Monday, September 30, 2024

Habemus vinum

Introito

Ali Lulá e bolsonésio 
são culpados de muita coisa.
Menos da estupidez alheia.
Oenochato

   Como se manifesta sua ambição? Ser rico? Ser famoso? Muitos ricos preferem a tranquilidade do anonimato (conhece o Sucupira? Pois...), e muitos famosos são ricos porque construíram a riqueza em função da fama, então pense bem antes de escolher ambos. E não duvidarei se alguém preferir fama à riqueza, pois o ego funciona diferentemente para cada um de nós. A ambição é um impulso natural do ser humano, e torna-se uma força positiva se regada com ética, consciência e moral - é onde o chão normalmente afunda, já que em países pouco educados como o nosso tais conceitos são vagos e imprecisos; não fazem parte da formação de boa parte da população. Apontei aqui, e mantenho: o posto de maior herói da nação desde Caxias está vago. Você pode não perceber, ou mesmo acreditar, mas há pessoas cuja ambição é ocupar essa precisa posição, que outros deixaram escapar por entre os dedos mais afeitos a segurar junto de si a tolice, a ineficiência e a queda pela corrupção. E agora vou meter o louco: se não enxerga isso, o leitor entregou-se à adoração de ídolos e perdeu a noção de nação; emociona-se com o bodum de seus venerados mas seguramente não conhece uma única ideia defendida por eles - até porque tais ideias quase seguramente não existem. Vários estão preparados para defender seus corruptos de estimação até o final de suas forças, mas são um deserto intelectual no momento de apresentar um posicionamento construtivo que possa ser dito projeto de país, pois passam a maior parte do tempo defendendo-os de acusações ou explicando seus vínculos suspeitos. Uma nação não pode se erigir com ídolos e idólatras; ideias e cidadãos são o único suporte viável para essa caminhada. Quem desistiu de procurar líderes verdadeiros, que não se rendem à sedução da corrupção, não percebe, mas faz parte do problema. No passado, abandonei meus preferidos na primeira pisada no tomate. Continuarei fazendo assim, trocando o errado pelo certo, e jogando no lixo o duvidoso.

Habemus vinum

Se não me engano, foi o Duílio. Ele disse que viria fervendo. 🙄 Venga... Sim, foi tudo às cegas. Seu Marqués de Tomares Crianza 2014 tinha uma borda ligeiramente alaranjada, mas o nariz ainda entregava fruta e outras notas - chocolate? Um pouco de acidez, nada que encantasse, dava o ar da graça; corpo médio com boca um pouco ligeira completava o conjunto da obra: minimamente digno. Não lembro-me quanto ele pegou, mas disse ter consultado no Wine Searcher e encontrado dentro do 2x, daí sua aposta. Encontrei safras mais novas dele, até por R$ 90,00, embora oscile a uns R$ 160,00 (sítio do importador). É um vinho de 8,00€ lá fora, ou R$ 50,00 (sem nosso IOF, etc.) e arredondando R$ 100,00 é o limite da compra; acima disso é tubaronice. Bem, se um caboclo me diz que vem fervendo o mínimo que posso fazer é sacar um combatente dos seus 20 dólas, e a questão não são os dólas, mas quanto paguei aqui. Claro, 20 dólas contra 8,00€ dá uma diferença facilmente traduzida em sova: surra, coça, vareio. Passadouro Touriga Nacional (TN) 2018 é um duriense produzido pela... Quinta do Noval, que tem desfilado por aqui com alguma constância, seja pelo seu simples mas valente Cedro do Noval quanto pelos irmãos maiores, os Quinta do Noval (Syrah, TN) e o Noval Reserva. Ainda: está pronto para beber. Nariz com boa complexidade de frutas, um pouco de madeira e mais notas. Perto do Tomares, arrepiou - mas ora, a diferença de valor é flagrante. A boca também marca, embora a acidez não esteja tão presente; são seus 14% de álcool e madeira elegante os responsáveis pela boa impressão. Tem bom final, e brilha sobre sul-americanos do dobro do preço - mas cuidado aqui, como veremos. Reclamo: os sul-americanos estão muito caros. Azar deles. Passadouro é um vinho de 20 dólas lá fora? Isso. Aqui, anda de R$ 250,00 (chega a R$ 336,00) por R$ 155,00, e acredite: paguei menos de R$ 130,00 em ótima 'promo', ano passado, ou anterior. Se soubesse, tinha pego mais algumas garrafas em vez de preferir meia dúzia do Reserva. Não que devesse deixar de comprar o Reserva, mas teria pego mais do TN. Recobremos seu valor: 20 dólas, grosso modo R$ 100,00, chega a custar praticamente 3x. A importadora enfiou em algum lojista desavisado a preço cheio e à socapa desova parte do estoque a preços reduzidos. Ao pobre do parceiro só resta vender a compradores desavisados. Esse é o atual estado do mercado, e vem perdurando por anos. Já apontei como grandes tubaronas - as maiores importadoras do país dentre eles - entraram na brincadeira, evidenciando a perda de fôlego por anos e anos de economia cambaleante, melhorando em um mês para perder terreno quinzenas e mais quinzenas seguidas depois. Repito: sou a favor de prestigiar o lojista local. Mas ele precisa fazer sua parte. Ou o mercado é uma via de mão dupla, com benefícios mútuos, ou (óbvio!) alguém vai perder sempre. A parte derrotada está deixando de ser o consumidor, por mais idiota.


Como se precisasse, 

Marqués de Tomares, lá



Marqués de Tomares, cá



Passadouro, lá



Passadouro, cá




Sunday, September 29, 2024

Surpresas na Paduca

Introito

O isentão (sic) (é quem) foge da discussão.
Renan Santos, aqui, minuto 48,
em comentários que começam no minuto 37

   Casa-Grande & Senzala (1933), de Gilberto Freire, e Raízes do Brazil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda, são tidas como obras fundamentais para explicar a formação e desenvolvimento do país. Não as li, mas sei do básico: a primeira explora o Brasil colonial, analisando a organização do estado patriarcal e a miscigenação do nosso povo. Já perguntei aqui por qual motivo essa mistura dá bons resultados em cães, por exemplo, mas para nós fez surgir apenas uma sociedade cujo QI médio é 87. Parece ser pior ainda: 90% da população teria essa média. Sobra muito pouco espaço para gente mais inteligente à direita dessa nova gaussiana - e imagine-se a situação de quem está à esquerda... Voltando: a segunda obra tenta explicar a falência da nação (já naquela época...) pela figura do homem cordial, onde regras sociais prevalecem no trato da coisa pública, sobrepujando o conceito de impessoalidade, normativo em democracias mais robustas. O problema é que, parece-me, os autores falham miseravelmente ao propor qualquer solução prática para nossas mazelas. Então - como adoramos fazer - as querelas dão-se sempre sobre quirelas...

   Já comentei: idiotas de plantão apontam Andrada, talvez o ministro mais longevo de nossa história, e seguramente o de maior permanência contínua na pasta da Educação como competente. Sua gestão foi marcada pelo fato da verba do ministério ter sido quadruplicada, enquanto o brasio despencava nos testes do Pisa (comentado aqui, aqui e aqui, pelo menos). Em 2022 saiu outro resultado. Adivinhe... Então gostaria muitíssimo de chamar a atenção para esta transmissão do sr. Renan Santos, líder do MBL. A razão para que eu, declaradamente de esquerda, peça a atenção das pessoas para tais reflexões, dá-se principalmente pela constatação de que a ideologia acabou-se em janeiro de 2004 (quem aí lembra-se do  Waldomiro Diniz?).  Troquei-a por qualquer projeto de país. Votei até em bolsonésio, no segundo turno, contra uma turma já conhecida nas lides de gambiarra e da falcatrua. Fácil constatar: como um governo para o Povo encerra um ciclo de 14 anos no poder sem conseguir produzir uma mísera reforma agrária, presente em seu discurso de fundação? A falta de todo o resto (economia pujante, instituições sólidas, boa qualidade de ensino e sistema de saúde só um pouco acima do precário) apenas confirma a premissa.

   Voltando novamente... quer entender um pouco do brasio atual? Recomendo enfaticamente a transmissão. Toda ela, que é longa (2 horas), mas pelo menos o trecho do minuto 20:40 até o minuto 28:00, onde é feita uma discussão dos resultados do Pisa 2022. Uma das constatações da análise gráfica dos resultados é (mais) estarrecedora:

A nota em matemática dos mais ricos do Brasil foi igual à da classe média da OCDE... e dos pobres do Vietnã!

   Está lá, basta acompanhar o raciocínio. Se recomendo a transmissão toda, é pelo encadeamento de ideias e suas conclusões. Os dados apresentados dão-nos a real noção do nosso país de hoje, algo seguramente não imaginado pelos primeiros grandes estudiosos citados no início do texto. Veja (1h6min40s): As apostas online, cuja expressão máxima parece ser um certo Jogo do Tigrinho, consomem anualmente a bagatela de R$ 24 bilhões, ou 0.22% do PIB. Duvida?


   E de qual camada da população o crítico leitor acredita ter vindo a maior parte das apostas? Acertou! De quem recebe o Bolsa Família! Ou seja: o sujeito ganha um dinheiro que já não é muito (R$ 682,00) - mas advindo dos nossos impostos! - para fugir da pobreza extrema, e gasta quase 15% desse valor jogando contra um algoritmo preparado para depená-lo, sem desconfiar disso.


   Deixarei outras reflexões importantes da transmissão para quem for curioso descobrir, e abordarei outro ponto: nesse contexto, quão importante é uma educação financeira básica para essas famílias? Alguém falou em educação financeira? 

Reproduzo o  texto:
Ridículo. Não há outra definição a um projeto que determina a obrigatoriedade de educação financeira nas escolas públicas. O problema das famílias gaúchas de baixa renda é de falta de dinheiro, não de administração financeira. Dei meu voto contra essa proposta constrangedora.

   Como já escrevi, em S. Paulo e deputado estadual Guto Zacarias briga pela introdução do tema na grade curricular básica desde antes de sua eleição, quando os dados descritos acima não estavam disponíveis! Mas ele já tinha a percepção dessa agora obviedade. A isso, chamo projeto de país. É muito diferente de quando esquerdopatas e direitóides discutem (no sentido de defender) pessoas; poucos defendem ideias de fato. Por isso aliás a ideologia acabou-se, e sobrou o culto às personalidades, sinal evidente de ainda estarmos na fase da mais autêntica República Bananeira. E não chegamos no pior. Sabe com qual velocidade o Brasil integrou-se ao circuito mundial de apostas? Demoramos um pouco para entrar nesse triste caminho, mas a ascensão foi avassaladora, inversamente proporcional ao nosso desempenho no Pisa. O vídeo abaixo traz uma animação do quanto as nações gastaram em apostas ano a ano. O brasio não fazia parte dos principais atores, mas a um dado momento (segundo 32) aparece na parte de baixo da tabela e em segundos assume o topo. É preciso prestar muita atenção (há uma seta vermelha mostrando, e ainda assim é difícil acompanhar).


   E você achou que isso era o pior? Não, ainda não estamos lá! Observe: o estado de elevação supremo é dado pelo Sétimo Céu, mas para o pior não há limites, como dizia meu amigo Tatuí. E acrescento: não mesmo, à medida em que sempre podemos jogar mais um quilo de m... me... meleca(!) à situação já suficientemente ruim. Ecco!:


   Sim: em vez de preocupar-se dos mais pobres, ensinando-lhes como proteger seu (nosso!) pobre e suado dinheiro, o (des)governo prefere tentar captar para si o dinheiro destinado à jogatina! Alguém consegue achar essa abordagem do problema saudável? Repito, sou de esquerda. Mas se tiver oportunidade de opinar, não continuarei a sustentar perdulários (pela ignorância, é verdade) cuja atividade é divertir-se em jogos de apostas em vez de qualificar-se como um cidadão produtivo. Nem a apoiar (deixei de fazê-lo há muito) uma caterva que não prima pela formação de sua gente. Sei que o texto ficou longo, lamento. Mas diga-me não ser digno da sua reflexão. O tema não está aberto à discussão. A pauta principal do blog é vinho.

A Paduca, outras turmas e outras oportunidades

   O número de bebedores de vinho em S. Carlos vem aumentando. E percepção é direta: relembro certos círculos que deixei de frequentar - continuam ativos - e com qual facilidade apareceram outros, com absolutos neófitos no assunto. Alguns onde minha frequência nem anda constante renovaram-se completamente, como por geração espontânea (sic), e gente oriunda deles quiçá encontrou novas oportunidades algures. Apenas não estou seguro desse desenvolvimento acompanhar a prosperidade dos lojistas. Lembro-me de Don Flavitxo, quando ele morava em um condomínio mais central. Relatou-me sobre o começo da década de '10: chegando na portaria, recebia sua caixa de vinho comprada pela internet, e só havia a dele. Passados cinco ou seis anos, o número de caixas empilhadas era visível para quem aproximava-se motorizado, e não raro o porteiro entregava o pacote errado, tamanha a profusão de embrulhos. Para mim, isso diz muito: o lojista se esforça para formar o bebedor, mas logo perde-o. As pessoas encontram informação ao acaso, principalmente nas mídias sociais - invariavelmente começa com curiosidades ou coisinhas engraçadas - mas também no boca a boca. Some-se a isso um Enochato tóxico alardeando precauções como o Wine Searcher e uma parcela de culpa dos próprios empresários do setor, como repetição de estilos, mesma abordagem comercial, degustações muitas vezes fracas e está feito o convite para o degustador aventurar-se em outras plagas. Leitor distante: por coincidência os vícios descritos aqui repetem-se em sua cidade? Suas casas especializadas ainda tentam competir com a internet ou com os supermercados? Tindi...

A confraria Malucadeliu (foto ao lado: MÁrio, LUciana, CArlos, Débora e LIu) não substituiu Nix e as Moiras; esta existe mas a Dayane e a Renata estão em Araraquara. Pelo menos Débora e Liu bebiam descompromissadamente; atualmente são frequentadoras de excursões junto da Luciana e do Mário. Compram algo na cidade, mas não perdem uma boa oportunidade fora. A Paduca (Paulo, Duílio e Carlos, agora com o d'Artagnan Fernando por quarto membro) começou - e continua, eventualmente - degustando vinhos comuns de supermercado, mas aceitaram rapidamente a toxicidade radioativa deste Enochato, e hoje não hesitam em comprar pela internet, seja em grupo ou em aventuras solo. Estão aprendendo a usar o Wine Searcher, pesquisam e tentam, à socapa, trazer às cegas vinhos para superar aqueles humildemente ofertados por este confrade. Fato engraçado: mencionei aqui quando um argentino, o Raíces Malbec, foi o melhor vinho em uma degustação - quando ofertado por mim - e o pior em outra, trazido pelo Paulão, para seu completo desespero e tristeza. Ele não se tocara, entre um evento e outro, o quanto a percepção do grupo - e o padrão dos vinhos também - aumentara. Isso aconteceu muito rapidamente, quando saímos de um certo marasmo inicial que durou seis meses para uma disparada no semestre seguinte. O próprio Duílio comentou como ele sente a falta de atrativos em vinhos simples apreciados por ele há não muito tempo. Tem dificuldade em repetir produtos que para sua esposa ainda estão em um patamar muito atraente. O mesmo ocorre com Dona Cláudia e Paulão. A evolução deles ficará mais clara agora, e por isso apresentei a introdução deste parágrafo.

Várias às cegas

Esta primeira foi bem interessante, e encontrará reflexo abaixo. O Duílio trouxe um Casilllero del Diablo Malbec 2019 embrulhado no papel alumínio, à temperatura ambiente. Resfriou um pouco e foi servido, com buquê frutadinho, agradável. Acidez baixa, mas dando ar da presença. Não pesquei que fosse um sul-americano, embora não dita sugerido Velho Mundo. Se não consigo identificar o vinho, não chuto. O Paulão, com seu Pata Negra Tempranillo 2021 mostrou uma de suas incursões solo à procura de diversidade. Outro vinho com fruta direta, alguma acidez, fácil de beber. Para quem não conhece e está começando, boa opção; seu preço anda bem razoável. Toquei pra cima deles um Cave des Hautes-Côtes Morey-Saint-Denis 2015, borgoinha comprado a bom preço anos atrás, e que talvez estivesse no bico do corvo. Só talvez; não estava. Boa fruta, se não em engano Paulão falou algo à vegetal antes de disparar - tentando rebaixar meu concorrente - que lembrava os vinhos usados por sua avó para fazer sagu, enquanto tentava segurar a risada. Tinha acidez diferenciada, proporcionando melhor presença em boca. A surpresa ficou por conta do Casillero, quando resfriou mais: fedeu a pimentão! Reflito o quanto os vinhos chilenos podem estar reféns da temperatura: baixou um pouco a mais, vem a pirazina infestando tudo. Confesso nunca ter reparado nisso! Nas degustações por aí os lojistas também não fazem distinção, vai tudo para o gelo até o termômetro quase congelar-se ele próprio. Preciso prestar atenção como é a volta, da temperatura mais baixa para o ponto onde a pirazina eventualmente desapareça. 


Em outra degustação às cegas, tivemos o Pata Negra Reserva 2018, que o Paulão inadvertidamente acabou entregando. Discutíamos a procedência: português estava descartada, mas a acidez apontava como velho mundista. Ele deixou escapar um 'reserva'... mais corpo se comparado ao irmão menor da degustação anterior, cuja apreciação tinha agradado mais, por estar redondo na taça. Às vezes vinho é momento... A surpresa aconteceu com o Quinta de Chocapalha 2017, já degustado aqui diversas vezes. Paulão e Duílio experimentaram e se olharam. Já bebi disso, disse o primeiro, e teve a completa concordância do segundo. Paulão disse português, acho. E aqui o ponto: Chocapalha é um vinho que mostrei recorrentemente às confrarias, dado o ótimo preço (USD 10,00 lá, encontra-se até por R$ 100,00 aqui; está R$ 96,00 na Casa da Bebida (loja online). Então um ponto digno de nota: bebedores neófitos como eles já estão se emendando e percebendo quando bebem do mesmo vinho. Claro, quando ele tem uma qualidade mínima para ser reconhecido. Não bastasse, em outro encontro coloquei um Aldeia de Irmãos Reserva 2019 - não tirei foto desse momento - e os mesmos bebedores invocaram a impressão de já tê-lo bebido. É um vinho de corpo médio, boa fruta, fácil de beber e reconhecível pelo dulçor mais ou menos típico dos portugueses. Infelizmente o Fenando quase não participou dos encontros recentes pela sobrecarga de trabalho, e não tivemos a opinião dele. Mas fica claro como os Paduquentos estão evoluindo e reconhecendo cada vez melhor o que lhes cai na taça. O nível não está muito alto, embora às vezes tenhamos bebido algo superior aqui e ali. O conhecimento vem sendo adquirido em espiral, e eles vão se convencendo pouco a pouco como vale a pena investir alguns reais a mais em produtos de melhor qualidade. O problema é que mesmo esses bebedores novos já estão de olho em ofertas da internet, reservando cada vez menos reais para os lojistas locais. 

Finalmente, na última semana, e também às cegas, o Duílio chega com um Luccarelli Primitivo de Manduria - a safra ficou no contrarrótulo. Igualmente envolto em papel alumínio, os poucos minutos na água gelada retardaram seu resfriamento. Servido dessa maneira, exalou açúcar no nariz e na boca. Enjoativo ao se aproximar na nariz, pensei num daqueles portugueses desacertados de três Euros vendidos aqui a  R$ 40,00. Passei para meu resfriado em geladeira (rs) Petit Vega 2021, um Ribera del Duero melhor balanceado, com nariz bem mais completo se comparado aos demais exemplares citados nesta postagem - a menos do Borgonha. O preço do Petit Vega tem indo e vindo em diversas promoções, e é necessário ficar atento. Não bastasse, precisa reparar no envelhecimento: tem versões de 8, 18 e 28 meses, se ainda não existirem outras intermediárias. Cuidado! Mas chamo atenção ao fato complementar ao do Casillero: deixado esquecido na água gelada, Luccarelli resfriou bem. O nariz arredondou e o paladar encontrou o buquê: equilibrou mais, embora com o dulçor presente. Mas ficou bastante palatável e com complexidade além de 3 Euros (risos!). Pelo ligeiro equilíbrio face a outros meio secos degustados recentemente, o Duílio safou-se do título de Príncipe dos Meio Secos. Mas foi por pouco... Por conclusão, a questão da temperatura no serviço. Às vezes acabamos errando bastante, e não percebemos. E onde a temperatura baixa é adequada para alguns vinhos, não o é para outros. Beber das fontes antes de beber dos vinhos faz toda a diferença. Saúde!

Sunday, August 18, 2024

O segundo dia do Mouchão 2012

Introito - está aberta a temporada de caça aos otários

Não há nada de errado com aqueles que não gostam 
de política; eles simplesmente serão governados 
por aqueles que gostam.
Platão

Com o debate iniciado pela rede Comerciantes - ou algo assim - está oficialmente aberta a temporada de caça aos otários. Pelas estimativas, o número de televisores ligados no estado - contando com a transmissão oficial via internet - mal chegou a um milhão. Em comparação com os 35 milhões de eleitores no estado, apenas 3% deles interessam-se pela disputada da capital, o terceiro maior PIB do país (perde para o da União e o do Estado de São Paulo, sendo superior ao de todos os outros estados inteiros); o número fica um pouco melhor, quase 10%, para os 9.5 milhões de eleitores da capital. Pergunto do que adianta incentivar uma pivetada de 16 anos a tirar seus títulos de eleitores num país com tão baixo interesse por eleições. Consequência direta da falta de engajamento é o cidadão tornar-se presa fácil dos ouvi dizer, desculpa para alienar-se mantendo algum ar de responsabilidade. Assistir ao debate serviu como ótima reflexão acerca dos candidatos: para o atual mandatário a cidade está uma maravilha, e vai melhorar. Para todos os demais, está uma porcaria - mas em suas gestões ela se transformará em um lugar deslumbrante. Há muito não vou para São Paulo, mas acompanho muitas lives transmitidas de lá. Vezes sem conta, em qualquer horário, notei o sinal caindo por falta de energia elétrica pela queda de galhos ou árvores inteiras - segundo comentavam os apresentadores tão logo havia normalização do serviço - em diversos pontos da cidade, principalmente em épocas de chuva. Isso já diz muito sobre a gestão da cidade. A conversa mole dos demais candidatos ficou longe de convencer. Com 90% de alienados soltos por aí, essa turma vai se esfalfar em vender sonhos. O que quase todos eles fazem cotidianamente, aliás. Em S. Carlos não estamos melhor: apenas três candidatos, e dois não merecem a menor confiança. Por acaso são os que, num aborto da Natureza, já sacrificaram suas vidas para servir ao Honorável Cidadão. Sim, Idiota acabou de mudar de nome.

O segundo dia do Mouchão

Para recuperar alguns vinhos interessantes degustados no período de falha da plataforma, a publicação desta postagem não sairá no domingo, quando degusto o final do Mouchão. O buquê abriu bem, ele realmente precisa de algumas horas de aeração em garrafa para ser degustado no mesmo dia. Pode-se fazer a aeração em garrafa abrindo-a e retirando-se uma lasquinha, 30 mL que seja, fazendo o nível da bebida baixar um pouco e aumentando sua área superficial. Vai por mim, retirar esse porquinho faz diferença, e brinda o degustador com a sensação inicial do vinho. No dia seguinte, guardado na geladeira, ele voltou à temperatura de serviço bem vivo, com nariz regado a fruta e especiaria. O herbáceo apareceu na boca, com um toque terroso também. A fruta também estava lá, com uma pontada doce. Acidez bem presente, e o tanino um tanto verde, amarrando a boca um pouco além da conta. Não há o que fazer contra taninos verdes senão deixar o tempo em garrafa atuar; só um maior tempo de envelhecimento pode suavizá-lo e integrá-lo ao conjunto da obra. Wine Searcher dá-lhe uma longevidade que estende-se a 2035(!), mas seu amadurecimento sugerido, 2018, parece-me inadequado. Ele estava um tanto verde quando o bebi com o Renê, como mencionado. Não foi ruim, mas percebia-se quão nervosão (rs) ele era. Infelizmente naquela época o blog estava um pouco em baixa, e a experiência perdeu-se. Hoje está mais claro: Mouchão bate de frente com um Noval Reserva. Quem é melhor? Ainda aposto no Noval, por meia cabeça. Mas é a impressão de um deficiente nasal cujas habilidades de atentar para sutilezas - sempre tão importantes - está aquém do desejado. Nada como uma comparação taça a taça. Será? Meus Novais são significativamente mais jovens... a menas (sic! rs!) de uma garrafa 2007 que mantenho escondida num canto perdido da adega... Sei mesmo que este segundo dia brindou-me com um vinho melhor, mais complexo e completo. Desta vez não é que teve bão, porque ainda o tenho na taça... está bom, e melhor ao som da Roberta Flack.

Outra degustação

Cuidar do Lemão, meu pastorzinho operado na quarta, consumiu tempo e a postagem atrasou. Vamos a uma recente. Sem Ghidelli e Márcia, em vias de viajar, a confra #émuitovinho reuniu-se na quinta. Iniciamos os trabalhos com um Xisto Cru Branco 2017 - ótima safra, dizem... - duriense no incomum corte Códega de Larinho, Gouveio, Rabigato, Verdelho e Viosinho... entendeu? 🤣😂 D. Neusa chamou atenção para um querosene (sic) ao estilo Riesling da  Alsácia. Na verdade, ligamos esse estilo mais ao Óleo Singer - não qualquer óleo, o Singer, aquele usado por nossas mães nas máquinas de costura, para quem se lembra... Depois da sugestão, notamos sua presença. Mais evidentes, o cítrico à limão (laranja?) com toque floral; boca mineral, ótima acidez suportando meros 12,5% de álcool, untuoso, bastante seco e com final longo. Comprei apenas duas garrafas numa 'promo' onde privilegiei a versão tinta, degustada ao longo dos anos, nem todas postadas. Don Flavitxo bem que avisou à época sobre sua qualidade, mas a fome pelo tinto falou mais alto. Se arrependimento matasse... 😆. 

Depois teve um Crasto Superior 2020, que eu toquei o terror pra cima das confrarias (rs) e compramos muitas garrafas em 'promo' a R$ 130,00, ou algo assim. Deu até confusão, mas a galera vai me agradecer quando experimentar. Nesse preço, é ótimo! Já o degustei diversas vezes, mas logo após seu lançamento no Brasil os vinhos da Qualimpor ficaram muito caros - há uma reclamação minha perdida no blog onde comento estarem aumentando seus preços em dóla, uma interpretação não tão precisa. Estavam sim aumentando a margem, entrando na tubaronice deslavada com o alegre consentimento dos representantes locais, e acabei parando de comprar deles. São bons, mas estão caros, e preciso invocar uma das máximas d'Oenochato: posso comprar vinhos caros, mas não pago caro por vinho! E o Castrinho (sic! rs!) entrou nessa, infelizmente. Na safra 2020 é um corte Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Souzão; com quase uma hora de aeração chegou entregando um pouco de baunilha e muita fruta vermelha com madeira bem discreta. Seus 14% de álcool não aparecem, e a boca é rica em frutas, especiaria, tabaco (chocolate?), acidez indo a média, taninos já arredondados, pronto para beber. Tem bom final, e combina bem com lombo canadense e melhor com o presunto defumado tipo alemão do frigorífico Hans. Passando da segunda hora de aeração e junto do carré e outro pedação de cordeiro, o La Tourtine 2014, do Domaine Tempier, arrancou um sorriso aberto da Elvira logo de cara. É produzido em Bandol, considerada a denominação de tintos mais séria da Provença, no sudeste francês, e um corte Mourvèdre (85%) com variação de Grenache e Cinsault. Mourvèdre e Grenache são cepas quentes, produzem vinhos estruturados com ótimo corpo. Em Châteauneuf du Pape chegam a compor 100% de alguns exemplares, a despeito da denominação permitir o corte com mais de uma dezena de cepas. Exemplos 100% Grenache são o Château Rayas e o Domaine de la Janasse Cuveé Chaupin, degustado aqui, e o Clos Saint Michel (100% Mourvèdre). Voltemos ao La Tourtine... ficou na geladeira junto do Xisto, e experimento agora, sábado, suas derradeiras gotas. O nariz continua explosivo, frutas vivas em deliciosa complexidade muito além do que o nariz torto deste Enochato pode desvendar. Dessa mesma região, já provei o Château Pradeaux 2007, e La Tourtine repete um de seus principais competidores: mineral e parrudo, este com taninos ainda um pouco pegados - se arredondam em mais cinco anos, mostrando seu enorme potencial de guarda - e acidez pedindo comida: foi ótimo com o cordeiro na quinta e igualmente bom com o filé ao molho gorgo de hoje, com seus 14% de álcool integrados e madeira fechando um ótimo conjunto, harmoniosamente superlativo. Fiquei me perguntando se a quase ausência de borra apenas confirma o quão novos estão os taninos... Aposto que sim! Costumo dizer em reuniões de confraria: viajar para Bordeaux pode ser legal, mas é difícil experimentar os melhores produtores, por custosos. Na Borgonha, então, é impossível. Não entrarei na questão exclusividade desses vinhos porque tem pouco a ver: eles nos são vedados, de qualquer maneira. No Loire, no Rhône e no Languedoc/Provence pode-se beber dos melhores vinhos por até USD 100,00, e esse valor entra no bolso de boa parte dos enoturistas. Sim, dá pra beber muita coisa boa por menos, mas enfatizo: por até USD 100 bebe-se dos melhores! La Tourtine está na casa dos USD 80,00, e alegro-me por não ter representante por aqui; chega de passar raiva... (risos!). Recuperar a experiência de um Bandol foi gratificante, e recomento fortemente a quem não conhece. O único problema é comprar safras novas... nesse caso a paciência será recompensada. Caso contrário, pague um pouco a mais por safras antigas.
   Por sobremesa, tivemos uma torta paulista trazida pela Celinha, neófita que tem curtido as experiências proporcionadas pela confraria. Foi degustado com um Aurora Colheita Tardia 2021 e dois Sauterninhos Doisy-Védrines 2016, um aberto há algum tempo e mantido em geladeira e um 'zero'. Ele oxidado fica bem melhor...

Preços

O Crasto Superior custa R$ 102,00 no Garrafeira Nacional, um sítio reconhecidamente caro - mas onde o comprador encontra os melhores vinhos portugueses. Seu preço aqui andava entre R$ 250,00 a R$ 260,00 (2.5x), mas com a crise pode ser encontrado por até R$ 170,00. Na faixa de R$ 130,00 estava um preção!




Xisto Cru anda esgotado na importadora, faz algum tempo. Paguei R$ 340,00 na 'promo', não lembro qual era o preço normal. É um vinho de mais de 30 Euros em Portugal - o Garrafeira mostra eu preço - esgotado - em reais: R$ 178,00. Aqui, a R$ 340,00, deu praticamente 2x, o que chamo de o limite da compra.




Sunday, August 11, 2024

Meu Caro vinho me perdoe por favor...

Introito

Bem aventurados os que creem sem ver.
Jó 20, 29 ditador N. Maduro


Parte desta postagem estava escrita quando a plataforma Blogger enfrentou alguns problemas, impedindo a edição de várias colunas, dicas e alertas. Nesse meio tempo,o sinistro Taxad, pau mandado de Ali Lulá, mandou ver sua política de tributações desmedidas, obedecendo cega e disciplinadamente seu mentor. O governo tem objetivo claro: continuar a gastança e bancar seu carro chefe, a transferência de renda da classe média para a pobre. Parece desprezar o final iminente desse ciclo: os beneficiários do Bolsa Família já superam o número de trabalhadores com carteira assinada em 13 estados - 13. Um número sugestivo por vários ângulos, todos igualmente agourentos. O estudo é do Poder360 de onde retirei esse mapa, e números são números, não há o que contestar - menos se estiverem errados. Nada indica. As perguntas no ar são: até quando a população produtiva conseguirá suportar essa carga? Estará ela disposta a continuar esse esforço sem vislumbrar uma luz no fim do túnel? Por último, e não menos importante: Onde está a tal porta de saída para os beneficiados? Por quais ações governamentais esse número poderá diminuir em qualquer futuro, próximo ou distante? Ao contrário do que pensam os inocentes, o governo não começou há um ano e tanto. Ele começou há 15 anos e oito meses, nada menos. Seu fracasso só não está evidente não para os cegos, mas para os estúpidos. Enquanto isso o tonto do Nicolás - não o Catena, o Maduro - pinta de amarelo-cremoso a já desgastada estima pela esquerda mundo afora. Fraudou - claramente - as eleições em seu país, e conta  a indulgência de nossos diplomatas, presidente, políticos, influenciadores e artistas para agarrar-se a uma derradeira virada de mesa. Lembro-me de um período negro de nossa História quando os artistas estavam a serviço de causas populares e ao lado da classe média. Nossos heróis de então punham-se inegociável e terminantemente contra a ditadura e a censura em meio a métricas e rimas onde imperava a metáfora para discorrer sobre um país sob o mais torpe autoritarismo. Hoje em dia apoiam a censura, pouco metrificam e menos rimam; e o que dizer de lutar contra a censura... PL 2630 logo ali...

A Paduca quase falha

Deveria ser uma reunião regular da Paduca. Pela manhã, ânimo no grupo de uátizápi... à tarde, mal abrira um vinho para seu respiro, chega uma desistência. Às 19:35, como quatro minutos de atraso, envio o alerta (ao lado). Duílio chega às 20:00, com a pizza nas mãos. Paulão não atende ao telefone... olhamos um para o outro e fomos às taças... Caro Malbec Cabernet Sauvignon 2014, produzido pelas Bodegas Caro, é um empreendimento conjunto da argentina Catena Zapata e do francês Château Lafite-Rothschild, cujo primeiro exemplar veio à luz em 2000. Este 2014 mostrava um pouco da idade pela borda da taça ligeiramente atijolada, como o Duílio notou logo de início. Mas o buquê era rico, com fruta viva, madeira e mais notas. Um toque de couro/chocolate dava o ar da graça. Tinha um tantinho do quê tridimensional ao qual me refiro às vezes, mas numa escala não tão marcada. Mesmo assim, tal característica em um sul-americano surpreendeu. Os taninos estavam muito macios, sedosos... álcool bem integrado, baixo dulçor, e pecou pela acidez. Estava lá, mas sem tanta força a ponto de obrigar-nos a colocá-lo como um vinho de primeiro time... faltava... O final estava próximo ao conjunto da obra, bom. 

Um pouco mais de acidez para promovê-lo e ele seria o melhor vinho que já provei nestas paragens. OK, não bebi muitos ícones recentemente, a menos do Gran Enemigo. Sobre esse, que é apenas um bom vinho, Caro tem ampla vantagem. Pode ser considerado excelente para o padrão sul-americano, mas não levaria uma disputa preço a preço com similares europeus. Acreditava ser uma exclusividade da Mistral, cuja safra 2018 está pela bagatela de R$ 745,67 - se disser que foi indicado pelo Enochato, R$ 745,60 -, mas também é vendido pela Vivavinho, na mesma safra '18, a R$ 599,90. Enquanto isso seu preço lá na Argentina surpreende: o Carrefour, sem dó, dá uma mistralada (sic) no consumidor tirando-lhe o couro e aliviando-o em mórbidos 182 mil pesos argentinos (R$ 1.080,00!). Outras lojas oferecem-no com desconto, por 120 mil a 130 mil pesos (R$ 711,00 a R$ 770,00). Seu valor mais baixo está pelos 100 dólas. Fico pensando quantas mãos consigo encher pensando em vinhos melhores a preço similar - ou inferior. Muitas, e isso basta para encerrar a conversa assim: meu Caro vinho me perdoe por favor... mas seu preço anda arisco... Tinha aberto um Sordo Nebbiolo D'Alba 2017 para acompanhar a postagem do Caro quando experimentei os problemas com o blog pela primeira vez. Ele estava um pouco desacertado, insosso. Seu Barbaresco é bem melhor... acho que a garrafa estava miada, e não vale a pena comentar.

Esta postagem foi tocada a meia garrafa do alentejano Mouchão 2012, um corte acima de 70% Alicante Bouschet e Trindadeira, segundo o produtor. Nariz com fruta generosa, um toque herbáceo e mais complexidade pela frente, rico. Boca com taninos pegados - não arredondaram ainda - fruta, pimenta, um pouco de álcool e madeira discreta, boa acidez, final persistente. Eu acreditava que seu preço aqui tinha despirocado (rs), mas fiquei em dúvida se não foi por 'lá' também. Até algum tempo encontrava em 'promos' por R$ 400,00"menos" - paguei R$ 200,00 há algum tempo, e bebi a primeira garrafa com o Renê e o Akira, há alguns anos. Atualmente chega a R$ 800,00 aqui(!), embora encontre-se a R$ 570,00. A mesma safra 2012 em Portugal custa entre 40,00€ e 60,00€. Não sei se sempre foi um vinho caro e não tinha essa noção... fiquei pensando se Mouchão vale quanto pesa. Recentemente provei um Quinta do Noval Reserva 2018. Fechadão sim, mas com ótima estrutura escondida pela tenra idade. Custa seus 50,00€, igual a um Mouchão em safra igualmente nova. Embora seja um bom vinho, não parece-me que Mouchão leva o Noval Reserva. E o Noval ainda pode ser encontrado por aqui a cerca de R$ 250,00, um preção para a qualidade e na comparação do preço 'lá'. Aqui temos uma desproporção que não consigo explicar...

Aberta a temporada de caça aos otários

Com a proximidade das eleições entre agosto e setembro, as ratazanas saem de seus bueiros à caça de votos e abre-se automaticamente a temporada de caça aos otários. As importadoras, que de otárias pouco têm, embarcam na onda: descontos de 60%(!). Sessenta por cento! Não é para um pequeno número de garrafas por conta de queima de estoque, mas por alguma desculpa esfarrapada qualquer: vinho do mês, aniversário da importadora, cepa da moda, desconto prá vocêêêê... Nossa sociedade, composta por desinformados de carteirinha, inocentes de nascença e tontos em geral aceita tudo resignada. QI médio de 85, polarização entre o ruim e o pior, justificativas pelo político de estimação em detrimento da mais óbvia lógica... tudo se emparelha. Mais do que nunca, resistir é preciso. Pesquise e compare. Vinhos, candidatos...


   


O Mouchã, 'lá'.


 
O Mouchão por aqui...
 

Sunday, July 21, 2024

Ah... Torbreck...

Introito

O mão direita do diabo, presidente - dizem que os ex-presidentes mantêm o título - Donaldo Trumphi por pouco não sai caolho de um comício. Caolhice (sic) adquira por distúrbio advindo de AR-15 costuma levar a óbito alguns centésimos de segundo após o surgimento dos primeiros sintomas, dizem. Nunca presenciei.  Mas vá perguntar-lhe o que ele pensa sobre a liberdade do cidadão para comprar armamentos até de grosso calibre. Ele pode ser favorável a uma inspeção um pouco mais rigorosa na ficha corrida do comprador, mas duvido que tenha mudado de posição, francamente conivente ao comércio de armas. E não nos deixemos enganar pela sua postura triunfante ao descer da tribuna; esse sujeito quase joga a América - para o bem ou para o mal, principalmente para o bem -, a maior, mais longa e mais estável democracia do Ocidente no caos, há uns poucos anos. Enquanto isso, aqui, o governo volta a restringir  a possibilidade do cidadão comum adquirir um revólver que seja, mas nenhuma ação é anunciada para coibir o recebimento de armamentos e munições pelos bandidos soltos pelo país todo. E nem comecei a falar do Taxad. Talvez nem perca tempo com energúmenos, mesmo; estou coberto de vergonha com a aula de um esquerdiota desses que infestam todos os cantos do país. Ele foi destroçado pela direita, e não para menos: a quantidade de besteiras ditas em curto espaço de tempo levou seus detratores a risos debochados em escala industrial(!). Os pândegos estão aqui; começa no minuto 29:55, onde tratam dos memes do Andrada, digo, Taxad. O professor universitário(!) faz uma apresentação de memes, pretendendo dizer quando e onde aplicá-los. A salva de contra-argumentos tira toda a seriedade do discurso logo de cara. Ao longo dos próximos 30 minutos - e vai além... 😣 - o pobre doutor é  reduzido à sua real importância sem muito esforço por parte dos algozes. Algozes... precisa haver algo de desumano quando atribuímos essa vileza a alguém... ali foi pura tiração de sarro, ironia fina, escárnio mesmo... O cúmulo do ridículo aconteceu quando o palestrante citou um programa para gerar memes... produzido em 2012! Será que não ficou velho? É tido como um dos precursores de programas para esse fim. Para mim o momento mais vergonhoso deu-se com sua constatação de a esquerda não estar preparada para combater essa estratégia da direita. Foi onde a trupe deixou passar o golpe de misericórdia, e a vergonha ficou apenas no patamar de descomunal - poderia mesmo ter sido pior. Pergunto: o caboclo estuda memes há não sei quantos anos e... nunca municiou a esquerda com suas importantíssimas conclusões e ensinamentos? É isso mesmo?! Só agora vem dizer sobre o despreparo do nosso campo face aos métodos dos adversários? Ele não percebeu isso antes ou apenas manteve-se calado até agora? Gênios da lâmpada...

Reuniões passadas

Rolaram alguns encontros desde a última postagem. Em uma delas eu estava gripado e não consegui desfrutar muito do que foi ofertado pelas confrades; a informação sobreviveu graças à nossa fotógrafa oficial (rs), a Liu, em primeiro plano. Participaram também a Lu(ciana) atrás de mim e a Débora. Teve (rs) um Miolo Millésime Brut 2020. Não estava ruim, se o bebedor sisquecer que existem espumantes de Trás-os-Montes de Portugal, por exemplo. Já ouviu falar dessa região no norte português? Pois é, espumantes bons de 10,00€ chegam aqui por R$ 250,00 ou mais, então fica difícil pensar em comprar. Mas essa desconhecida - para nós - região vitivinícola produz a 10 moedas espumantes de boa qualidade que nos eclipsam, sem muita dificuldade. O Millésime custa aqui R$ 150,00 na página do produtor. Não dá pra levar a sério. Lembro ter um pouco de acidez - o mínimo para qualquer branco (mesmo espumante), mesmo sul-americano - mas meu nariz não estava apto a pegar o buquê. O Shaar-Adonay 2018 do Lídio Carraro, pretende ser (segundo o sítio do produtor) majestoso, profundo e luminoso... Seria desonesto analisá-lo mais detidamente pelo meu estado, mas... fala sério! R$ 230,00 dá seus USD 40,00 (dóla a R$ 6,00, grosso modo), e podemos comprar um La Chablisienne Premier Cru por esse valor. Lá fora, claro... Como já comentei, as meninas são neófitas nestas lides; ainda há muito para provar. Excursões nacionais estão em seu cardápio, e é bom conhecer tudo, sem preconceito, e formar assim um pós-conceito honesto.

Luciana apareceu com um espanhol, o riberense El Lagar de Isilla Albillo Mayor 2021, um Vinhas Velhas dessa cepa (Albillo Mayor) completamente desconhecida para mim. Não lembro da estória dele, mas como ela andou por aquelas paragens é bem possível que tenha experimentado e gostado, trazendo um e outro exemplar na mala. Ela mesma denunciou que aquela garrafa estava sem acidez e não fazia jus ao que fora degustado anteriormente. Às vezes a garrafa mia, por algum motivo... Como a reunião tinha por objetivo discutir a eventual compra de um vinhão na próxima viagem delas, achei legal dar-lhes a ideia do que seria um vinhão... o Torbreck The Factor 2001, do Vale de Barossa, é um australiano muito do meu gosto. Já bebi outros dois Torbrecks, inclusive essa mesma safra do The Factor. De outro, o Descendant, Don Flavitxo deu fé, aqui. Ele estava grandioso... suas frutas passaram por cima do congestionamento do meu nariz, e aquele aspecto tridimensional - sei que tinha - se não marcou com essa característica estranha, ainda sobreviveu às minhas limitações e impressionou com muita fruta. Mas eu não estava mesmo bem, e não consegui pegar mais notas. A boca tinha acidez média com boa persistência - engula, salive e note como ele continua em boca... e não tenho muito mais a dizer, infelizmente. Para elas, tenho certeza, foi uma experiência marcante. Convenci-as a, de repente, investir em um vinho mais... singular... na viagem que se aproxima. Vejamos... Para arrematar servi-lhes um portinho 1994 que provavelmente chegará ao final sem que eu fale sobre... Tentando resolver isso...

Sunday, July 14, 2024

#émuitovinho

Introito

A ironia é uma arma poderosa em tempos de paz e democracia e este escriba arroga-se a dominá-la com alguma maestria. Sem muita paciência para metáforas rebuscadas ou para rimar termos cognatos, vou tecendo minhas cantilenas e abusando da indulgência do leitor mais desavisado. Não estamos mais em em momentos pacíficos, e faz tempo. Para mim começou (não) na última quinta-feira, mas n'alguma quinta-feira preguiçosa tempos atrás, quando o Estúpido pronunciou pela primeira vez "Porque eles...".  Agora esse Zé Ninguém com posição de superintendente prepara, imerso em sua raiva e desejo de vingança, mais um assalto à classe média em extinção coordenado pela batuta de seu filho bastardo Zé Taxão: alguém cuja pouca capacidade obrigou-o a colar em prova de Economia e que de repente viu-se no cargo de sinistro (sic) de estado sem ter ideia nem noção da importância e responsabilidade da função. Nenhuma novidade para posto já ocupado por um cabeça de mantega (sic). Na falta de paz e democracia - e pela esquerda mundo afora estar desgovernada, para minha mais completa vergonha - algum ódio acaba por nos acometer. Minha paciência ante a desmandos e incompetências acabou-se há muito, mas a democracia manda-nos testarmos nossos limites e manter a ternura... Aconteceu dos tempos de paz e amor ficaram para trás, né Janja? Saboreemos então a dura verdade. Nada mais, mas também nada menos.

   O pobre Joe é outro a não se cansar em nos humilhar. Estes dias comentava, lépido e saltitante, sobre os aliados (europeus) nada dizerem acerca de sua condição, nem recomendarem-lhe repouso. Indica dois pontos: o quanto os primeiros são tolos e omissos, e quanto o pobre Joe passou do ponto e confunde o menor fio de teia de aranha por cipó onde possa agarrar-se. Ousariam os aliados europeus recomendar ao pobre Joe encher sua fralda geriátrica no aconchego do lar em vez de fazê-lo repetidas vezes em público?


#Émuitovinho

Estes dias a #Émuitovinho voltou a se reunir, celebrar a vida, as companhias, o vinho e o retorno da D. Neusa daquele país onde a cana mais dá, o Canadá. Claro, com muitas garrafas na mala. Desta vez escolhemos exemplares mais baratos em maior quantidade; os caros ficaram por conta do compadre Ghidelli, tendo-os trazidos em viagem de final de ano para sua amada Espanha. Ameaça tirar cidadania, e parece decidido... todos os rebentos estão lá; para que suportar os desmandos presenciados diariamente por estas bandas? Abusos para quem os percebe, bem entendido, porque aqueles que não os querem observá-los, simplesmente não os notam... 

Com alguns vinhos mais complexos devidamente repousados por vários meses, lançamos mão de um exemplar de destaque junto a outros mais simples. O Chablis Vielles Vignes 2022 Domaine de la Motte já apareceu nestas páginas e foi um grato achado graças aos contatos de Don Flavitxo. Quem o havia degustado e esquecido (risos!) gostou novamente e aprovou a aquisição. Manteve o nariz cítrico, boca com frescor e ótima acidez, boa persistência e final, como se espera de um vinho de 17,00€. Comprado aqui a R$ 180,00, é uma oferta excelente. O Viña Cubillo 2016, também provado há pouco tempo, recebeu de D. Neusa um comentário jocoso: E pensar que é o vinho mais simples desse produtor... Cubillo é tudo isso: elegante, bom corpo, estruturado e bem balanceado, sem muitas arestas: lembra aquela bandinha bem treinada a tocar os acordes da maneira correta e sem afetação. Para um vinho de 18 dólas na Espanha, seu preço aqui de R$ 373,10 é um despropósito - e não adianta dizer ter sido indicado pelo Enochato; terá de pagar até os últimos R$ 0,10. Sei que tem no Paraguai. Considero viajar até lá e usar dos meus direitos de turista na fronteira e trazer o que puder dele, antes da meia-noite. 

Junto do bifão veio o Brunello de Montalcino Fattoi Riserva 1999. A safra '99 foi notável em Montalcino. Isso não assegura a integridade de todas as garrafas - outro exemplar aberto pelo confrade literalmente miou - mas a nossa mostrou-se muito interessante. Reproduzo a impressão do Ghidelli: ...uma cor que não entregaria tudo o que se esperava de um Brunello. Mas surpreendeu com aromas primários de alguma fruta negra. Tinha muitas camadas de aromas terrosos e resina, além de creme de cogumelos e aromas de estábulo. Na boca a acidez se equilibrou com os taninos bem redondos, sem se notar a presença marcante de álcool. Boa permanência e retrogosto. Gostei da surpresa... O meu nariz estava um pouco detratado (rs); no dia seguinte uma gripe chegaria com força, mas deu para pegar notas oxidadas bem evidentes. Equilibrado, tinha ótima persistência e final, mas só consegui aproveitar além do mais óbvio. Ainda assim a diversão foi completa, e valeu. Obrigado, Ghidelli! Para completar, a sobremesa foi tocada por um Icewine Riesling 2019 da Pond View, produtor da Península do Niágara. Buquê muito rico, complexo, pouco decifrável pelo estado calamitoso do provador, ainda assim teve força para marcar-me com um tom cítrico de maneira indelével. Boca adocicada contrabalanceada pela firme acidez, mostrou-se muito equilibrado e a permanência, esplêndida. Não tenho certeza de bate o excelente Magnotta Cabernet Franc, do qual tive o prazer de desfrutar por duas vezes, mas valeu muito.

Encontrei a imagem da abertura aqui, https://br.ifunny.co/picture/meia-noite-taxarei-sua-alma-ze-do-taxao-l76DgS9aB. Não há crédito do artista, pessoa de sensibilidade e bem conectada ao momento atual, e cuja paciência claramente ainda não se esgotou.

Friday, July 12, 2024

Níver da Liu

Introito - Istoriadodores (sic) de araque

Um povo sem memória é um povo sem história. 
E um povo sem história está fadado a cometer, 
no presente e no futuro, os mesmos erros do passado.
Emília Viotti da Costa

O primeiro dever do historiador 
é não trair a verdade, 
não calar a verdade, 
não ser suspeito de parcialidades ou rancores.
Cícero


   Istoriadores (sic) de araque abundam por todos os lados. Dentre os esquerdopatas, mais; a tradição de reescrever a história é antiga neles, embora tais origens remontem ao Egito. Sim, a citação é de um filme róliúdiano, mas a prática milenar de apagar os nomes de antecessores e tomar para si realizações de outrem está registrada em pergaminhos e foi reconhecida com o emprego de fotografias de alta resolução durante os anos 50 e 60. Nessa época Stalin já se cansara de reescrever a História, e nem estava sozinho; Mussolini - direitóide por excelência - também era craque na matéria:


   Mais recentemente, Nosso Amado Presidente - NAP! - parece ter cedido a tais pendores. E na tentativa de reescrever a história baseado em sua inépcia usual, ainda enfia os pés pelas mãos. Vejamos:


   Entendi corretamente? Preste atenção!: Algumas pessoas me disseram, Andrada, eu não sei se é verdade... - ótima introdução. Não se compromete, embora nos premie com mais do mesmo: sua ignorância sem limites. - Que quando São Paulo perdeu a... a Revolução de 32, que eu não acho que foi revolução, eu acho que foi um golpe que os paulistas tentaram dar no Governo Federal... Como é que é?! Antes ele não sabia, mas imediatamente entrega-se, produzindo um juízo de valor! O que é pior?, falar sobre o que não sabe ou perpetrar uma ofensa aberta contra os paulistas quando estes insurgiram-se contra um governo provisório que, depondo a administração em curso, prometeu, sem cumprir, a nova constituição da qual, dizia-se (minha vez de sair-me bem!), o país precisava? NAP pretende reescrever a estória, ao sugerir um golpe? Golpe é o que o atual governo perpetra nos mais pobres, quase diariamente e sem remorso, arrastando junto a classe média. Não bastasse, Andrada, um paulista, estudante do Colégio Bandeirantes - o nome presta homenagem a homens baseados em São Paulo cuja coragem e tenacidade esticaram o Tratado de Tordesilhas dando ao Brasil suas imensas fronteiras! - aceita isso como um cachorrinho de madame! Volte lá no filme, e veja se ele não sorria! Assim NAP - NAP, bah! - flerta com a perfeita canalhice pretendendo rebaixar o esforço paulista contra um governo ilegítimo. O Decreto n° 19.398, de 11 de Novembro de 1930, estava claro. Apenas não foi cumprido:


   Aliás, notou a fonte a reproduzir o fac-símile original do Decreto? É próprio Istituto (sic) Ali Lulá! Conhece? Não conhecendo, apresento-o:

O níver da Liu

Uma das comemorações do níver da Liu aconteceu no último dia 3. Ela reuniu sua galera do vinho - ou a parte que pôde comparecer -, e este Enochato estava lá... Cada um levaria alguma garrafa, e havia muito para apreciar... belisquei aqui e ali, e comento apenas alguns exemplares. Teve o Anciano Criança Tempranillo 2015, e uma curiosidade associada: no presente rótulo, diz-se que ele envelheceu em barrica por três anos. Havia provado dele anteriormente (aqui!), mesma safra, mas o rótulo indicava dois anos de guarda. Alguém explica? Lendo aquelas notas, este três anos pareceu mais redondo e melhor acabado. Mostrou fruta bem evidente (será 2015 mesmo?), boca com acidez um pouco ligeira e rápido no final, algo surpreendente para um vinho simples com nove anos. Vi na Cave912 por R$ 63,00, e por esse preço enfrenta bem a concorrência, principalmente vários portugueses de supermercado. Ainda, mais arredondado se comparado ao Faustino Faustino VII Garnacha, degustado recentemente em duas safras, e vendido em mega-promo a R$ 58,00 ou sem promo a R$ 98,00. Esse Faustino de fato não me ganhou, embora eu goste de seus Gran Reservas.  Rolou um chileno, o Leyda Reserva Pinot Noir 2022. Há muito tempo trouxe do Chile um Grand Vin também Pinot do produtor, e não convenceu pelo preço lá. Não recordo-me muito das notas do reserva, mas este igualmente não convenceu na boca: bem ligeiro, acidez baixa, nada trouxe de novo ao meu conceito sobre chilenos: permanecem caros. Teve outro Pinot, o Fração Única 2021 da Casa Perini. O produtor teve seu Moscatel eleito como o quinto melhor do mundo, ali por 2017, por um painel de jornalistas ou algo assim, mas ninguém colocou o nome na reta. Experimentei e tive a certeza: o mundo faz Moscatéis melhores. Já experimentou um Moscato d'Asti? Experimentei um só, não lembro agora qual foi, mas mantenho na memória algo básico: equilíbrio. Doce sim, contrabalanceado pela acidez. O Perini era somente doce - enjoativo, portanto... Seu Fração Única tinha ótimo buquê, mas a boca entregava todas as características de um vinho simples: sem acidez nem diferencial, muito leve - pouco tanino, também -, rápido e rasteiro. Outro típico caso a despertar a dúvida: como pode ter um nariz tão interessante e uma boca tão singela? Uma possível explicação foi comentada recentemente: aromatizantes artificiais. Não sou contra colocar chips de madeira em tonéis de inox para dar toque de carvalho em vinhos simples. Acho desonesto quando isso é feito às escondidas - fora quando ainda vendem o produto como Reserva... Mas aromatizantes artificiais? Ninguém me perguntou, mas se querem saber, é o seguinte: aceita artificiarias (sic)?, vai beber cococola....

Apareceu um Poeme Grande Reserve Cabernet-Syrah, de garrafa bem bonita mas cuja safra perdeu-se em algum lugar... Um languedoquês (sic) um pouco acima dos já comentados aqui, com bom nariz mas boca quase tão simples quando os sul-americanos já descritos. Batizado também? Tem um pouco mais de estrutura sim, mas competiu com vinhos relativamente fracos - a menos do Anciano, e este pareceu-me acima dele. Assusta seu valor aqui, cerca de R$ 140,00, mas vem de importadora tubarona. Não deve ter custo superior a 4,00€ na França, mas não encontrei nenhuma referência a ele em sites franceses! Dá a impressão de vinho feito para o mercado brasileiro... Este Enochato compareceu com um Quinta do Noval Syrah 2016. O Eustáquio - não falei do vinho dele, um branco - comentou ter sido para ele o vinho da noite. Quando todas as garrafas estavam empilhadas num canto e a turma olhava para as taças vazias, saquei da mochila a derradeira, um MOB Lote 3 2018. Evaporou... Esses já foram bem comentados, não vou repetir-me. 

Ao fim e ao cabo, para um encontro onde a estrela foi a aniversariante e não os vinhos, diria o Enochato: teve bão... walew, Liu!