de meu aprendizado sobre vinhos, fora o meu favorito.
   No primeiro gole, ainda sob efeito da percepção olfativa, o ataque mascarou as fases posteriores da avaliação. Sem saber o que esperar, fui "meio que" surpreendido pelo primeiro contato do vinho com a boca. Não tinha amargor. Olhei para a taça, uma cor "normal" para vinhos jovens.
   - Quero dizer que parece um chileninho bem básico - arrisquei - mas não é isso...
   Provei novamente, então prestando mais atenção no conjunto. De fato quase não tinha amargor, mas também passava praticamente sem marcar a garganta - retrogosto e persistência mínimas. Como costumo dizer, é quando a garganta vira um escorregador (rs).
   - Poderia passar por um Bordeaux bem simples - atalhei. Mas também não é...
   O anfitrião estava se divertindo:
   - Chile... França... o que vem agora?
   Experimentei mais um gole.
   - É nacional, não é mesmo?  - estava morta a charada.

O vinho

   O senhor Paulo Rocha plantou cepas Cabernet Sauvignon e Merlot em 2009, na cidade de Lages, região serrana de Santa Catarina. O vinhedo ocupa 0,7 hectares e está a 940 metros - o que o caracteriza como vinho de altitude da serra catarinense - e, em 2014 produziu as primeiras 100 garrafas desse corte, para um primeiro teste. A meta é produzir 3000 garrafas por safra. O nome Seu Romeu vem da homenagem ao patriarca da família.

   A vinificação ficou a cargo do Centro de Ciências Agroveterinárias de Lages, da Universidade do Estado de Santa Catarina. O que mais chamou atenção foi o vinho não ter em destaque aquele amargor tão típico dos vinhos nacionais. Este é um amargor que, na minha opinião, desbalanceia o vinho. Não sei exatamente de onde ele vem, se do esmagamento das sementes ou do engaço não removido no processo. Mas esse amargor tão estranho e sem graça não estava presente em Seu Romeu.
   O vinho não tem acidez - acho que é o que contribui para transformar a garganta num escorregador (rs). Os taninos leves também não contribuem para dar-lhe maior estrutura. É um vinho simples, mas não é um vinho ruim. O pessoal do CAV sabe o que está fazendo.
   A incógnita que gostaria de registrar será a dificuldade de vencer a produção artesanal e partir para a produção industrial. Será que os mesmos cuidados serão preservados na escala? Nada como apostar em uma nova prova quando isso acontecer...

Conclusão

   Quem acompanha o assunto vinho, principalmente o que acontece no Brasil, está nauseado com tanto marketing que só pretende enaltecer qualidades que nosso vinho não tem. Merlots nacionais ganhando concursos na França - para descobrirmos depois que o "concurso" foi promovido pelo importador local do produto, e destina-se a vinhos de até 5 ou 10 Euros, enquanto esses mesmos vinhos custam aqui o equivalente a 30 Euros! - dentre outros, apenas jogam um véu de má estima para com o produtor nacional. Não deixa de ser uma injustiça, uma vez que "meia dúzia" de produtores acabam concentrando "dezenas de porcento" (sic) da produção nacional e absolutamente 100% de todos os "acontecimentos estranhos" que são noticiados ou descobertos acerca do tema.
   O vinho nacional é estremamente caro - pelo que oferece. Poderia ser uma forma de entrada para o consumidor mais informal, que está galgando seus primeiros passos nas descobertas desse quase infinito universo do vinho. E Seu Romeu poderá ter seu espaço nesse cenário. Um ponto central, a meu ver, poderá ser o excesso ou a falta de ambição de seu proprietário. Volto ao tema quando puder experimentar outra garrafa.


Imagens do vinhedo em Lages.