Introito
Contato capenga
O Xandão - não o do SFT, o outro - ligou-me há poucos dias e combinamos minha ida a Ribeirão Preto. Lembro-me bem: há uns 15 anos ele trocava a cerveja - tão necessária naquela cidade - pelo vinho. Como muito neófito perdido por aí, começou errado: vinho suave. Tratei de corrigir o problema tão logo o vi, apresentando-lhe os chilenos. Era 2007, outras épocas... Sei que agora ele anda bebendo portugueses. Não, não perdemos contato durante todo esse tempo; rolaram encontros esporádicos como por exemplo quando sua esposa Olga vinha para cá correr a Volta da USP. E, nem percebi, a danadinha entrou para o seleto grupo de 60 ou 70 brasileiras que completou a Majors, concluindo as 6 mais importantes maratonas do mundo: Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova York. Estou bem de amigos, não é mesmo? Só falta desfrutar um pouco mais dessas afeições...
Brutalis é o nome da besta
Comprei minha única garrafa de Brutalis há muitos anos, por uma sequência de acasos: o corte, a safra, o nome e, sobretudo, a relação preço-cá-preço-lá, diligentemente verificado no Wine Searcher; estava a algo como 1.4x no Savegnago, que trouxera uma carrada de rótulos dos Irmãos Muffato, grupo supermercadista do Paraná. Comprei vários franceses naquela época, até o Fleur de Pedesclaux, segundo rótulo do quinto vinhedo de Bordeaux na classificação de 1855, a preço bem razoável. Certo que safra '11, não tão boa, mas pelo desembolso (R$ 127,00 em julho de 2018) massacraria a concorrência sul-americana com uma mão nas costas. Voltando ao Brutalis... só não notei que era um meio seco 😣... Para sorte deste escriba, os meio seco europeus descartam qualquer semelhança aqueles vinhos feitos do lado de baixo do Equador. Esse Vinho Regional de Lisboa na safra 2011 foi um corte Alicante Bouschet (60%) e Touriga Nacional (40%) - atualmente é cortado com Cabernet Sauvignon - potenciado a 14% de álcool que aparecem de leve - na verdade a Olga pegou que ele estava puxado no arco (sic) - com nariz rico em frutas, chocolate e tabaco. O adocicado a mais aparece na boca, mas não enjoa. O preparo de maminha estava muito bom, mas acho que faltou um pouco de gordura para casar com o corpo - não mencionei o que levaria. Taninos e acidez médias foram sobrepujadas um pouco pelo dulçor, o que não compromete o conjunto da obra; se não houve uma ótima harmonização, tampouco desarmonizou. Não mostrou tanta persistência nem final marcante que não o calcado no travo doce, passando um pouco longe do estilo a que estou mais acostumado. Estranha um pouco o preço lá e cá, 32,00 € contra R$ 300,00-R$ 400,00 (este para a safra '11, ainda disponível). 😮 paguei cerca de R$ 120,00 aqui. Certo, em 2018. Valeu ter esperado um pouco mais; a safra merece o devido respeito.
As bléqui-fraids estão vindo
Antecipando a data, muitas importadoras sérias anunciam descontos desde já. A de la Croix como sempre torra alguns rótulos manchados ou mesmo rasgados, com descontos. Para importadora que trabalha com margens apertadas, é uma oportunidade para comprar ainda mais barato. Tenho um Créme Tête do Rousset-Peyraguey 2000 cujo rótulo - horrivelmente desgastado - mostro qualquer hora, e pelo qual paguei uma bagatela. A Chez France está com uma linha de portugueses e Chiantis mais simples a ótimos preços (R$ 60,00-R$ 130,00), e a Enoeventos apresenta ótimas ofertas, inclusive em azeites. Mas preste atenção nas Xampas. Diversos vinhos voltaram à margem menor que 2x, o que era o grande diferencial da casa, então é hora de aproveitar. Particularmente, já comprei das duas últimas. Estava namorando um Réserve de la Comtesse 2009 (ótima safra), segundo vinho do segundo vinhedo Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande, de Pauillac, mas esse não entrou na bléqui. Uma pena...