Thursday, October 15, 2026

Um italiano diferente e um francês comum

Introito

O cidadão de bem torna-se bandido quando associa-se a bandidos.
Máxima d'Oenochato, publicada ad nauseam.

   Recebi uma mensagem algo efusiva do Plínio. Ele talvez não seja adorador de Baco, pois nunca antes assinara uma missiva e o conteúdo da nota era puramente político, um gentil reconhecimento e concordância com as ideias da última postagem. Este espaço, como já dito, não publica comentários sobre tal assunto, mesmo quando me sejam francamente favoráveis. Comecei a abordar o tema cansado tanto da posição bovina quanto da dissonância cognitiva - talvez então ainda não conhecesse o termo - que assolava muitas pessoas próximas a mim, levando-as, sem perceber, a assumir posições absolutamente estúpidas.  O blog continua, portanto, fiel às suas propostas, ainda que as premissas iniciais tenham mudado um pouco com o tempo. Todos evoluímos, não é mesmo? Bem, nem todos...

   Está muito masoquistamente divertido acompanhar PTlhos e bolsonéscios debaterem-se nesta reta final do pleito. Fúlvio bolsonéscio - ou o que seja, o nome é tão importante quanto o do Rodolfo - está à cata do seu voto para tornar-se o passarinho mandão da vez - e viva Cortázar! Estava sendo acusado de rachadinhas em algum episódio nebuloso quando parte dos elementos que embasavam a denúncia foram considerados ilegais pelos Supremos Sinistros (SS) da segunda turma do STF. A fonte é oficial. Como ignaro nessas lides, não consigo desperguntar-me (sic): mesmo ilegais, provas de um ilícito continuam sendo provas, certo? A ilegalidade despermite (sic) o andamento de um processo, mas não revoga fatos pretéritos. Assim parece-me... Depois, segundo agências de respeitada responsabilidade, Fúlvio bolsonéscio contou ao menos 43 mentiras para se afastar do caso Banco Master. Parece que o presidiário Vorcaro deu de patrocinar uma nova versão de Pinóquio. 🙋‍♂️ Tenho uma sugestão para o ator principal! Assim como NAP, Fúlvio promete até cansar. A si e a nós. Teve o episódio - abandonado - dos 70 milhões de celulares. Pensei até em pedir para a Manu algum vestido emprestado para me candidatar a receber um, pois o meu está velho e não consigo trocar. Mas sim, colaboraria para com esse projeto, se ainda estivesse em voga, afinal pago impostos, e de onde o leitor imagina que sairia a verba para tal? Sim, do seu bolso, estúpido. Esse sujeito fugiu de Renan Santos como o diabo da cruz, o vampiro da luz e o hipócrita de Jesus, quando chamado a discutir propostas. Sua fuga foi óbvia; não tinha qualquer propositura séria para contrapor às quase 500 páginas de um tal Livro Amarelo, que em sua versão resumida, apresentada ao STE, continha apenas 51. E nem entrei nos pontos mais polêmicos da extensa capivara do candidato. Estúpidos ainda pensam em votar nele? A esta altura, só posso dizer: vá em frente. Só não me chame para participar disso. Votar nulo não é estar isento. É estar contra Fúlvio e contra NAP.

Reuniãozinha light

A Luciana encontrou uma curiosidade, o Il Poggiarello Gutturnio Frizzante 2023, um espumante italiano tinto(!), produzido na região de Emilia-Romagna, em Gutturnio DOC. É um corte de Barbera com Croatina (nestas bandas, principalmente na Argentina, conhecida como Bonarda) à base de 60%/40%, dizem. Buquê com fruta discreta, até atraente e um pouco mais, mas não consegui identificar. A surpresa ficou no paladar: a Lu achou muito metálico, em excesso. Achei também, embora não tão agressivo. A Liu não viu isso. De qualquer maneira tinha sim algo de amargo, mas não a ponto de incomodar. Um traço do terroir? Três bocas e três vereditos tão distintos? Fiquei intrigado. Verdade seja dita, diminuiu quando a temperatura caiu mais um pouco, mas não explica as diferentes percepções iniciais. É um frisante de corpo leve indo a médio, suportado pela boa acidez, fresco... mas um tanto ligeiro, apesar de tudo. É um produto de 9 Euros lá fora (R$ 52,00), vendido a R$ 297,00 - dá incríveis 5,7x! 😖 Luciana, faça-me o favor! Sim, ela disse: olhou e ficou com vontade de experimentar. Isso não tem preço. Não padeço desse tipo de curiosidade. Vi o engraçadíssimo rótulo do The Old Bastard certa vez, e comprei... depois de procurar e ler sobre ele. Mas aqui trata-se de um enochato, não de uma mocinha curiosa disposta a encarar desafios. A Liu compareceu com o Château des Espoureys 2020, um Bordeaux Supérieur. Tenho comigo que o termo Superior advém de um vinho ordinário da região com meio grau de álcool a mais, e isso dá uma mãozinha na estrutura. Uma uva melhor - para atingir esse nível alcoólico - também tende a produzir um vinho um pouco mais estruturado. Não lembro-me se alguém conferiu, mas esses vinhos normalmente são um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. Tinha suas frutinhas e um toque delicado de especiaria - comentei sobre a diferença de uma CS por aqui (Chile) e em Bordeaux, onde a chamada Rainha das Uvas atinge sua expressão máxima. Tento recordar-me se a Liu sugeriu compota... será? Boca com alguma estrutura: taninos presentes e arredondados, acidez indo a média, álcool integrado e final de pouca persistência... é um exemplar razoável, conquanto similar a diversos outros da mesma região, tornando-se então um vinho comum. Não encontrei seu preço por aqui, foi comprado há muitos anos. A Domazzi, importadora de Florianópolis, costuma praticar margens razoáveis e normalmente seu representante em S. Carlos é a Casa Deliza, que não usa exacerbar no preço. Para um dia de experimentações, teve bão. Obrigado, meninas!

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🐭 Rata?
Agradeço ao comentário de Don Flavitz, que o leitor atento poderá acompanhar no pé da postagem.

Ah, sim (😣):




4 comments:

  1. Big Charles, tenho curiosidade para beber este espumante! Mas eu acho que não é vinho para beber solo. Tem que ter comida. Deve acompanhar bem uma feijoada.
    Mas permita-me uma pequena correção: A Croatina não tem relação com a Bonarda Argentina. Esta última tem origem francesa, sendo provavelmente a Corbeau. A Bonarda piemontesa também não tem relação com a Croatina e tampouco com a Bonarda Argentina. É confuso o negócio, até lá, onde fazem um vinho chamado Bonarda dell’Oltrepò Pavese que, este sim, é feito com Croatina. Confuso, né?
    Abraço,
    Flavitz

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    1. Don Flavitxo, obrigado pelos comentários. Estávamos acompanhando o espumante com entrada de queijos e embutidos. Achei bom com estes últimos. De fato, acabei não escrevendo sobre isso.

      Sobre a Croatina/Bonarda, bem, a informação é do Wine Searcher, https://www.wine-searcher.com/find/poggiarello+frizzante+gutturnio+colli+piacentini+emilia+romagna+italy?srsltid=AU7gw4XHaPRTo0we1I65n17SIlDolK-DpzGXP_STUJ8ozO27OmrQed1n#t2 que sempre consulto.

      Concordo que a inferência 'daquela' Bonarda com a Argentina foi minha, sem maior cuidado na confirmação: à primeira vista faz sentido, dada a colonização da do país por italianos. De qualquer maneira está dada a nota, pela qual também agradeço.

      []s,
      Oeno

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  2. Noite de com amigos, boas conversas e vinhos novos para todos os presentes 🍷🍷🍷… o que ficaram perfeito com o sabor da Pizza de pêras, Parma, rúculas, queijos e tomates secos e frescos ! Juntos 🍕🍾🍷 … enaltecendo o buquê de ambos, mas do vinho francês hummm…

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    1. Opá... (rs) Foi isso: boas entradas, boa comida, boa companhia... não necessariamente nessa ordem. Obrigado, moça!

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